Fonte: Folha Online
Texto: GABRIELA GUERREIRO
"O ministro da Defesa, Waldir Pires, minimizou nesta quarta-feira a crise no controle do tráfego aéreo do país. Ele atribuiu os problemas recentes no setor às falhas nos equipamentos e aos recursos humanos, numa referência indireta aos controladores de tráfego aéreo. O ministro considerou a crise como normal.
"Em países em desenvolvimento, essa é a rotina", afirmou, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o caos aéreo.
Pires disse que o governo vai solucionar crise e que está aprimorando os diagnósticos para impedir novos atrasos nos vôos. "Os fatores são definidos ao meu juízo em procedimento de gestão que determinaram ocorrências. Não há por que deixarem de serem reordenadas e postas a serviço do povo brasileiro."
O ministro saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que há duas semanas desautorizou o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, a dar ordem de prisão para os controladores amotinados no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília.
"Quando o presidente assume uma posição, ele assume como titular da soberania popular. Quando ele assume o comando supremo das Forças Armadas, ele tem o mandato oriundo de cada cidadão do Brasil. É a mais alta voz do Brasil, assume legitimamente."
Pires também disse que Lula agiu de forma correta ao designar o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) para negociar com os controladores e colocar fim ao motim ocorrido no fim de março --o mais grave do setor e que por, aproximadamente cinco horas, praticamente paralisou as decolagens no país. "Quando o presidente atribui diretamente a outros ordens de presença nas instituições, ele faz isso com legitimidade."
Participam também da audiência pública na Câmara dos deputados os presidentes da Infraero (estatal que administra os aeroportos), José Carlos Pereira, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, além de Pires e Saito.
Crise
O pior episódio da crise ocorreu no dia 30 de março, quando controladores de tráfego aéreo paralisaram as atividades por cerca de cinco horas. O movimento começou no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, e se espalhou para outras regiões do país.
Na ocasião, o governo federal chegou a firmar um acordo com os amotinados, mas recuou. Eles, agora, são investigados por suspeita de insubordinação.
Desde o final do ano passado, passageiros enfrentam constantes atrasos e cancelamentos de vôos. Inicialmente, os problemas foram causados pela operação-padrão dos controladores, que restabeleceram à força parâmetros internacionais de segurança. O Cindacta-1 sofria com a falta de controladores, pois alguns tinham sido afastados pelas investigações sobre a queda do Boeing da Gol, ocorrida em setembro.
Depois, falhas em equipamentos passaram a contribuir para aumentar a espera nos aeroportos. Desde março, o aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), um dos maiores do país, pára sempre que chove forte, pois a pista auxiliar está fechada para reformas e a principal tem graves problemas de escoamento."
quarta-feira, abril 11, 2007
O super-Lula da pesquisa: o que isso quer dizer?
O texto abaixo é do Blog de Reinaldo Azevedo. Pessoalmente adoro quando os jornalistas são assim: diretos e críticos. No caso do Reinaldo Azevedo, já escrevi isso em outra ocasião, existe um padrão muito alto na qualidade e no estilo com que se comunica com seus leitores. Ele, antes de tudo, é um polêmico. Leiam o texto:
"Segue síntese do Estadão On Line sobre os números da pesquisa CNT-Sensus. Volto em seguida:
Lula
O índice de aprovação do presidente foi o melhor desde fevereiro de 2005 (66,1%) e ficou em 63,7% contra 59,3%, em agosto de 2006, data da última pesquisa. A desaprovação ao desempenho de Lula também caiu, para 28,2%, ante 32,5% em agosto de 2006, também a menor desde fevereiro de 2005.
Governo Lula
O levantamento apontou ainda um aumento na avaliação do governo, que foi para 49,58%, a terceira melhor da série. Em agosto de 2006, a aprovação estava em 43,6%. O porcentual dos que desaprovam a gestão de Lula caiu para 14,6%, o menor índice desde fevereiro de 2005. Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato do presidente vai ser melhor do que o primeiro. Para 19,6%, será pior e 18,7% acreditam que será igual.A avaliação regular do governo também caiu, de 39,5% para 34,3%.
Apoio partidário e ministérios
A exigência dos partidos políticos de participar dos ministérios em troca de apoio ao governo no Congresso conta com a aprovação de 37,5% dos entrevistados, contra 40,8% que discordam.
Violência
Para 90,9% dos entrevistados, a violência no Brasil aumentou nos últimos anos. Apenas 5,2% discordaram. Os que consideram a cidade onde vivem violenta ou muito violenta chegam a 34,8%. Já 38,3% acham sua cidade pouco ou nada violenta.
Sobre as causas da violência, 24,1% apontaram a pobreza e a miséria. Praticamente empatados, a Justiça e o tráfico de drogas aparecem, com 19,1% e 19%, respectivamente. As leis brandas têm 15%; a corrupção policial, 11% e a falta de policiamento, 7,6%.
A pesquisa mostra ainda que para 29,9% da população cabe ao governo federal agir em relação à violência urbana, enquanto que 16,7% consideram essa responsabilidade do governo estadual e 12,6% da administração municipal.
Pena de morte e idade penal
Houve crescimento dos que são a favor da pena de morte: 49%, ante 46,7% em maio de 2003. Os contrários somaram 46%, ante 49,7% em maio de 2003. Já sobre a redução da idade penal para 16 anos, 81,5% foram favoráveis, contra 88,1% em dezembro de 2003. Os contrários à redução subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e renda
Emprego e renda estão entre as prioridades que devem ser enfrentadas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo 26,3% dos entrevistados. Saúde Pública aparece em segundo lugar, com 25,7%; seguida de Segurança Pública, 18,2%; Educação, 16,7%; Previdência Social, 5,5%; Defesa Nacional, 2,9% e Inflação, 1,7%.
Programas sociais
Os programas sociais do governo são conhecidos por 56,8% dos entrevistados. Desse total, 15,3% são beneficiários dessas iniciativas e 40,7% dizem não conhecer pessoas que sejam beneficiadas pelo programa.
Para 66% dos entrevistados, os programas são positivos, ajudam à população e levam ao desenvolvimento. Já 27,0% classificam os projetos sociais como negativos por não resolverem os problemas nem gerarem desenvolvimento.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Já entre os que têm informações sobre o PAC, esse índice sobe para 57,9% contra 24,7% que não acreditam que o programa vai acelerar o crescimento.
Selic
A redução da taxa básica de juros nos últimos seis meses aumentaram a disposição de 22% dos entrevistados para fazer compras a prazo. Mas, para 65,4%, a redução da Selic não aumentou a disposição para fazer novos financiamentos.
Entre os que disseram que houve aumento na disposição de compras a prazo, 48,4% efetivamente aumentaram suas compras, enquanto 46,8% não aumentaram.
A pesquisa mostra ainda que, do universo dos entrevistados dispostos a fazer compras a prazo, a preferência é por aquisições de eletrodomésticos, com 28% do total. A casa própria foi o segundo item mais citado, com 23,9%. Material de construção e carro aparecem na seqüência com 15% e 11,1%, respectivamente.
Crise aérea
O governo federal foi apontado como o principal responsável pela crise aérea no País. Pesquisa CNT-Sensus mostra essa constatação para 21,2% dos entrevistados. Tomando por base apenas os entrevistados que tiveram contato com o assunto (acompanham ou ouviram falar), esse número sobe para 25,8%.
Voltei (ele, Reinaldo Azevedo)
Para muitos dos que não gostam do governo Lula, os números talvez sejam um tanto desanimadores. Mas eles são absolutamente explicáveis. Mais do que isso: são razoáveis. Eu não esperava nada muito diferente disso. É isto, leitor amigo: conforme-se em ser minoria no Brasil por um bom tempo. O sonho da massa revoltada contra o poder despótico é uma ilusão ou uma tara de esquerda. A maioria da população, em situação de normalidade democrática, é assim mesmo: apática, abúlica e gosta de quem está no comando. Irrupções revolucionárias, só para citar o ponto extremo do desagrado da massa com os governantes, são sempre coisa de minorias e jamais são bem-sucedidas se uma fatia do próprio poder dominante não resolve trair as suas origens. Os historiadores, inclusive os marxistas, sabem disso. Mas criam o mito da resistência popular. Pura balela.
Lula foi reeleito há pouco mais de cinco meses e começou o segundo mandato há pouco mais de três: chegou lá com dois terços do eleitorado e, com pequena variação, ainda os conserva. A rigor, não há razão para ter perdido o apoio daqueles que o reelegeram. Aquele país ainda é o mesmo, com uma ou outra notícia “positiva” a mais, como o PIB recontado e o dólar no buraco, o que enche, acreditem, uma parte importante dos brasileiros de orgulho.
A craca assistencialista grudou na política brasileira, e não será fácil tirá-la, mormente porque as oposições são muito tímidas no país — e tendem a se intimidar ainda mais diante de pesquisas como essa. Querem números exemplares do que estamos vivendo? Dizem conhecer os tais “programas sociais” 56,8% dos entrevistados. Mas 66% os aprovam. Aprovam o quê? A propaganda. Com isso, não quero dizer que os programas não existam. Existem, é claro. Mas são uma abstração para uma boa parcela dos entrevistados — e, pois, dos brasileiros.
Acompanhem: quantos beneficiários, leitor, você conhece do Bolsa Família? A exemplo deste escriba, a resposta é quase certa: nenhum — fazemos parte daqueles 40,7%. Pior: integramos o grupo dos 27% que consideram que eles não respondem ao desafio do desenvolvimento. Estamos na contramão da “doxa”. E agora? Vejam só: Lula inventou o tal PAC para a parcela mais informada da população, que resiste a seus encantos. Nada menos de 59% dos entrevistados — e é provável que todos eles estejam entre os dois terços que o apóiam — nem sabem que diabo é isso. Só 18,6% acham que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Vejam só: se Lula nunca mais tocar nesse assunto, vai decepcionar pouca gente.
E a crise aérea? Como é possível que ela não afete a imagem de Lula? É possível. Ele governa ou para o país que anda de carroça (metáfora) ou para o que compra avião — jamais para o que apenas anda de avião. E não vai abandonar essa clivagem. No médio e no longo prazos, essa administração medíocre do país vai fazer diferença, cobrar a sua fatura? Vai. As políticas públicas têm um tempo de maturação que não é o mesmo do julgamento da opinião pública. Imaginem se FHC tivesse feito tudo o que PT queria nos seus dois primeiros mandatos... Imaginem um país com a economia ainda mais fechada, atolado no endividamento das estatais. Que governo o PT estaria fazendo agora?
Não duvidem: os que não compactuam com o lulo-petismo terão de comer poeira por um bom tempo. É da natureza do jogo. Mais ainda: têm de se organizar para não continuar a comê-la, coisa de que não estou bem certo de que saibam fazer. Penso, por exemplo, nas 3,4 milhões de pessoas jurídicas que integram o MSP — Movimento dos Sem-Político (na verdade, considerando familiares e tal, talvez o dobro disso). Quem fala por eles? Quem vocaliza suas angústias? As oposições, no Brasil, cometem a delicadeza de jogar fora o público que têm ambicionando aquele que jamais terão, porque seduzidos pelo petismo e suas “conquistas”.
Lula navega numa onda extremamente favorável, que só existe porque governos anteriores se negaram a seguir a receita do petismo — que, uma vez no poder, demonstrou não ter receita nenhuma, a não ser, de um lado, acomodar interesses, e, de outro, manter azeitada uma máquina assistencialista inédita. Até que seus erros de agora não comecem a cobrar a sua fatura, vai tocando a vida sem muitos percalços. Mas atenção: mesmo esses erros só passarão a ter importância se transformados em luta política, coisa que as oposições não conseguiram fazer até agora."
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja
Publicado em 10 de abril de 2007
"Segue síntese do Estadão On Line sobre os números da pesquisa CNT-Sensus. Volto em seguida:
Lula
O índice de aprovação do presidente foi o melhor desde fevereiro de 2005 (66,1%) e ficou em 63,7% contra 59,3%, em agosto de 2006, data da última pesquisa. A desaprovação ao desempenho de Lula também caiu, para 28,2%, ante 32,5% em agosto de 2006, também a menor desde fevereiro de 2005.
Governo Lula
O levantamento apontou ainda um aumento na avaliação do governo, que foi para 49,58%, a terceira melhor da série. Em agosto de 2006, a aprovação estava em 43,6%. O porcentual dos que desaprovam a gestão de Lula caiu para 14,6%, o menor índice desde fevereiro de 2005. Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato do presidente vai ser melhor do que o primeiro. Para 19,6%, será pior e 18,7% acreditam que será igual.A avaliação regular do governo também caiu, de 39,5% para 34,3%.
Apoio partidário e ministérios
A exigência dos partidos políticos de participar dos ministérios em troca de apoio ao governo no Congresso conta com a aprovação de 37,5% dos entrevistados, contra 40,8% que discordam.
Violência
Para 90,9% dos entrevistados, a violência no Brasil aumentou nos últimos anos. Apenas 5,2% discordaram. Os que consideram a cidade onde vivem violenta ou muito violenta chegam a 34,8%. Já 38,3% acham sua cidade pouco ou nada violenta.
Sobre as causas da violência, 24,1% apontaram a pobreza e a miséria. Praticamente empatados, a Justiça e o tráfico de drogas aparecem, com 19,1% e 19%, respectivamente. As leis brandas têm 15%; a corrupção policial, 11% e a falta de policiamento, 7,6%.
A pesquisa mostra ainda que para 29,9% da população cabe ao governo federal agir em relação à violência urbana, enquanto que 16,7% consideram essa responsabilidade do governo estadual e 12,6% da administração municipal.
Pena de morte e idade penal
Houve crescimento dos que são a favor da pena de morte: 49%, ante 46,7% em maio de 2003. Os contrários somaram 46%, ante 49,7% em maio de 2003. Já sobre a redução da idade penal para 16 anos, 81,5% foram favoráveis, contra 88,1% em dezembro de 2003. Os contrários à redução subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e renda
Emprego e renda estão entre as prioridades que devem ser enfrentadas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo 26,3% dos entrevistados. Saúde Pública aparece em segundo lugar, com 25,7%; seguida de Segurança Pública, 18,2%; Educação, 16,7%; Previdência Social, 5,5%; Defesa Nacional, 2,9% e Inflação, 1,7%.
Programas sociais
Os programas sociais do governo são conhecidos por 56,8% dos entrevistados. Desse total, 15,3% são beneficiários dessas iniciativas e 40,7% dizem não conhecer pessoas que sejam beneficiadas pelo programa.
Para 66% dos entrevistados, os programas são positivos, ajudam à população e levam ao desenvolvimento. Já 27,0% classificam os projetos sociais como negativos por não resolverem os problemas nem gerarem desenvolvimento.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Já entre os que têm informações sobre o PAC, esse índice sobe para 57,9% contra 24,7% que não acreditam que o programa vai acelerar o crescimento.
Selic
A redução da taxa básica de juros nos últimos seis meses aumentaram a disposição de 22% dos entrevistados para fazer compras a prazo. Mas, para 65,4%, a redução da Selic não aumentou a disposição para fazer novos financiamentos.
Entre os que disseram que houve aumento na disposição de compras a prazo, 48,4% efetivamente aumentaram suas compras, enquanto 46,8% não aumentaram.
A pesquisa mostra ainda que, do universo dos entrevistados dispostos a fazer compras a prazo, a preferência é por aquisições de eletrodomésticos, com 28% do total. A casa própria foi o segundo item mais citado, com 23,9%. Material de construção e carro aparecem na seqüência com 15% e 11,1%, respectivamente.
Crise aérea
O governo federal foi apontado como o principal responsável pela crise aérea no País. Pesquisa CNT-Sensus mostra essa constatação para 21,2% dos entrevistados. Tomando por base apenas os entrevistados que tiveram contato com o assunto (acompanham ou ouviram falar), esse número sobe para 25,8%.
Voltei (ele, Reinaldo Azevedo)
Para muitos dos que não gostam do governo Lula, os números talvez sejam um tanto desanimadores. Mas eles são absolutamente explicáveis. Mais do que isso: são razoáveis. Eu não esperava nada muito diferente disso. É isto, leitor amigo: conforme-se em ser minoria no Brasil por um bom tempo. O sonho da massa revoltada contra o poder despótico é uma ilusão ou uma tara de esquerda. A maioria da população, em situação de normalidade democrática, é assim mesmo: apática, abúlica e gosta de quem está no comando. Irrupções revolucionárias, só para citar o ponto extremo do desagrado da massa com os governantes, são sempre coisa de minorias e jamais são bem-sucedidas se uma fatia do próprio poder dominante não resolve trair as suas origens. Os historiadores, inclusive os marxistas, sabem disso. Mas criam o mito da resistência popular. Pura balela.
Lula foi reeleito há pouco mais de cinco meses e começou o segundo mandato há pouco mais de três: chegou lá com dois terços do eleitorado e, com pequena variação, ainda os conserva. A rigor, não há razão para ter perdido o apoio daqueles que o reelegeram. Aquele país ainda é o mesmo, com uma ou outra notícia “positiva” a mais, como o PIB recontado e o dólar no buraco, o que enche, acreditem, uma parte importante dos brasileiros de orgulho.
A craca assistencialista grudou na política brasileira, e não será fácil tirá-la, mormente porque as oposições são muito tímidas no país — e tendem a se intimidar ainda mais diante de pesquisas como essa. Querem números exemplares do que estamos vivendo? Dizem conhecer os tais “programas sociais” 56,8% dos entrevistados. Mas 66% os aprovam. Aprovam o quê? A propaganda. Com isso, não quero dizer que os programas não existam. Existem, é claro. Mas são uma abstração para uma boa parcela dos entrevistados — e, pois, dos brasileiros.
Acompanhem: quantos beneficiários, leitor, você conhece do Bolsa Família? A exemplo deste escriba, a resposta é quase certa: nenhum — fazemos parte daqueles 40,7%. Pior: integramos o grupo dos 27% que consideram que eles não respondem ao desafio do desenvolvimento. Estamos na contramão da “doxa”. E agora? Vejam só: Lula inventou o tal PAC para a parcela mais informada da população, que resiste a seus encantos. Nada menos de 59% dos entrevistados — e é provável que todos eles estejam entre os dois terços que o apóiam — nem sabem que diabo é isso. Só 18,6% acham que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Vejam só: se Lula nunca mais tocar nesse assunto, vai decepcionar pouca gente.
E a crise aérea? Como é possível que ela não afete a imagem de Lula? É possível. Ele governa ou para o país que anda de carroça (metáfora) ou para o que compra avião — jamais para o que apenas anda de avião. E não vai abandonar essa clivagem. No médio e no longo prazos, essa administração medíocre do país vai fazer diferença, cobrar a sua fatura? Vai. As políticas públicas têm um tempo de maturação que não é o mesmo do julgamento da opinião pública. Imaginem se FHC tivesse feito tudo o que PT queria nos seus dois primeiros mandatos... Imaginem um país com a economia ainda mais fechada, atolado no endividamento das estatais. Que governo o PT estaria fazendo agora?
Não duvidem: os que não compactuam com o lulo-petismo terão de comer poeira por um bom tempo. É da natureza do jogo. Mais ainda: têm de se organizar para não continuar a comê-la, coisa de que não estou bem certo de que saibam fazer. Penso, por exemplo, nas 3,4 milhões de pessoas jurídicas que integram o MSP — Movimento dos Sem-Político (na verdade, considerando familiares e tal, talvez o dobro disso). Quem fala por eles? Quem vocaliza suas angústias? As oposições, no Brasil, cometem a delicadeza de jogar fora o público que têm ambicionando aquele que jamais terão, porque seduzidos pelo petismo e suas “conquistas”.
Lula navega numa onda extremamente favorável, que só existe porque governos anteriores se negaram a seguir a receita do petismo — que, uma vez no poder, demonstrou não ter receita nenhuma, a não ser, de um lado, acomodar interesses, e, de outro, manter azeitada uma máquina assistencialista inédita. Até que seus erros de agora não comecem a cobrar a sua fatura, vai tocando a vida sem muitos percalços. Mas atenção: mesmo esses erros só passarão a ter importância se transformados em luta política, coisa que as oposições não conseguiram fazer até agora."
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja
Publicado em 10 de abril de 2007
terça-feira, abril 10, 2007
Nosso Novo Lema
Já escrevi aqui e discuti em sala de aula que certos termos e expressões, carregados de significados ideológicos, políticos, científicos e filosóficos são utilizados pelos leigos como se fossem verdades absolutas e, uma vez desprovidas de seu sentido preciso, são vocalizados com galhardia e coragem pelos mais incautos cidadãos.
Por exemplo: alguém aqui sabe exatamente o que é ser de esquerda e de direita? Alguém pode me dizer o que significa a chegada do “risco-brasil” no nível 100?
Onde está a certeza de que a desmilitarização dos controladores de vôo irá gerar o fim do Apagão Aéreo?
Afinal, qual foi a matemática utilizada pelo Romário para dizer que ele finalmente marcará seu gol número 1.000? Será que ele não estaria no 1007? 980? E aquela pelada no final de semana que foi registrada pela filha da cunhada da vizinha do campinho de Macaé, na década de 80? Valeu? Se o Pelé somou o gol que fez, vestindo um terno, no evento que marcou a demolição do estádio de Wenbley e acrescentou à sua lista os gols que fez contra a seleção do exército, o Romário poderia somar os gols que marcou nos churrasquinhos de fim de semana na casa dos amigos e na chácara do Chico Buarque!
O fato é que cada um toma para si certas palavras e cria seus conceitos e verdades sobre elas de acordo com a conveniência do momento, assim como fazem com cálculos e estatísticas de desemprego e do crescimento do PIB. Se está ruim, ora, vamos mudar o cálculo e dar aquele jeitinho de fazer a estatística jogar a nosso favor. Este processo, em alguns casos é pura cara de pau, porém em outros, significa que ainda existem certos conjuntos de conhecimentos sobre os quais a maioria das pessoas não domina.
Eu, por exemplo, desconheço os efeitos do movimento caótico, o caos, sobre a mecânica quântica. Tampouco compreendo as relações binárias e não sei reconhecer se são reflexivas, assimétricas ou qualquer outra coisa que o valha. Da mesma forma, até hoje jamais consegui fazer um pudim de leite condensado igual ao da minha avó e tenho certeza de que não conseguiria fazer um gol vestindo terno com gravata apertada no pescoço. Dessa forma, devemos tomar cuidado com certas “verdades” que escutamos e também verbalizamos.
Desconfiar sempre. Este é o lema!
Se o fulano se diz “de esquerda” e por isso se considera um sujeito “do bem”, “do povo” etc, basta uma pergunta simples para complicar a vida do rapaz: Mas você é marxista leninista, trotskista ou bolchevista? Heim? Pronto, está feito o estrago.
Para a massa da classe média, o assunto do momento é o Apagão Aéreo. Por alguma razão, alguns formadores de opinião, membros do governo federal, da imprensa, dentre outros, venderam/aceitaram tranqüilamente a tese de que a solução para o problema está na desmilitarização dos controladores de vôo. Pouca gente utilizou o nosso lema e, sem desconfiar, passaram a repetir diuturnamente e propagar a “solução”. Alguma pessoa que resolvesse questionar criticamente a idéia faria algumas daquelas perguntas impertinentes, como por exemplo: mas esta solução é juridicamente legal? Ora, se para ingressar em uma determinada carreira é necessário passar por um concurso público, como seria feita a migração de servidores militares para o serviço público civil sem a realização de uma prova para tal? Outra questão capciosa: se o espaço aéreo brasileiro é protegido pela Aeronáutica e os radares operados são os mesmos que os controladores utilizam atualmente para gerenciar o tráfego aéreo, com quem ficaria o sistema? Com os controladores civis alocados em outros ambientes ou com os militares? Afinal, quem vai mandar nos radares? E se forem os civis, com quais equipamentos os militares protegerão nosso espaço aéreo?
Na verdade, este processo não irá acabar com a crise no setor, irá apenas possibilitar maior poder de barganha salarial à categoria dos controladores de vôo. Se na condição de militares eles são capazes de parar o país, imaginem quando a transição de sargentos para companheiros estiver 100% realizada e os novos servidores estiverem devidamente sob a custódia e o amparo de alguma Central Sindical.
Pois bem, certas “verdades” não devem ser repetidas sem antes utilizarmos o nosso lema: desconfiem, meninos e meninas... desconfiem...
Por exemplo: alguém aqui sabe exatamente o que é ser de esquerda e de direita? Alguém pode me dizer o que significa a chegada do “risco-brasil” no nível 100?
Onde está a certeza de que a desmilitarização dos controladores de vôo irá gerar o fim do Apagão Aéreo?
Afinal, qual foi a matemática utilizada pelo Romário para dizer que ele finalmente marcará seu gol número 1.000? Será que ele não estaria no 1007? 980? E aquela pelada no final de semana que foi registrada pela filha da cunhada da vizinha do campinho de Macaé, na década de 80? Valeu? Se o Pelé somou o gol que fez, vestindo um terno, no evento que marcou a demolição do estádio de Wenbley e acrescentou à sua lista os gols que fez contra a seleção do exército, o Romário poderia somar os gols que marcou nos churrasquinhos de fim de semana na casa dos amigos e na chácara do Chico Buarque!
O fato é que cada um toma para si certas palavras e cria seus conceitos e verdades sobre elas de acordo com a conveniência do momento, assim como fazem com cálculos e estatísticas de desemprego e do crescimento do PIB. Se está ruim, ora, vamos mudar o cálculo e dar aquele jeitinho de fazer a estatística jogar a nosso favor. Este processo, em alguns casos é pura cara de pau, porém em outros, significa que ainda existem certos conjuntos de conhecimentos sobre os quais a maioria das pessoas não domina.
Eu, por exemplo, desconheço os efeitos do movimento caótico, o caos, sobre a mecânica quântica. Tampouco compreendo as relações binárias e não sei reconhecer se são reflexivas, assimétricas ou qualquer outra coisa que o valha. Da mesma forma, até hoje jamais consegui fazer um pudim de leite condensado igual ao da minha avó e tenho certeza de que não conseguiria fazer um gol vestindo terno com gravata apertada no pescoço. Dessa forma, devemos tomar cuidado com certas “verdades” que escutamos e também verbalizamos.
Desconfiar sempre. Este é o lema!
Se o fulano se diz “de esquerda” e por isso se considera um sujeito “do bem”, “do povo” etc, basta uma pergunta simples para complicar a vida do rapaz: Mas você é marxista leninista, trotskista ou bolchevista? Heim? Pronto, está feito o estrago.
Para a massa da classe média, o assunto do momento é o Apagão Aéreo. Por alguma razão, alguns formadores de opinião, membros do governo federal, da imprensa, dentre outros, venderam/aceitaram tranqüilamente a tese de que a solução para o problema está na desmilitarização dos controladores de vôo. Pouca gente utilizou o nosso lema e, sem desconfiar, passaram a repetir diuturnamente e propagar a “solução”. Alguma pessoa que resolvesse questionar criticamente a idéia faria algumas daquelas perguntas impertinentes, como por exemplo: mas esta solução é juridicamente legal? Ora, se para ingressar em uma determinada carreira é necessário passar por um concurso público, como seria feita a migração de servidores militares para o serviço público civil sem a realização de uma prova para tal? Outra questão capciosa: se o espaço aéreo brasileiro é protegido pela Aeronáutica e os radares operados são os mesmos que os controladores utilizam atualmente para gerenciar o tráfego aéreo, com quem ficaria o sistema? Com os controladores civis alocados em outros ambientes ou com os militares? Afinal, quem vai mandar nos radares? E se forem os civis, com quais equipamentos os militares protegerão nosso espaço aéreo?
Na verdade, este processo não irá acabar com a crise no setor, irá apenas possibilitar maior poder de barganha salarial à categoria dos controladores de vôo. Se na condição de militares eles são capazes de parar o país, imaginem quando a transição de sargentos para companheiros estiver 100% realizada e os novos servidores estiverem devidamente sob a custódia e o amparo de alguma Central Sindical.
Pois bem, certas “verdades” não devem ser repetidas sem antes utilizarmos o nosso lema: desconfiem, meninos e meninas... desconfiem...
Avaliação de Antropologia
Aos alunos de Antropologia, disse que iria explicar o esquema da Avaliação I no moodle, mas não consegui publicar lá. Sorte que temos sempre o plano B. Então vamos lá.
Peço aos alunos dos demais cursos que não fiquem com inveja dos pupilos do primeiro semestre, mas ocorre que a avaliação da disciplina de Antropologia e Cultura possui outros elementos fundamentais que são distintos das demais matérias, a saber, a necessidade de despertar o poder crítico e ampliar a capacidade dos estudantes em criar textos adequados e marcados pelo distanciamento do senso comum.
Assim, a avaliação I contará com duas questões, sendo uma de ordem mais aberta, baseada na obra de Darcy Ribeiro, e outra mais teórica, baseada nos fundamentos da Antropologia. Quero treiná-los a responder questões bem distintas em uma mesma avaliação, seja no estilo, finalidade e/ou objetivos. Os valores de ambas questões serão diferentes e o maior peso será para a questão 1.
Apenas para recordar: é permitido consultar os materiais utilizados so longo do bimestre, incluindo os livros, textos e anotações em sala de aula. Entretanto, NÃO será permitida a troca de quaiquer tipos de materiais durante o período da avaliação, incluindo textos, canetas, papéis e quaisquer outros objetos.
Até quinta!
Peço aos alunos dos demais cursos que não fiquem com inveja dos pupilos do primeiro semestre, mas ocorre que a avaliação da disciplina de Antropologia e Cultura possui outros elementos fundamentais que são distintos das demais matérias, a saber, a necessidade de despertar o poder crítico e ampliar a capacidade dos estudantes em criar textos adequados e marcados pelo distanciamento do senso comum.
Assim, a avaliação I contará com duas questões, sendo uma de ordem mais aberta, baseada na obra de Darcy Ribeiro, e outra mais teórica, baseada nos fundamentos da Antropologia. Quero treiná-los a responder questões bem distintas em uma mesma avaliação, seja no estilo, finalidade e/ou objetivos. Os valores de ambas questões serão diferentes e o maior peso será para a questão 1.
Apenas para recordar: é permitido consultar os materiais utilizados so longo do bimestre, incluindo os livros, textos e anotações em sala de aula. Entretanto, NÃO será permitida a troca de quaiquer tipos de materiais durante o período da avaliação, incluindo textos, canetas, papéis e quaisquer outros objetos.
Até quinta!
Agora é Oficial: Deputados não Trabalham na Segunda
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Texto: Denise Madueño e Eugênia Lopes
Câmara desiste de sessões de votação nas segundas-feiras
BRASÍLIA - A experiência da Câmara de tentar aumentar os dias de votação na semana acabou. Em reunião dos líderes partidários e do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi decidido, por unanimidade, que não haverá mais sessões de votação às segundas-feiras.
As sessões das segundas-feiras, na avaliação que vinham fazendo os líderes, não estavam se mostrando eficientes nem produtivas. Quando assumiu o cargo de presidente, Chinaglia instituiu votações às segundas-feiras, mas o quórum, nesses dias, estava menor a cada semana. No início, havia a desculpa do chamado apagão aéreo, mas, na segunda passada, se repetiu o quórum baixo.
Para compensar o fim das sessões de votação às segundas-feiras, os líderes se dispuseram a fazer sessões deliberativas às terças-feiras pela manhã e não apenas à tarde. Na reunião, foi mantida a prioridade de votação da proposta de reajuste salarial dos deputados assim que forem votadas as medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta do plenário. A previsão é de que a liberação da pauta se dê na próxima semana.
Chinaglia afirmou, segundo relatos de líderes, que o consenso é pelo aumento que reponha a inflação dos últimos quatro anos medida pelo IPCA, o que significa uma elevação dos atuais R$ 12.847 para cerca de R$ 16.200.
Os líderes e Chinaglia incluíram na lista de prioridades a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que propõe o fim do nepotismo nos três Poderes. O deputado Manato (PDT-ES) apresentou uma versão mais liberal, com mais benefícios para os parlamentares do que a proposta já aprovada em comissão especial da Câmara. Mesmo assim, o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), resiste a votar a proposta, argumentando que vai discutir com a bancada. Na reunião, Chinaglia reafirmou que a reforma política deverá ser votada até o final de maio.
Texto: Denise Madueño e Eugênia Lopes
Câmara desiste de sessões de votação nas segundas-feiras
BRASÍLIA - A experiência da Câmara de tentar aumentar os dias de votação na semana acabou. Em reunião dos líderes partidários e do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi decidido, por unanimidade, que não haverá mais sessões de votação às segundas-feiras.
As sessões das segundas-feiras, na avaliação que vinham fazendo os líderes, não estavam se mostrando eficientes nem produtivas. Quando assumiu o cargo de presidente, Chinaglia instituiu votações às segundas-feiras, mas o quórum, nesses dias, estava menor a cada semana. No início, havia a desculpa do chamado apagão aéreo, mas, na segunda passada, se repetiu o quórum baixo.
Para compensar o fim das sessões de votação às segundas-feiras, os líderes se dispuseram a fazer sessões deliberativas às terças-feiras pela manhã e não apenas à tarde. Na reunião, foi mantida a prioridade de votação da proposta de reajuste salarial dos deputados assim que forem votadas as medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta do plenário. A previsão é de que a liberação da pauta se dê na próxima semana.
Chinaglia afirmou, segundo relatos de líderes, que o consenso é pelo aumento que reponha a inflação dos últimos quatro anos medida pelo IPCA, o que significa uma elevação dos atuais R$ 12.847 para cerca de R$ 16.200.
Os líderes e Chinaglia incluíram na lista de prioridades a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que propõe o fim do nepotismo nos três Poderes. O deputado Manato (PDT-ES) apresentou uma versão mais liberal, com mais benefícios para os parlamentares do que a proposta já aprovada em comissão especial da Câmara. Mesmo assim, o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), resiste a votar a proposta, argumentando que vai discutir com a bancada. Na reunião, Chinaglia reafirmou que a reforma política deverá ser votada até o final de maio.
terça-feira, abril 03, 2007
Eu Voltei!

Escreverei daqui há pouco, mas antes creio ser necessário publicar a capa do filme que indiquei para os alunos de Teoria da Opinião Pública: Terra de Ninguém. É razoável mostrar a imagem do filme, uma vez que existe uma outra obra com o mesmo nome e isso vem confundindo alguns alunos.
Um abraço e até mais!
quarta-feira, março 21, 2007
Eu nem sinto os meus pés no chão...
"Ando
Meio desligado
Eu nem sinto
Meus pés no chão
Olho
E não vejo nada..."
Marisa Monte
Alunos Queridos,
Tenho trabalhado ultimamente em novos e grandes projetos profissionais e, por esta razão, faz uns dias que não publico nada. Para terem uma idéia eu nem consegui terminar a Parte 2 do "Vassalagem Moral" apesar de mais da metade estar pronta e a idéia bem concebida.
Além disso, fui acometido por uma gripe fortíssima, o que deixou este soldado "ferido", mas jamais longe da Guerra!!! Apesar de tudo, voltarei brevemente à vida normal.
PS.: Finalmente consegui acessar o Moodle! Neste fim de semana trabalharei nele para acrescentar materiais para nossos cursos.
Meio desligado
Eu nem sinto
Meus pés no chão
Olho
E não vejo nada..."
Marisa Monte
Alunos Queridos,
Tenho trabalhado ultimamente em novos e grandes projetos profissionais e, por esta razão, faz uns dias que não publico nada. Para terem uma idéia eu nem consegui terminar a Parte 2 do "Vassalagem Moral" apesar de mais da metade estar pronta e a idéia bem concebida.
Além disso, fui acometido por uma gripe fortíssima, o que deixou este soldado "ferido", mas jamais longe da Guerra!!! Apesar de tudo, voltarei brevemente à vida normal.
PS.: Finalmente consegui acessar o Moodle! Neste fim de semana trabalharei nele para acrescentar materiais para nossos cursos.
sábado, março 17, 2007
Sobre a Vassalagem Moral (Parte 1)
Quando eu era uma criança meu pai dizia que minha irmã caçula, com seus 3 ou 4 aninhos, sofria de Gota, porque, segundo ele, ela era muito “Gotósa”! Apesar de infame, é claro que eu achava aquilo engraçado e me lembrei dessa frase da infância porque li esses dias que na maioria dos casos, o primeiro sintoma da Gota (doença provocada pela elevação de ácido úrico no sangue) é, juro (eu li mesmo!), dor no dedão do pé! Interessante estes casos de sintomas e patologias. A Agência EFE de notícias publicou uma matéria sobre os dependentes da Internet e dos Celulares. “Seus dependentes possuem os mesmos sintomas que os de qualquer outro grupo: síndrome de abstinência, insônia, falta de apetite, dependência e uma necessidade compulsiva de se conectar à rede para acalmar a ansiedade.” Até mesmo o som do modem ou do celular pode provocar nesses dependentes taquicardia. Não quero me desfazer da relevância do tema, mas como sou uma pessoa imagética não pude deixar de visualizar um adolescente manifestando excessos de alegria ao toque do celular.
Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”
Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino (refiro-me às desorganizações psíquicas, se é que me entendem!) e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.
Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.
Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.
(Continuarei mais tarde...)
Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”
Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino (refiro-me às desorganizações psíquicas, se é que me entendem!) e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.
Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.
Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.
(Continuarei mais tarde...)
terça-feira, março 13, 2007
Exercício Para os Alunos de Antropologia
Após nossa incrível jornada por Angola, vinda pelas mãos do sociólogo Rafael Belletti, com seu talento e bom humor, passaremos agora para nosso exercício, conforme estabelecido no início do curso. Lembrem-se que trata-se de um trabalho etnológico, cujos dados etnográficos, nos foram trazidos pelo Rafael. Portanto vocês agora deverão escrever um texto sobre uma das fotos que publicarei ainda hoje, conjugando as impressões de vocês sobre os fundamentos da Antropologia, os dados sobre Angola que colheram em suas pesquisas, bem como as informações trazidas em nossa palestra da última quinta-feira.
Apresentarei 4 (quatro) fotos e vou numerá-las de acordo com sua ordem.
Lembro a todos que as fotos são protegidas por direitos autorais e sua reprodução total ou parcial, para quaisquer fins, é totalmente proibida.
Apresentarei 4 (quatro) fotos e vou numerá-las de acordo com sua ordem.
Lembro a todos que as fotos são protegidas por direitos autorais e sua reprodução total ou parcial, para quaisquer fins, é totalmente proibida.
quinta-feira, março 08, 2007
Economizando Tempo e Melhorando o Nível
Tem muita gente boba escrevendo e falando tolices sobre a visita de Bush e seu esquema de segurança. Tem também muita coisa sem muito valor sendo publicada por causa do Dia Internacional das Mulheres. Meu post sobre a origem do Dia Internacional das Mulheres (publicado um pouco abaixo)é um exemplo. É só uma curiosidade e não contribui muito para os debates realmente edificantes sobre o assunto. A auto-crítica, além de saudável, deve ser um exercício diário.
Então, como sabem, com este pouco tempo que tenho nesta data, darei minha contribuição de forma indireta. Publicarei dois textos do Reinaldo Azevedo, um desses jornalistas que ainda escrevem e debatem em alto nível, estilo refinado e muitas vezes beirando a erudição. Por outro lado, minha melhor contribuição aos meus alunos, penso eu, será dada nesta noite. Como alguns de vocês sabem, receberemos um sociólogo chamado Rafael Belletti. Após viver 1 ano e meio em Luanda, capital de Angola, e ter vivenciado situações incríveis e fotografado a maior parte do país, Belletti conversará conosco nesta noite no curso de antropologia e cultura e abordará a questão da situação da Mulher angolana.
Trata-se de um retrato, uma amostra do que boa parte das mulheres africanas vivem em seus respectivos países e, portanto, uma oportunidade rica para realizarmos nossas reflexões sobre o assunto. Espero que gostem, tanto dos posts, quanto da visita ilustre que teremos nesta noite.
Então, como sabem, com este pouco tempo que tenho nesta data, darei minha contribuição de forma indireta. Publicarei dois textos do Reinaldo Azevedo, um desses jornalistas que ainda escrevem e debatem em alto nível, estilo refinado e muitas vezes beirando a erudição. Por outro lado, minha melhor contribuição aos meus alunos, penso eu, será dada nesta noite. Como alguns de vocês sabem, receberemos um sociólogo chamado Rafael Belletti. Após viver 1 ano e meio em Luanda, capital de Angola, e ter vivenciado situações incríveis e fotografado a maior parte do país, Belletti conversará conosco nesta noite no curso de antropologia e cultura e abordará a questão da situação da Mulher angolana.
Trata-se de um retrato, uma amostra do que boa parte das mulheres africanas vivem em seus respectivos países e, portanto, uma oportunidade rica para realizarmos nossas reflexões sobre o assunto. Espero que gostem, tanto dos posts, quanto da visita ilustre que teremos nesta noite.
Cuidado com o vira-lata
Por Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja (08/03/2007)
O noticiário sobre o esquema de segurança de George W. Bush no Brasil está roçando, a alguns milímetros mesmo, o complexo de vira-lata (Nelson Rodrigues) dos brasileiros. É claro que é um troço gigantesco. E tem de ser mesmo, ora essa. Queriam o quê? Quantos gostariam de ver o presidente americano deitadinho, de costas, com as mãos postas? Guardadas as devidas proporções, o Brasil se preocupou até mais com o transporte de Fernandinho Beira-Mar. Isso diz um tanto de como anda a segurança interna no Brasil. O país não consegue impedir a entrada de celular em presídio e fica moralizando o esquema de segurança do presidente americano? Hora de ler Genealogia da Moral, de Nietzsche. Podemos encarar o fato com o peso que tem — ele é o homem mais poderoso do planeta — e podemos fazê-lo movidos por paixões escravas: “Quem ele pensa que é?” Ele não pensa. É.
Portal da Revista Veja (08/03/2007)
O noticiário sobre o esquema de segurança de George W. Bush no Brasil está roçando, a alguns milímetros mesmo, o complexo de vira-lata (Nelson Rodrigues) dos brasileiros. É claro que é um troço gigantesco. E tem de ser mesmo, ora essa. Queriam o quê? Quantos gostariam de ver o presidente americano deitadinho, de costas, com as mãos postas? Guardadas as devidas proporções, o Brasil se preocupou até mais com o transporte de Fernandinho Beira-Mar. Isso diz um tanto de como anda a segurança interna no Brasil. O país não consegue impedir a entrada de celular em presídio e fica moralizando o esquema de segurança do presidente americano? Hora de ler Genealogia da Moral, de Nietzsche. Podemos encarar o fato com o peso que tem — ele é o homem mais poderoso do planeta — e podemos fazê-lo movidos por paixões escravas: “Quem ele pensa que é?” Ele não pensa. É.
Mulheres
Por Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja (08/03/2007)
"Jantei com um grupo de amigos no sábado. Entre eles, estava o presidente do conselho de administração de uma grande empresa, gigante em seu setor. Dizia-se surpreso com um dado da realidade: entre os candidatos a estagiários e a jovens executivos — engenheiros, administradores, pessoal de marketing —, 80% são mulheres, boa parte delas com currículos mais robustos do que os dos rapazes. Ele chegou àquele ponto em que pode se ocupar destas coisas: a renovação dos quadros da empresa, o acompanhamento das dinâmicas de grupo, os debates internos...
Segundo constata, o grau de agressividade das moças na disputa pelos cargos é muito maior do que o dos homens. Também conseguem, diz ele, ser muito mais cruéis. São mais dedicadas ao trabalho, não partilham de certa camaradagem que ainda há entre os rapazes — eles tendem a encobrir os erros uns dos outros, afirma — e, à diferença do que se supõe, tendem a decidir com mais objetividade. O que atrapalha a carreira das mulheres? Ele tem certeza: ainda é a maternidade — a que muitas executivas renunciam.
Não tenho números — raramente escrevo sobre eles, e sim sobre qualidades. Mas não seria difícil a qualquer um, feminista ou não, provar que a quantidade de mulheres no comando ainda não retrata a sua formação média na comparação com os homens. Acho que é questão de tempo. Nas carreiras que não pedem, vá lá, um tantinho a mais de testosterona (jornalismo, por exemplo), elas já são maioria. No dia em que a estiva estiver toda informatizada, talvez aconteça o mesmo... Na véspera do Dia Internacional da Mulher, constato: ser homem está se tornando, do ponto de vista social e político, um péssimo negócio. Até no que concerne aos valores, digamos, morais, acontece o mesmo: guerras, disputas, comportamento predador, máfia, narcotráfico, genocídio... A culpa é sempre do macho.
Pessoalmente, fico até contente. Tenho duas filhas. Prefiro um mundo mais amigável às mulheres. Sou curioso quanto ao futuro. Que papel estará reservado aos homens? Independentemente da opção sexual (homo, hetero ou total flex) deles, estão se “feminilizando” na vestimenta, nos hábitos, nas disputas. Jogadores hoje mais se beijam do que se chocam em campo. Um beijo, na nossa cultura, comporta sempre algum apelo sensual. Mas é óbvio que as bitocas nada têm de (homo)sexual. É que eles se obrigam à ternura.
Boa parte do que se considera o comportamento civilizado nas escolas da classe média é um padrão feminino. Os garotos se sujeitam à ditadura das garotas. Elas se tornam mulheres primeiro do que eles se fazem homens. Durante um bom tempo, eles experimentam uma espécie de humilhação sexual: moleques de 12 ou 13 anos são esmagados, sentimentalmente, por quase-mulheres da mesma idade, não raro com todos os sinais evidentes da maturidade sexual. Concorre também para esse quadro o fato de que a maioria dos especialistas em educação são “as” especialistas. Olham o mundo masculino como um conjunto de impulsos a ser refreado, domesticado, mitigado, enquadrado.
Escrevi certa feita um texto em que afirmei que o verdadeiro negro do mundo é o macho branco, heterossexual e pobre. Muita gente protestou, claro. Mas é fato. Ele não rende uma boa causa, e nenhum militante se interessa por seus problemas. Reivindicar o quê? Qualquer forma de proselitismo cheiraria a reacionarismo, a uma tentativa de fazer a sociedade regredir a um estágio anterior, em que a desigualdade era a norma. É claro que o que digo aqui tem também um viés que poderia ser considerado, sei lá, de classe. No povão, ainda não é assim. Boa parte das famílias pobres é chefiada por mulheres. E não por afirmação feminista, mas porque os maridos somem, dão no pé, migram, desaparecem, deixando atrás de si as responsabilidades. Mas também isso é uma questão de ajuste. A tendência está mais do que esboçada. O mundo é das mulheres. Quem tem de se perguntar hoje “o que fazer?” são os homens.
Elas estão à frente também do que se chamava antigamente “indústria cultural”, oferecendo valores, propondo novos comportamentos, ditando o ritmo até do avanço científico em certas áreas. A Veja desta semana deixa claro o quanto a medicina se ocupa das mulheres. Só um lobby é, talvez, mais poderoso do que o feminino na cultura ocidental: o gay — mas, nesse caso, não se pode dizer que se trata exatamente da apologia do mundo masculino.
Viram O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee? As esposas são seres deploráveis: uma é histérica, e outra é idiota. E os dois pastores se entregam a folguedos rurais. Quando elas aparecem, o ambiente é sempre pequeno, opressivo, cheio de cacarecos no cenário. Já eles se amam na paisagem aberta, que conspira a favor do romance. Ainda que haja um esforço para se construir um drama psicológico, não vê o aspecto misógino do filme quem não quer. As feministas não protestaram porque os gays são seus aliados na luta anti-homem. Aposto que Ang Lee, o diretor, detesta mulher. Se os machos deixassem em casa as suas fêmeas para jogar sinuca, futebol ou transar com prostitutas, o diretor seria hostilizado. Como o faziam para cair um nos braços do outro, então se falou que ele fez um filme “sensível”. Jogaram-lhe flores.
Além do aspecto político — não enfrentar o poderoso lobby gay —, deve querer dizer alguma coisa o fato de que as mulheres só aceitam ser segregadas no caso de os homens compartilharem uma espécie de paixão narcisista, estéril, de que elas não têm como participar. Fora isso, nem vem que não tem: elas já estão prontas para humilhar você também na sinuca, amigão. Deplorando sempre, é claro, seu jogo agressivo e a sua mania de querer ganhar sempre. Não gostou? Suba a montanha. Os que ficamos na planície constatamos uma revolução em curso.
Não reclamo. Apenas constato. E até aplaudo."
Portal da Revista Veja (08/03/2007)
"Jantei com um grupo de amigos no sábado. Entre eles, estava o presidente do conselho de administração de uma grande empresa, gigante em seu setor. Dizia-se surpreso com um dado da realidade: entre os candidatos a estagiários e a jovens executivos — engenheiros, administradores, pessoal de marketing —, 80% são mulheres, boa parte delas com currículos mais robustos do que os dos rapazes. Ele chegou àquele ponto em que pode se ocupar destas coisas: a renovação dos quadros da empresa, o acompanhamento das dinâmicas de grupo, os debates internos...
Segundo constata, o grau de agressividade das moças na disputa pelos cargos é muito maior do que o dos homens. Também conseguem, diz ele, ser muito mais cruéis. São mais dedicadas ao trabalho, não partilham de certa camaradagem que ainda há entre os rapazes — eles tendem a encobrir os erros uns dos outros, afirma — e, à diferença do que se supõe, tendem a decidir com mais objetividade. O que atrapalha a carreira das mulheres? Ele tem certeza: ainda é a maternidade — a que muitas executivas renunciam.
Não tenho números — raramente escrevo sobre eles, e sim sobre qualidades. Mas não seria difícil a qualquer um, feminista ou não, provar que a quantidade de mulheres no comando ainda não retrata a sua formação média na comparação com os homens. Acho que é questão de tempo. Nas carreiras que não pedem, vá lá, um tantinho a mais de testosterona (jornalismo, por exemplo), elas já são maioria. No dia em que a estiva estiver toda informatizada, talvez aconteça o mesmo... Na véspera do Dia Internacional da Mulher, constato: ser homem está se tornando, do ponto de vista social e político, um péssimo negócio. Até no que concerne aos valores, digamos, morais, acontece o mesmo: guerras, disputas, comportamento predador, máfia, narcotráfico, genocídio... A culpa é sempre do macho.
Pessoalmente, fico até contente. Tenho duas filhas. Prefiro um mundo mais amigável às mulheres. Sou curioso quanto ao futuro. Que papel estará reservado aos homens? Independentemente da opção sexual (homo, hetero ou total flex) deles, estão se “feminilizando” na vestimenta, nos hábitos, nas disputas. Jogadores hoje mais se beijam do que se chocam em campo. Um beijo, na nossa cultura, comporta sempre algum apelo sensual. Mas é óbvio que as bitocas nada têm de (homo)sexual. É que eles se obrigam à ternura.
Boa parte do que se considera o comportamento civilizado nas escolas da classe média é um padrão feminino. Os garotos se sujeitam à ditadura das garotas. Elas se tornam mulheres primeiro do que eles se fazem homens. Durante um bom tempo, eles experimentam uma espécie de humilhação sexual: moleques de 12 ou 13 anos são esmagados, sentimentalmente, por quase-mulheres da mesma idade, não raro com todos os sinais evidentes da maturidade sexual. Concorre também para esse quadro o fato de que a maioria dos especialistas em educação são “as” especialistas. Olham o mundo masculino como um conjunto de impulsos a ser refreado, domesticado, mitigado, enquadrado.
Escrevi certa feita um texto em que afirmei que o verdadeiro negro do mundo é o macho branco, heterossexual e pobre. Muita gente protestou, claro. Mas é fato. Ele não rende uma boa causa, e nenhum militante se interessa por seus problemas. Reivindicar o quê? Qualquer forma de proselitismo cheiraria a reacionarismo, a uma tentativa de fazer a sociedade regredir a um estágio anterior, em que a desigualdade era a norma. É claro que o que digo aqui tem também um viés que poderia ser considerado, sei lá, de classe. No povão, ainda não é assim. Boa parte das famílias pobres é chefiada por mulheres. E não por afirmação feminista, mas porque os maridos somem, dão no pé, migram, desaparecem, deixando atrás de si as responsabilidades. Mas também isso é uma questão de ajuste. A tendência está mais do que esboçada. O mundo é das mulheres. Quem tem de se perguntar hoje “o que fazer?” são os homens.
Elas estão à frente também do que se chamava antigamente “indústria cultural”, oferecendo valores, propondo novos comportamentos, ditando o ritmo até do avanço científico em certas áreas. A Veja desta semana deixa claro o quanto a medicina se ocupa das mulheres. Só um lobby é, talvez, mais poderoso do que o feminino na cultura ocidental: o gay — mas, nesse caso, não se pode dizer que se trata exatamente da apologia do mundo masculino.
Viram O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee? As esposas são seres deploráveis: uma é histérica, e outra é idiota. E os dois pastores se entregam a folguedos rurais. Quando elas aparecem, o ambiente é sempre pequeno, opressivo, cheio de cacarecos no cenário. Já eles se amam na paisagem aberta, que conspira a favor do romance. Ainda que haja um esforço para se construir um drama psicológico, não vê o aspecto misógino do filme quem não quer. As feministas não protestaram porque os gays são seus aliados na luta anti-homem. Aposto que Ang Lee, o diretor, detesta mulher. Se os machos deixassem em casa as suas fêmeas para jogar sinuca, futebol ou transar com prostitutas, o diretor seria hostilizado. Como o faziam para cair um nos braços do outro, então se falou que ele fez um filme “sensível”. Jogaram-lhe flores.
Além do aspecto político — não enfrentar o poderoso lobby gay —, deve querer dizer alguma coisa o fato de que as mulheres só aceitam ser segregadas no caso de os homens compartilharem uma espécie de paixão narcisista, estéril, de que elas não têm como participar. Fora isso, nem vem que não tem: elas já estão prontas para humilhar você também na sinuca, amigão. Deplorando sempre, é claro, seu jogo agressivo e a sua mania de querer ganhar sempre. Não gostou? Suba a montanha. Os que ficamos na planície constatamos uma revolução em curso.
Não reclamo. Apenas constato. E até aplaudo."
Como Surgiu o Dia Internacional das Mulheres
Greve de mulheres em Nova York e na Rússia deu origem à data.
Oito de março de 1857. Nesse dia, cerca de 130 mulheres entraram em greve e morreram queimadas dentro da fábrica de tecidos, em Nova York, nos Estados Unidos, onde trabalhavam. Outra paralisação, desta vez na Rússia, também colaborou com a instituição do Dia Internacional da Mulher.
As operárias da fábrica de tecido entraram em greve para pedir a redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas e o direito à licença maternidade. A polícia interveio. As mulheres foram trancadas na fábrica e morreram carbonizadas.
Em 1910, em uma conferência em Copenhague, na Dinamarca, foi decidido que o Dia Internacional da Mulher seria no dia 8 de março. A data só foi reconhecida em 1975 pela Organização das Nações Unidas.
Em 1917, as mulheres russas fizeram uma greve que foi o estopim para a revolução naquele país. “Este é outro caso de luta das mulheres”, diz a integrante da Sempre Viva Organização Feminista, Sônia Maria Coelho.“A data homenageia a capacidade de organização e coragem das mulheres”, afirma.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo (07/03/2007)
Oito de março de 1857. Nesse dia, cerca de 130 mulheres entraram em greve e morreram queimadas dentro da fábrica de tecidos, em Nova York, nos Estados Unidos, onde trabalhavam. Outra paralisação, desta vez na Rússia, também colaborou com a instituição do Dia Internacional da Mulher.
As operárias da fábrica de tecido entraram em greve para pedir a redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas e o direito à licença maternidade. A polícia interveio. As mulheres foram trancadas na fábrica e morreram carbonizadas.
Em 1910, em uma conferência em Copenhague, na Dinamarca, foi decidido que o Dia Internacional da Mulher seria no dia 8 de março. A data só foi reconhecida em 1975 pela Organização das Nações Unidas.
Em 1917, as mulheres russas fizeram uma greve que foi o estopim para a revolução naquele país. “Este é outro caso de luta das mulheres”, diz a integrante da Sempre Viva Organização Feminista, Sônia Maria Coelho.“A data homenageia a capacidade de organização e coragem das mulheres”, afirma.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo (07/03/2007)
Dia Internacional das Mulheres
Tenho muito o que escrever hoje. Dia Internacional das Mulheres e a Visita do presidente Bush ao Brasil. O problema é que também tenho muito trabalho neste 08 de março!
Tentarei mais tarde escrever, mesmo que pequenas notas sobre ambos os temas.
Tentarei mais tarde escrever, mesmo que pequenas notas sobre ambos os temas.
quarta-feira, março 07, 2007
Post Sem Educação!!!
Caros,
As palavras dos posts sobre a Importância da Educação estão praticamente todas sem o acento Til (~). Não se trata de um erro ortográfico, mas sim de algum problema do Blogger que eliminou os pobres símbolos utilizados para indicar a nasalação das vogais e/ou dos ditongos de que fazem parte.
Ironicamente, o Post sobre Educação me pareceu muito mau educado!!!
Peço que, apesar do problema técnico, não deixem de ler o conteúdo das matérias publicadas.
As palavras dos posts sobre a Importância da Educação estão praticamente todas sem o acento Til (~). Não se trata de um erro ortográfico, mas sim de algum problema do Blogger que eliminou os pobres símbolos utilizados para indicar a nasalação das vogais e/ou dos ditongos de que fazem parte.
Ironicamente, o Post sobre Educação me pareceu muito mau educado!!!
Peço que, apesar do problema técnico, não deixem de ler o conteúdo das matérias publicadas.
Temas Sobre Educação
Nos próximos dois posts reproduzirei uma matéria da revista Exame (Edição 886 – 08/02/2007) que mostra o quão importante é o investimento em educação para a melhoria da qualidade de vida como um todo. O enfoque da matéria está na questão econômica e mostra que quem tem formação superior, ganha melhor e fica mais tempo no emprego.
Recentes estudos também demonstraram que existe relação entre tempo de escolaridade e longevidade, ou seja, quem estuda mais, vive mais. A matéria é grande, mas entendo ser de suma importância para todos os universitários que pretendem entender melhor o que estão fazendo em um curso superior e quais os resultados que podem obter com este investimento. Espero que gostem.
Recentes estudos também demonstraram que existe relação entre tempo de escolaridade e longevidade, ou seja, quem estuda mais, vive mais. A matéria é grande, mas entendo ser de suma importância para todos os universitários que pretendem entender melhor o que estão fazendo em um curso superior e quais os resultados que podem obter com este investimento. Espero que gostem.
A Importância do Estudo I
Fonte:
- Revista Exame
- Edição: 886, de 08/02/2007
- Autora: Suzana Naiditch
Desde pequeno, ouvimos de nossos pais “vá estudar”, e a frase ecoa em nossas cabeças como sinos insistentes em badalar. Na maioria das vezes, no entanto, nao processamos a real importância dessas palavras.
Na atualidade, esse continua sendo o tema de discussão de grandes veículos de opinião nacional e, numa recente pesquisa, ficou provado que realmente vale a pena investir na educação.
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO
Diante da crise do desemprego, existe um caminho para o crescimento, esperança, motivação e confiança! A resposta é: ALTA TAXA DE EMPREGABILIDADE, ou seja, aquele que possuir elevado nível de competência, estiver informado do mundo dos negócios, buscar novos conhecimentos e estiver apto a assumir responsabilidades, mudanças, desafios e metas, será um profissional mais preparado para o mercado de trabalho.
Todo esse conjunto de atividades requer um planejamento pessoal e profissional, ou seja, um Projeto de Vida! Um recente estudo revelou que existe uma relaçao direta entre o grau de instruçao e o crescimento de remuneraçao.
As pessoas com maior grau de instruçao apresentam menor taxa de desemprego, principalmente aquelas vinculadas ao ensino superior, diferente daquelas com pouca instruçao que acabam por aceitar qualquer tipo de emprego, até o subemprego. De acordo com os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE, fica evidente o crescimento salarial relacionado ao estudo. Somente com uma graduaçao, diploma de um curso superior, seu salário já cresce 168%. Concluindo uma pós-graduaçao, seu salário aproxima-se dos 4 mil reais com mais 51% de aumento.
Esses números comprovam a necessidade de conhecimento e ensino. Isso influencia o aluno, mas numa visao macro, também o seu país. “Essa deficiencia provoca perda de competitividade do país em relaçao a economias com as quais disputa o mercado global. Ou seja, enquanto a educaçao brasileira nao der um salto qualitativo, o país continuará patinando” diz Alberto Rodriguez, especialista em educaçao do Banco Mundial a revista Exame de 27 de setembro de 2006. Entao voce se pergunta, por que o salário baixo?
Novamente a resposta: porque o brasileiro aprende pouco e se interessa pouco. Quem se interessar, estudar, pesquisar e se desenvolver vai ganhar mais, vai se destacar.
TEMPO MÉDIO DE ESTUDO
Nessa mesma matéria, o economista americano Edward Glaeser, professor da Universidade de Harvard e estudioso dos efeitos da educaçao sobre o desenvolvimento das sociedades afirma: “A educaçao é um dos motores do crescimento”.
O brasileiro estuda em média 5 anos, contra 11 do coreano, 9 do argentino e dez da maioria dos paises desenvolvidos. Se o brasileiro estudasse 12 anos como os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual.
TAXA DE ANALFABETISMO
Outra questao relevante diz respeito a Taxa de Analfabetismo. Enquanto países como a China e o México tem taxas em torno de 9,0% e 8,0% respectivamente, o Brasil apresenta 13,0%, índice extremamente alto para um país que busca competitividade mundial.
Cabe destacar alguns países com o a Rússia que apresenta 0,5% de analfabetos e o Canadá que erradicou esse problema tendo taxa de 0,0%.
PESQUISA DATAFOLHA
Uma pesquisa realizada pela Datafolha, revela que do perfil academico dos entrevistados: 87% graduaram-se no ensino privado. A pesquisa levantou dados com 161 executivos em empresas de grande, médio e pequeno porte, selecionadas por regiao e ramo de atividade para garantir a representatividade da amostra.
Esta pesquisa mostra ainda que, para 24% dos entrevista Esta pesquisa mostra ainda que, para 24% dos entrevistados, a maior ameaçãa a carreira é a desatualizaçao.
Sem querer correr esse risco 30% já cursaram Pós-Graduaçao. a de S. Paulo) de 20/09/2006, verifica-se que o salário inicial médio de pessoas com formaçao de curso superior, varia entre R$ 1.363,00 e R$ 2.000,00 (Grande Sao Paulo).
A seguir algumas profissoes e salários consultados:
Analista Júnior................................R$ 1.466,00
Analista Econ. – Financ......................R$ 1.983,00
Analista de Sistema Jr....................... R$ 1.363,00
Assistente de Contabilidade.................R$ 978,00
Assistente de Exportaçao...................R$ 1.228,00
Chefia de Planej. Contr. Prod...............R$ 1.678,00
Supervisor de Marketing.....................R$ 1.615,00
Supervisor de Vendas........................R$ 1.394,00
Advogado Júnior..............................R$ 2.229,00
Editor Assistente..............................R$ 2.128,00
Enfermeira Hospitalar........................R$ 1.626,00
Engenheiro Civil Júnior......................R$ 1.992,00
Engenheiro Mecânico Júnior................R$ 1.858,00
Engenheiro de Produçao....................R$ 2.346,00
Farmaceutico.................................R$ 1.752,00
Fisioterapeuta (hospitalar).................R$ 1.105,00
Psicólogo......................................R$ 993,00
Conclui-se entao que a pessoa ao fazer um bom Curso Superior, coloca-se frente a um mercado, cujo salário inicial é em média o triplo do seu investimento em mensalidades e materiais didáticos.
Além disso, existem benefícios adicionais para quem faz um curso superior como o networking, a inclusao social, a possibilidade de abrir um negócio próprio e a preparaçao para a vida de uma forma geral.
NETWORKING
A palavra networking é de origem inglesa, e significa rede de relacionamentos.
Ao fazer uma faculdade o aluno tem como benefício além do conhecimento adquirido, ampliar sua rede de amizades, o que lhe permite ter mais informação sobre o que ocorre em outras empresas tais como novidades de mercado, modernas técnicas de negócios, nível de salários, etc.
Uma pesquisa recente feita em várias universidades brasileiras apresentou entre outras curiosidades um grande número de jovens que acabaram conhecendo seu namorado ou namorada que por fim terminaram em casamentos. Assim, a faculdade acaba transformando vidas não só no campo profissional mas também no aspecto pessoal.
INCLUSÃO SOCIAL
A inclusao social é um processo para a construçao de um novo tipo de sociedade, através de transformaçoes nos ambientes físicos (espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos e utensílios mobiliário e meios de transporte) e na mentalidade de todas as pessoas e, portanto, também do próprio portador de necessidades especiais.
Na educaçao, a inclusao destaca-se na oportunidade do acesso ao ensino superior. Algumas instituiçoes de ensino tem dirigido seus programas para isso e, entre as que se destacam, podemos citar a Anhanguera Educacional que tem conseguido equilibrar de forma eficaz a relaçao entre o custo da mensalidade com a qualidade do ensino.
Hoje, devido a esse pioneirismo, inúmeros jovens e adultos tem conseguido seus diplomas de cursos superiores e, com isso, incluir-se em grupos dos quais estavam distantes anteriormente.
NEGÓCIO PRÓPRIO
Por vocaçao natural ou devido as dificuldades financeiras geradas pelo sistema econômico nacional, o negócio próprio é uma maneira que o profissional encontra para garantir uma renda.
Possuir o ensino superior hoje, significa ter conhecimentos suficientes para o futuro empresário ingressar nesse mercado competitivo em um negócio próprio, com possibilidades reais de sucesso.
Como exemplo, temos o médico veterinário que pode abrir sua própria clínica, o advogado que pode ter seu escritório de advocacia, um bacharel em letras apto a lecionar com aulas particulares, um fisioterapeuta que pode atender em sua clínica ou a domicílio entre outros casos.
O que se observa, portanto, é que o ensino superior abre um maior leque de oportunidades para pessoas que já tem vocaçao empreendedora, assim como para aqueles que por alguma circunstância específica se colocam frente a uma necessidade de ter seu próprio negócio.
- Revista Exame
- Edição: 886, de 08/02/2007
- Autora: Suzana Naiditch
Desde pequeno, ouvimos de nossos pais “vá estudar”, e a frase ecoa em nossas cabeças como sinos insistentes em badalar. Na maioria das vezes, no entanto, nao processamos a real importância dessas palavras.
Na atualidade, esse continua sendo o tema de discussão de grandes veículos de opinião nacional e, numa recente pesquisa, ficou provado que realmente vale a pena investir na educação.
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO
Diante da crise do desemprego, existe um caminho para o crescimento, esperança, motivação e confiança! A resposta é: ALTA TAXA DE EMPREGABILIDADE, ou seja, aquele que possuir elevado nível de competência, estiver informado do mundo dos negócios, buscar novos conhecimentos e estiver apto a assumir responsabilidades, mudanças, desafios e metas, será um profissional mais preparado para o mercado de trabalho.
Todo esse conjunto de atividades requer um planejamento pessoal e profissional, ou seja, um Projeto de Vida! Um recente estudo revelou que existe uma relaçao direta entre o grau de instruçao e o crescimento de remuneraçao.
As pessoas com maior grau de instruçao apresentam menor taxa de desemprego, principalmente aquelas vinculadas ao ensino superior, diferente daquelas com pouca instruçao que acabam por aceitar qualquer tipo de emprego, até o subemprego. De acordo com os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE, fica evidente o crescimento salarial relacionado ao estudo. Somente com uma graduaçao, diploma de um curso superior, seu salário já cresce 168%. Concluindo uma pós-graduaçao, seu salário aproxima-se dos 4 mil reais com mais 51% de aumento.
Esses números comprovam a necessidade de conhecimento e ensino. Isso influencia o aluno, mas numa visao macro, também o seu país. “Essa deficiencia provoca perda de competitividade do país em relaçao a economias com as quais disputa o mercado global. Ou seja, enquanto a educaçao brasileira nao der um salto qualitativo, o país continuará patinando” diz Alberto Rodriguez, especialista em educaçao do Banco Mundial a revista Exame de 27 de setembro de 2006. Entao voce se pergunta, por que o salário baixo?
Novamente a resposta: porque o brasileiro aprende pouco e se interessa pouco. Quem se interessar, estudar, pesquisar e se desenvolver vai ganhar mais, vai se destacar.
TEMPO MÉDIO DE ESTUDO
Nessa mesma matéria, o economista americano Edward Glaeser, professor da Universidade de Harvard e estudioso dos efeitos da educaçao sobre o desenvolvimento das sociedades afirma: “A educaçao é um dos motores do crescimento”.
O brasileiro estuda em média 5 anos, contra 11 do coreano, 9 do argentino e dez da maioria dos paises desenvolvidos. Se o brasileiro estudasse 12 anos como os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual.
TAXA DE ANALFABETISMO
Outra questao relevante diz respeito a Taxa de Analfabetismo. Enquanto países como a China e o México tem taxas em torno de 9,0% e 8,0% respectivamente, o Brasil apresenta 13,0%, índice extremamente alto para um país que busca competitividade mundial.
Cabe destacar alguns países com o a Rússia que apresenta 0,5% de analfabetos e o Canadá que erradicou esse problema tendo taxa de 0,0%.
PESQUISA DATAFOLHA
Uma pesquisa realizada pela Datafolha, revela que do perfil academico dos entrevistados: 87% graduaram-se no ensino privado. A pesquisa levantou dados com 161 executivos em empresas de grande, médio e pequeno porte, selecionadas por regiao e ramo de atividade para garantir a representatividade da amostra.
Esta pesquisa mostra ainda que, para 24% dos entrevista Esta pesquisa mostra ainda que, para 24% dos entrevistados, a maior ameaçãa a carreira é a desatualizaçao.
Sem querer correr esse risco 30% já cursaram Pós-Graduaçao. a de S. Paulo) de 20/09/2006, verifica-se que o salário inicial médio de pessoas com formaçao de curso superior, varia entre R$ 1.363,00 e R$ 2.000,00 (Grande Sao Paulo).
A seguir algumas profissoes e salários consultados:
Analista Júnior................................R$ 1.466,00
Analista Econ. – Financ......................R$ 1.983,00
Analista de Sistema Jr....................... R$ 1.363,00
Assistente de Contabilidade.................R$ 978,00
Assistente de Exportaçao...................R$ 1.228,00
Chefia de Planej. Contr. Prod...............R$ 1.678,00
Supervisor de Marketing.....................R$ 1.615,00
Supervisor de Vendas........................R$ 1.394,00
Advogado Júnior..............................R$ 2.229,00
Editor Assistente..............................R$ 2.128,00
Enfermeira Hospitalar........................R$ 1.626,00
Engenheiro Civil Júnior......................R$ 1.992,00
Engenheiro Mecânico Júnior................R$ 1.858,00
Engenheiro de Produçao....................R$ 2.346,00
Farmaceutico.................................R$ 1.752,00
Fisioterapeuta (hospitalar).................R$ 1.105,00
Psicólogo......................................R$ 993,00
Conclui-se entao que a pessoa ao fazer um bom Curso Superior, coloca-se frente a um mercado, cujo salário inicial é em média o triplo do seu investimento em mensalidades e materiais didáticos.
Além disso, existem benefícios adicionais para quem faz um curso superior como o networking, a inclusao social, a possibilidade de abrir um negócio próprio e a preparaçao para a vida de uma forma geral.
NETWORKING
A palavra networking é de origem inglesa, e significa rede de relacionamentos.
Ao fazer uma faculdade o aluno tem como benefício além do conhecimento adquirido, ampliar sua rede de amizades, o que lhe permite ter mais informação sobre o que ocorre em outras empresas tais como novidades de mercado, modernas técnicas de negócios, nível de salários, etc.
Uma pesquisa recente feita em várias universidades brasileiras apresentou entre outras curiosidades um grande número de jovens que acabaram conhecendo seu namorado ou namorada que por fim terminaram em casamentos. Assim, a faculdade acaba transformando vidas não só no campo profissional mas também no aspecto pessoal.
INCLUSÃO SOCIAL
A inclusao social é um processo para a construçao de um novo tipo de sociedade, através de transformaçoes nos ambientes físicos (espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos e utensílios mobiliário e meios de transporte) e na mentalidade de todas as pessoas e, portanto, também do próprio portador de necessidades especiais.
Na educaçao, a inclusao destaca-se na oportunidade do acesso ao ensino superior. Algumas instituiçoes de ensino tem dirigido seus programas para isso e, entre as que se destacam, podemos citar a Anhanguera Educacional que tem conseguido equilibrar de forma eficaz a relaçao entre o custo da mensalidade com a qualidade do ensino.
Hoje, devido a esse pioneirismo, inúmeros jovens e adultos tem conseguido seus diplomas de cursos superiores e, com isso, incluir-se em grupos dos quais estavam distantes anteriormente.
NEGÓCIO PRÓPRIO
Por vocaçao natural ou devido as dificuldades financeiras geradas pelo sistema econômico nacional, o negócio próprio é uma maneira que o profissional encontra para garantir uma renda.
Possuir o ensino superior hoje, significa ter conhecimentos suficientes para o futuro empresário ingressar nesse mercado competitivo em um negócio próprio, com possibilidades reais de sucesso.
Como exemplo, temos o médico veterinário que pode abrir sua própria clínica, o advogado que pode ter seu escritório de advocacia, um bacharel em letras apto a lecionar com aulas particulares, um fisioterapeuta que pode atender em sua clínica ou a domicílio entre outros casos.
O que se observa, portanto, é que o ensino superior abre um maior leque de oportunidades para pessoas que já tem vocaçao empreendedora, assim como para aqueles que por alguma circunstância específica se colocam frente a uma necessidade de ter seu próprio negócio.
A Importância do Estudo II
A nova face do operário
Ele tem formação superior, ganha melhor e fica mais tempo no emprego é o que mostra um estudo exclusivo de EXAME
Por Suzana Naiditch
O gaúcho Lindomar Machado representa uma espécie em extinção na indústria brasileira. Aos 50 anos, o operário da linha de produção da fabricante de carrocerias Randon mal sabe ler, não concluiu o Ensino Fundamental e faz hoje rigorosamente o mesmo que há 23 anos, quando foi contratado. Durante 8 horas por dia, solda carrocerias, exercendo uma função que lembra o célebre personagem de Charles Chaplin no filme Tempos Modernos. Seu filho, Fernando, de 23 anos, é a personificação de por que não há no futuro lugar para profissionais como Lindomar. Ele também é operário. Também trabalha na Randon. Mas sua bagagem educacional é infinitamente maior. Fernando cursa atualmente faculdade de administração de empresas, freqüenta aulas de inglês e participou de vários treinamentos técnicos oferecidos pela companhia. Graças à sua formação, pôde abandonar o trabalho mais bruto e operar máquinas sofisticadas na linha de produção. Apenas três anos após entrar na Randon, Fernando passou a ganhar o mesmo salário que o pai e, segundo seus superiores, não tardará para que ganhe duas ou três vezes mais. "Pessoas como Lindomar são de um tempo em que operários entravam e saíam de uma empresa fazendo absolutamente a mesma coisa e ganhando o mesmo salário", diz Maria Tereza Casagrande, executiva de recursos humanos da Randon. "Esse tempo, porém, está acabando."
A transformação do chão de fábrica
Principais diferenças entre o operário de 20 anos atrás e o de hoje(1)
A formação melhorou
Em 1985 7% tinham terceiro grau completo
Hoje 35% têm terceiro grau completo
Eles ganham mais
Em 1985 12% recebiam mais de dez salários mínimos
Hoje 33% recebem mais de dez salários mínimos
E ficam mais tempo no emprego
Em 1985 36% ficavam mais de cinco anos no emprego
Hoje 46% permanecem mais de cinco anos no emprego
Pesquisa elaborada com base na lista das 150 Melhores Empresas Para Trabalhar Fonte: Unicamp
As notórias diferenças entre as duas gerações da família Machado simbolizam à perfeição uma mudança radical observada no chão de fábrica das empresas brasileiras a face do operário nacional transformou-se nos últimos 20 anos. Para melhor. Segundo estudo encomendado por EXAME a Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas e um dos maiores especialistas brasileiros em trabalho, hoje o operário nacional estuda mais, ganha melhor e passa mais tempo no emprego. A mudança mais dramática é em seu grau de formação. Em 1985, apenas 7% dos funcionários da linha de produção das 150 melhores empresas brasileiras para trabalhar tinham completado o Ensino Superior. Hoje, são 35%. A elevação na escolaridade trouxe um aumento significativo nos ganhos. Duas décadas atrás, apenas 12% dos operários recebiam mais que dez salários mínimos. Hoje, um terço recebe salário superior a 3 500 reais, o que os coloca no topo da pirâmide social brasileira. "Essa foi a maior revolução que o país já viveu em suas fábricas", diz Pochmann.
As duas gerações da família Machado simbolizam as transformações no perfil do operário nos últimos 20 anos. Lindomar Machado, de 50 anos, nunca completou o Ensino Fundamental. Ele trabalha na fabricante de carrocerias Randon, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, há mais de duas décadas, sempre na mesma função de soldador de carretas. Seu filho, Fernando, de 23 anos, seguiu caminho oposto. Fez cursos técnicos na empresa e decidiu aprender inglês. À noite, cursa administração de empresas numa universidade privada, com subsídio da Randon. Ao contrário do pai, cujo trabalho exige força, ele opera equipamentos automatizados, que exigem conhecimento. Pai e filho recebem o mesmo salário e Fernando está na empresa há apenas três anos.
A EVOLUÇÃO TECNOLOGICA transformou praticamente todas as profissões nos últimos 20 anos. Todos foram forçados a entender o funcionamento da internet e a adequar-se à rapidez nas comunicações. Médicos, engenheiros, advogados, banqueiros -- uma lista interminável. Quando se analisa o que ocorreu no chão de fábrica das companhias brasileiras, porém, percebe-se que essa transformação atingiu patamares incomparáveis. Há um motivo principal para isso: as peculiares (e colossais) mudanças por que passou a economia brasileira de 1985 para cá. Observados em separado, os dois momentos revelam países radicalmente diferentes. O primeiro tinha uma economia fechada e instável, reserva de mercado para negócios ineficientes e um ambiente competitivo em que poucas empresas se arriscavam a vender os produtos nacionais no exterior. O segundo tem economia aberta (menos aberta do que deveria, vale lembrar), moeda estável e empresas que se viram forçadas a disputar o mercado global com seus concorrentes. Essas mudanças trouxeram ao ambiente empresarial a obrigação de elevar seu padrão de produtividade para sobreviver. Com a importação de máquinas facilitada pela abertura comercial, as companhias compraram equipamentos que substituíram o trabalho braçal e repetitivo dos operários nas fábricas. O que se viu, então, foi uma elevação notável nos índices de produtividade. Em 1985, cada trabalhador da indústria automotiva produzia oito veículos por ano. Hoje, produz 30 (nas fábricas mais modernas, chega a 60). A produtividade das siderúrgicas quadruplicou no período. Na indústria têxtil, quintuplicou e números semelhantes são observados em cada um dos setores da economia.
Salton
Valcir Toffoli, de 58 anos, é o cantineiro-chefe da vinícola Salton, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Aprendeu o ofício na prática, em barricas de madeira. Agora passa por uma situação constrangedora: comanda um grupo de jovens na faixa dos 20 anos, com formação superior ou técnica em enologia, que sabem o que o chefe desconhece — operar os modernos tanques de aço inoxidável, controlados por computador.
Nesse processo, os operários que exerciam funções menos complexas viram seu emprego simplesmente sumir e quem sobrou passou a exercer funções que lembram pouco a dos torneiros mecânicos e soldadores, tão comuns nas linhas de produção dos anos 70 e 80. Hoje, o operário é uma espécie de minigerente, cujas funções mudam a cada inovação tecnológica ou reorganização dos processos de produção. "Nesse ambiente, as empresas precisam de trabalhadores que pensem e interpretem o que lêem e vêem", diz Denise Asnis, responsável pela área de recursos humanos e educação corporativa da Natura. "Precisam ter capacidade de abstrair, entender, somar, dividir." Como as empresas eliminaram um sem-número de funções de supervisão (sempre com os olhos voltados para o corte de custos), o novo operário ganhou altas doses de responsabilidade pelo que acontece em seu departamento. Recentemente, a Natura acabou com a função de líder nas fábricas e entregou a gestão das unidades aos próprios operários. Para adaptar-se à nova realidade, a operária Maria Soares de Camargo, de 32 anos, teve de cursar faculdade de administração de empresas para familiarizar-se com os mais modernos mecanismos de gestão. No novo cargo, seu salário pode dobrar. Todos os envolvidos têm clareza quanto ao nível acadêmico da maioria das universidades freqüentadas por operários como Maria Soares -- no mínimo duvidoso. "Mas, mesmo com cursos ruins, freqüentar uma universidade ajuda o operário a ter experiência de vida, de relacionamento e a estar num ambiente de discussão, o que já é alguma coisa", diz Denise.
Natura
Quando começou a trabalhar como operária na Natura, Maria Soares de Camargo tinha apenas 16 anos e o Ensino Fundamental. Dentro da empresa, completou o Ensino Médio e tornou-se líder de produção. Em julho do ano passado, essa função foi extinta. Para ser promovida a analista, era preciso ter curso superior — desde outubro de 2006, ela cursa administração de empresas.
O esforço para educar funcionários tornou-se, necessariamente, um hábito. Vinte anos atrás, contratar operários era tarefa relativamente simples: bastava colocar um aviso na porta e recrutar os primeiros que aparecessem. Com as novas funções, o que era simples tornou-se uma complicação. É preciso encontrar, em meio à multidão de trabalhadores com formação precária lançados no mercado a cada ano, aqueles com potencial para encaixar-se nos padrões atuais. Note bem: com potencial. São raros os profissionais que já vêm prontos, o que força as empresas a investir o dinheiro do acionista em treinamento e bolsas universitárias. Companhias como Embraco e Saint-Gobain investem anualmente cerca de 0,5% do faturamento na formação de seus operários. Até os anos 80, parte do esforço das empresas concentrava-se na tarefa de alfabetizar funcionários. Hoje, não saber ler e escrever significa simplesmente a exclusão do mercado mesmo para as tarefas mais simples. É isso que explica o descompasso entre vagas abertas e filas de desempregados tentando se colocar. Encontrar o profissional adequado é tão difícil que muitas empresas simplesmente desistem e deixam as vagas abertas. A Natura acaba de eliminar 1 500 candidatos com Ensino Médio completo num processo de seleção os testes mostraram que são analfabetos funcionais. Ou seja, sabem ler, mas não entendem o que lêem. A Saint-Gobain demitiu 300 analfabetos do chão de fábrica por considerar que eles não tinham condições mínimas de operar os novos equipamentos da linha de produção. "A mudança foi obrigatória para manter a empresa competitiva", diz Raul Navarro, diretor de recursos humanos da Saint-Gobain.
Embraco
Antônio do Prado, operário da catarinense Embraco, fabricante de compressores, já esteve duas vezes na China. Foi enviado pela companhia para treinar trabalhadores da fábrica que a empresa tem naquele país. Há 16 anos na Embraco, Prado começou como auxiliar de produção e já fez mais de 800 horas de cursos oferecidos pela empresa.
TAMANHO RIGOR NA CONTRATAÇÃO e na formação dos operários deve-se a seu papel crucial no desempenho das empresas. Hoje, cada companhia investe na construção de uma linha de produção que a coloque num patamar superior em relação à concorrência. Ter profissionais que dominam os métodos e a linguagem dos negócios é visto como essencial. A maior prova dessa evolução pode ser encontrada nas multinacionais brasileiras, companhias que compraram ou abriram fábricas no exterior. Até recentemente, essas empresas enviavam para fora do país apenas um punhado de executivos, que comandariam a mão-de-obra local. Hoje, companhias como Votorantim Cimentos, Camargo Corrêa, Ambev e Gerdau expatriam operários para administrar suas linhas de produção internacionais, implementar seus sistemas e treinar os trabalhadores locais. O catarinense Antônio do Prado, funcionário da Embraco, líder mundial na produção de compressores, foi enviado duas vezes à China para passar adiante a cultura do chão de fábrica na subsidiária. "Nunca tinha viajado de avião, muito menos saído do Brasil", diz Prado. A primeira viagem aconteceu em abril de 2006. Na comitiva de 15 pessoas, seis eram operários como ele. "Implementar nossas técnicas de manufatura na China foi extremamente difícil."É consenso entre os especialistas que há inúmeros passos a dar na evolução da classe operária brasileira. Essa transformação ainda está pela metade, o que gera situações constrangedoras nas empresas. É o caso da Salton, maior vinícola do país. Seu chefe da linha de produção, Valcir Toffoli, de 58 anos, cresceu na hierarquia de uma empresa que tinha métodos de produção parados no tempo. O vinho era fabricado artesanalmente, em antiquados tanques de madeira. O choque causado pela enxurrada de vinhos importados, nos anos 90, fez com que essa empresa deixasse de existir. Nos últimos cinco anos, a Salton modernizou sua fábrica, comprou tanques de aço inox, e a produção de vinho passou a ser controlada por meio de toques na tela do computador -- que faz tudo que os operários antigos faziam. A produtividade triplicou. "Deixei de estudar há 40 anos, não tenho capacidade para lidar com informática", diz Toffoli. Seus subordinados são exponencialmente mais bem formados. Na faixa dos 20 anos, dominam o manuseio das máquinas, estão concluindo cursos de enologia e discorrem com naturalidade sobre os processos microbiológicos da vinificação. Enquanto o chefe, com mais de duas décadas de casa, ganha cerca de seis salários mínimos, os garotos da Salton já ultrapassaram os quatro salários. E acabaram de começar.
A QUALIDADE E O PREÇO da mão-de-obra estão entre as variáveis mais importantes na decisão de investimento das empresas -- mais que isso, ajudam a explicar a bonança econômica de algumas economias e a estagnação de outras. A China cresce estrondosamente, em boa medida porque o custo de seus operários é ainda baixíssimo. Um funcionário da indústria automotiva chinesa custa 2 dólares por hora, ante quase 41 dólares de um operário alemão. Mesmo que tenha má formação e a produtividade seja baixa (como é), o custo compensa o investimento por lá. E, embora seja altamente produtivo, o operário alemão é caro demais, o que leva as montadoras a abrir fábricas no Leste Europeu e a fechar suas linhas de produção na Alemanha. Na Coréia, o investimento em educação formou uma classe operária extremamente produtiva e não tão cara quanto a alemã. De acordo com um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um trabalhador coreano produz em média duas vezes mais que o brasileiro -- que, nem tão barato quanto o chinês nem tão eficiente quanto o coreano, coloca o país numa espécie de meio-termo nefasto para as empresas. "Para piorar a situação do Brasil, as novas gerações chinesas estão recebendo mais educação que as novas gerações de brasileiros e, daqui a alguns anos, esse esforço vai torná-los mais qualificados que nós", diz o economista José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Princeton.Segundo os especialistas, é na direção da Coréia que o Brasil deve seguir: um investimento pesado em educação, especialmente para crianças e jovens, colocaria à disposição das empresas funcionários capazes de sustentar ainda mais seus investimentos em tecnologia e tornar o país mais competitivo. "É urgente melhorar a qualidade de nosso ensino, porque os alunos brasileiros têm desempenho muito ruim se comparados a alunos de países desenvolvidos ou até mesmo a outros emergentes", diz Scheinkman. "Só assim os países enriquecem." O trabalhador brasileiro já passou por uma transformação radical nos últimos 20 anos é um passo considerável. A dúvida é se o mundo esperará outros 20 anos pelas mudanças que ainda precisam acontecer.
Ele tem formação superior, ganha melhor e fica mais tempo no emprego é o que mostra um estudo exclusivo de EXAME
Por Suzana Naiditch
O gaúcho Lindomar Machado representa uma espécie em extinção na indústria brasileira. Aos 50 anos, o operário da linha de produção da fabricante de carrocerias Randon mal sabe ler, não concluiu o Ensino Fundamental e faz hoje rigorosamente o mesmo que há 23 anos, quando foi contratado. Durante 8 horas por dia, solda carrocerias, exercendo uma função que lembra o célebre personagem de Charles Chaplin no filme Tempos Modernos. Seu filho, Fernando, de 23 anos, é a personificação de por que não há no futuro lugar para profissionais como Lindomar. Ele também é operário. Também trabalha na Randon. Mas sua bagagem educacional é infinitamente maior. Fernando cursa atualmente faculdade de administração de empresas, freqüenta aulas de inglês e participou de vários treinamentos técnicos oferecidos pela companhia. Graças à sua formação, pôde abandonar o trabalho mais bruto e operar máquinas sofisticadas na linha de produção. Apenas três anos após entrar na Randon, Fernando passou a ganhar o mesmo salário que o pai e, segundo seus superiores, não tardará para que ganhe duas ou três vezes mais. "Pessoas como Lindomar são de um tempo em que operários entravam e saíam de uma empresa fazendo absolutamente a mesma coisa e ganhando o mesmo salário", diz Maria Tereza Casagrande, executiva de recursos humanos da Randon. "Esse tempo, porém, está acabando."
A transformação do chão de fábrica
Principais diferenças entre o operário de 20 anos atrás e o de hoje(1)
A formação melhorou
Em 1985 7% tinham terceiro grau completo
Hoje 35% têm terceiro grau completo
Eles ganham mais
Em 1985 12% recebiam mais de dez salários mínimos
Hoje 33% recebem mais de dez salários mínimos
E ficam mais tempo no emprego
Em 1985 36% ficavam mais de cinco anos no emprego
Hoje 46% permanecem mais de cinco anos no emprego
Pesquisa elaborada com base na lista das 150 Melhores Empresas Para Trabalhar Fonte: Unicamp
As notórias diferenças entre as duas gerações da família Machado simbolizam à perfeição uma mudança radical observada no chão de fábrica das empresas brasileiras a face do operário nacional transformou-se nos últimos 20 anos. Para melhor. Segundo estudo encomendado por EXAME a Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas e um dos maiores especialistas brasileiros em trabalho, hoje o operário nacional estuda mais, ganha melhor e passa mais tempo no emprego. A mudança mais dramática é em seu grau de formação. Em 1985, apenas 7% dos funcionários da linha de produção das 150 melhores empresas brasileiras para trabalhar tinham completado o Ensino Superior. Hoje, são 35%. A elevação na escolaridade trouxe um aumento significativo nos ganhos. Duas décadas atrás, apenas 12% dos operários recebiam mais que dez salários mínimos. Hoje, um terço recebe salário superior a 3 500 reais, o que os coloca no topo da pirâmide social brasileira. "Essa foi a maior revolução que o país já viveu em suas fábricas", diz Pochmann.
As duas gerações da família Machado simbolizam as transformações no perfil do operário nos últimos 20 anos. Lindomar Machado, de 50 anos, nunca completou o Ensino Fundamental. Ele trabalha na fabricante de carrocerias Randon, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, há mais de duas décadas, sempre na mesma função de soldador de carretas. Seu filho, Fernando, de 23 anos, seguiu caminho oposto. Fez cursos técnicos na empresa e decidiu aprender inglês. À noite, cursa administração de empresas numa universidade privada, com subsídio da Randon. Ao contrário do pai, cujo trabalho exige força, ele opera equipamentos automatizados, que exigem conhecimento. Pai e filho recebem o mesmo salário e Fernando está na empresa há apenas três anos.
A EVOLUÇÃO TECNOLOGICA transformou praticamente todas as profissões nos últimos 20 anos. Todos foram forçados a entender o funcionamento da internet e a adequar-se à rapidez nas comunicações. Médicos, engenheiros, advogados, banqueiros -- uma lista interminável. Quando se analisa o que ocorreu no chão de fábrica das companhias brasileiras, porém, percebe-se que essa transformação atingiu patamares incomparáveis. Há um motivo principal para isso: as peculiares (e colossais) mudanças por que passou a economia brasileira de 1985 para cá. Observados em separado, os dois momentos revelam países radicalmente diferentes. O primeiro tinha uma economia fechada e instável, reserva de mercado para negócios ineficientes e um ambiente competitivo em que poucas empresas se arriscavam a vender os produtos nacionais no exterior. O segundo tem economia aberta (menos aberta do que deveria, vale lembrar), moeda estável e empresas que se viram forçadas a disputar o mercado global com seus concorrentes. Essas mudanças trouxeram ao ambiente empresarial a obrigação de elevar seu padrão de produtividade para sobreviver. Com a importação de máquinas facilitada pela abertura comercial, as companhias compraram equipamentos que substituíram o trabalho braçal e repetitivo dos operários nas fábricas. O que se viu, então, foi uma elevação notável nos índices de produtividade. Em 1985, cada trabalhador da indústria automotiva produzia oito veículos por ano. Hoje, produz 30 (nas fábricas mais modernas, chega a 60). A produtividade das siderúrgicas quadruplicou no período. Na indústria têxtil, quintuplicou e números semelhantes são observados em cada um dos setores da economia.
Salton
Valcir Toffoli, de 58 anos, é o cantineiro-chefe da vinícola Salton, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Aprendeu o ofício na prática, em barricas de madeira. Agora passa por uma situação constrangedora: comanda um grupo de jovens na faixa dos 20 anos, com formação superior ou técnica em enologia, que sabem o que o chefe desconhece — operar os modernos tanques de aço inoxidável, controlados por computador.
Nesse processo, os operários que exerciam funções menos complexas viram seu emprego simplesmente sumir e quem sobrou passou a exercer funções que lembram pouco a dos torneiros mecânicos e soldadores, tão comuns nas linhas de produção dos anos 70 e 80. Hoje, o operário é uma espécie de minigerente, cujas funções mudam a cada inovação tecnológica ou reorganização dos processos de produção. "Nesse ambiente, as empresas precisam de trabalhadores que pensem e interpretem o que lêem e vêem", diz Denise Asnis, responsável pela área de recursos humanos e educação corporativa da Natura. "Precisam ter capacidade de abstrair, entender, somar, dividir." Como as empresas eliminaram um sem-número de funções de supervisão (sempre com os olhos voltados para o corte de custos), o novo operário ganhou altas doses de responsabilidade pelo que acontece em seu departamento. Recentemente, a Natura acabou com a função de líder nas fábricas e entregou a gestão das unidades aos próprios operários. Para adaptar-se à nova realidade, a operária Maria Soares de Camargo, de 32 anos, teve de cursar faculdade de administração de empresas para familiarizar-se com os mais modernos mecanismos de gestão. No novo cargo, seu salário pode dobrar. Todos os envolvidos têm clareza quanto ao nível acadêmico da maioria das universidades freqüentadas por operários como Maria Soares -- no mínimo duvidoso. "Mas, mesmo com cursos ruins, freqüentar uma universidade ajuda o operário a ter experiência de vida, de relacionamento e a estar num ambiente de discussão, o que já é alguma coisa", diz Denise.
Natura
Quando começou a trabalhar como operária na Natura, Maria Soares de Camargo tinha apenas 16 anos e o Ensino Fundamental. Dentro da empresa, completou o Ensino Médio e tornou-se líder de produção. Em julho do ano passado, essa função foi extinta. Para ser promovida a analista, era preciso ter curso superior — desde outubro de 2006, ela cursa administração de empresas.
O esforço para educar funcionários tornou-se, necessariamente, um hábito. Vinte anos atrás, contratar operários era tarefa relativamente simples: bastava colocar um aviso na porta e recrutar os primeiros que aparecessem. Com as novas funções, o que era simples tornou-se uma complicação. É preciso encontrar, em meio à multidão de trabalhadores com formação precária lançados no mercado a cada ano, aqueles com potencial para encaixar-se nos padrões atuais. Note bem: com potencial. São raros os profissionais que já vêm prontos, o que força as empresas a investir o dinheiro do acionista em treinamento e bolsas universitárias. Companhias como Embraco e Saint-Gobain investem anualmente cerca de 0,5% do faturamento na formação de seus operários. Até os anos 80, parte do esforço das empresas concentrava-se na tarefa de alfabetizar funcionários. Hoje, não saber ler e escrever significa simplesmente a exclusão do mercado mesmo para as tarefas mais simples. É isso que explica o descompasso entre vagas abertas e filas de desempregados tentando se colocar. Encontrar o profissional adequado é tão difícil que muitas empresas simplesmente desistem e deixam as vagas abertas. A Natura acaba de eliminar 1 500 candidatos com Ensino Médio completo num processo de seleção os testes mostraram que são analfabetos funcionais. Ou seja, sabem ler, mas não entendem o que lêem. A Saint-Gobain demitiu 300 analfabetos do chão de fábrica por considerar que eles não tinham condições mínimas de operar os novos equipamentos da linha de produção. "A mudança foi obrigatória para manter a empresa competitiva", diz Raul Navarro, diretor de recursos humanos da Saint-Gobain.
Embraco
Antônio do Prado, operário da catarinense Embraco, fabricante de compressores, já esteve duas vezes na China. Foi enviado pela companhia para treinar trabalhadores da fábrica que a empresa tem naquele país. Há 16 anos na Embraco, Prado começou como auxiliar de produção e já fez mais de 800 horas de cursos oferecidos pela empresa.
TAMANHO RIGOR NA CONTRATAÇÃO e na formação dos operários deve-se a seu papel crucial no desempenho das empresas. Hoje, cada companhia investe na construção de uma linha de produção que a coloque num patamar superior em relação à concorrência. Ter profissionais que dominam os métodos e a linguagem dos negócios é visto como essencial. A maior prova dessa evolução pode ser encontrada nas multinacionais brasileiras, companhias que compraram ou abriram fábricas no exterior. Até recentemente, essas empresas enviavam para fora do país apenas um punhado de executivos, que comandariam a mão-de-obra local. Hoje, companhias como Votorantim Cimentos, Camargo Corrêa, Ambev e Gerdau expatriam operários para administrar suas linhas de produção internacionais, implementar seus sistemas e treinar os trabalhadores locais. O catarinense Antônio do Prado, funcionário da Embraco, líder mundial na produção de compressores, foi enviado duas vezes à China para passar adiante a cultura do chão de fábrica na subsidiária. "Nunca tinha viajado de avião, muito menos saído do Brasil", diz Prado. A primeira viagem aconteceu em abril de 2006. Na comitiva de 15 pessoas, seis eram operários como ele. "Implementar nossas técnicas de manufatura na China foi extremamente difícil."É consenso entre os especialistas que há inúmeros passos a dar na evolução da classe operária brasileira. Essa transformação ainda está pela metade, o que gera situações constrangedoras nas empresas. É o caso da Salton, maior vinícola do país. Seu chefe da linha de produção, Valcir Toffoli, de 58 anos, cresceu na hierarquia de uma empresa que tinha métodos de produção parados no tempo. O vinho era fabricado artesanalmente, em antiquados tanques de madeira. O choque causado pela enxurrada de vinhos importados, nos anos 90, fez com que essa empresa deixasse de existir. Nos últimos cinco anos, a Salton modernizou sua fábrica, comprou tanques de aço inox, e a produção de vinho passou a ser controlada por meio de toques na tela do computador -- que faz tudo que os operários antigos faziam. A produtividade triplicou. "Deixei de estudar há 40 anos, não tenho capacidade para lidar com informática", diz Toffoli. Seus subordinados são exponencialmente mais bem formados. Na faixa dos 20 anos, dominam o manuseio das máquinas, estão concluindo cursos de enologia e discorrem com naturalidade sobre os processos microbiológicos da vinificação. Enquanto o chefe, com mais de duas décadas de casa, ganha cerca de seis salários mínimos, os garotos da Salton já ultrapassaram os quatro salários. E acabaram de começar.
A QUALIDADE E O PREÇO da mão-de-obra estão entre as variáveis mais importantes na decisão de investimento das empresas -- mais que isso, ajudam a explicar a bonança econômica de algumas economias e a estagnação de outras. A China cresce estrondosamente, em boa medida porque o custo de seus operários é ainda baixíssimo. Um funcionário da indústria automotiva chinesa custa 2 dólares por hora, ante quase 41 dólares de um operário alemão. Mesmo que tenha má formação e a produtividade seja baixa (como é), o custo compensa o investimento por lá. E, embora seja altamente produtivo, o operário alemão é caro demais, o que leva as montadoras a abrir fábricas no Leste Europeu e a fechar suas linhas de produção na Alemanha. Na Coréia, o investimento em educação formou uma classe operária extremamente produtiva e não tão cara quanto a alemã. De acordo com um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um trabalhador coreano produz em média duas vezes mais que o brasileiro -- que, nem tão barato quanto o chinês nem tão eficiente quanto o coreano, coloca o país numa espécie de meio-termo nefasto para as empresas. "Para piorar a situação do Brasil, as novas gerações chinesas estão recebendo mais educação que as novas gerações de brasileiros e, daqui a alguns anos, esse esforço vai torná-los mais qualificados que nós", diz o economista José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Princeton.Segundo os especialistas, é na direção da Coréia que o Brasil deve seguir: um investimento pesado em educação, especialmente para crianças e jovens, colocaria à disposição das empresas funcionários capazes de sustentar ainda mais seus investimentos em tecnologia e tornar o país mais competitivo. "É urgente melhorar a qualidade de nosso ensino, porque os alunos brasileiros têm desempenho muito ruim se comparados a alunos de países desenvolvidos ou até mesmo a outros emergentes", diz Scheinkman. "Só assim os países enriquecem." O trabalhador brasileiro já passou por uma transformação radical nos últimos 20 anos é um passo considerável. A dúvida é se o mundo esperará outros 20 anos pelas mudanças que ainda precisam acontecer.
terça-feira, março 06, 2007
Preciso de Ajuda
Caros leitores,
Preciso de um apoio de todos. Nesta manhã eu calculei o quanto de imposto eu paguei ao Governo Federal durante o ano de 2006. O total é de R$14.756,82. A Receita Federal considera que ainda não foi suficiente e quer mais algo em torno de R$2.000,00. Isso chegaria a quase 17 mil reais entregues para a máquina petista instalada no Estado brasileiro. Não consegui calcular os impostos que estão embutidos até no café que tomo na estrada quando vou para São Paulo dar aulas.
Também não consegui visualizar absolutamente qualquer serviço prestado a mim, pelo Governo Federal, durante o ano de 2006. O único serviço que usei foi durante o mês de janeiro, quando viajei por uma rodovia federal. Mas não vale, porque os buracos quebraram a suspensão de meu carro e o conserto foi alto o suficiente para eu chegar a quase 20 mil se somar o estrago que o serviço público fez nas minhas férias.
Gostaria de contar com uma ajuda de todos no seguinte sentido:
Encontrem para mim qualquer serviço público que eu possa ter utilizado e que justifique os valores que paguei ao governo federal. Para contribuir com o exercício, aí vão algumas informações importantes:
1- Tenho Plano de Saúde Privado;
2- Estudei em uma Universidade Pública ESTADUAL, cujo orçamento é proveniente do ICMS;
3- Meu Plano Odontológico é Privado;
4- As estradas que uso são Privadas;
5- Uma vez chamei a Polícia, mas ela é estadual e praticamente não conta com nenhum recurso federal para sua manutenção.
Por favor, contribuam com respostas!
Preciso de um apoio de todos. Nesta manhã eu calculei o quanto de imposto eu paguei ao Governo Federal durante o ano de 2006. O total é de R$14.756,82. A Receita Federal considera que ainda não foi suficiente e quer mais algo em torno de R$2.000,00. Isso chegaria a quase 17 mil reais entregues para a máquina petista instalada no Estado brasileiro. Não consegui calcular os impostos que estão embutidos até no café que tomo na estrada quando vou para São Paulo dar aulas.
Também não consegui visualizar absolutamente qualquer serviço prestado a mim, pelo Governo Federal, durante o ano de 2006. O único serviço que usei foi durante o mês de janeiro, quando viajei por uma rodovia federal. Mas não vale, porque os buracos quebraram a suspensão de meu carro e o conserto foi alto o suficiente para eu chegar a quase 20 mil se somar o estrago que o serviço público fez nas minhas férias.
Gostaria de contar com uma ajuda de todos no seguinte sentido:
Encontrem para mim qualquer serviço público que eu possa ter utilizado e que justifique os valores que paguei ao governo federal. Para contribuir com o exercício, aí vão algumas informações importantes:
1- Tenho Plano de Saúde Privado;
2- Estudei em uma Universidade Pública ESTADUAL, cujo orçamento é proveniente do ICMS;
3- Meu Plano Odontológico é Privado;
4- As estradas que uso são Privadas;
5- Uma vez chamei a Polícia, mas ela é estadual e praticamente não conta com nenhum recurso federal para sua manutenção.
Por favor, contribuam com respostas!
sexta-feira, março 02, 2007
O Jornalismo Vagabundo e a Retórica Malandra
Um país miserável se faz de várias maneiras: desequilíbrio na distribuição de renda, altos índices de violência, baixa esperança de vida para jovens do sexo masculino residentes nas periferias das grandes cidades, falta de educação formal, ausência de civismo, corrupção, intolerância, crime organizado, fragilidade das instituições democráticas e uma infinidade de outras características tão presentes em nosso cotidiano.
Mas existe também um tipo de problema que invariavelmente se manifesta em tais ambientes e com bastante ênfase no Brasil: é a miséria moral.
Existem diversas formas de entendermos a miséria moral e para compreendê-la devemos partir da definição do que significa a palavra moral. Se o termo pode ser expresso com sinônimos como ética, caráter, valores e costumes, temos que sua miséria representa a ausência dos elementos fundamentais que o exprimem. Estamos abarrotados desses exemplos, em todos os campos. Vejam que interessante como nossa miséria moral pode ser manifestada no jornalismo vagabundo que se faz aqui no Brasil.
Matérias dos Portais de Economia do UOL e do Terra apontaram que o PIB brasileiro em 2006 fechou “acima das expectativas”. O percentual é de 2,9%. Comparando com os demais países latino-americanos nosso PIB só é maior do que o PIB daquela potência econômica chamada Haiti. Lula disse que seria 5%, o mercado previa até 2,8% e quando o resultado saiu... Vejam: acima da expectativa: 2,9%! Incrível! Fazia tempo que não via um truque tão fajuto! O leitor distraído registra apenas a informação de que o PIB “superou as expectativas” e pensa consigo mesmo que talvez estejamos em um bom caminho.
Interessante mesmo foi a declaração do presidente Lula sobre os fantásticos 2,9%. “O PIB só vai crescer na medida em que se crie uma dinâmica no País em que as pessoas acreditem que as coisas estão sendo feitas com seriedade”. Puxa, se eu soubesse que o PIB cresceria por causa disso já teria acreditado antes! Então proponho uma campanha nacional: todo mundo acredita e o PIB cresce naturalmente! Como não havia pensado nisso antes?!
Tudo bem, então: EU ACREDITO!
Já para o ex-ministro Palocci, aquele cujos assessores quebraram o sigilo bancário do caseiro de Brasília, o crescimento do PIB reflete a consistência da economia brasileira. Agora me sinto muito mais tranqüilo em saber que vivo em um país consistente economicamente. Tenho pena dos argentinos (crescimento de 8,5%), dos indianos (crescimento de 9,2%) e dos chineses (crescimento de 10,7%). Pobres coitados. Sua economia, pela lógica de Palocci, deve estar um horror!
Querem saber? Estou cansado de tanta malandragem.
Mas existe também um tipo de problema que invariavelmente se manifesta em tais ambientes e com bastante ênfase no Brasil: é a miséria moral.
Existem diversas formas de entendermos a miséria moral e para compreendê-la devemos partir da definição do que significa a palavra moral. Se o termo pode ser expresso com sinônimos como ética, caráter, valores e costumes, temos que sua miséria representa a ausência dos elementos fundamentais que o exprimem. Estamos abarrotados desses exemplos, em todos os campos. Vejam que interessante como nossa miséria moral pode ser manifestada no jornalismo vagabundo que se faz aqui no Brasil.
Matérias dos Portais de Economia do UOL e do Terra apontaram que o PIB brasileiro em 2006 fechou “acima das expectativas”. O percentual é de 2,9%. Comparando com os demais países latino-americanos nosso PIB só é maior do que o PIB daquela potência econômica chamada Haiti. Lula disse que seria 5%, o mercado previa até 2,8% e quando o resultado saiu... Vejam: acima da expectativa: 2,9%! Incrível! Fazia tempo que não via um truque tão fajuto! O leitor distraído registra apenas a informação de que o PIB “superou as expectativas” e pensa consigo mesmo que talvez estejamos em um bom caminho.
Interessante mesmo foi a declaração do presidente Lula sobre os fantásticos 2,9%. “O PIB só vai crescer na medida em que se crie uma dinâmica no País em que as pessoas acreditem que as coisas estão sendo feitas com seriedade”. Puxa, se eu soubesse que o PIB cresceria por causa disso já teria acreditado antes! Então proponho uma campanha nacional: todo mundo acredita e o PIB cresce naturalmente! Como não havia pensado nisso antes?!
Tudo bem, então: EU ACREDITO!
Já para o ex-ministro Palocci, aquele cujos assessores quebraram o sigilo bancário do caseiro de Brasília, o crescimento do PIB reflete a consistência da economia brasileira. Agora me sinto muito mais tranqüilo em saber que vivo em um país consistente economicamente. Tenho pena dos argentinos (crescimento de 8,5%), dos indianos (crescimento de 9,2%) e dos chineses (crescimento de 10,7%). Pobres coitados. Sua economia, pela lógica de Palocci, deve estar um horror!
Querem saber? Estou cansado de tanta malandragem.
quinta-feira, março 01, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Chávez arma a Venezuela e faz soar os alarmes no continente
Creio que jamais escrevi ou publiquei algo sobre política internacional. Penso que atualmente existem dois temas bem interessantes neste campo. O primeiro trata-se das pretensões e ameaças do Irã em relação ao seu potencial arsenal nuclear. O segundo é sobre a América Latina e o fortalecimento de governos ditos de esquerda, mas que agem como populistas, uma verdadeira praga do continente latino-americano. Abaixo, um aspecto interessante sobre o caso da Venezuela. Por William Waack. Portal da Globo
"Há um jogo perigoso sendo jogado na Bolívia e no Equador, mas é um jogo que, inicialmente, só causará confusão interna. O jogo mais perigoso sendo jogado no momento é o de Hugo Chávez, e promete causar muita confusão externa. Um de seus aspectos mais preocupantes foi reiterado nesta segunda (5) numa reportagem de Roberto Godoy, de "O Estado de S. Paulo". É o acréscimo, ao já formidável arsenal militar venezuelano, de provavelmente 9 submarinos russos. As volumosas compras de material bélico por parte de Chávez ultrapassam os 3 bilhões de dólares, mas há nessa cifra contratos de longo prazo. O respeitado Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (mais conhecido pela sigla em inglês, IISS) diz em seu último relatório que entre os latino-americanos o maior orçamento com segurança e defesa, em termos absolutos, continua sendo o da Colombia (4 bilhões de dólares) - a guerra do governo colombiano contra diversos grupos de narco-guerrilheiros já dura 40 anos. O segundo maior gastador é...Chávez, com pouco mais de 2 bilhões de dólares. Ele superou Argentina e Chile, com orçamentos pouco inferiores (e tradições militares muito superiores), mas o que impressiona é a velocidade do aumento das despesas com material de guerra. Entre 2005 e 2006, o orçamento de defesa da Venezuela subiu 33% (o da Colombia, para comparação, subiu menos de 10%, e os de Chile e Argentina quase nada). As compras militares de Chávez sugerem o comportamento de alguém que entrou com muito dinheiro numa loja de departamentos e se encantou com quase tudo. Ele comprou 100 mil fuzis AK-47, um tipo pouco usado nas Américas (a não ser por Cuba e os narco-guerrilheiros das Farc), incluindo uma fábrica de munição. Circulam com muita insistência informações, desmentidas no último fim de semana pelo governo boliviano, de que parte dos 100 mil fuzis automáticos leves que serão substituídos pelas AK-47 estariam indo para a Bolívia.A shopping list do presidente com poderes de ditador da Venezuela incluiu sistemas de defesa antiaérea, navios patrulha, os tais submarinos russos mas, principalmente, os caças russos Sukhoi-35, um avião de combate sem similares nas forças aéreas latino-americanas.
O que mais impressiona nessa máquina, desenhada para competir com os F-15 e F-18 americanos, é a autonomia: 3.400 quilômetros. Em termos de equipamento eletrônico a bordo, não há nada na América do Sul capaz de rivalizar.No meio disso tudo, é claro que a Venezuela não avançou um milímetro naquilo que a une a outros países de fronteira amazônica: a falta de presença do Estado e de segurança dos próprios limites. A foz do Orinoco, por exemplo (onde Chávez está tomando de empresas estrangeiras alguns projetos importantes de exploração de petróleo pesado), é há mais de uma década o ponto preferido das grandes máfias de exportação de drogas da América do Sul para a Europa.O comportamento do caudilho venezuelano traz consigo o tipo de insegurança militar do qual a região parecia afastada, pelo menos desde o fim das querelas entre Brasil e Argentina e, principalmente, entre Argentina e Chile. Querem ver a razão? Por motivos ideológicos, Chávez conseguiu com que Argentina e Brasil deixassem de realizar com a marinha dos Estados Unidos os exercícios conjuntos previstos para 2006 (os países da costa do Pacífico o fizeram, conforme previsto). Provavelmente este ano, num sinal de força, os americanos vão passear pelo Atlântico Sul com um "battle group" em torno de um porta-aviões. Não há, a não ser na cabeça desequilibrada de Chávez, qualquer perigo real ou ameaça militar à soberania e integridade de seu país. O que ele gasta com armas faz falta em muitos setores na Venezuela, e fará mais falta ainda com os preços do petróleo estabilizando-se em torno de 50 dólares o barril (uma queda de mais de 30% nos últimos seis meses). Mas há um outro fator, externo, que é muito preocupante.Parte dos aviões de combate venezuelanos será modernizada pelo Irã, segundo Roberto Godoy. Seria bobagem afirmar que as forças armadas latino-americanas deveriam abster-se de comprar equipamentos e sistemas onde eles forem mais baratos, competitivos e, principalmente, onde se possa adquirir ou obter a transferência de tecnologia, apenas por deferência aos americanos. Mas ao trazer os iranianos e os vendedores russos para cá, Chávez o faz principalmente como provocação aos Estados Unidos (notoriamente restritivos no repasse de tecnologias militares ou de "dual use").Longe de sentir admiração por Chávez, os militares brasileiros estão dizendo abertamente que ele está trazendo para nosso hemisfério conflitos que aqui não existem. E que nem nos interessam. Nesse sentido, as armas de Chávez são profundamente perturbadoras."
Publicado em 05/02/2007
"Há um jogo perigoso sendo jogado na Bolívia e no Equador, mas é um jogo que, inicialmente, só causará confusão interna. O jogo mais perigoso sendo jogado no momento é o de Hugo Chávez, e promete causar muita confusão externa. Um de seus aspectos mais preocupantes foi reiterado nesta segunda (5) numa reportagem de Roberto Godoy, de "O Estado de S. Paulo". É o acréscimo, ao já formidável arsenal militar venezuelano, de provavelmente 9 submarinos russos. As volumosas compras de material bélico por parte de Chávez ultrapassam os 3 bilhões de dólares, mas há nessa cifra contratos de longo prazo. O respeitado Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (mais conhecido pela sigla em inglês, IISS) diz em seu último relatório que entre os latino-americanos o maior orçamento com segurança e defesa, em termos absolutos, continua sendo o da Colombia (4 bilhões de dólares) - a guerra do governo colombiano contra diversos grupos de narco-guerrilheiros já dura 40 anos. O segundo maior gastador é...Chávez, com pouco mais de 2 bilhões de dólares. Ele superou Argentina e Chile, com orçamentos pouco inferiores (e tradições militares muito superiores), mas o que impressiona é a velocidade do aumento das despesas com material de guerra. Entre 2005 e 2006, o orçamento de defesa da Venezuela subiu 33% (o da Colombia, para comparação, subiu menos de 10%, e os de Chile e Argentina quase nada). As compras militares de Chávez sugerem o comportamento de alguém que entrou com muito dinheiro numa loja de departamentos e se encantou com quase tudo. Ele comprou 100 mil fuzis AK-47, um tipo pouco usado nas Américas (a não ser por Cuba e os narco-guerrilheiros das Farc), incluindo uma fábrica de munição. Circulam com muita insistência informações, desmentidas no último fim de semana pelo governo boliviano, de que parte dos 100 mil fuzis automáticos leves que serão substituídos pelas AK-47 estariam indo para a Bolívia.A shopping list do presidente com poderes de ditador da Venezuela incluiu sistemas de defesa antiaérea, navios patrulha, os tais submarinos russos mas, principalmente, os caças russos Sukhoi-35, um avião de combate sem similares nas forças aéreas latino-americanas.
O que mais impressiona nessa máquina, desenhada para competir com os F-15 e F-18 americanos, é a autonomia: 3.400 quilômetros. Em termos de equipamento eletrônico a bordo, não há nada na América do Sul capaz de rivalizar.No meio disso tudo, é claro que a Venezuela não avançou um milímetro naquilo que a une a outros países de fronteira amazônica: a falta de presença do Estado e de segurança dos próprios limites. A foz do Orinoco, por exemplo (onde Chávez está tomando de empresas estrangeiras alguns projetos importantes de exploração de petróleo pesado), é há mais de uma década o ponto preferido das grandes máfias de exportação de drogas da América do Sul para a Europa.O comportamento do caudilho venezuelano traz consigo o tipo de insegurança militar do qual a região parecia afastada, pelo menos desde o fim das querelas entre Brasil e Argentina e, principalmente, entre Argentina e Chile. Querem ver a razão? Por motivos ideológicos, Chávez conseguiu com que Argentina e Brasil deixassem de realizar com a marinha dos Estados Unidos os exercícios conjuntos previstos para 2006 (os países da costa do Pacífico o fizeram, conforme previsto). Provavelmente este ano, num sinal de força, os americanos vão passear pelo Atlântico Sul com um "battle group" em torno de um porta-aviões. Não há, a não ser na cabeça desequilibrada de Chávez, qualquer perigo real ou ameaça militar à soberania e integridade de seu país. O que ele gasta com armas faz falta em muitos setores na Venezuela, e fará mais falta ainda com os preços do petróleo estabilizando-se em torno de 50 dólares o barril (uma queda de mais de 30% nos últimos seis meses). Mas há um outro fator, externo, que é muito preocupante.Parte dos aviões de combate venezuelanos será modernizada pelo Irã, segundo Roberto Godoy. Seria bobagem afirmar que as forças armadas latino-americanas deveriam abster-se de comprar equipamentos e sistemas onde eles forem mais baratos, competitivos e, principalmente, onde se possa adquirir ou obter a transferência de tecnologia, apenas por deferência aos americanos. Mas ao trazer os iranianos e os vendedores russos para cá, Chávez o faz principalmente como provocação aos Estados Unidos (notoriamente restritivos no repasse de tecnologias militares ou de "dual use").Longe de sentir admiração por Chávez, os militares brasileiros estão dizendo abertamente que ele está trazendo para nosso hemisfério conflitos que aqui não existem. E que nem nos interessam. Nesse sentido, as armas de Chávez são profundamente perturbadoras."
Publicado em 05/02/2007
O "efeito Bolsa Família"
Esta é interessante:
"Por medo de perder benefícios sociais pagos pelo governo, ou na esperança de conquistá-los, trabalhadores rurais no Nordeste estão se recusando a aceitar empregos com a carteira de trabalho assinada. A recusa ocorre tanto entre beneficiários do Bolsa Família quanto entre os que querem entrar no programa. Também entre os que pretendem se aposentar mais cedo, pelo regime especial da Previdência -aos 55 anos no caso das mulheres e 60 anos no dos homens.
Em uma das maiores fazendas de café da Bahia, na Agribahia, a dificuldade em contratar mão-de-obra formal levou à substituição de 5.000 trabalhadores em safras passadas por colheitadeiras operadas por um único funcionário. Hoje, a empresa contrata apenas cerca de 900 pessoas para fazer a colheita em áreas de declive, onde as máquinas correm o risco de tombar. Mesmo assim, são necessárias iniciativas como anúncios em rádio e em carros de som em feiras para arregimentar gente disposta a ter a carteira assinada por três meses ou mais e ganhar, como base, um salário mínimo por mês.
Próximo à Agribahia, na fazenda Campo Grande, o administrador André Araújo, 27, diz precisar de 150 pessoas para a colheita, mas que só consegue 40 com registro em carteira. O resultado é que o café acaba caindo de maduro do pé, com perda de qualidade. Por um café arábica "mole" que poderia valer R$ 300 a saca, a Campo Grande acaba recebendo R$ 200 pelo café "riado" catado depois no chão. A agricultora Luciene Silva Almeida, 28, é uma das que fogem do registro em carteira. Ela trabalha ilegal na região de Brejões (281 km ao sul de Salvador), apesar da forte fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho, que vem multando fazendeiros que contratam pessoal sem carteira assinada.Mãe de dois filhos, Luciene quer pleitear o Bolsa Família e planeja se aposentar pelo regime especial da Previdência, aos 55 anos. Se ela for registrada, pode correr o risco de extrapolar os critérios que a tornam elegível ao Bolsa Família.Isso também a tiraria da condição de futura "segurada especial", tornando-a "assalariada rural". A aposentadoria "especial" é um benefício social, já que o trabalhador não contribuiu com a Previdência".
Fonte: Folha de São Paulo, 25 de fevereito de 2007
Texto: Fernando Canzian
Extraído de Blog do Reinaldo Azevedo
"Por medo de perder benefícios sociais pagos pelo governo, ou na esperança de conquistá-los, trabalhadores rurais no Nordeste estão se recusando a aceitar empregos com a carteira de trabalho assinada. A recusa ocorre tanto entre beneficiários do Bolsa Família quanto entre os que querem entrar no programa. Também entre os que pretendem se aposentar mais cedo, pelo regime especial da Previdência -aos 55 anos no caso das mulheres e 60 anos no dos homens.
Em uma das maiores fazendas de café da Bahia, na Agribahia, a dificuldade em contratar mão-de-obra formal levou à substituição de 5.000 trabalhadores em safras passadas por colheitadeiras operadas por um único funcionário. Hoje, a empresa contrata apenas cerca de 900 pessoas para fazer a colheita em áreas de declive, onde as máquinas correm o risco de tombar. Mesmo assim, são necessárias iniciativas como anúncios em rádio e em carros de som em feiras para arregimentar gente disposta a ter a carteira assinada por três meses ou mais e ganhar, como base, um salário mínimo por mês.
Próximo à Agribahia, na fazenda Campo Grande, o administrador André Araújo, 27, diz precisar de 150 pessoas para a colheita, mas que só consegue 40 com registro em carteira. O resultado é que o café acaba caindo de maduro do pé, com perda de qualidade. Por um café arábica "mole" que poderia valer R$ 300 a saca, a Campo Grande acaba recebendo R$ 200 pelo café "riado" catado depois no chão. A agricultora Luciene Silva Almeida, 28, é uma das que fogem do registro em carteira. Ela trabalha ilegal na região de Brejões (281 km ao sul de Salvador), apesar da forte fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho, que vem multando fazendeiros que contratam pessoal sem carteira assinada.Mãe de dois filhos, Luciene quer pleitear o Bolsa Família e planeja se aposentar pelo regime especial da Previdência, aos 55 anos. Se ela for registrada, pode correr o risco de extrapolar os critérios que a tornam elegível ao Bolsa Família.Isso também a tiraria da condição de futura "segurada especial", tornando-a "assalariada rural". A aposentadoria "especial" é um benefício social, já que o trabalhador não contribuiu com a Previdência".
Fonte: Folha de São Paulo, 25 de fevereito de 2007
Texto: Fernando Canzian
Extraído de Blog do Reinaldo Azevedo
Agora, uma seqüência de Política
Voltarei um pouco às minhas origens e às origens deste blog. Nos próximos posts, entre hoje e quarta-feira, escreverei sobre política e publicarei algumas matérias interessantes que saíram nos jornais no fim de semana. Aviso: um passarinho me contou quem ocupará a Pasta da Educação, na minha opinião e da maior parte dos brasileiros minimamente bem informados, o Ministério mais importante do governo. Vou tentar confirmar a informação, mas caso ela seja verdadeira já vou avisando que estamos todos perdidos!
Estudo deixa chimpanzé e Homem mais perto
Um polêmico estudo promete colocar mais lenha na já aquecida fogueira do conhecimento relativo à evolução da espécie humana. Segundo ele, a separação evolutiva entre humanos e chimpanzés ocorreu há apenas 4 milhões de anos – e não entre 5 milhões e 7 milhões de anos, como defendem as pesquisas mais aceitas atualmente.
O estudo, publicado na revista PloS Genetics e divulgado pela agência Reuters, foi feito com base em análises do DNA de humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos. Ao medir as diferenças entre amostras de cada uma das espécies, foi possível estimar há quanto tempo viveu um ancestral comum a elas.
A pesquisa foi liderada por Asger Hobolth, da Universidade do Estado da Carolina do Norte (EUA). Para determinar a nova datação, os cientistas desenvolveram uma técnica para lidar com o que os biólogos chamam de "relógio molecular".
Fonte: Portal da Revista Veja. 26 de fevereiro de 2007.
O estudo, publicado na revista PloS Genetics e divulgado pela agência Reuters, foi feito com base em análises do DNA de humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos. Ao medir as diferenças entre amostras de cada uma das espécies, foi possível estimar há quanto tempo viveu um ancestral comum a elas.
A pesquisa foi liderada por Asger Hobolth, da Universidade do Estado da Carolina do Norte (EUA). Para determinar a nova datação, os cientistas desenvolveram uma técnica para lidar com o que os biólogos chamam de "relógio molecular".
Fonte: Portal da Revista Veja. 26 de fevereiro de 2007.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Chimpanzés usam lanças para caçar na África
Caros Alunos de Antropologia e curiosos em Geral! Vejam que interessante esta descoberta e o quanto ela pode ser útil para nossas discussões. Lembram-se que na noite passada (22/02) comentávamos que antes de possuírem a forma humanóide, vários primatas já se comportavam como os homens, ou seja, o comportamento humano foi forjado antes mesmo que suas formas fossem traduzidas para o que somos hoje, ou seja, mamíferos eretos, com locomoção bípede, pouca pelagem, da família hominidae, gênero Homo e espécie Homo-sapiens.
A matéria é do site da revista Veja.
"Pesquisadores americanos e britânicos observaram um traço até agora desconhecido no comportamento dos chimpanzés: esses animais usam lanças de madeira para caçar outros primatas. É a primeira vez que uma equipe de cientistas consegue flagrar esse procedimento. A descoberta poderá se tornar uma nova peça para o estudo da evolução humana.
A pesquisa foi realizada no Senegal e divulgada nesta sexta-feira através da revista especializada Current Biology. A americana Jill Pruetz, da Universidade do Estado de Iowa, e o britânico Paco Bertolani, do Centro de Estudos Evolucionários de Cambridge, observaram de perto os chimpanzés na região senegalesa de Fongoli, entre março de 2005 e julho de 2006. Nesse período, viram pelo menos 22 casos de uso de lanças de madeira pelos animais.
"Pela grande freqüência de casos, é de fato um hábito deles", disse Jill Pruetz. Segundo ela, os chimpanzés usavam as lanças em buracos em árvores e falhas no terreno. Depois, cheiravam ou lambiam o instrumento - deixando claro que a intenção era caçar, e não apenas descobrir o que havia ali. Além disso, os animais usavam as lanças com força, para espetar os bichos que estivessem escondidos. Em um dos casos observados, um chimpanzé conseguiu espetar um pequeno animal.
Fêmeas lideram - Os pesquisadores não registraram as cenas em vídeos ou fotografias. Conforme os relatos deles, os chimpanzés trabalhavam em quatro etapas para elaborar uma lança - arrancavam um galho de uma árvore, aparavam as folhas e arbustos, quebravam as pontas e afiavam uma extremidade, muitas vezes com os dentes. E, ao contrário do que se pensava anteriormente sobre os chimpanzés, as fêmeas assumiam a dianteira nas caçadas, usando as lanças com maior freqüência que os machos."
Fonte: Portal da Revista Veja. 23/02/2007.
A matéria é do site da revista Veja.
"Pesquisadores americanos e britânicos observaram um traço até agora desconhecido no comportamento dos chimpanzés: esses animais usam lanças de madeira para caçar outros primatas. É a primeira vez que uma equipe de cientistas consegue flagrar esse procedimento. A descoberta poderá se tornar uma nova peça para o estudo da evolução humana.
A pesquisa foi realizada no Senegal e divulgada nesta sexta-feira através da revista especializada Current Biology. A americana Jill Pruetz, da Universidade do Estado de Iowa, e o britânico Paco Bertolani, do Centro de Estudos Evolucionários de Cambridge, observaram de perto os chimpanzés na região senegalesa de Fongoli, entre março de 2005 e julho de 2006. Nesse período, viram pelo menos 22 casos de uso de lanças de madeira pelos animais.
"Pela grande freqüência de casos, é de fato um hábito deles", disse Jill Pruetz. Segundo ela, os chimpanzés usavam as lanças em buracos em árvores e falhas no terreno. Depois, cheiravam ou lambiam o instrumento - deixando claro que a intenção era caçar, e não apenas descobrir o que havia ali. Além disso, os animais usavam as lanças com força, para espetar os bichos que estivessem escondidos. Em um dos casos observados, um chimpanzé conseguiu espetar um pequeno animal.
Fêmeas lideram - Os pesquisadores não registraram as cenas em vídeos ou fotografias. Conforme os relatos deles, os chimpanzés trabalhavam em quatro etapas para elaborar uma lança - arrancavam um galho de uma árvore, aparavam as folhas e arbustos, quebravam as pontas e afiavam uma extremidade, muitas vezes com os dentes. E, ao contrário do que se pensava anteriormente sobre os chimpanzés, as fêmeas assumiam a dianteira nas caçadas, usando as lanças com maior freqüência que os machos."
Fonte: Portal da Revista Veja. 23/02/2007.
Eu Não Fui Para a Suiça!!!!
Existem alguns vícios dos estudantes brasileiros que podem (e devem!) ser corrigidos enquanto ainda há tempo. Um deles se manifestou em razão dos últimos dois posts publicados no blog. Interessante como existe uma preguiça nacional em concluir aquilo que se começa. Livros, textos, trabalhos e agora posts de blogs que não são lidos até o final e por isso provocam interpretações equivocadas sobre seus conteúdos.
Escrevo isso porque recebi vários e-mails de alunos perguntando se eu deveria ter mesmo mostrado o lugar onde passei o carnaval e outros dizendo que acharam lindo o lugar e que deve ter sido uma viagem incrível. Meus caros: eu NÃO estava na Suíça!!!
Era apenas uma provocação, uma brincadeira, uma ironia, cujo objetivo do texto era deixar o leitor um pouco confuso e, finalmente, nos últimos dois parágrafos, fazer o desfecho mostrando que era apenas um sonho, uma vontade, um desejo de me afastar dessa confusão toda. Contudo, como não poderia fazê-lo, me apoiava na própria história e fantasia carnavalescas para justificar e alimentar meu ideal de carnaval. Puxa... além disso, tenham certeza de que se eu tivesse realmente ido para aquele hotel eu jamais contaria para as pessoas e muito menos publicaria isso na Internet! Quem gosta de badalação é personagem da CARAS!!!
Como sempre digo em sala de aula, tudo serve de lição e portanto devemos aproveitar este exemplo para corrigir esse vício de não terminar as coisas que se começa. Isso serve para a VIDA de vocês e não apenas para um singelo texto no blog de um professor.
Começou. Termine!
PS.: Outros exemplos de vícios repugnantes que devem ser corrigidos: chegar atrasado, não assistir a primeira aula do ano, não entender de primeira o que o professor solicitou para um trabalho, não cumprir prazos, não adotar uma postura colaborativa entre os membros dos grupos, usar celular e por aí vai...
Escrevo isso porque recebi vários e-mails de alunos perguntando se eu deveria ter mesmo mostrado o lugar onde passei o carnaval e outros dizendo que acharam lindo o lugar e que deve ter sido uma viagem incrível. Meus caros: eu NÃO estava na Suíça!!!
Era apenas uma provocação, uma brincadeira, uma ironia, cujo objetivo do texto era deixar o leitor um pouco confuso e, finalmente, nos últimos dois parágrafos, fazer o desfecho mostrando que era apenas um sonho, uma vontade, um desejo de me afastar dessa confusão toda. Contudo, como não poderia fazê-lo, me apoiava na própria história e fantasia carnavalescas para justificar e alimentar meu ideal de carnaval. Puxa... além disso, tenham certeza de que se eu tivesse realmente ido para aquele hotel eu jamais contaria para as pessoas e muito menos publicaria isso na Internet! Quem gosta de badalação é personagem da CARAS!!!
Como sempre digo em sala de aula, tudo serve de lição e portanto devemos aproveitar este exemplo para corrigir esse vício de não terminar as coisas que se começa. Isso serve para a VIDA de vocês e não apenas para um singelo texto no blog de um professor.
Começou. Termine!
PS.: Outros exemplos de vícios repugnantes que devem ser corrigidos: chegar atrasado, não assistir a primeira aula do ano, não entender de primeira o que o professor solicitou para um trabalho, não cumprir prazos, não adotar uma postura colaborativa entre os membros dos grupos, usar celular e por aí vai...
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Deixa Falar!
Vão dizer que é preconceito, mas minha resposta é: Deixa Falar!
Realmente eu acho linda a festa de carnaval, adoro o som das baterias, me encanto com a felicidade das pessoas nas ruas, com a plasticidade dos desfiles das escolas de samba e acho muito atraente viver em um país tão grande que se mobiliza em torno de uma festa popular. Penso em tudo isso e realmente acho bárbaro! O carnaval é tão maravilhoso, quanto este tinto que estou tomando enquanto observo o lago de águas brilhantes refletindo a luz do sol, que impera junto ao céu azul, emoldurando as montanhas com seus picos nevados. Faz frio.
Do quarto do Badrutt's Palace Hotel, em St. Moritz, na Suíça, onde estou, desligo as notícias sobre o carnaval carioca, entremeadas de policiais disparando tiros para todos os cantos e de uma senhorita gritando ao jornalista que não estava saqueando, mas sim tomando emprestadas algumas telhas de amianto e fiação elétrica de um Centro de Cidadania do Rio, apenas para vender e comprar comida. No Centro, que sequer existia e nem funcionava de fato, não sobrou nem uma placa para dizer:
“Aqui jaz um ex-futuro Centro de Cidadania. Morremos, sim, mas cumprimos a missão de ajudar as pessoas, distribuindo nossas instalações para que o Bloco dos Foliões Saqueadores pudessem brincar o carnaval.”
Após desligar a TV comecei a refletir, entre um gole e outro de um Cabernet Sauvignon, sobre o nosso carnaval. Que linda festa. Mas eu gostaria de viver aqueles tempos do início de sua história.
Vão dizer que sou nostálgico, mas... Deixa Falar.
Naqueles tempos, lá pelo século XVI e XVII em Portugal, a festa que antecedia a Quaresma se chamava “Entrudo” e era um período em que as pessoas faziam esferas bem finas de cera e colocavam água no seu interior. Quando chegava a hora da festa era uma verdadeira guerra de bolinhas de cera cheias de água e também farinha e ovos. Algum espírito de porco, achando a brincadeira engraçadinha, começou a misturar a água com uma essência mau cheirosa e assim a festa foi perdendo o aspecto alegre e passou a ser uma manifestação desagradável e de certa forma violenta. Mas então porque eu prefiro essa época? Ora, porque com o Entrudo poderíamos convidar a Ângela Guadagnin e seria lindo vê-la dançar toda de amarelinho com a turma a se esfalfar de tanto jogar ovo e farinha. Que lindo também seria ver o folião José Dirceu todo animado, no corredor polonês, sob bolinhas de cera cheias de água com cheirinhos duvidosos.
Vão dizer que sou Careta, mas Deixa Falar.
No Brasil, o Carnaval chegou por meio do Entrudo e já naquela época a Polícia e a Igreja tratavam de reprimir os “foliões” que jogavam água, farinha e ovos em todo mundo, inclusive em crianças, mulheres e idosos. Como a confusão era grande, o movimento teve uma cisão e foram formados dois grupos: em um ficavam os brancos e mulatos de classe média e, no outro, os negros e os mulatos pobres. E assim foram criados os famosos Carnaval de Rua e Carnaval de Salão. Pessoalmente me parece de um forte poder simbólico observar que nos grandes desfiles das escolas de samba, os pobres desfilavam nas ruas e os ricos se encantavam com a beleza distante, em seus camarotes cheios de champagne. Mas sei que atualmente até isso está difícil. Custa caro, também, para desfilar na rua e hoje os estrangeiros têm direito a sala vip na concentração, massagem nos intervalos e regalias aos montes.
Vão dizer que sou chato... Deixa Falar!
Pois daqui de meu quarto de hotel nos Alpes Suíços fico imaginando, com inveja, como os foliões se divertem! Quanta alegria, quanto beijo na boca de gente que nunca se viu, quanto suor, quantos pisões, cotoveladas, cerveja quente caindo sobre a cabeça, quantos arrastões, hotéis lotados, estradas paralisadas, ruas cheias, desmaios, convulsões, beliscões, além dos milhares de litros de soro na veia dos brasileiros onde corre sangue, fúria e álcool em abundância... Que Maravilha!!!!
Vão dizer que sou sonhador, mas não me importo... Deixa Falar!
Entretanto o carnaval é libertador. Ele nos livra de todos os males e de todos os problemas. É por isso que daqui, da janela de um lindo hotel nos Alpes Suíços, enquanto me recupero da adaptação ao fuso horário, deixo a vocês uma palavra de esperança de que um dia eu terei condições de me hospedar, ao acordar deste sonho, de fato, no Badrutt's Palace Hotel e não onde estou de verdade neste momento, escrevendo para vocês, da mesa de meu trabalho e pensando: que diabos vou fazer nos próximos 5 dias?
Pois bem, se é verdade que o carnaval é libertador, então ele me ajudou a libertar-me de meu sonho suiço e, por esta razão, dedico este texto ao nosso carnaval e à primeira escola de samba criada no Brasil, por Ismael Silva e que mais tarde se transformou na famosa Estácio de Sá.
O nome original da escola era: "Deixa Falar".
Por isso, se disserem que sou preconceituoso, nostálgico, careta, chato e sonhador, minha resposta é... bem, vocês já sabem.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Atendendo ao Pedido...
Voltei ao antigo visual do blog, atendendo a pedido (ver comentário abaixo) de minha leitora mais fiel! Ela merece!!! Ou melhor... ela manda!!!
sábado, fevereiro 10, 2007
Instruções Para Ler os Últimos Posts!!!
Queridos(as) Alunos(as) e ex-alunos(as):
Quem tiver curiosidade e paciência para ler meus comentários sobre o último episódio de violência que envolveu a morte cruel de um garoto de 6 anos no Rio de Janeiro, aconselho que comecem lá de baixo, pela ordem e seqüência das publicações. Os títulos são, de baixo para cima: Violência I, Violência II e Violência III.
Quem tiver curiosidade e paciência para ler meus comentários sobre o último episódio de violência que envolveu a morte cruel de um garoto de 6 anos no Rio de Janeiro, aconselho que comecem lá de baixo, pela ordem e seqüência das publicações. Os títulos são, de baixo para cima: Violência I, Violência II e Violência III.
Violência III
Se me permitirem, faço agora o último post sobre a questão da crueldade contra o menino do Rio de Janeiro. Me distancio bastante do caso que gerou essa série de posts sobre violência. Na verdade, me pareceu desgastante escrever sobre este triste episódio que me sensibilizou profundamente.
É que na tentativa de estimular a reflexão sobre o tema em questão me lembrei de uma obra que tenho em casa chamada “O Ponto de Mutação” de Fritjof Capra. O autor trata de um fenômeno em que possa haver a reconciliação entre a ciência e o espírito humano. Reproduzo trechos para vocês, permeados de alguns comentários. Mas atenção: tenham paciência, pois o texto é relativamente longo para um blog.
Trataremos um pouco sobre a evolução da ciência humana e de como seus alicerces construídos entre os séculos XVI e XVII influenciaram o modo de interpretar o mundo.
“Antes de 1500 a visão do mundo dominante na Europa, assim como na maioria das outras civilizações, era orgânica. As pessoas viviam em comunidades pequenas e coesas, e vivenciavam a natureza em termos de relações orgânicas, caracterizadas pela interdependência dos fenômenos espirituais e materiais e (...) a estrutura científica dessa visão de mundo orgânica assentava em duas autoridades: Aristóteles e a Igreja. No século XIII, Tomás de Aquino combinou o abrangente sistema da natureza de Aristóteles com a teologia e a ética cristãs e, assim fazendo, estabeleceu a estrutura conceitual que permaneceu inconteste durante toda a Idade Média.
A perspectiva medieval mudou radicalmente nos séculos XVI e XVII. A noção de um universo orgânico, vivo e espiritual foi substituída pela noção do mundo como se ele fosse uma máquina. Esse desenvolvimento foi ocasionado por mudanças revolucionárias na física e na astronomia, culminando nas realizações de Copérnico, Galileu e Newton.”
Agora faço um grande pulo para chegar até Descartes, cujo método analítico de raciocínio foi fundamental para o desenvolvimento da ciência como em parte a conhecemos até hoje.
“O ponto fundamental do método de Descartes é a dúvida. Ele duvida de tudo o que pode submeter à dúvida: todo o conhecimento tradicional, as impressões de seus sentidos e até o fato de ter um corpo; e chega a uma coisa que não pode duvidar, a existência de si mesmo como pensador. Assim chegou à sua famosa afirmação “Cogito ergo sum”, “Penso, logo existo”. Daí deduziu Descartes que a essência da natureza humana reside no pensamento, e que todas as coisas que concebemos clara e distintamente são verdadeiras.
O método de Descartes é analítico. Consiste em decompor pensamentos e problemas em suas partes componentes e dispô-las em sua ordem lógica. Esse método analítico de raciocínio é provavelmente a maior contribuiçãode Descartes à ciência.” (CAPRA, 1982)
Queridos alunos, não desistam e continuem a acompanhar este raciocínio. Ocorre que a ênfase no pensamento cartesiano (como ficou conhecido o pensamento de Descartes) levou a uma fragmentação do pensamento de modo geral. Um efeito prático dessa influência está, por exemplo, na divisão das disciplinas acadêmicas. O pensamento de Descartes fez com que ocorresse a separação entre a mente e a matéria; o corpo e o espírito, sendo que esta separação entre mente e matéria exerceu um efeito profundo sobre o pensamento ocidental. Pois continuemos mais um pouco com Capra.
“Descartes baseou toda sua concepção da natureza nessa divisão fundamental entre dois domínios separados e independentes: o da mente, ou res cogitans, a “coisa pensante”, e o da matéria, ou res extensa, a “coisa extensa”. Mente e matéria eram criações de Deus, que representava o ponto de referência comum a ambas e era a fonte da ordem natural exata e da luz da razão que habilitava a mente humana a reconhecer essa ordem.
Para Descartes, a existência de Deus era essencial à sua filosofia científica, mas, em séculos subseqüentes, os cientistas omitiram qualquer referência explícita a Deus e desenvolveram suas teorias de acordo com a visão cartesiana, as ciências humanas concentrando-se na res cogitans e as naturais na res extensa”.
Esse quadro de uma perfeita máquina do mundo subentendia um criador externo; um Deus monárquico que governaria o mundo a partir do alto, impondo-lhe sua lei divina. Não se pensava que os fenômenos físicos em si, fossem divinos em qualquer sentido; assim, quando a ciência tornou cada vez mais difícil acreditar em tal Deus, o divino desapareceu completamente da visão científica do mundo, deixando em sua esteira o vácuo espiritual.” (CAPRA, 1982)
Mais tarde, outros cientistas, filósofos e pensadores de modo geral aparecerão, tais como Locke, que influenciou a criação do Iluminismo e, de modo geral, da moderna idéia do pensamento político e econômico baseados no individualismo; além de Kant, Laplace, Hegels...
O que interessa nestas linhas que escrevo é observar que o vácuo espiritual imposto pela história do pensamento científico se tornou característica essencial de nossa cultura, mas que em momentos de aguda crise moral e política há uma tentativa de retorno a certas bases espirituais que podem, de fato, promover a reconciliação entre a ciência e o espírito humano. Não se espera que um caso específico de violência brutal possa ser o ponto de partida para esta aproximação e, portanto, para o início de uma maneira distinta dos seres humanos observarem o mundo e seu meio ambiente. Afinal, fosse assim, milhões de outras brutalidades cometidas ao longo de nossa história recente poderiam em tempos anteriores ter estimulado este processo.
Porém, se pensarmos em grandes períodos de tempo, se analisarmos a história do desenvolvimento e decadência das civilizações (seja a Egípcia, Helênica, Islamita, Cristã Ortodoxa...) e buscarmos os processos de quebras de paradigmas e profundas transformações históricas, certamente poderemos concluir que atualmente vivemos um período de transição para uma nova maneira de interagir com o mundo e seu meio ambiente, apesar de que muito provavelmente não estaremos vivos para observar essa mudança, uma vez que a mudança somos nós.
Resta-nos compreender quais as transformações que ajudaremos (ou escolheremos) promover, pois estas dependem, em última instância, do tipo de comportamento e visão de mundo que devemos adotar em nosso cotidiano para sustentar a idéia de harmonia entre ciência e espírito; entre a vida humana e a natureza; e entre a materialidade necessária à existência de cada indivíduo, aliada ao bem estar e paz social que, acredito, as sociedades ainda almejam. Apesar dos pesares.
É que na tentativa de estimular a reflexão sobre o tema em questão me lembrei de uma obra que tenho em casa chamada “O Ponto de Mutação” de Fritjof Capra. O autor trata de um fenômeno em que possa haver a reconciliação entre a ciência e o espírito humano. Reproduzo trechos para vocês, permeados de alguns comentários. Mas atenção: tenham paciência, pois o texto é relativamente longo para um blog.
Trataremos um pouco sobre a evolução da ciência humana e de como seus alicerces construídos entre os séculos XVI e XVII influenciaram o modo de interpretar o mundo.
“Antes de 1500 a visão do mundo dominante na Europa, assim como na maioria das outras civilizações, era orgânica. As pessoas viviam em comunidades pequenas e coesas, e vivenciavam a natureza em termos de relações orgânicas, caracterizadas pela interdependência dos fenômenos espirituais e materiais e (...) a estrutura científica dessa visão de mundo orgânica assentava em duas autoridades: Aristóteles e a Igreja. No século XIII, Tomás de Aquino combinou o abrangente sistema da natureza de Aristóteles com a teologia e a ética cristãs e, assim fazendo, estabeleceu a estrutura conceitual que permaneceu inconteste durante toda a Idade Média.
A perspectiva medieval mudou radicalmente nos séculos XVI e XVII. A noção de um universo orgânico, vivo e espiritual foi substituída pela noção do mundo como se ele fosse uma máquina. Esse desenvolvimento foi ocasionado por mudanças revolucionárias na física e na astronomia, culminando nas realizações de Copérnico, Galileu e Newton.”
Agora faço um grande pulo para chegar até Descartes, cujo método analítico de raciocínio foi fundamental para o desenvolvimento da ciência como em parte a conhecemos até hoje.
“O ponto fundamental do método de Descartes é a dúvida. Ele duvida de tudo o que pode submeter à dúvida: todo o conhecimento tradicional, as impressões de seus sentidos e até o fato de ter um corpo; e chega a uma coisa que não pode duvidar, a existência de si mesmo como pensador. Assim chegou à sua famosa afirmação “Cogito ergo sum”, “Penso, logo existo”. Daí deduziu Descartes que a essência da natureza humana reside no pensamento, e que todas as coisas que concebemos clara e distintamente são verdadeiras.
O método de Descartes é analítico. Consiste em decompor pensamentos e problemas em suas partes componentes e dispô-las em sua ordem lógica. Esse método analítico de raciocínio é provavelmente a maior contribuiçãode Descartes à ciência.” (CAPRA, 1982)
Queridos alunos, não desistam e continuem a acompanhar este raciocínio. Ocorre que a ênfase no pensamento cartesiano (como ficou conhecido o pensamento de Descartes) levou a uma fragmentação do pensamento de modo geral. Um efeito prático dessa influência está, por exemplo, na divisão das disciplinas acadêmicas. O pensamento de Descartes fez com que ocorresse a separação entre a mente e a matéria; o corpo e o espírito, sendo que esta separação entre mente e matéria exerceu um efeito profundo sobre o pensamento ocidental. Pois continuemos mais um pouco com Capra.
“Descartes baseou toda sua concepção da natureza nessa divisão fundamental entre dois domínios separados e independentes: o da mente, ou res cogitans, a “coisa pensante”, e o da matéria, ou res extensa, a “coisa extensa”. Mente e matéria eram criações de Deus, que representava o ponto de referência comum a ambas e era a fonte da ordem natural exata e da luz da razão que habilitava a mente humana a reconhecer essa ordem.
Para Descartes, a existência de Deus era essencial à sua filosofia científica, mas, em séculos subseqüentes, os cientistas omitiram qualquer referência explícita a Deus e desenvolveram suas teorias de acordo com a visão cartesiana, as ciências humanas concentrando-se na res cogitans e as naturais na res extensa”.
Esse quadro de uma perfeita máquina do mundo subentendia um criador externo; um Deus monárquico que governaria o mundo a partir do alto, impondo-lhe sua lei divina. Não se pensava que os fenômenos físicos em si, fossem divinos em qualquer sentido; assim, quando a ciência tornou cada vez mais difícil acreditar em tal Deus, o divino desapareceu completamente da visão científica do mundo, deixando em sua esteira o vácuo espiritual.” (CAPRA, 1982)
Mais tarde, outros cientistas, filósofos e pensadores de modo geral aparecerão, tais como Locke, que influenciou a criação do Iluminismo e, de modo geral, da moderna idéia do pensamento político e econômico baseados no individualismo; além de Kant, Laplace, Hegels...
O que interessa nestas linhas que escrevo é observar que o vácuo espiritual imposto pela história do pensamento científico se tornou característica essencial de nossa cultura, mas que em momentos de aguda crise moral e política há uma tentativa de retorno a certas bases espirituais que podem, de fato, promover a reconciliação entre a ciência e o espírito humano. Não se espera que um caso específico de violência brutal possa ser o ponto de partida para esta aproximação e, portanto, para o início de uma maneira distinta dos seres humanos observarem o mundo e seu meio ambiente. Afinal, fosse assim, milhões de outras brutalidades cometidas ao longo de nossa história recente poderiam em tempos anteriores ter estimulado este processo.
Porém, se pensarmos em grandes períodos de tempo, se analisarmos a história do desenvolvimento e decadência das civilizações (seja a Egípcia, Helênica, Islamita, Cristã Ortodoxa...) e buscarmos os processos de quebras de paradigmas e profundas transformações históricas, certamente poderemos concluir que atualmente vivemos um período de transição para uma nova maneira de interagir com o mundo e seu meio ambiente, apesar de que muito provavelmente não estaremos vivos para observar essa mudança, uma vez que a mudança somos nós.
Resta-nos compreender quais as transformações que ajudaremos (ou escolheremos) promover, pois estas dependem, em última instância, do tipo de comportamento e visão de mundo que devemos adotar em nosso cotidiano para sustentar a idéia de harmonia entre ciência e espírito; entre a vida humana e a natureza; e entre a materialidade necessária à existência de cada indivíduo, aliada ao bem estar e paz social que, acredito, as sociedades ainda almejam. Apesar dos pesares.
Violência II
Na linguagem sociológica, o termo mais adequado para classificar a ação dos criminosos que arrastaram o menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, por 14 ruas do Rio de Janeiro é “desviância” ou “conduta desviante”.
As condutas desviantes, tais como o seqüestro, latrocínio, suicídio, uso indevido de drogas, dentre outras, são, segundo Pedro Scuro “tipos de comportamento aberrantes, que no entanto servem para a sociedade reafirmar suas bases de seus códigos morais, ajudando-a a sustentar seus estilos de vida “normal””. Assim, ao chocar-se com certas barbaridades e episódios estarrecedores como o ocorrido no Rio de Janeiro, a sensação de horror gera na sociedade a capacidade de resgatar os valores com os quais ela foi formada, mas que podem estar sendo abandonados paulatinamente. Ao perceber-se chocada com a violência, a opinião pública na verdade está a rechaçar este tipo de comportamento e, ao mesmo tempo, resgatando as regras que definem a consciência coletiva e que explicam a própria sociedade.
Ainda segundo Scuro, “os desvios de conduta podem contribuir para agregar os grupos heterogêneos ou em estado de desagregação, levando seus integrantes a se unir contra um “inimigo comum” (...) consequentemente quando acentua que nos desviantes falta alguma qualidade, a sociedade define o que são atributos dignos de valorização, o bem moral, a força de caráter, a inteligência ou a beleza.” (SCURO, 2004)
Ao provocar comoção na opinião pública, este caso estarrecedor cria um tipo de alerta contra a desintegração social e apresenta cruelmente o resultado de um processo de escalada de violência e de destruição de valores morais, obrigando os indivíduos a refletir sobre as condições em que vivem.
A questão crucial está no tipo de reação e de reflexão que a sociedade fará com este e outros casos que nos parecem inconcebíveis. Assim, quanto menor a capacidade de chocar-se ou escandalizar-se com eventos como esse, maior será a integração desses atos à nossa cultura e aos nossos costumes e, conseqüentemente, sua interpretação como “coisa normal”.
A reação da opinião pública frente à corrupção política pode ser um bom exemplo disso. Ao chegar à conclusão de que “todo político é ladrão” e que “os políticos só servem para roubar” a sociedade vai aos poucos introduzindo este tipo de prática como algo normal, fazendo com que uma conduta desviante passe a ser algo institucionalizado e incorporado à nossa cultura. Em países assolados pela miséria e pelas guerras civis, como na Angola, por exemplo, é comum grupos de crianças se reunirem, escolherem uma passagem pública utilizada por pedestres (uma ponte por exemplo) e simplesmente cobrarem pedágio para que as pessoas possam transitar por elas.
Dessa forma, ao não mais se espantar com a corrupção ou entender que a exploração comercial privada de um bem público (em nosso exemplo da ponte) é uma atividade normal, a desviância passa a fazer parte do cotidiano das pessoas e com o passar do tempo, naturalmente deixa de ser desviância.
Mas atenção! Não existe nesta definição qualquer tipo de valoração em termos do que é bom ou ruim, uma vez que não é possível ter uma exata dimensão do efeito provocado por condutas desviantes, pois ele está inserido nos contextos sociais, históricos e políticos de cada sociedade, fazendo com que os sociólogos e pesquisadores da opinião pública queiram examinar o significado simbólico da desviância, isto é, como ocorreu, como se desenvolveu, em que contexto foi gerada e em quais circunstâncias.
As condutas desviantes, tais como o seqüestro, latrocínio, suicídio, uso indevido de drogas, dentre outras, são, segundo Pedro Scuro “tipos de comportamento aberrantes, que no entanto servem para a sociedade reafirmar suas bases de seus códigos morais, ajudando-a a sustentar seus estilos de vida “normal””. Assim, ao chocar-se com certas barbaridades e episódios estarrecedores como o ocorrido no Rio de Janeiro, a sensação de horror gera na sociedade a capacidade de resgatar os valores com os quais ela foi formada, mas que podem estar sendo abandonados paulatinamente. Ao perceber-se chocada com a violência, a opinião pública na verdade está a rechaçar este tipo de comportamento e, ao mesmo tempo, resgatando as regras que definem a consciência coletiva e que explicam a própria sociedade.
Ainda segundo Scuro, “os desvios de conduta podem contribuir para agregar os grupos heterogêneos ou em estado de desagregação, levando seus integrantes a se unir contra um “inimigo comum” (...) consequentemente quando acentua que nos desviantes falta alguma qualidade, a sociedade define o que são atributos dignos de valorização, o bem moral, a força de caráter, a inteligência ou a beleza.” (SCURO, 2004)
Ao provocar comoção na opinião pública, este caso estarrecedor cria um tipo de alerta contra a desintegração social e apresenta cruelmente o resultado de um processo de escalada de violência e de destruição de valores morais, obrigando os indivíduos a refletir sobre as condições em que vivem.
A questão crucial está no tipo de reação e de reflexão que a sociedade fará com este e outros casos que nos parecem inconcebíveis. Assim, quanto menor a capacidade de chocar-se ou escandalizar-se com eventos como esse, maior será a integração desses atos à nossa cultura e aos nossos costumes e, conseqüentemente, sua interpretação como “coisa normal”.
A reação da opinião pública frente à corrupção política pode ser um bom exemplo disso. Ao chegar à conclusão de que “todo político é ladrão” e que “os políticos só servem para roubar” a sociedade vai aos poucos introduzindo este tipo de prática como algo normal, fazendo com que uma conduta desviante passe a ser algo institucionalizado e incorporado à nossa cultura. Em países assolados pela miséria e pelas guerras civis, como na Angola, por exemplo, é comum grupos de crianças se reunirem, escolherem uma passagem pública utilizada por pedestres (uma ponte por exemplo) e simplesmente cobrarem pedágio para que as pessoas possam transitar por elas.
Dessa forma, ao não mais se espantar com a corrupção ou entender que a exploração comercial privada de um bem público (em nosso exemplo da ponte) é uma atividade normal, a desviância passa a fazer parte do cotidiano das pessoas e com o passar do tempo, naturalmente deixa de ser desviância.
Mas atenção! Não existe nesta definição qualquer tipo de valoração em termos do que é bom ou ruim, uma vez que não é possível ter uma exata dimensão do efeito provocado por condutas desviantes, pois ele está inserido nos contextos sociais, históricos e políticos de cada sociedade, fazendo com que os sociólogos e pesquisadores da opinião pública queiram examinar o significado simbólico da desviância, isto é, como ocorreu, como se desenvolveu, em que contexto foi gerada e em quais circunstâncias.
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Violência I
É evidente que estou tentado a escrever sobre o crime que matou o menino João, de seis anos, arrastado por criminosos nas ruas do Rio de Janeiro. Certamente trata-se de um assunto que se enquadra em duas frentes de trabalho deste semestre: a opinião pública e a antropologia.
Entretanto minha obrigação é buscar agregar algum valor simbólico, analítico ou distante do senso comum sobre esta terrível história. É difícil fazer este exercício quando, como uma “pessoa comum”, nos sentimos impelidos em direção aos nossos instintos mais selvagens, os quais nos remetem ao desejo de vingança, ao terror, medo e ao sentimento de asco e cansaço diante de um Estado que é incapaz de promover justiça e segurança. Não esperem de mim, no entanto, um discurso como os que leio nos meios sociológicos de que a doença da sociedade é uma obra nossa, que os jovens são vítimas das mais brutais dificuldades, preconceitos de toda ordem, enfim, que foi a sociedade quem criou monstros como os que despedaçaram o corpo daquela criança.
Sinto muito, mas ao compartilhar esta análise me sentiria quase como que colocando a culpa na criança. Me recordo do caso da mulher que, ao ser espancada pelo marido, recorreu a uma delegacia no Rio de Janeiro, pois pretendia lavrar um Boletim de Ocorrência sobre o ocorrido. Como aquela não era a primeira vez que comparecia ao Distrito e nas oportunidades anteriores não havia conseguido registrar o B.O., a mulher se irritou quando informada pelo investigador que, mais uma vez, não teria seu pedido aceito. Então passou a reclamar do tratamento que recebia. Em seguida o investigador jogou-se sobre ela, derrubou-a no chão, colocou os joelhos sobre suas costas e imobilizando os braços da mulher, deu-lhe voz de prisão por desacato à autoridade. A mulher, duplamente vítima e agredida na frente de seus filhos, foi obrigada a pagar fiança de R$50,00 para ser liberada. Dessa forma, os valores vão se entortando e não se sabe mais onde foram geradas as culpas, quem são os responsáveis, as vítimas, enfim, passamos a desconhecer as fronteiras da justiça, da racionalidade e do tecido social que se desfaz.
Não sou afeito ao discurso fácil da vingança, mas tampouco ao estudo sociológico sobre as razões sociais que impeliram aqueles fascínoras a cometer tal brutalidade. Portanto, publicarei dois posts sobre o tema; o primeiro privilegiando um debate sobre opinião pública e o segundo levantado uma observação um pouco mais histórica e de cunho antropológico.
Como uma pessoa comum tenho minhas opiniões sobre o tema. Minha obrigação, no entanto, é saber separar os pensamentos e ajudar a afastá-los da mendicância intelectual que graça nos meios de comunicação e nas coberturas jornalísticas.
Em breve retorno com os posts!
Entretanto minha obrigação é buscar agregar algum valor simbólico, analítico ou distante do senso comum sobre esta terrível história. É difícil fazer este exercício quando, como uma “pessoa comum”, nos sentimos impelidos em direção aos nossos instintos mais selvagens, os quais nos remetem ao desejo de vingança, ao terror, medo e ao sentimento de asco e cansaço diante de um Estado que é incapaz de promover justiça e segurança. Não esperem de mim, no entanto, um discurso como os que leio nos meios sociológicos de que a doença da sociedade é uma obra nossa, que os jovens são vítimas das mais brutais dificuldades, preconceitos de toda ordem, enfim, que foi a sociedade quem criou monstros como os que despedaçaram o corpo daquela criança.
Sinto muito, mas ao compartilhar esta análise me sentiria quase como que colocando a culpa na criança. Me recordo do caso da mulher que, ao ser espancada pelo marido, recorreu a uma delegacia no Rio de Janeiro, pois pretendia lavrar um Boletim de Ocorrência sobre o ocorrido. Como aquela não era a primeira vez que comparecia ao Distrito e nas oportunidades anteriores não havia conseguido registrar o B.O., a mulher se irritou quando informada pelo investigador que, mais uma vez, não teria seu pedido aceito. Então passou a reclamar do tratamento que recebia. Em seguida o investigador jogou-se sobre ela, derrubou-a no chão, colocou os joelhos sobre suas costas e imobilizando os braços da mulher, deu-lhe voz de prisão por desacato à autoridade. A mulher, duplamente vítima e agredida na frente de seus filhos, foi obrigada a pagar fiança de R$50,00 para ser liberada. Dessa forma, os valores vão se entortando e não se sabe mais onde foram geradas as culpas, quem são os responsáveis, as vítimas, enfim, passamos a desconhecer as fronteiras da justiça, da racionalidade e do tecido social que se desfaz.
Não sou afeito ao discurso fácil da vingança, mas tampouco ao estudo sociológico sobre as razões sociais que impeliram aqueles fascínoras a cometer tal brutalidade. Portanto, publicarei dois posts sobre o tema; o primeiro privilegiando um debate sobre opinião pública e o segundo levantado uma observação um pouco mais histórica e de cunho antropológico.
Como uma pessoa comum tenho minhas opiniões sobre o tema. Minha obrigação, no entanto, é saber separar os pensamentos e ajudar a afastá-los da mendicância intelectual que graça nos meios de comunicação e nas coberturas jornalísticas.
Em breve retorno com os posts!
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Vai Começar Tudo de Novo!!!!
Esta semana retornam as aulas e... bem, lá vou eu de novo... que venha 2007!!!!
Ei... mas antes tenho que tirar a poeira deste blog!!!
Ei... mas antes tenho que tirar a poeira deste blog!!!
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