O ano era 1981. Abrahim Farhat e seus companheiros do PT levaram Lula e sua comitiva para comer no bar e restaurante Casarão, ao lado do quartel da PM. Lhé, como era conhecido o fundador do PT no Acre, estava preocupado porque o PT daquele estado era muito pobre e naquele dia sequer tinha dinheiro para pagar o almoço dos visitantes.
Aí aconteceu o “milagre”, que tanto Lhé admira. Todos estavam comendo, quando chegou na mesa o seu Nicolau, pai do Valter, dono do restaurante, e interpelou Lula sobre o que ele estava fazendo no Acre. Lula não o reconheceu de imediato, mas seu Nicolau tratou logo de refrescar a memória do então presidente do sindicato dos metalúrgicos. “Lula, foi você que assinou a minha aposentadoria lá no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Por isso, na casa do meu filho, vocês não precisam pagar a comida que estão comendo”.
Uma das máximas mais utilizadas nas empresas privadas para explicar como funciona o sistema capitalista é a famosa idéia de que sempre alguém terá que “pagar o almoço”. O preceito, autoexplicativo, indica a necessidade de planejamento detalhado, orçamento adequado e aplicação de recursos financeiros minuciosamente controlados como regras básicas do setor produtivo. Qualquer desvio de finalidade, erro de cálculo ou ação defeituosamente implementada acarretará algum tipo de prejuízo, cujo custo poderá ser sentido em diferentes escalas de acordo com o grau de erro aplicado.
No sistema capitalista, portanto, não existe a mais remota possibilidade de ocorrer qualquer tipo de “milagre”, uma vez que o dinheiro, no sentido ampliado de “valor”, é quem determina o movimento econômico desde o séc. XVI, quando o mercado e o comércio mundiais inauguraram o que Marx chamou de a moderna história do capital.
Desta feita, no capitalismo, cujo sistema político fundamental é a Democracia, independentemente das diferenças entre as doutrinas liberais e socialistas, qualquer atividade vinculada à sua manutenção e desenvolvimento, seja na esfera privada ou pública, irá gerar custos financeiros e algum tipo de comprometimento econômico aos seus atores.
Portanto, é dada como inquestionável a necessidade de um determinado capital que faça movimentar a máquina da democracia. Também é indiscutível a idéia de que entes dos sistema democrático, justamente por ser realizado no palco do capitalismo, devem regular toda atividade vinculada ao processo eleitoral com o objetivo de equilibrar a disputa (preceito constitutivo de igualdade de direitos da própria democracia), julgar e punir casos de abuso de poder econômico (quando ocorre o desequilíbrio na disputa eleitoral) e zelar pela própria sobrevivência do sistema, uma vez que a radical ruptura do equilíbrio perseguido é o caminho para seu desfacelamento.
Mas no sistema democrático, além do dinheiro, existem outros “valores”, os quais são importantíssimos para a captação dos recursos financeiros propriamente ditos. Tais “valores” são difíceis de serem mensurados, pois estão ligados à história dos partidos, ao prestígio de personalidades do meio político ou mesmo ao conjunto de idéias defendidas pelos mandatários do poder. Tais valores traduzem-se em capacidade de articulação e acesso a recursos para financiamento dos embates políticos.
Uma história (ou lenda!) que ilustra a importância do valor citado acima é a de uma entrevista que um grupo de jornalistas fazia com Jânio Quadros. Entre as inúmeras indagações, um repórter fez a seguinte pergunta: Dr. Jânio, como é que o senhor consegue tanto apoio para suas campanhas eleitorais? Sem dizer qualquer palavra colocou um cigarro na boca e bateu com as mãos nos bolsos do paletó que vestia fazendo menção a inexistência de algo para acender seu cigarro. Imediatamente, todos à sua volta sacaram suas caixas de fósforo e isqueiros e esticaram os braços em sua direção. Calmamente, Jânio Quadros virou-se para o jornalista e indagou: Isto responde a sua pergunta?
Esta história, independente de ser verdadeira ou tratar-se de mais uma lenda em torno da personalidade do ex-presidente Jânio Quadros e a história contada no início deste texto, sobre a visita de Lula ao Acre, ilustram com bastante simplicidade a importância de certos valores, materiais e imateriais, para a consecução de projetos políticos dos mais variados.
Em qualquer dos casos, é fato que o dinheiro, para utilizar o termo mais direto, é o núcleo que dá vida a todo o aparato necessário para o sucesso das pretenções político-eleitorais.
Porém o Brasil vive um tempo em que “milagres” não mais acontecem e que certos “valores” já não são necessariamente a garantia de uma campanha repleta de apoio. Em parte os problemas atuais são fruto de questões formativas da sociedade brasileira e da compreensão da importância da prática política.
No campo político temos como períodos de nossa formação histórica exemplos como o Patrimonialismo caracterizado pela mistura e conluio entre o poder privado e o poder estatal, que gerava súditos em detrimento de cidadãos e o Coronelismo, marcado pelo excesso de poder regional dentro de um sistema federativo, o qual provocava um excesso de dependência do ente federal em relação ao ente municipal. No plano histórico recente temos poucos períodos ininterruptos de manutenção do sistema democrático e uma herança ditatorial forjada no período da ditadura militar, pós 64, a qual transfigurou elementos importantes que serviriam de defesa do sistema democrático.
Por outro lado, a própria concepção sobre a prática democrática ainda carece de elementos positivos, uma vez que a opinião pública ainda costuma definir a participação e ação políticas com adjetivos pouco amigáveis, os quais não seriam adequados apresentar neste blog. Assim, o país da desigualdade de distribuição de renda e do abismo existente entre ricos e pobres vê as mesmas características se repetirem quando o tema é a prática política e o envolvimento dos cidadãos nos assuntos públicos.
Exceto nas vésperas dos dias de eleições, o povo brasileiro é pouco afeito a uma participação ativa no campo político justamente porque vê mais ônus do que bônus na prática democrática.
O cruzamento dessas peculiaridades, herança histórica, dificuldades de compreensão sobre o tema, precária formação política, baixos níveis educacionais e o conjunto de crenças populares e visões distorcidas da opinião pública dadas como “verdades”, formam o extrato do que entendemos como apatia e repulsa à prática política.
Referidas peculiaridades também se aplicam àqueles que se descolam da massa da população e passam a “fazer” política, isto é, participar do processo ativamente, independentemente de seu papel ser o de um protagonista, coadjuvante ou figurante. Neste caso, a compreensão sobre o tema vem transformando o problema da apatia política em verdadeiros casos de polícia. Explico-me no próximo post. Até mais!
terça-feira, junho 05, 2007
Série Corrupção - Parte II: Financiamento Político
É da tradição republicana os integrantes do campo político compreenderem suas atividades como algo descolado daquelas funções que os pensadores e filósofos das teorias da formação do Estado qualificariam como mais nobres, dentre elas a defesa da liberdade, da autodeterminação dos povos, da eqüidade, da cidadania, enfim, de um arcabouço de conceitos e normas que defendam o ser humano e sobretudo a vida.
Weber, em seu pequeno ensaio “A Política Como Vocação” aborda o tema da busca e manutenão do poder com simplicidade, clareza e de uma forma interessante ao distinguir aqueles que vivem da política daqueles que vivem para a política. Segundo sua visão “Quem faz política busca o poder. Poder, ou como meio a serviço de outros fins ou poder por causa dele mesmo, para desfrutar do prestígio que ele confere". Esse último modo de poder político é recorrente em nossa história e denota o tamanho do esforço e de energia necessários para a acirrada luta durante o processo de chegada ao poder.
Num sistema capitalista esse “esforço” e “energia” podem ser traduzidos em “apoios” e “dinheiro”, sem os quais nenhuma candidatura, seja de vereador de uma cidade média ou de presidente da república, consegue sair vitoriosa.
Sabe-se que apenas 15% dos eleitores que votam nas eleições gerais veêm seus respectivos candidatos vencerem a corrida eleitoral. Isso significa que, em média, 85% dos votos são destinados a candidatos que perdem a eleição ou que se posicionam nas cadeiras de suplentes. Este dado oferece a dimensão da dificuldade de se obter uma vaga para o exercício de um mandato de 4 (quatro) anos em quaisquer esferas do poder.
Portanto, diante dessa realidade de má formação congênita no campo da política (tomo emprestado o termo médico para tentar ilustrar e transmitir a ênfase que pretendo registrar, no sentido de frisar que determinada classe de políticos já possuem “desvios” seja de formação ética ou política, antes mesmo de adentrarem o campo da ação e da prática eleitorais), de despreparo para a execução de um mandato e de relativa ou algumas vezes total dependência do poder econômico para vencer a disputa eleitoral, tem-se uma situação preocupante, a qual contribui para a corrosão do sistema democrático, à medida em que os atores das campanhas utilizam os meios mais engenhosos para burlar as regras que, em tese, foram criadas para minimamente igualar as disputas.
Entre os “fazedores de campanhas” existe um sentimento generalizado de que a legislação eleitoral atrapalha o desenvolvimento dos trabalhos e que é útil apenas quando é possível açoitar o adversário com uma multa, retirada de material de campanha das ruas ou mesmo um direito de resposta, quando da identificação e posterior denúncia de qualquer ato de desrespeito às normas cometida pelo oponente.
De uma forma muito objetiva, para a maioria dos profissionais que comandam as campanhas, a lei eleitoral não é entendida como um apanágio necessário para tornar a contenda mais democrática, mas sim como um conjunto de regras impostas para disciplinar a ação entre os adversários evitando que ambos se auto-destruam ao longo dos fatídicos meses de luta pelo voto.
Vale ressaltar que a função da legislação é, de fato, disciplinar a disputa, entretanto, não ocorre aos participantes do processo que a sua essência está muito mais vinculada a uma questão de preservação do sistema democrático do que de imposição de controles de conduta. (continua no post seguinte).
Weber, em seu pequeno ensaio “A Política Como Vocação” aborda o tema da busca e manutenão do poder com simplicidade, clareza e de uma forma interessante ao distinguir aqueles que vivem da política daqueles que vivem para a política. Segundo sua visão “Quem faz política busca o poder. Poder, ou como meio a serviço de outros fins ou poder por causa dele mesmo, para desfrutar do prestígio que ele confere". Esse último modo de poder político é recorrente em nossa história e denota o tamanho do esforço e de energia necessários para a acirrada luta durante o processo de chegada ao poder.
Num sistema capitalista esse “esforço” e “energia” podem ser traduzidos em “apoios” e “dinheiro”, sem os quais nenhuma candidatura, seja de vereador de uma cidade média ou de presidente da república, consegue sair vitoriosa.
Sabe-se que apenas 15% dos eleitores que votam nas eleições gerais veêm seus respectivos candidatos vencerem a corrida eleitoral. Isso significa que, em média, 85% dos votos são destinados a candidatos que perdem a eleição ou que se posicionam nas cadeiras de suplentes. Este dado oferece a dimensão da dificuldade de se obter uma vaga para o exercício de um mandato de 4 (quatro) anos em quaisquer esferas do poder.
Portanto, diante dessa realidade de má formação congênita no campo da política (tomo emprestado o termo médico para tentar ilustrar e transmitir a ênfase que pretendo registrar, no sentido de frisar que determinada classe de políticos já possuem “desvios” seja de formação ética ou política, antes mesmo de adentrarem o campo da ação e da prática eleitorais), de despreparo para a execução de um mandato e de relativa ou algumas vezes total dependência do poder econômico para vencer a disputa eleitoral, tem-se uma situação preocupante, a qual contribui para a corrosão do sistema democrático, à medida em que os atores das campanhas utilizam os meios mais engenhosos para burlar as regras que, em tese, foram criadas para minimamente igualar as disputas.
Entre os “fazedores de campanhas” existe um sentimento generalizado de que a legislação eleitoral atrapalha o desenvolvimento dos trabalhos e que é útil apenas quando é possível açoitar o adversário com uma multa, retirada de material de campanha das ruas ou mesmo um direito de resposta, quando da identificação e posterior denúncia de qualquer ato de desrespeito às normas cometida pelo oponente.
De uma forma muito objetiva, para a maioria dos profissionais que comandam as campanhas, a lei eleitoral não é entendida como um apanágio necessário para tornar a contenda mais democrática, mas sim como um conjunto de regras impostas para disciplinar a ação entre os adversários evitando que ambos se auto-destruam ao longo dos fatídicos meses de luta pelo voto.
Vale ressaltar que a função da legislação é, de fato, disciplinar a disputa, entretanto, não ocorre aos participantes do processo que a sua essência está muito mais vinculada a uma questão de preservação do sistema democrático do que de imposição de controles de conduta. (continua no post seguinte).
Série Corrupção - Parte III: Financiamento Político, corrupção, caixa dois, narcotráfico e outros bixos
Se analisarmos do ponto de vista dos profissionais que ocupam os postos de comando das campanhas eleitorais, na maior parte das vezes a Lei Eleitoral é um objeto a ser burlado. Isto porque a consecução eficiente deste objetivo corrompe imediatamente a sua função de equilibrador da disputa e, portanto, a vantagem passa a pender do lado do candidato que obteve algum tipo de exposição superior àquele que se mantém coerente com as normas importas pela Justiça Eleitoral.
É imprescindível ressaltar que todas estas afirmações não são simples generalizações sem qualquer embasamento teórico ou empírico. Trata-se apenas de uma tentativa de conduzir o leitor a um ambiente em que a crueza da disputa faz com que existam formas distintas de compreender o processo político eleitoral. Fazemos este parênteses apenas para anunciar a existência daqueles candidatos e comandos de campanhas que não só zelam pela manutenção da lei eleitoral, como também dispensam boa parte de suas energias, notadamente por meio de seus advogados, a fiscalizar a ação de seus adversários na esperança de que uma falha, por menor que seja, poderá vir a render votos no dia da eleição.
Aliás, um dos grandes aliados da Justiça Eleitoral no trabalho de fiscalização da lei, são justamente aqueles candidatos que optam pelo caminho do respeito às regras do jogo.
Entretanto, existe um aspecto que a cada processo de observação dos cientistas políticos fica mais evidente quando o assunto é o respeito ao código eleitoral: a fraude na prestação de contas.
É fato a existência de diversos mecanismos que promovem o ocultamento dos valores arrecadados e das fontes de financiamento, mas estas linhas não tratarão especificamente das estratégias utilizadas para enganar a justiça, mas sim, das razões que levam ao ocultamento das contribuições, dos valores aproximados de uma campanha eleitoral e, finalmente, da confrontação entre os valores médios de uma campanha eleitoral com aquilo que é apresentado pelos candidatos aos tribunais eleitorais.
Existem diferentes razões para que os candidatos não apresentem, em suas prestações de contas, o nome de seus doadores. Tais razões podem ser divididas em dois grupos: corrupção e cálculo político-eleitoral.
Não se trata de definir com precisão o que venha a ser a corrupção, uma vez que temos o significado geral do termo impresso em nosso vocabulário certamente com bastante precisão. Entretanto apenas para dispor o termo no ambiente em que necessitamos aborda-lo, a corrupção é, de modo geral, um fenômeno em que determinado indivíduo, servidor estatal (funcionário público de qualquer natureza), executa uma ação fora dos padrões normativos das instituições públicas, com o fito de receber alguma recompensa em troca do favorecimento de interesses pessoais e em prejuízo do interesse público.
A corrupção corrói a dignidade do cidadão, aprofunda a má distribuição de renda no país, alimenta as desigualdades sociais, ameaça o sistema democrático, corrompe as instituições, prejudica a formação do civismo e do sentimento de pertencimento a uma coletividade, além de significar perdas monstruosas de dinheiro público que são desviados para organizações criminosas de todos os tipos.
A corrupção é umas das principais chagas do país. Ela é uma permuta nefasta entre aquele que corrompe e aquele que se deixa corromper. “A corrupção é uma forma particular de exercer influência: influência ilícita, ilegal e ilegítima. Amolda-se ao funcionamento de um sistema, em particular ao modo como se tomam as decisões. A primeira consideração diz respeito ao âmbito da institucionalização de certas práticas: quanto maior for o âmbito de institucionalização, tanto maiores serão as possibilidades do comportamento corrupto. Por isso a ampliação do setor público em relação ao privado provoca o aumento das possibilidades de Corrupção. Mas não é só a amplitude do setor público que influi nessas possibilidades; também o ritmo com que ele se expande. Em ambientes estavelmente institucionalizados, os comportamentos corruptos tendem a ser, ao mesmo tempo, menos freqüentes e mais visíveis que em ambientes de institucionalização parcial ou flutuante” (Bobbio & Matteucci).
No manual para ONG´s “Monitoreo Cívico del Gasto en Propaganda Política” a questão da importância das instituições também é citada como barreira que se impõe contra os atos de corrupção. “Tanto o financiamento quanto a corrupção estão intimamente relacionadas com a qualidade do governo e com a magnitude das economias informais (economias que estão fora do controle estatal) de cada país. Quanto menor a qualidade do governo e maior a economia informal maiores serão também os riscos e a falta de transparência nas campanhas eleitorais e no financiamento dos partidos.”
A corrupção no sistema eleitoral pode ser realizada de diversas formas, mas, como já foi afirmado anteriormente, o foco deste texto está na questão do financiamento de campanhas eleitorais. Neste sentido, a corrupção está no ato de ocultar as doações de campanha com a criação do chamado “Caixa Dois” ou, nos termos legais, manter ou movimentar recurso ou valor paralelamente à contabilidade exigida pela legislação, ou ainda, em termos políticos contemporâneos, utilizar de recursos não contabilizados para favorecer candidatos ao longo das disputas eleitorais.
O Caixa Dois, (ou os recursos não contabilizados), fere as regras da disputa eleitoral na medida em que oferece ao candidato a possibilidade de efetuar a captação de financiamento por meio de fontes cuja idoneidade não pode ser confirmada, fontes que os eleitores não têm o conhecimento (e que portanto não entram no cálculo de decisão de cada eleitor em votar ou não neste ou naquele candidato) e fontes que eventualmente estão proibidas de praticar esse tipo de doação.
Além disso, e o pior, o Caixa Dois é uma porta de entrada privilegiada para a lavagem de dinheiro proveniente de outros atos ilícitos, tais como o roubo, contrabando, narcotráfico etc.
As possibilidades são imensas e variadas e certamente muito mais sofisticadas do que a capacidade da Justiça Eleitoral fiscalizar a ação delituosa com a qualidade e perfeição que toda a sociedade, inclusive a própria justiça, esperam. De fato, a corrupção no sistema eleitoral é uma realidade indiscutível, cuja soma dos valores ninguém consegue calcular.
O truque está, basicamente, em “esquentar” o dinheiro por meio de notas fiscais de fornecedores que emitem as notas e recibos sem que o serviço tenha sido prestado. Por outro lado, outra forma comum de burlar a lei é contratar serviços que de fato são executados a bem das campanhas, mas cujas notas não são emitidas. Dessa forma é possível, por exemplo, imprimir uma tonelada de papéis para material de campanha e emitir uma nota com apenas cem kilos discriminados.
Apenas para revisar, é importante demonstrar que o Caixa Dois tem dupla função: esconder um doador e/ou “esquentar” dinheiro proveniente de organizações criminosas. Entretanto, aquela que é utilizada em larga escala refere-se justamente ao ocultamento de repasses de recursos financeiros que não podem ser registrados, muitas vezes pela segunda razão, a qual foi citada nas páginas anteriores: o cálculo político-eleitoral.
Certa feita, o ex-presidente americano Richard Nixon disse que “os agentes do Serviço Secreto protegem os candidatos contra os maníacos e os pesquisadores de opinião os protegem contra os eleitores. Ao mesmo tempo, os assessores de campanha vendem ao candidato um pacote completo: mensagem, estratégia, tática e infra-estrutura e dão assim aos eleitores não uma opção entre vários candidatos, mas uma opção entre vários pacotes.”
A frase é valiosa para explicar a razão que faz parte do segundo grupo anteriormente citado: o cálculo político-eleitoral.
Nas próximas páginas abordaremos a questão propriamente das campahas eleitorais, suas estruturas, dinâmica e demandas necessárias para que o resultado seja satisfatório. No entanto, uma coisa é certa: toda candidatura representa um “pacote” e muitos candidatos não estão interessados em rechear seus pacotes com doadores considerados inadequados para a sociedade, nem tampouco o eleitor aceitaria um pacote, ainda que muito bem embrulhado, cujo conteúdo possa ferir seus ideais, costumes ou preceitos morais.
Dessa forma, é comum, dentro do cálculo político-eleitoral os comandos de campanha ou mesmo os próprios candidatos vetarem determinados nomes de doadores, ou seja, “aceitamos o seu dinheiro, mas negaremos publicamente qualquer relação com sua empresa”. Ainda que por um momento seja razoável imaginar que a recíproca seja verdadeira, muitas empresas encaram esse tipo de relação com bastante naturalidade, uma vez que seus interesses em determinadas votações são infinitamente mais importantes do que a divulgação que determinado político conta com seu apoio.
Empresas com imagem pública arranhada, fábricas poluidoras, indústrias de cigarros, bebidas ou mesmo grandes corporações com interesses bélicos são alvos freqüentes de ataques de membros do governo, ONG´s ou de cidadãos descontentes com seus ramos de atuação. Muitas vezes para determinados políticos vincular a sua imagem ao de empresas de pouca ou nenhuma reputação converte-se num golpe fatal para suas pretensões de chegada ao poder e, ao mesmo tempo, um saboroso prato para seus oponentes.
Por outro lado, o Caixa Dois também é utilizado para engendrar os mais complicados métodos de fraudes contra a Receita Federal, afim de “esquentar” dinheiro proveniente de operações ilegais nos mais variados ramos de atividade do crime. Neste quesito, vale lembrar que existem poucas provas e/ou casos da narrativa policial em que as autoridades conseguem detectar operações deste tipo, ainda que possamos encontrar na literatura, seja a policial, jornalística, política ou acadêmica (notadamente com os autores que estudam a questão da corrupção em sistemas eleitorais) indícios de práticas que vão desde a lavagem do dinheiro proveniente de operações vinculadas ao contrabando, roubo de cargas e narcotráfico, até o uso indevido de recursos públicos destinados a partidos políticos, desviados para os mais variados fins, estranhos àqueles que a Justiça Eleitoral determina.
(publicarei nos próximos dias o último post da série)
É imprescindível ressaltar que todas estas afirmações não são simples generalizações sem qualquer embasamento teórico ou empírico. Trata-se apenas de uma tentativa de conduzir o leitor a um ambiente em que a crueza da disputa faz com que existam formas distintas de compreender o processo político eleitoral. Fazemos este parênteses apenas para anunciar a existência daqueles candidatos e comandos de campanhas que não só zelam pela manutenção da lei eleitoral, como também dispensam boa parte de suas energias, notadamente por meio de seus advogados, a fiscalizar a ação de seus adversários na esperança de que uma falha, por menor que seja, poderá vir a render votos no dia da eleição.
Aliás, um dos grandes aliados da Justiça Eleitoral no trabalho de fiscalização da lei, são justamente aqueles candidatos que optam pelo caminho do respeito às regras do jogo.
Entretanto, existe um aspecto que a cada processo de observação dos cientistas políticos fica mais evidente quando o assunto é o respeito ao código eleitoral: a fraude na prestação de contas.
É fato a existência de diversos mecanismos que promovem o ocultamento dos valores arrecadados e das fontes de financiamento, mas estas linhas não tratarão especificamente das estratégias utilizadas para enganar a justiça, mas sim, das razões que levam ao ocultamento das contribuições, dos valores aproximados de uma campanha eleitoral e, finalmente, da confrontação entre os valores médios de uma campanha eleitoral com aquilo que é apresentado pelos candidatos aos tribunais eleitorais.
Existem diferentes razões para que os candidatos não apresentem, em suas prestações de contas, o nome de seus doadores. Tais razões podem ser divididas em dois grupos: corrupção e cálculo político-eleitoral.
Não se trata de definir com precisão o que venha a ser a corrupção, uma vez que temos o significado geral do termo impresso em nosso vocabulário certamente com bastante precisão. Entretanto apenas para dispor o termo no ambiente em que necessitamos aborda-lo, a corrupção é, de modo geral, um fenômeno em que determinado indivíduo, servidor estatal (funcionário público de qualquer natureza), executa uma ação fora dos padrões normativos das instituições públicas, com o fito de receber alguma recompensa em troca do favorecimento de interesses pessoais e em prejuízo do interesse público.
A corrupção corrói a dignidade do cidadão, aprofunda a má distribuição de renda no país, alimenta as desigualdades sociais, ameaça o sistema democrático, corrompe as instituições, prejudica a formação do civismo e do sentimento de pertencimento a uma coletividade, além de significar perdas monstruosas de dinheiro público que são desviados para organizações criminosas de todos os tipos.
A corrupção é umas das principais chagas do país. Ela é uma permuta nefasta entre aquele que corrompe e aquele que se deixa corromper. “A corrupção é uma forma particular de exercer influência: influência ilícita, ilegal e ilegítima. Amolda-se ao funcionamento de um sistema, em particular ao modo como se tomam as decisões. A primeira consideração diz respeito ao âmbito da institucionalização de certas práticas: quanto maior for o âmbito de institucionalização, tanto maiores serão as possibilidades do comportamento corrupto. Por isso a ampliação do setor público em relação ao privado provoca o aumento das possibilidades de Corrupção. Mas não é só a amplitude do setor público que influi nessas possibilidades; também o ritmo com que ele se expande. Em ambientes estavelmente institucionalizados, os comportamentos corruptos tendem a ser, ao mesmo tempo, menos freqüentes e mais visíveis que em ambientes de institucionalização parcial ou flutuante” (Bobbio & Matteucci).
No manual para ONG´s “Monitoreo Cívico del Gasto en Propaganda Política” a questão da importância das instituições também é citada como barreira que se impõe contra os atos de corrupção. “Tanto o financiamento quanto a corrupção estão intimamente relacionadas com a qualidade do governo e com a magnitude das economias informais (economias que estão fora do controle estatal) de cada país. Quanto menor a qualidade do governo e maior a economia informal maiores serão também os riscos e a falta de transparência nas campanhas eleitorais e no financiamento dos partidos.”
A corrupção no sistema eleitoral pode ser realizada de diversas formas, mas, como já foi afirmado anteriormente, o foco deste texto está na questão do financiamento de campanhas eleitorais. Neste sentido, a corrupção está no ato de ocultar as doações de campanha com a criação do chamado “Caixa Dois” ou, nos termos legais, manter ou movimentar recurso ou valor paralelamente à contabilidade exigida pela legislação, ou ainda, em termos políticos contemporâneos, utilizar de recursos não contabilizados para favorecer candidatos ao longo das disputas eleitorais.
O Caixa Dois, (ou os recursos não contabilizados), fere as regras da disputa eleitoral na medida em que oferece ao candidato a possibilidade de efetuar a captação de financiamento por meio de fontes cuja idoneidade não pode ser confirmada, fontes que os eleitores não têm o conhecimento (e que portanto não entram no cálculo de decisão de cada eleitor em votar ou não neste ou naquele candidato) e fontes que eventualmente estão proibidas de praticar esse tipo de doação.
Além disso, e o pior, o Caixa Dois é uma porta de entrada privilegiada para a lavagem de dinheiro proveniente de outros atos ilícitos, tais como o roubo, contrabando, narcotráfico etc.
As possibilidades são imensas e variadas e certamente muito mais sofisticadas do que a capacidade da Justiça Eleitoral fiscalizar a ação delituosa com a qualidade e perfeição que toda a sociedade, inclusive a própria justiça, esperam. De fato, a corrupção no sistema eleitoral é uma realidade indiscutível, cuja soma dos valores ninguém consegue calcular.
O truque está, basicamente, em “esquentar” o dinheiro por meio de notas fiscais de fornecedores que emitem as notas e recibos sem que o serviço tenha sido prestado. Por outro lado, outra forma comum de burlar a lei é contratar serviços que de fato são executados a bem das campanhas, mas cujas notas não são emitidas. Dessa forma é possível, por exemplo, imprimir uma tonelada de papéis para material de campanha e emitir uma nota com apenas cem kilos discriminados.
Apenas para revisar, é importante demonstrar que o Caixa Dois tem dupla função: esconder um doador e/ou “esquentar” dinheiro proveniente de organizações criminosas. Entretanto, aquela que é utilizada em larga escala refere-se justamente ao ocultamento de repasses de recursos financeiros que não podem ser registrados, muitas vezes pela segunda razão, a qual foi citada nas páginas anteriores: o cálculo político-eleitoral.
Certa feita, o ex-presidente americano Richard Nixon disse que “os agentes do Serviço Secreto protegem os candidatos contra os maníacos e os pesquisadores de opinião os protegem contra os eleitores. Ao mesmo tempo, os assessores de campanha vendem ao candidato um pacote completo: mensagem, estratégia, tática e infra-estrutura e dão assim aos eleitores não uma opção entre vários candidatos, mas uma opção entre vários pacotes.”
A frase é valiosa para explicar a razão que faz parte do segundo grupo anteriormente citado: o cálculo político-eleitoral.
Nas próximas páginas abordaremos a questão propriamente das campahas eleitorais, suas estruturas, dinâmica e demandas necessárias para que o resultado seja satisfatório. No entanto, uma coisa é certa: toda candidatura representa um “pacote” e muitos candidatos não estão interessados em rechear seus pacotes com doadores considerados inadequados para a sociedade, nem tampouco o eleitor aceitaria um pacote, ainda que muito bem embrulhado, cujo conteúdo possa ferir seus ideais, costumes ou preceitos morais.
Dessa forma, é comum, dentro do cálculo político-eleitoral os comandos de campanha ou mesmo os próprios candidatos vetarem determinados nomes de doadores, ou seja, “aceitamos o seu dinheiro, mas negaremos publicamente qualquer relação com sua empresa”. Ainda que por um momento seja razoável imaginar que a recíproca seja verdadeira, muitas empresas encaram esse tipo de relação com bastante naturalidade, uma vez que seus interesses em determinadas votações são infinitamente mais importantes do que a divulgação que determinado político conta com seu apoio.
Empresas com imagem pública arranhada, fábricas poluidoras, indústrias de cigarros, bebidas ou mesmo grandes corporações com interesses bélicos são alvos freqüentes de ataques de membros do governo, ONG´s ou de cidadãos descontentes com seus ramos de atuação. Muitas vezes para determinados políticos vincular a sua imagem ao de empresas de pouca ou nenhuma reputação converte-se num golpe fatal para suas pretensões de chegada ao poder e, ao mesmo tempo, um saboroso prato para seus oponentes.
Por outro lado, o Caixa Dois também é utilizado para engendrar os mais complicados métodos de fraudes contra a Receita Federal, afim de “esquentar” dinheiro proveniente de operações ilegais nos mais variados ramos de atividade do crime. Neste quesito, vale lembrar que existem poucas provas e/ou casos da narrativa policial em que as autoridades conseguem detectar operações deste tipo, ainda que possamos encontrar na literatura, seja a policial, jornalística, política ou acadêmica (notadamente com os autores que estudam a questão da corrupção em sistemas eleitorais) indícios de práticas que vão desde a lavagem do dinheiro proveniente de operações vinculadas ao contrabando, roubo de cargas e narcotráfico, até o uso indevido de recursos públicos destinados a partidos políticos, desviados para os mais variados fins, estranhos àqueles que a Justiça Eleitoral determina.
(publicarei nos próximos dias o último post da série)
sexta-feira, junho 01, 2007
Ela de novo
Ano passado um dos temas mais citados neste blog foi a corrupção. Eu tinha muito material para isso e a cada dia uma novidade aparecia. Infelizmente, escrever sobre corrupção no Brasil virou um tema redundante e me parece que jamais nos livraremos desta praga. Faz mais de um mês que tenho me segurado para não voltar ao tema, apesar de escrever de uma maneira amena sobre a Operação Hurricane, da Polícia Federal. Mas depois veio a Navalha, a nova crise de ética política e quando nesta manhã eu li sobre dois participantes do programa Aprendiz 4, que foram demitidos por Roberto Justus por uma “falha ética”, eu não resisti e decidi voltar à carga.
A corrupção é definitivamente uma patologia do caráter torto do povo brasileiro e para abordar o tema escreverei uma seqüência de ao menos dois posts sobre corrupção, evidentemente tentando agregar algo aos leitores deste blog que fuja do senso comum.
Não sei se conseguirei, mas prometo tentar.
A corrupção é definitivamente uma patologia do caráter torto do povo brasileiro e para abordar o tema escreverei uma seqüência de ao menos dois posts sobre corrupção, evidentemente tentando agregar algo aos leitores deste blog que fuja do senso comum.
Não sei se conseguirei, mas prometo tentar.
quinta-feira, maio 03, 2007
Dinheiro, Amor, Trabalho e Democracia
Uma das maiores dificuldades para a manutenção dos sistemas democráticos é ser valorizado e defendido pelo seu povo. Os cidadãos, principalmente os mais jovens, desconhecem certos valores intrínsecos que fazem com que, mesmo com suas imperfeições, a democracia ainda seja a forma mais pluralista e eficaz de geração de riqueza, com desenvolvimento econômico e social. Entretanto, essa relação entre Povo e Estado, Cidadania e Direitos, só sobrevive por meio do fortalecimento da liberdade de expressão, liberdade de imprensa, participação política, tolerância e compromisso com a Constituição, no que ela expressa em termos de direitos e deveres. A educação tem total vínculo com tais relações, pois quanto mais educados, informados e críticos, melhor será sua convivência com a democracia.
Dessa forma, faz toda a diferença saber ler e interpretar notícias nos jornais; faz toda a diferença conhecer a história recente do país; faz toda a diferença compreender seu papel e importância no sistema. Quanto mais estudar, conhecer e decobrir, mais você será valorizado por sua família, amigos, companheiros de trabalho e, dessa forma, tanto melhor será sua auto-estima e capacidade produtiva. Portanto, ao reconhecer sua parcela de importância dentro da sociedade e de sua participação na defesa da democracia, tanto melhor será sua vida social, sua produtividade intelectual e seus rendimentos financeiros.
Sim. Há total relação entre a sua felicidade pessoal e os valores que carrega consigo, desde valores morais até os políticos. Experimente observar o que faz as pessoas se sentirem felizes. Inicialmente suas respostas serão dinheiro, saúde, amor... não necessariamente nesta ordem. Mas pensando um pouco melhor entenderás que a saúde é um estar bem consigo mesmo, é paz de espírito, é não ter rancor e fazer com que a palavra "ódio" não faça parte de seu vocabulário. É querer bem ao outro e não desejar maldades para as pessoas. O dinheiro vem com o trabalho, valorização profissional, formação acadêmica, capacidade de superação e com aquele gosto de missão cumprida, ainda que sempre pensarás que se é mau remunerado por tudo o que fez. Posso garantir que pior do que despertar numa manhã planejando quais as contas pagar com seus parcos recursos é levantar-se da cama e não ter para onde ir. E o amor, bem, o amor que é fogo que arde sem se ver, arde melhor quando você se sentir mais bonita ou bonito, mais auto-confiante e independente, mais seguro de quanto você vale. E o amor é sempre melhor com alguem que tenha uma boa conversa, que saiba valorizar uma taça de vinho numa noite fria, que seja engraçado e que tenha um dinheiro para passear no fim de semana. Sim, a materialidade também é fundamental para nutrir aquele amor espiritual. Mas se observarem bem, a materialidade, a conversa engraçada, a sensibilidade, o bom humor, a delicadeza e a inteligência são diretamente proporcionais ao seu desempenho na faculdade, no trabalho, na sua capacidade de interagir com pessoas diferentes.
Portanto, por mais incrível que pareça, defender a democracia, estudar bastante, tentar viver em harmonia e fazer trabalhos voluntários também são requisitos que contribuem para a melhoria de sua vida pessoal.
Dessa forma, faz toda a diferença saber ler e interpretar notícias nos jornais; faz toda a diferença conhecer a história recente do país; faz toda a diferença compreender seu papel e importância no sistema. Quanto mais estudar, conhecer e decobrir, mais você será valorizado por sua família, amigos, companheiros de trabalho e, dessa forma, tanto melhor será sua auto-estima e capacidade produtiva. Portanto, ao reconhecer sua parcela de importância dentro da sociedade e de sua participação na defesa da democracia, tanto melhor será sua vida social, sua produtividade intelectual e seus rendimentos financeiros.
Sim. Há total relação entre a sua felicidade pessoal e os valores que carrega consigo, desde valores morais até os políticos. Experimente observar o que faz as pessoas se sentirem felizes. Inicialmente suas respostas serão dinheiro, saúde, amor... não necessariamente nesta ordem. Mas pensando um pouco melhor entenderás que a saúde é um estar bem consigo mesmo, é paz de espírito, é não ter rancor e fazer com que a palavra "ódio" não faça parte de seu vocabulário. É querer bem ao outro e não desejar maldades para as pessoas. O dinheiro vem com o trabalho, valorização profissional, formação acadêmica, capacidade de superação e com aquele gosto de missão cumprida, ainda que sempre pensarás que se é mau remunerado por tudo o que fez. Posso garantir que pior do que despertar numa manhã planejando quais as contas pagar com seus parcos recursos é levantar-se da cama e não ter para onde ir. E o amor, bem, o amor que é fogo que arde sem se ver, arde melhor quando você se sentir mais bonita ou bonito, mais auto-confiante e independente, mais seguro de quanto você vale. E o amor é sempre melhor com alguem que tenha uma boa conversa, que saiba valorizar uma taça de vinho numa noite fria, que seja engraçado e que tenha um dinheiro para passear no fim de semana. Sim, a materialidade também é fundamental para nutrir aquele amor espiritual. Mas se observarem bem, a materialidade, a conversa engraçada, a sensibilidade, o bom humor, a delicadeza e a inteligência são diretamente proporcionais ao seu desempenho na faculdade, no trabalho, na sua capacidade de interagir com pessoas diferentes.
Portanto, por mais incrível que pareça, defender a democracia, estudar bastante, tentar viver em harmonia e fazer trabalhos voluntários também são requisitos que contribuem para a melhoria de sua vida pessoal.
quinta-feira, abril 26, 2007
Aos Alunos de PP, RTV e Editoração
Escrevi um post no dia 23/04, no qual me queixei dos resultados obtidos na Avaliação I, que gerou um constrangimento por parte de vários alunos das turmas de PP, RTV e Editoração. Estes se sentiram ofendidos pelo fato de eu ter publicado um tema que gostariam que ficasse entre a sala. Eles estão certos.
Em toda minha vida profissional sempre procurei elogiar publicamente e repreender reservadamente e, por isso, peço minhas desculpas sinceras àqueles que se sentiram constrangidos, reafirmando que tenho total confiança na melhoria do desempenho dos alunos destes cursos e na capacidade de superação de todas as dificuldades acadêmicas existentes.
Prometo continuar repreendendo-os enquanto entender que seus comportamentos acadêmicos e/ou disciplinares não estiverem condizentes com o padrão de qualidade que exijo de meus alunos. Entretanto, quando isso se fizer necessário, prometo fazê-lo reservadamente.
Um abraço a todos!
Em toda minha vida profissional sempre procurei elogiar publicamente e repreender reservadamente e, por isso, peço minhas desculpas sinceras àqueles que se sentiram constrangidos, reafirmando que tenho total confiança na melhoria do desempenho dos alunos destes cursos e na capacidade de superação de todas as dificuldades acadêmicas existentes.
Prometo continuar repreendendo-os enquanto entender que seus comportamentos acadêmicos e/ou disciplinares não estiverem condizentes com o padrão de qualidade que exijo de meus alunos. Entretanto, quando isso se fizer necessário, prometo fazê-lo reservadamente.
Um abraço a todos!
segunda-feira, abril 23, 2007
Notas no Sistema III
Aos alunos de Jornalismo e RP: as notas serão publicadas somente na quarta-feira. Estou na metade da correção.
Notas no Sistema II
Alunos de PP, RTV e EDITORAÇÃO em Opinião Pública: notas lançadas no sistema.
PS.: Em seis anos de docência, vocês me proporcionaram minha maior decepção.
- 05 alunos conseguiram nota acima da média;
- A maior nota foi 8,5;
- Pouco mais de 30% da sala já está de Exame;
- Os detalhes "sórdidos" comentarei apenas em sala de aula, pois não pretendo expô-los publicamente.
PS.: Em seis anos de docência, vocês me proporcionaram minha maior decepção.
- 05 alunos conseguiram nota acima da média;
- A maior nota foi 8,5;
- Pouco mais de 30% da sala já está de Exame;
- Os detalhes "sórdidos" comentarei apenas em sala de aula, pois não pretendo expô-los publicamente.
domingo, abril 22, 2007
Notas no Sistema
Alunos da disciplina Antropologia e Cultura Contemporânea: suas notas da Avaliação I já estão disponíveis.
sexta-feira, abril 20, 2007
Meu Caso de Amor com Sandy
Encontrei no Portal da AFP - Agence France-Presse, uma explicação bem didática sobre os nomes que os metereologistas dão para os furacões. Resumidamente as tempestades eram batizadas com os nomes dos santos dos dias em que tocavam o solo. Mais tarde, militares americanos começaram a batizar os furacões com nomes de suas amigas ou mulheres e a moda foi oficializada em 1953. Em 1979 os metereologistas introduziram nomes masculinos. O processo é simples: existem seis listas com 21 nomes, de A a W, para a bacia do Atlântico e seis com 23 nomes, de A a Z, para a do Pacífico Norte-oriental (a costa americana), e o uso é rotativo, isto é, os nomes utilizados em 2005 voltarão a ser usados em 2011. No caso do Atlântico, se a quantidade de furacões em um ano superar os 21, a identificação continua adiante utilizando as letras do alfabeto grego: Alfa, Beta, Gama, Delta etc. Dessa forma, nomes como Tony e Helene, furacões formados em 2006, poderão voltar à cena em 2012.
Feita esta elucubração, pensava sobre o nome da Operação da Polícia Federal que desbaratou ou está tentando desbaratar a quadrilha formada para executar um esquema de venda de sentenças para beneficiar a máfia de jogos: Hurricane, furacão em inglês.
O Brasil é um país que consegue criar situações tão inusitadas que custa muito a um observador de fora conseguir entender. Se os desafios à lógica estivessem exclusivamente circunscritos ao terreno formal das relações de trabalho, poder, políticas, partidárias, dentre outras, talvez ainda fosse razoável imaginar que aqueles que vivem em outros países compreenderiam, por exemplo, o fato de que o “P” da CPMF deixasse de ser Provisória e passasse a ser Permanente. Com algum esforço também poderiam entender o fato de que os membros do partido que sempre representou a bandeira da ética, tivessem criado sua própria quadrilha e pilhado os cofres públicos com tamanha devassidão corrupta e, ainda assim, seu líder maior fora reeleito nos braços do povo para mais quatro anos de mandato. Mesmo que difícil, com um pouco mais de esforço, podem ao menos imaginar quais as razões que fizeram com que o orçamento dos Jogos Pan-americanos tivesse estourado em mais de 700%. Seria difícil tentar explicar para um alemão que somente a reforma do Maracanã tenha custado o mesmo que a construção inteira de um daqueles estádios ultra modernos da Copa do Mundo do ano passado. Certas coisas parecem tão inusitadas que são muito difíceis de serem explicadas.
Dessa forma, se eu tivesse que explicar a um metereologista de qualquer outro país como é que conseguimos criar uma nova categoria de batismo para furacões, creio eu que meu intento seria em vão. Ora, todos sabem agora que nossos furacões, aqueles “empresários” do jogo, juízes, policiais e demais membros do Estado brasileiro envolvidos com a praga da corrupção, já têm seus novos nomes. João, José, Oscar, Evandro, Ernesto, Jaime... Todos eles têm sobrenome e endereço fixo e muitos pareciam profissionais ilibados: Juízes, desembargadores, policiais, enfim, uma miríade de funções criadas para defender as liberdades civis, o Estado democrático de direito, a Justiça e os Cidadãos.
Sempre fui fascinado pelos furacões. Via neles um misto de força e poder indestrutíveis e, ao mesmo tempo, um fenômeno belo, único e absolutamente sublime. O olho de um furacão é uma imagem extraordinária e ao vê-lo “olhando” para mim, invariavelmente sinto algum tipo de emoção inexplicável. É evidente que um morador de uma ilha do caribe que tivera sua casa devastada por um choque de ar há mais de 200 km por hora se sentiria injuriado com esta minha frase, mas vá lá, não há como negar que, de longe, existe um efeito estético deslumbrante nessas tempestades. Ano passado, uma foto de Sandy, um furacão formado no Atlântico, me deixou extasiado. Ela era absolutamente linda, poderosa, impassível e única. Apaixonei-me por aquela imagem e a guardei no meu laptop para que sua visão fosse para mim uma brisa de beleza e um sopro de inspiração (sem trocadilhos).
Pois bem, certos brasileiros estragam tudo o que é bonito e, mais uma vez, quando penso nos furacões, na Sandy e em seus efeitos, não consigo mais visualizar seu olho negro e imponente em meio às nuvens nervosas que giram à sua volta. Observar Furacão no Brasil agora ficou fácil: basta ligar a TV e ler os jornais. A diferença é que, ainda que continuem destruindo o que pode existir à sua volta, estes nos escondem seus olhos.
Feita esta elucubração, pensava sobre o nome da Operação da Polícia Federal que desbaratou ou está tentando desbaratar a quadrilha formada para executar um esquema de venda de sentenças para beneficiar a máfia de jogos: Hurricane, furacão em inglês.
O Brasil é um país que consegue criar situações tão inusitadas que custa muito a um observador de fora conseguir entender. Se os desafios à lógica estivessem exclusivamente circunscritos ao terreno formal das relações de trabalho, poder, políticas, partidárias, dentre outras, talvez ainda fosse razoável imaginar que aqueles que vivem em outros países compreenderiam, por exemplo, o fato de que o “P” da CPMF deixasse de ser Provisória e passasse a ser Permanente. Com algum esforço também poderiam entender o fato de que os membros do partido que sempre representou a bandeira da ética, tivessem criado sua própria quadrilha e pilhado os cofres públicos com tamanha devassidão corrupta e, ainda assim, seu líder maior fora reeleito nos braços do povo para mais quatro anos de mandato. Mesmo que difícil, com um pouco mais de esforço, podem ao menos imaginar quais as razões que fizeram com que o orçamento dos Jogos Pan-americanos tivesse estourado em mais de 700%. Seria difícil tentar explicar para um alemão que somente a reforma do Maracanã tenha custado o mesmo que a construção inteira de um daqueles estádios ultra modernos da Copa do Mundo do ano passado. Certas coisas parecem tão inusitadas que são muito difíceis de serem explicadas.
Dessa forma, se eu tivesse que explicar a um metereologista de qualquer outro país como é que conseguimos criar uma nova categoria de batismo para furacões, creio eu que meu intento seria em vão. Ora, todos sabem agora que nossos furacões, aqueles “empresários” do jogo, juízes, policiais e demais membros do Estado brasileiro envolvidos com a praga da corrupção, já têm seus novos nomes. João, José, Oscar, Evandro, Ernesto, Jaime... Todos eles têm sobrenome e endereço fixo e muitos pareciam profissionais ilibados: Juízes, desembargadores, policiais, enfim, uma miríade de funções criadas para defender as liberdades civis, o Estado democrático de direito, a Justiça e os Cidadãos.
Sempre fui fascinado pelos furacões. Via neles um misto de força e poder indestrutíveis e, ao mesmo tempo, um fenômeno belo, único e absolutamente sublime. O olho de um furacão é uma imagem extraordinária e ao vê-lo “olhando” para mim, invariavelmente sinto algum tipo de emoção inexplicável. É evidente que um morador de uma ilha do caribe que tivera sua casa devastada por um choque de ar há mais de 200 km por hora se sentiria injuriado com esta minha frase, mas vá lá, não há como negar que, de longe, existe um efeito estético deslumbrante nessas tempestades. Ano passado, uma foto de Sandy, um furacão formado no Atlântico, me deixou extasiado. Ela era absolutamente linda, poderosa, impassível e única. Apaixonei-me por aquela imagem e a guardei no meu laptop para que sua visão fosse para mim uma brisa de beleza e um sopro de inspiração (sem trocadilhos).
Pois bem, certos brasileiros estragam tudo o que é bonito e, mais uma vez, quando penso nos furacões, na Sandy e em seus efeitos, não consigo mais visualizar seu olho negro e imponente em meio às nuvens nervosas que giram à sua volta. Observar Furacão no Brasil agora ficou fácil: basta ligar a TV e ler os jornais. A diferença é que, ainda que continuem destruindo o que pode existir à sua volta, estes nos escondem seus olhos.
quarta-feira, abril 18, 2007
Eu Pago o Pato
Compreendo que alguns alunos se sintam ansiosos para ter os resultados das avaliações, porém peço um pouco mais de paciência, pois somente terminarei de corrigir tudo no próximo final de semana. O problema é que gosto muito de ler o que vocês escrevem e, neste sentido, observar como anda a capacidade de articulação e construção de raciocínios por meio da escrita. Isso é muito importante. Não desejo que sejam literatos, porém devemos manter um certo nível de exigência e um padrão da escrita formal que gostaria de perseguir junto de vocês.
Sempre quando penso nisso, me lembro das histórias de Rui Barbosa. Para quem não se lembra, Rui Barbosa foi um dos mais ilustres personagens de nossa história, naquele tempo em que a inteligência ainda era valorizada e bonito era ser intelectual, formador de opiniões e um excelente orador. Rui Barbosa era tudo isso e muito mais: um excelente jurista, grande jornalista, defensor da liberdade de imprensa e das liberdades civis. Presidente da Academia Brasileira de Letras, candidato à presidência da República em duas ocasiões e Juiz da Corte Internacional de Haia. Apesar de não ser um conhecedor profundo de suas obras, aprecio muito sua forma de articular seus pensamentos e sua visão moderna sobre o mundo.
Em 1865 escreveu: "A primeira verdade dos governos livres é que a responsabilidade deve estender-se igualmente por todos os graus da hierarquia governamental. Todo aquele que, revestido de autoridade, exerce mediata ou imediatamente qualquer função pública, desde o agente de polícia até os mais altos funcionários do estado, não pode evitar a responsabilidade de seus atos perante os tribunais ou perante a nação." Bem atual, não é mesmo?
Contudo, gosto especialmente desta frase, cuja data desconheço:
"O poder não é um antro; é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação, têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."
Faz falta neste momento de nossa história uma figura como Rui Barbosa. Os brasileiros parecem resignados com um destino medíocre de assistencialismo, com negociações espúrias, corrupção, cinismo generalizado e com essa mania de querer sempre menos, mesmo quando podem ter mais.
Conhecido por sua intelectualidade e profundo conhecedor da Língua Portuguesa, reza a lenda que em um fim de tarde, ao chegar a sua casa, Rui Barbosa ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal.Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse-lhe:
“Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares as profanas de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha
alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de sua sinagoga que reduzir-te-á à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.”
E o ladrão, confuso, disse:
- Ô moço, afinal, eu levo ou deixo os patos?
O problema desta história é que não se sabe qual a resposta de Rui Barbosa para o meliante.
Não sei vocês, mas eu não roubo e por isso tenho a sensação de que pago o pato.
Sempre quando penso nisso, me lembro das histórias de Rui Barbosa. Para quem não se lembra, Rui Barbosa foi um dos mais ilustres personagens de nossa história, naquele tempo em que a inteligência ainda era valorizada e bonito era ser intelectual, formador de opiniões e um excelente orador. Rui Barbosa era tudo isso e muito mais: um excelente jurista, grande jornalista, defensor da liberdade de imprensa e das liberdades civis. Presidente da Academia Brasileira de Letras, candidato à presidência da República em duas ocasiões e Juiz da Corte Internacional de Haia. Apesar de não ser um conhecedor profundo de suas obras, aprecio muito sua forma de articular seus pensamentos e sua visão moderna sobre o mundo.
Em 1865 escreveu: "A primeira verdade dos governos livres é que a responsabilidade deve estender-se igualmente por todos os graus da hierarquia governamental. Todo aquele que, revestido de autoridade, exerce mediata ou imediatamente qualquer função pública, desde o agente de polícia até os mais altos funcionários do estado, não pode evitar a responsabilidade de seus atos perante os tribunais ou perante a nação." Bem atual, não é mesmo?
Contudo, gosto especialmente desta frase, cuja data desconheço:
"O poder não é um antro; é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação, têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."
Faz falta neste momento de nossa história uma figura como Rui Barbosa. Os brasileiros parecem resignados com um destino medíocre de assistencialismo, com negociações espúrias, corrupção, cinismo generalizado e com essa mania de querer sempre menos, mesmo quando podem ter mais.
Conhecido por sua intelectualidade e profundo conhecedor da Língua Portuguesa, reza a lenda que em um fim de tarde, ao chegar a sua casa, Rui Barbosa ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal.Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse-lhe:
“Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares as profanas de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha
alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de sua sinagoga que reduzir-te-á à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.”
E o ladrão, confuso, disse:
- Ô moço, afinal, eu levo ou deixo os patos?
O problema desta história é que não se sabe qual a resposta de Rui Barbosa para o meliante.
Não sei vocês, mas eu não roubo e por isso tenho a sensação de que pago o pato.
quarta-feira, abril 11, 2007
Ministro minimiza crise aérea e afirma que governo busca solução
Fonte: Folha Online
Texto: GABRIELA GUERREIRO
"O ministro da Defesa, Waldir Pires, minimizou nesta quarta-feira a crise no controle do tráfego aéreo do país. Ele atribuiu os problemas recentes no setor às falhas nos equipamentos e aos recursos humanos, numa referência indireta aos controladores de tráfego aéreo. O ministro considerou a crise como normal.
"Em países em desenvolvimento, essa é a rotina", afirmou, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o caos aéreo.
Pires disse que o governo vai solucionar crise e que está aprimorando os diagnósticos para impedir novos atrasos nos vôos. "Os fatores são definidos ao meu juízo em procedimento de gestão que determinaram ocorrências. Não há por que deixarem de serem reordenadas e postas a serviço do povo brasileiro."
O ministro saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que há duas semanas desautorizou o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, a dar ordem de prisão para os controladores amotinados no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília.
"Quando o presidente assume uma posição, ele assume como titular da soberania popular. Quando ele assume o comando supremo das Forças Armadas, ele tem o mandato oriundo de cada cidadão do Brasil. É a mais alta voz do Brasil, assume legitimamente."
Pires também disse que Lula agiu de forma correta ao designar o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) para negociar com os controladores e colocar fim ao motim ocorrido no fim de março --o mais grave do setor e que por, aproximadamente cinco horas, praticamente paralisou as decolagens no país. "Quando o presidente atribui diretamente a outros ordens de presença nas instituições, ele faz isso com legitimidade."
Participam também da audiência pública na Câmara dos deputados os presidentes da Infraero (estatal que administra os aeroportos), José Carlos Pereira, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, além de Pires e Saito.
Crise
O pior episódio da crise ocorreu no dia 30 de março, quando controladores de tráfego aéreo paralisaram as atividades por cerca de cinco horas. O movimento começou no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, e se espalhou para outras regiões do país.
Na ocasião, o governo federal chegou a firmar um acordo com os amotinados, mas recuou. Eles, agora, são investigados por suspeita de insubordinação.
Desde o final do ano passado, passageiros enfrentam constantes atrasos e cancelamentos de vôos. Inicialmente, os problemas foram causados pela operação-padrão dos controladores, que restabeleceram à força parâmetros internacionais de segurança. O Cindacta-1 sofria com a falta de controladores, pois alguns tinham sido afastados pelas investigações sobre a queda do Boeing da Gol, ocorrida em setembro.
Depois, falhas em equipamentos passaram a contribuir para aumentar a espera nos aeroportos. Desde março, o aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), um dos maiores do país, pára sempre que chove forte, pois a pista auxiliar está fechada para reformas e a principal tem graves problemas de escoamento."
Texto: GABRIELA GUERREIRO
"O ministro da Defesa, Waldir Pires, minimizou nesta quarta-feira a crise no controle do tráfego aéreo do país. Ele atribuiu os problemas recentes no setor às falhas nos equipamentos e aos recursos humanos, numa referência indireta aos controladores de tráfego aéreo. O ministro considerou a crise como normal.
"Em países em desenvolvimento, essa é a rotina", afirmou, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o caos aéreo.
Pires disse que o governo vai solucionar crise e que está aprimorando os diagnósticos para impedir novos atrasos nos vôos. "Os fatores são definidos ao meu juízo em procedimento de gestão que determinaram ocorrências. Não há por que deixarem de serem reordenadas e postas a serviço do povo brasileiro."
O ministro saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que há duas semanas desautorizou o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, a dar ordem de prisão para os controladores amotinados no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília.
"Quando o presidente assume uma posição, ele assume como titular da soberania popular. Quando ele assume o comando supremo das Forças Armadas, ele tem o mandato oriundo de cada cidadão do Brasil. É a mais alta voz do Brasil, assume legitimamente."
Pires também disse que Lula agiu de forma correta ao designar o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) para negociar com os controladores e colocar fim ao motim ocorrido no fim de março --o mais grave do setor e que por, aproximadamente cinco horas, praticamente paralisou as decolagens no país. "Quando o presidente atribui diretamente a outros ordens de presença nas instituições, ele faz isso com legitimidade."
Participam também da audiência pública na Câmara dos deputados os presidentes da Infraero (estatal que administra os aeroportos), José Carlos Pereira, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, além de Pires e Saito.
Crise
O pior episódio da crise ocorreu no dia 30 de março, quando controladores de tráfego aéreo paralisaram as atividades por cerca de cinco horas. O movimento começou no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, e se espalhou para outras regiões do país.
Na ocasião, o governo federal chegou a firmar um acordo com os amotinados, mas recuou. Eles, agora, são investigados por suspeita de insubordinação.
Desde o final do ano passado, passageiros enfrentam constantes atrasos e cancelamentos de vôos. Inicialmente, os problemas foram causados pela operação-padrão dos controladores, que restabeleceram à força parâmetros internacionais de segurança. O Cindacta-1 sofria com a falta de controladores, pois alguns tinham sido afastados pelas investigações sobre a queda do Boeing da Gol, ocorrida em setembro.
Depois, falhas em equipamentos passaram a contribuir para aumentar a espera nos aeroportos. Desde março, o aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), um dos maiores do país, pára sempre que chove forte, pois a pista auxiliar está fechada para reformas e a principal tem graves problemas de escoamento."
O super-Lula da pesquisa: o que isso quer dizer?
O texto abaixo é do Blog de Reinaldo Azevedo. Pessoalmente adoro quando os jornalistas são assim: diretos e críticos. No caso do Reinaldo Azevedo, já escrevi isso em outra ocasião, existe um padrão muito alto na qualidade e no estilo com que se comunica com seus leitores. Ele, antes de tudo, é um polêmico. Leiam o texto:
"Segue síntese do Estadão On Line sobre os números da pesquisa CNT-Sensus. Volto em seguida:
Lula
O índice de aprovação do presidente foi o melhor desde fevereiro de 2005 (66,1%) e ficou em 63,7% contra 59,3%, em agosto de 2006, data da última pesquisa. A desaprovação ao desempenho de Lula também caiu, para 28,2%, ante 32,5% em agosto de 2006, também a menor desde fevereiro de 2005.
Governo Lula
O levantamento apontou ainda um aumento na avaliação do governo, que foi para 49,58%, a terceira melhor da série. Em agosto de 2006, a aprovação estava em 43,6%. O porcentual dos que desaprovam a gestão de Lula caiu para 14,6%, o menor índice desde fevereiro de 2005. Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato do presidente vai ser melhor do que o primeiro. Para 19,6%, será pior e 18,7% acreditam que será igual.A avaliação regular do governo também caiu, de 39,5% para 34,3%.
Apoio partidário e ministérios
A exigência dos partidos políticos de participar dos ministérios em troca de apoio ao governo no Congresso conta com a aprovação de 37,5% dos entrevistados, contra 40,8% que discordam.
Violência
Para 90,9% dos entrevistados, a violência no Brasil aumentou nos últimos anos. Apenas 5,2% discordaram. Os que consideram a cidade onde vivem violenta ou muito violenta chegam a 34,8%. Já 38,3% acham sua cidade pouco ou nada violenta.
Sobre as causas da violência, 24,1% apontaram a pobreza e a miséria. Praticamente empatados, a Justiça e o tráfico de drogas aparecem, com 19,1% e 19%, respectivamente. As leis brandas têm 15%; a corrupção policial, 11% e a falta de policiamento, 7,6%.
A pesquisa mostra ainda que para 29,9% da população cabe ao governo federal agir em relação à violência urbana, enquanto que 16,7% consideram essa responsabilidade do governo estadual e 12,6% da administração municipal.
Pena de morte e idade penal
Houve crescimento dos que são a favor da pena de morte: 49%, ante 46,7% em maio de 2003. Os contrários somaram 46%, ante 49,7% em maio de 2003. Já sobre a redução da idade penal para 16 anos, 81,5% foram favoráveis, contra 88,1% em dezembro de 2003. Os contrários à redução subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e renda
Emprego e renda estão entre as prioridades que devem ser enfrentadas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo 26,3% dos entrevistados. Saúde Pública aparece em segundo lugar, com 25,7%; seguida de Segurança Pública, 18,2%; Educação, 16,7%; Previdência Social, 5,5%; Defesa Nacional, 2,9% e Inflação, 1,7%.
Programas sociais
Os programas sociais do governo são conhecidos por 56,8% dos entrevistados. Desse total, 15,3% são beneficiários dessas iniciativas e 40,7% dizem não conhecer pessoas que sejam beneficiadas pelo programa.
Para 66% dos entrevistados, os programas são positivos, ajudam à população e levam ao desenvolvimento. Já 27,0% classificam os projetos sociais como negativos por não resolverem os problemas nem gerarem desenvolvimento.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Já entre os que têm informações sobre o PAC, esse índice sobe para 57,9% contra 24,7% que não acreditam que o programa vai acelerar o crescimento.
Selic
A redução da taxa básica de juros nos últimos seis meses aumentaram a disposição de 22% dos entrevistados para fazer compras a prazo. Mas, para 65,4%, a redução da Selic não aumentou a disposição para fazer novos financiamentos.
Entre os que disseram que houve aumento na disposição de compras a prazo, 48,4% efetivamente aumentaram suas compras, enquanto 46,8% não aumentaram.
A pesquisa mostra ainda que, do universo dos entrevistados dispostos a fazer compras a prazo, a preferência é por aquisições de eletrodomésticos, com 28% do total. A casa própria foi o segundo item mais citado, com 23,9%. Material de construção e carro aparecem na seqüência com 15% e 11,1%, respectivamente.
Crise aérea
O governo federal foi apontado como o principal responsável pela crise aérea no País. Pesquisa CNT-Sensus mostra essa constatação para 21,2% dos entrevistados. Tomando por base apenas os entrevistados que tiveram contato com o assunto (acompanham ou ouviram falar), esse número sobe para 25,8%.
Voltei (ele, Reinaldo Azevedo)
Para muitos dos que não gostam do governo Lula, os números talvez sejam um tanto desanimadores. Mas eles são absolutamente explicáveis. Mais do que isso: são razoáveis. Eu não esperava nada muito diferente disso. É isto, leitor amigo: conforme-se em ser minoria no Brasil por um bom tempo. O sonho da massa revoltada contra o poder despótico é uma ilusão ou uma tara de esquerda. A maioria da população, em situação de normalidade democrática, é assim mesmo: apática, abúlica e gosta de quem está no comando. Irrupções revolucionárias, só para citar o ponto extremo do desagrado da massa com os governantes, são sempre coisa de minorias e jamais são bem-sucedidas se uma fatia do próprio poder dominante não resolve trair as suas origens. Os historiadores, inclusive os marxistas, sabem disso. Mas criam o mito da resistência popular. Pura balela.
Lula foi reeleito há pouco mais de cinco meses e começou o segundo mandato há pouco mais de três: chegou lá com dois terços do eleitorado e, com pequena variação, ainda os conserva. A rigor, não há razão para ter perdido o apoio daqueles que o reelegeram. Aquele país ainda é o mesmo, com uma ou outra notícia “positiva” a mais, como o PIB recontado e o dólar no buraco, o que enche, acreditem, uma parte importante dos brasileiros de orgulho.
A craca assistencialista grudou na política brasileira, e não será fácil tirá-la, mormente porque as oposições são muito tímidas no país — e tendem a se intimidar ainda mais diante de pesquisas como essa. Querem números exemplares do que estamos vivendo? Dizem conhecer os tais “programas sociais” 56,8% dos entrevistados. Mas 66% os aprovam. Aprovam o quê? A propaganda. Com isso, não quero dizer que os programas não existam. Existem, é claro. Mas são uma abstração para uma boa parcela dos entrevistados — e, pois, dos brasileiros.
Acompanhem: quantos beneficiários, leitor, você conhece do Bolsa Família? A exemplo deste escriba, a resposta é quase certa: nenhum — fazemos parte daqueles 40,7%. Pior: integramos o grupo dos 27% que consideram que eles não respondem ao desafio do desenvolvimento. Estamos na contramão da “doxa”. E agora? Vejam só: Lula inventou o tal PAC para a parcela mais informada da população, que resiste a seus encantos. Nada menos de 59% dos entrevistados — e é provável que todos eles estejam entre os dois terços que o apóiam — nem sabem que diabo é isso. Só 18,6% acham que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Vejam só: se Lula nunca mais tocar nesse assunto, vai decepcionar pouca gente.
E a crise aérea? Como é possível que ela não afete a imagem de Lula? É possível. Ele governa ou para o país que anda de carroça (metáfora) ou para o que compra avião — jamais para o que apenas anda de avião. E não vai abandonar essa clivagem. No médio e no longo prazos, essa administração medíocre do país vai fazer diferença, cobrar a sua fatura? Vai. As políticas públicas têm um tempo de maturação que não é o mesmo do julgamento da opinião pública. Imaginem se FHC tivesse feito tudo o que PT queria nos seus dois primeiros mandatos... Imaginem um país com a economia ainda mais fechada, atolado no endividamento das estatais. Que governo o PT estaria fazendo agora?
Não duvidem: os que não compactuam com o lulo-petismo terão de comer poeira por um bom tempo. É da natureza do jogo. Mais ainda: têm de se organizar para não continuar a comê-la, coisa de que não estou bem certo de que saibam fazer. Penso, por exemplo, nas 3,4 milhões de pessoas jurídicas que integram o MSP — Movimento dos Sem-Político (na verdade, considerando familiares e tal, talvez o dobro disso). Quem fala por eles? Quem vocaliza suas angústias? As oposições, no Brasil, cometem a delicadeza de jogar fora o público que têm ambicionando aquele que jamais terão, porque seduzidos pelo petismo e suas “conquistas”.
Lula navega numa onda extremamente favorável, que só existe porque governos anteriores se negaram a seguir a receita do petismo — que, uma vez no poder, demonstrou não ter receita nenhuma, a não ser, de um lado, acomodar interesses, e, de outro, manter azeitada uma máquina assistencialista inédita. Até que seus erros de agora não comecem a cobrar a sua fatura, vai tocando a vida sem muitos percalços. Mas atenção: mesmo esses erros só passarão a ter importância se transformados em luta política, coisa que as oposições não conseguiram fazer até agora."
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja
Publicado em 10 de abril de 2007
"Segue síntese do Estadão On Line sobre os números da pesquisa CNT-Sensus. Volto em seguida:
Lula
O índice de aprovação do presidente foi o melhor desde fevereiro de 2005 (66,1%) e ficou em 63,7% contra 59,3%, em agosto de 2006, data da última pesquisa. A desaprovação ao desempenho de Lula também caiu, para 28,2%, ante 32,5% em agosto de 2006, também a menor desde fevereiro de 2005.
Governo Lula
O levantamento apontou ainda um aumento na avaliação do governo, que foi para 49,58%, a terceira melhor da série. Em agosto de 2006, a aprovação estava em 43,6%. O porcentual dos que desaprovam a gestão de Lula caiu para 14,6%, o menor índice desde fevereiro de 2005. Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato do presidente vai ser melhor do que o primeiro. Para 19,6%, será pior e 18,7% acreditam que será igual.A avaliação regular do governo também caiu, de 39,5% para 34,3%.
Apoio partidário e ministérios
A exigência dos partidos políticos de participar dos ministérios em troca de apoio ao governo no Congresso conta com a aprovação de 37,5% dos entrevistados, contra 40,8% que discordam.
Violência
Para 90,9% dos entrevistados, a violência no Brasil aumentou nos últimos anos. Apenas 5,2% discordaram. Os que consideram a cidade onde vivem violenta ou muito violenta chegam a 34,8%. Já 38,3% acham sua cidade pouco ou nada violenta.
Sobre as causas da violência, 24,1% apontaram a pobreza e a miséria. Praticamente empatados, a Justiça e o tráfico de drogas aparecem, com 19,1% e 19%, respectivamente. As leis brandas têm 15%; a corrupção policial, 11% e a falta de policiamento, 7,6%.
A pesquisa mostra ainda que para 29,9% da população cabe ao governo federal agir em relação à violência urbana, enquanto que 16,7% consideram essa responsabilidade do governo estadual e 12,6% da administração municipal.
Pena de morte e idade penal
Houve crescimento dos que são a favor da pena de morte: 49%, ante 46,7% em maio de 2003. Os contrários somaram 46%, ante 49,7% em maio de 2003. Já sobre a redução da idade penal para 16 anos, 81,5% foram favoráveis, contra 88,1% em dezembro de 2003. Os contrários à redução subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e renda
Emprego e renda estão entre as prioridades que devem ser enfrentadas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo 26,3% dos entrevistados. Saúde Pública aparece em segundo lugar, com 25,7%; seguida de Segurança Pública, 18,2%; Educação, 16,7%; Previdência Social, 5,5%; Defesa Nacional, 2,9% e Inflação, 1,7%.
Programas sociais
Os programas sociais do governo são conhecidos por 56,8% dos entrevistados. Desse total, 15,3% são beneficiários dessas iniciativas e 40,7% dizem não conhecer pessoas que sejam beneficiadas pelo programa.
Para 66% dos entrevistados, os programas são positivos, ajudam à população e levam ao desenvolvimento. Já 27,0% classificam os projetos sociais como negativos por não resolverem os problemas nem gerarem desenvolvimento.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Já entre os que têm informações sobre o PAC, esse índice sobe para 57,9% contra 24,7% que não acreditam que o programa vai acelerar o crescimento.
Selic
A redução da taxa básica de juros nos últimos seis meses aumentaram a disposição de 22% dos entrevistados para fazer compras a prazo. Mas, para 65,4%, a redução da Selic não aumentou a disposição para fazer novos financiamentos.
Entre os que disseram que houve aumento na disposição de compras a prazo, 48,4% efetivamente aumentaram suas compras, enquanto 46,8% não aumentaram.
A pesquisa mostra ainda que, do universo dos entrevistados dispostos a fazer compras a prazo, a preferência é por aquisições de eletrodomésticos, com 28% do total. A casa própria foi o segundo item mais citado, com 23,9%. Material de construção e carro aparecem na seqüência com 15% e 11,1%, respectivamente.
Crise aérea
O governo federal foi apontado como o principal responsável pela crise aérea no País. Pesquisa CNT-Sensus mostra essa constatação para 21,2% dos entrevistados. Tomando por base apenas os entrevistados que tiveram contato com o assunto (acompanham ou ouviram falar), esse número sobe para 25,8%.
Voltei (ele, Reinaldo Azevedo)
Para muitos dos que não gostam do governo Lula, os números talvez sejam um tanto desanimadores. Mas eles são absolutamente explicáveis. Mais do que isso: são razoáveis. Eu não esperava nada muito diferente disso. É isto, leitor amigo: conforme-se em ser minoria no Brasil por um bom tempo. O sonho da massa revoltada contra o poder despótico é uma ilusão ou uma tara de esquerda. A maioria da população, em situação de normalidade democrática, é assim mesmo: apática, abúlica e gosta de quem está no comando. Irrupções revolucionárias, só para citar o ponto extremo do desagrado da massa com os governantes, são sempre coisa de minorias e jamais são bem-sucedidas se uma fatia do próprio poder dominante não resolve trair as suas origens. Os historiadores, inclusive os marxistas, sabem disso. Mas criam o mito da resistência popular. Pura balela.
Lula foi reeleito há pouco mais de cinco meses e começou o segundo mandato há pouco mais de três: chegou lá com dois terços do eleitorado e, com pequena variação, ainda os conserva. A rigor, não há razão para ter perdido o apoio daqueles que o reelegeram. Aquele país ainda é o mesmo, com uma ou outra notícia “positiva” a mais, como o PIB recontado e o dólar no buraco, o que enche, acreditem, uma parte importante dos brasileiros de orgulho.
A craca assistencialista grudou na política brasileira, e não será fácil tirá-la, mormente porque as oposições são muito tímidas no país — e tendem a se intimidar ainda mais diante de pesquisas como essa. Querem números exemplares do que estamos vivendo? Dizem conhecer os tais “programas sociais” 56,8% dos entrevistados. Mas 66% os aprovam. Aprovam o quê? A propaganda. Com isso, não quero dizer que os programas não existam. Existem, é claro. Mas são uma abstração para uma boa parcela dos entrevistados — e, pois, dos brasileiros.
Acompanhem: quantos beneficiários, leitor, você conhece do Bolsa Família? A exemplo deste escriba, a resposta é quase certa: nenhum — fazemos parte daqueles 40,7%. Pior: integramos o grupo dos 27% que consideram que eles não respondem ao desafio do desenvolvimento. Estamos na contramão da “doxa”. E agora? Vejam só: Lula inventou o tal PAC para a parcela mais informada da população, que resiste a seus encantos. Nada menos de 59% dos entrevistados — e é provável que todos eles estejam entre os dois terços que o apóiam — nem sabem que diabo é isso. Só 18,6% acham que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Vejam só: se Lula nunca mais tocar nesse assunto, vai decepcionar pouca gente.
E a crise aérea? Como é possível que ela não afete a imagem de Lula? É possível. Ele governa ou para o país que anda de carroça (metáfora) ou para o que compra avião — jamais para o que apenas anda de avião. E não vai abandonar essa clivagem. No médio e no longo prazos, essa administração medíocre do país vai fazer diferença, cobrar a sua fatura? Vai. As políticas públicas têm um tempo de maturação que não é o mesmo do julgamento da opinião pública. Imaginem se FHC tivesse feito tudo o que PT queria nos seus dois primeiros mandatos... Imaginem um país com a economia ainda mais fechada, atolado no endividamento das estatais. Que governo o PT estaria fazendo agora?
Não duvidem: os que não compactuam com o lulo-petismo terão de comer poeira por um bom tempo. É da natureza do jogo. Mais ainda: têm de se organizar para não continuar a comê-la, coisa de que não estou bem certo de que saibam fazer. Penso, por exemplo, nas 3,4 milhões de pessoas jurídicas que integram o MSP — Movimento dos Sem-Político (na verdade, considerando familiares e tal, talvez o dobro disso). Quem fala por eles? Quem vocaliza suas angústias? As oposições, no Brasil, cometem a delicadeza de jogar fora o público que têm ambicionando aquele que jamais terão, porque seduzidos pelo petismo e suas “conquistas”.
Lula navega numa onda extremamente favorável, que só existe porque governos anteriores se negaram a seguir a receita do petismo — que, uma vez no poder, demonstrou não ter receita nenhuma, a não ser, de um lado, acomodar interesses, e, de outro, manter azeitada uma máquina assistencialista inédita. Até que seus erros de agora não comecem a cobrar a sua fatura, vai tocando a vida sem muitos percalços. Mas atenção: mesmo esses erros só passarão a ter importância se transformados em luta política, coisa que as oposições não conseguiram fazer até agora."
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja
Publicado em 10 de abril de 2007
terça-feira, abril 10, 2007
Nosso Novo Lema
Já escrevi aqui e discuti em sala de aula que certos termos e expressões, carregados de significados ideológicos, políticos, científicos e filosóficos são utilizados pelos leigos como se fossem verdades absolutas e, uma vez desprovidas de seu sentido preciso, são vocalizados com galhardia e coragem pelos mais incautos cidadãos.
Por exemplo: alguém aqui sabe exatamente o que é ser de esquerda e de direita? Alguém pode me dizer o que significa a chegada do “risco-brasil” no nível 100?
Onde está a certeza de que a desmilitarização dos controladores de vôo irá gerar o fim do Apagão Aéreo?
Afinal, qual foi a matemática utilizada pelo Romário para dizer que ele finalmente marcará seu gol número 1.000? Será que ele não estaria no 1007? 980? E aquela pelada no final de semana que foi registrada pela filha da cunhada da vizinha do campinho de Macaé, na década de 80? Valeu? Se o Pelé somou o gol que fez, vestindo um terno, no evento que marcou a demolição do estádio de Wenbley e acrescentou à sua lista os gols que fez contra a seleção do exército, o Romário poderia somar os gols que marcou nos churrasquinhos de fim de semana na casa dos amigos e na chácara do Chico Buarque!
O fato é que cada um toma para si certas palavras e cria seus conceitos e verdades sobre elas de acordo com a conveniência do momento, assim como fazem com cálculos e estatísticas de desemprego e do crescimento do PIB. Se está ruim, ora, vamos mudar o cálculo e dar aquele jeitinho de fazer a estatística jogar a nosso favor. Este processo, em alguns casos é pura cara de pau, porém em outros, significa que ainda existem certos conjuntos de conhecimentos sobre os quais a maioria das pessoas não domina.
Eu, por exemplo, desconheço os efeitos do movimento caótico, o caos, sobre a mecânica quântica. Tampouco compreendo as relações binárias e não sei reconhecer se são reflexivas, assimétricas ou qualquer outra coisa que o valha. Da mesma forma, até hoje jamais consegui fazer um pudim de leite condensado igual ao da minha avó e tenho certeza de que não conseguiria fazer um gol vestindo terno com gravata apertada no pescoço. Dessa forma, devemos tomar cuidado com certas “verdades” que escutamos e também verbalizamos.
Desconfiar sempre. Este é o lema!
Se o fulano se diz “de esquerda” e por isso se considera um sujeito “do bem”, “do povo” etc, basta uma pergunta simples para complicar a vida do rapaz: Mas você é marxista leninista, trotskista ou bolchevista? Heim? Pronto, está feito o estrago.
Para a massa da classe média, o assunto do momento é o Apagão Aéreo. Por alguma razão, alguns formadores de opinião, membros do governo federal, da imprensa, dentre outros, venderam/aceitaram tranqüilamente a tese de que a solução para o problema está na desmilitarização dos controladores de vôo. Pouca gente utilizou o nosso lema e, sem desconfiar, passaram a repetir diuturnamente e propagar a “solução”. Alguma pessoa que resolvesse questionar criticamente a idéia faria algumas daquelas perguntas impertinentes, como por exemplo: mas esta solução é juridicamente legal? Ora, se para ingressar em uma determinada carreira é necessário passar por um concurso público, como seria feita a migração de servidores militares para o serviço público civil sem a realização de uma prova para tal? Outra questão capciosa: se o espaço aéreo brasileiro é protegido pela Aeronáutica e os radares operados são os mesmos que os controladores utilizam atualmente para gerenciar o tráfego aéreo, com quem ficaria o sistema? Com os controladores civis alocados em outros ambientes ou com os militares? Afinal, quem vai mandar nos radares? E se forem os civis, com quais equipamentos os militares protegerão nosso espaço aéreo?
Na verdade, este processo não irá acabar com a crise no setor, irá apenas possibilitar maior poder de barganha salarial à categoria dos controladores de vôo. Se na condição de militares eles são capazes de parar o país, imaginem quando a transição de sargentos para companheiros estiver 100% realizada e os novos servidores estiverem devidamente sob a custódia e o amparo de alguma Central Sindical.
Pois bem, certas “verdades” não devem ser repetidas sem antes utilizarmos o nosso lema: desconfiem, meninos e meninas... desconfiem...
Por exemplo: alguém aqui sabe exatamente o que é ser de esquerda e de direita? Alguém pode me dizer o que significa a chegada do “risco-brasil” no nível 100?
Onde está a certeza de que a desmilitarização dos controladores de vôo irá gerar o fim do Apagão Aéreo?
Afinal, qual foi a matemática utilizada pelo Romário para dizer que ele finalmente marcará seu gol número 1.000? Será que ele não estaria no 1007? 980? E aquela pelada no final de semana que foi registrada pela filha da cunhada da vizinha do campinho de Macaé, na década de 80? Valeu? Se o Pelé somou o gol que fez, vestindo um terno, no evento que marcou a demolição do estádio de Wenbley e acrescentou à sua lista os gols que fez contra a seleção do exército, o Romário poderia somar os gols que marcou nos churrasquinhos de fim de semana na casa dos amigos e na chácara do Chico Buarque!
O fato é que cada um toma para si certas palavras e cria seus conceitos e verdades sobre elas de acordo com a conveniência do momento, assim como fazem com cálculos e estatísticas de desemprego e do crescimento do PIB. Se está ruim, ora, vamos mudar o cálculo e dar aquele jeitinho de fazer a estatística jogar a nosso favor. Este processo, em alguns casos é pura cara de pau, porém em outros, significa que ainda existem certos conjuntos de conhecimentos sobre os quais a maioria das pessoas não domina.
Eu, por exemplo, desconheço os efeitos do movimento caótico, o caos, sobre a mecânica quântica. Tampouco compreendo as relações binárias e não sei reconhecer se são reflexivas, assimétricas ou qualquer outra coisa que o valha. Da mesma forma, até hoje jamais consegui fazer um pudim de leite condensado igual ao da minha avó e tenho certeza de que não conseguiria fazer um gol vestindo terno com gravata apertada no pescoço. Dessa forma, devemos tomar cuidado com certas “verdades” que escutamos e também verbalizamos.
Desconfiar sempre. Este é o lema!
Se o fulano se diz “de esquerda” e por isso se considera um sujeito “do bem”, “do povo” etc, basta uma pergunta simples para complicar a vida do rapaz: Mas você é marxista leninista, trotskista ou bolchevista? Heim? Pronto, está feito o estrago.
Para a massa da classe média, o assunto do momento é o Apagão Aéreo. Por alguma razão, alguns formadores de opinião, membros do governo federal, da imprensa, dentre outros, venderam/aceitaram tranqüilamente a tese de que a solução para o problema está na desmilitarização dos controladores de vôo. Pouca gente utilizou o nosso lema e, sem desconfiar, passaram a repetir diuturnamente e propagar a “solução”. Alguma pessoa que resolvesse questionar criticamente a idéia faria algumas daquelas perguntas impertinentes, como por exemplo: mas esta solução é juridicamente legal? Ora, se para ingressar em uma determinada carreira é necessário passar por um concurso público, como seria feita a migração de servidores militares para o serviço público civil sem a realização de uma prova para tal? Outra questão capciosa: se o espaço aéreo brasileiro é protegido pela Aeronáutica e os radares operados são os mesmos que os controladores utilizam atualmente para gerenciar o tráfego aéreo, com quem ficaria o sistema? Com os controladores civis alocados em outros ambientes ou com os militares? Afinal, quem vai mandar nos radares? E se forem os civis, com quais equipamentos os militares protegerão nosso espaço aéreo?
Na verdade, este processo não irá acabar com a crise no setor, irá apenas possibilitar maior poder de barganha salarial à categoria dos controladores de vôo. Se na condição de militares eles são capazes de parar o país, imaginem quando a transição de sargentos para companheiros estiver 100% realizada e os novos servidores estiverem devidamente sob a custódia e o amparo de alguma Central Sindical.
Pois bem, certas “verdades” não devem ser repetidas sem antes utilizarmos o nosso lema: desconfiem, meninos e meninas... desconfiem...
Avaliação de Antropologia
Aos alunos de Antropologia, disse que iria explicar o esquema da Avaliação I no moodle, mas não consegui publicar lá. Sorte que temos sempre o plano B. Então vamos lá.
Peço aos alunos dos demais cursos que não fiquem com inveja dos pupilos do primeiro semestre, mas ocorre que a avaliação da disciplina de Antropologia e Cultura possui outros elementos fundamentais que são distintos das demais matérias, a saber, a necessidade de despertar o poder crítico e ampliar a capacidade dos estudantes em criar textos adequados e marcados pelo distanciamento do senso comum.
Assim, a avaliação I contará com duas questões, sendo uma de ordem mais aberta, baseada na obra de Darcy Ribeiro, e outra mais teórica, baseada nos fundamentos da Antropologia. Quero treiná-los a responder questões bem distintas em uma mesma avaliação, seja no estilo, finalidade e/ou objetivos. Os valores de ambas questões serão diferentes e o maior peso será para a questão 1.
Apenas para recordar: é permitido consultar os materiais utilizados so longo do bimestre, incluindo os livros, textos e anotações em sala de aula. Entretanto, NÃO será permitida a troca de quaiquer tipos de materiais durante o período da avaliação, incluindo textos, canetas, papéis e quaisquer outros objetos.
Até quinta!
Peço aos alunos dos demais cursos que não fiquem com inveja dos pupilos do primeiro semestre, mas ocorre que a avaliação da disciplina de Antropologia e Cultura possui outros elementos fundamentais que são distintos das demais matérias, a saber, a necessidade de despertar o poder crítico e ampliar a capacidade dos estudantes em criar textos adequados e marcados pelo distanciamento do senso comum.
Assim, a avaliação I contará com duas questões, sendo uma de ordem mais aberta, baseada na obra de Darcy Ribeiro, e outra mais teórica, baseada nos fundamentos da Antropologia. Quero treiná-los a responder questões bem distintas em uma mesma avaliação, seja no estilo, finalidade e/ou objetivos. Os valores de ambas questões serão diferentes e o maior peso será para a questão 1.
Apenas para recordar: é permitido consultar os materiais utilizados so longo do bimestre, incluindo os livros, textos e anotações em sala de aula. Entretanto, NÃO será permitida a troca de quaiquer tipos de materiais durante o período da avaliação, incluindo textos, canetas, papéis e quaisquer outros objetos.
Até quinta!
Agora é Oficial: Deputados não Trabalham na Segunda
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Texto: Denise Madueño e Eugênia Lopes
Câmara desiste de sessões de votação nas segundas-feiras
BRASÍLIA - A experiência da Câmara de tentar aumentar os dias de votação na semana acabou. Em reunião dos líderes partidários e do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi decidido, por unanimidade, que não haverá mais sessões de votação às segundas-feiras.
As sessões das segundas-feiras, na avaliação que vinham fazendo os líderes, não estavam se mostrando eficientes nem produtivas. Quando assumiu o cargo de presidente, Chinaglia instituiu votações às segundas-feiras, mas o quórum, nesses dias, estava menor a cada semana. No início, havia a desculpa do chamado apagão aéreo, mas, na segunda passada, se repetiu o quórum baixo.
Para compensar o fim das sessões de votação às segundas-feiras, os líderes se dispuseram a fazer sessões deliberativas às terças-feiras pela manhã e não apenas à tarde. Na reunião, foi mantida a prioridade de votação da proposta de reajuste salarial dos deputados assim que forem votadas as medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta do plenário. A previsão é de que a liberação da pauta se dê na próxima semana.
Chinaglia afirmou, segundo relatos de líderes, que o consenso é pelo aumento que reponha a inflação dos últimos quatro anos medida pelo IPCA, o que significa uma elevação dos atuais R$ 12.847 para cerca de R$ 16.200.
Os líderes e Chinaglia incluíram na lista de prioridades a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que propõe o fim do nepotismo nos três Poderes. O deputado Manato (PDT-ES) apresentou uma versão mais liberal, com mais benefícios para os parlamentares do que a proposta já aprovada em comissão especial da Câmara. Mesmo assim, o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), resiste a votar a proposta, argumentando que vai discutir com a bancada. Na reunião, Chinaglia reafirmou que a reforma política deverá ser votada até o final de maio.
Texto: Denise Madueño e Eugênia Lopes
Câmara desiste de sessões de votação nas segundas-feiras
BRASÍLIA - A experiência da Câmara de tentar aumentar os dias de votação na semana acabou. Em reunião dos líderes partidários e do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi decidido, por unanimidade, que não haverá mais sessões de votação às segundas-feiras.
As sessões das segundas-feiras, na avaliação que vinham fazendo os líderes, não estavam se mostrando eficientes nem produtivas. Quando assumiu o cargo de presidente, Chinaglia instituiu votações às segundas-feiras, mas o quórum, nesses dias, estava menor a cada semana. No início, havia a desculpa do chamado apagão aéreo, mas, na segunda passada, se repetiu o quórum baixo.
Para compensar o fim das sessões de votação às segundas-feiras, os líderes se dispuseram a fazer sessões deliberativas às terças-feiras pela manhã e não apenas à tarde. Na reunião, foi mantida a prioridade de votação da proposta de reajuste salarial dos deputados assim que forem votadas as medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta do plenário. A previsão é de que a liberação da pauta se dê na próxima semana.
Chinaglia afirmou, segundo relatos de líderes, que o consenso é pelo aumento que reponha a inflação dos últimos quatro anos medida pelo IPCA, o que significa uma elevação dos atuais R$ 12.847 para cerca de R$ 16.200.
Os líderes e Chinaglia incluíram na lista de prioridades a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que propõe o fim do nepotismo nos três Poderes. O deputado Manato (PDT-ES) apresentou uma versão mais liberal, com mais benefícios para os parlamentares do que a proposta já aprovada em comissão especial da Câmara. Mesmo assim, o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), resiste a votar a proposta, argumentando que vai discutir com a bancada. Na reunião, Chinaglia reafirmou que a reforma política deverá ser votada até o final de maio.
terça-feira, abril 03, 2007
Eu Voltei!

Escreverei daqui há pouco, mas antes creio ser necessário publicar a capa do filme que indiquei para os alunos de Teoria da Opinião Pública: Terra de Ninguém. É razoável mostrar a imagem do filme, uma vez que existe uma outra obra com o mesmo nome e isso vem confundindo alguns alunos.
Um abraço e até mais!
quarta-feira, março 21, 2007
Eu nem sinto os meus pés no chão...
"Ando
Meio desligado
Eu nem sinto
Meus pés no chão
Olho
E não vejo nada..."
Marisa Monte
Alunos Queridos,
Tenho trabalhado ultimamente em novos e grandes projetos profissionais e, por esta razão, faz uns dias que não publico nada. Para terem uma idéia eu nem consegui terminar a Parte 2 do "Vassalagem Moral" apesar de mais da metade estar pronta e a idéia bem concebida.
Além disso, fui acometido por uma gripe fortíssima, o que deixou este soldado "ferido", mas jamais longe da Guerra!!! Apesar de tudo, voltarei brevemente à vida normal.
PS.: Finalmente consegui acessar o Moodle! Neste fim de semana trabalharei nele para acrescentar materiais para nossos cursos.
Meio desligado
Eu nem sinto
Meus pés no chão
Olho
E não vejo nada..."
Marisa Monte
Alunos Queridos,
Tenho trabalhado ultimamente em novos e grandes projetos profissionais e, por esta razão, faz uns dias que não publico nada. Para terem uma idéia eu nem consegui terminar a Parte 2 do "Vassalagem Moral" apesar de mais da metade estar pronta e a idéia bem concebida.
Além disso, fui acometido por uma gripe fortíssima, o que deixou este soldado "ferido", mas jamais longe da Guerra!!! Apesar de tudo, voltarei brevemente à vida normal.
PS.: Finalmente consegui acessar o Moodle! Neste fim de semana trabalharei nele para acrescentar materiais para nossos cursos.
sábado, março 17, 2007
Sobre a Vassalagem Moral (Parte 1)
Quando eu era uma criança meu pai dizia que minha irmã caçula, com seus 3 ou 4 aninhos, sofria de Gota, porque, segundo ele, ela era muito “Gotósa”! Apesar de infame, é claro que eu achava aquilo engraçado e me lembrei dessa frase da infância porque li esses dias que na maioria dos casos, o primeiro sintoma da Gota (doença provocada pela elevação de ácido úrico no sangue) é, juro (eu li mesmo!), dor no dedão do pé! Interessante estes casos de sintomas e patologias. A Agência EFE de notícias publicou uma matéria sobre os dependentes da Internet e dos Celulares. “Seus dependentes possuem os mesmos sintomas que os de qualquer outro grupo: síndrome de abstinência, insônia, falta de apetite, dependência e uma necessidade compulsiva de se conectar à rede para acalmar a ansiedade.” Até mesmo o som do modem ou do celular pode provocar nesses dependentes taquicardia. Não quero me desfazer da relevância do tema, mas como sou uma pessoa imagética não pude deixar de visualizar um adolescente manifestando excessos de alegria ao toque do celular.
Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”
Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino (refiro-me às desorganizações psíquicas, se é que me entendem!) e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.
Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.
Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.
(Continuarei mais tarde...)
Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”
Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino (refiro-me às desorganizações psíquicas, se é que me entendem!) e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.
Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.
Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.
(Continuarei mais tarde...)
terça-feira, março 13, 2007
Exercício Para os Alunos de Antropologia
Após nossa incrível jornada por Angola, vinda pelas mãos do sociólogo Rafael Belletti, com seu talento e bom humor, passaremos agora para nosso exercício, conforme estabelecido no início do curso. Lembrem-se que trata-se de um trabalho etnológico, cujos dados etnográficos, nos foram trazidos pelo Rafael. Portanto vocês agora deverão escrever um texto sobre uma das fotos que publicarei ainda hoje, conjugando as impressões de vocês sobre os fundamentos da Antropologia, os dados sobre Angola que colheram em suas pesquisas, bem como as informações trazidas em nossa palestra da última quinta-feira.
Apresentarei 4 (quatro) fotos e vou numerá-las de acordo com sua ordem.
Lembro a todos que as fotos são protegidas por direitos autorais e sua reprodução total ou parcial, para quaisquer fins, é totalmente proibida.
Apresentarei 4 (quatro) fotos e vou numerá-las de acordo com sua ordem.
Lembro a todos que as fotos são protegidas por direitos autorais e sua reprodução total ou parcial, para quaisquer fins, é totalmente proibida.
quinta-feira, março 08, 2007
Economizando Tempo e Melhorando o Nível
Tem muita gente boba escrevendo e falando tolices sobre a visita de Bush e seu esquema de segurança. Tem também muita coisa sem muito valor sendo publicada por causa do Dia Internacional das Mulheres. Meu post sobre a origem do Dia Internacional das Mulheres (publicado um pouco abaixo)é um exemplo. É só uma curiosidade e não contribui muito para os debates realmente edificantes sobre o assunto. A auto-crítica, além de saudável, deve ser um exercício diário.
Então, como sabem, com este pouco tempo que tenho nesta data, darei minha contribuição de forma indireta. Publicarei dois textos do Reinaldo Azevedo, um desses jornalistas que ainda escrevem e debatem em alto nível, estilo refinado e muitas vezes beirando a erudição. Por outro lado, minha melhor contribuição aos meus alunos, penso eu, será dada nesta noite. Como alguns de vocês sabem, receberemos um sociólogo chamado Rafael Belletti. Após viver 1 ano e meio em Luanda, capital de Angola, e ter vivenciado situações incríveis e fotografado a maior parte do país, Belletti conversará conosco nesta noite no curso de antropologia e cultura e abordará a questão da situação da Mulher angolana.
Trata-se de um retrato, uma amostra do que boa parte das mulheres africanas vivem em seus respectivos países e, portanto, uma oportunidade rica para realizarmos nossas reflexões sobre o assunto. Espero que gostem, tanto dos posts, quanto da visita ilustre que teremos nesta noite.
Então, como sabem, com este pouco tempo que tenho nesta data, darei minha contribuição de forma indireta. Publicarei dois textos do Reinaldo Azevedo, um desses jornalistas que ainda escrevem e debatem em alto nível, estilo refinado e muitas vezes beirando a erudição. Por outro lado, minha melhor contribuição aos meus alunos, penso eu, será dada nesta noite. Como alguns de vocês sabem, receberemos um sociólogo chamado Rafael Belletti. Após viver 1 ano e meio em Luanda, capital de Angola, e ter vivenciado situações incríveis e fotografado a maior parte do país, Belletti conversará conosco nesta noite no curso de antropologia e cultura e abordará a questão da situação da Mulher angolana.
Trata-se de um retrato, uma amostra do que boa parte das mulheres africanas vivem em seus respectivos países e, portanto, uma oportunidade rica para realizarmos nossas reflexões sobre o assunto. Espero que gostem, tanto dos posts, quanto da visita ilustre que teremos nesta noite.
Cuidado com o vira-lata
Por Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja (08/03/2007)
O noticiário sobre o esquema de segurança de George W. Bush no Brasil está roçando, a alguns milímetros mesmo, o complexo de vira-lata (Nelson Rodrigues) dos brasileiros. É claro que é um troço gigantesco. E tem de ser mesmo, ora essa. Queriam o quê? Quantos gostariam de ver o presidente americano deitadinho, de costas, com as mãos postas? Guardadas as devidas proporções, o Brasil se preocupou até mais com o transporte de Fernandinho Beira-Mar. Isso diz um tanto de como anda a segurança interna no Brasil. O país não consegue impedir a entrada de celular em presídio e fica moralizando o esquema de segurança do presidente americano? Hora de ler Genealogia da Moral, de Nietzsche. Podemos encarar o fato com o peso que tem — ele é o homem mais poderoso do planeta — e podemos fazê-lo movidos por paixões escravas: “Quem ele pensa que é?” Ele não pensa. É.
Portal da Revista Veja (08/03/2007)
O noticiário sobre o esquema de segurança de George W. Bush no Brasil está roçando, a alguns milímetros mesmo, o complexo de vira-lata (Nelson Rodrigues) dos brasileiros. É claro que é um troço gigantesco. E tem de ser mesmo, ora essa. Queriam o quê? Quantos gostariam de ver o presidente americano deitadinho, de costas, com as mãos postas? Guardadas as devidas proporções, o Brasil se preocupou até mais com o transporte de Fernandinho Beira-Mar. Isso diz um tanto de como anda a segurança interna no Brasil. O país não consegue impedir a entrada de celular em presídio e fica moralizando o esquema de segurança do presidente americano? Hora de ler Genealogia da Moral, de Nietzsche. Podemos encarar o fato com o peso que tem — ele é o homem mais poderoso do planeta — e podemos fazê-lo movidos por paixões escravas: “Quem ele pensa que é?” Ele não pensa. É.
Mulheres
Por Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja (08/03/2007)
"Jantei com um grupo de amigos no sábado. Entre eles, estava o presidente do conselho de administração de uma grande empresa, gigante em seu setor. Dizia-se surpreso com um dado da realidade: entre os candidatos a estagiários e a jovens executivos — engenheiros, administradores, pessoal de marketing —, 80% são mulheres, boa parte delas com currículos mais robustos do que os dos rapazes. Ele chegou àquele ponto em que pode se ocupar destas coisas: a renovação dos quadros da empresa, o acompanhamento das dinâmicas de grupo, os debates internos...
Segundo constata, o grau de agressividade das moças na disputa pelos cargos é muito maior do que o dos homens. Também conseguem, diz ele, ser muito mais cruéis. São mais dedicadas ao trabalho, não partilham de certa camaradagem que ainda há entre os rapazes — eles tendem a encobrir os erros uns dos outros, afirma — e, à diferença do que se supõe, tendem a decidir com mais objetividade. O que atrapalha a carreira das mulheres? Ele tem certeza: ainda é a maternidade — a que muitas executivas renunciam.
Não tenho números — raramente escrevo sobre eles, e sim sobre qualidades. Mas não seria difícil a qualquer um, feminista ou não, provar que a quantidade de mulheres no comando ainda não retrata a sua formação média na comparação com os homens. Acho que é questão de tempo. Nas carreiras que não pedem, vá lá, um tantinho a mais de testosterona (jornalismo, por exemplo), elas já são maioria. No dia em que a estiva estiver toda informatizada, talvez aconteça o mesmo... Na véspera do Dia Internacional da Mulher, constato: ser homem está se tornando, do ponto de vista social e político, um péssimo negócio. Até no que concerne aos valores, digamos, morais, acontece o mesmo: guerras, disputas, comportamento predador, máfia, narcotráfico, genocídio... A culpa é sempre do macho.
Pessoalmente, fico até contente. Tenho duas filhas. Prefiro um mundo mais amigável às mulheres. Sou curioso quanto ao futuro. Que papel estará reservado aos homens? Independentemente da opção sexual (homo, hetero ou total flex) deles, estão se “feminilizando” na vestimenta, nos hábitos, nas disputas. Jogadores hoje mais se beijam do que se chocam em campo. Um beijo, na nossa cultura, comporta sempre algum apelo sensual. Mas é óbvio que as bitocas nada têm de (homo)sexual. É que eles se obrigam à ternura.
Boa parte do que se considera o comportamento civilizado nas escolas da classe média é um padrão feminino. Os garotos se sujeitam à ditadura das garotas. Elas se tornam mulheres primeiro do que eles se fazem homens. Durante um bom tempo, eles experimentam uma espécie de humilhação sexual: moleques de 12 ou 13 anos são esmagados, sentimentalmente, por quase-mulheres da mesma idade, não raro com todos os sinais evidentes da maturidade sexual. Concorre também para esse quadro o fato de que a maioria dos especialistas em educação são “as” especialistas. Olham o mundo masculino como um conjunto de impulsos a ser refreado, domesticado, mitigado, enquadrado.
Escrevi certa feita um texto em que afirmei que o verdadeiro negro do mundo é o macho branco, heterossexual e pobre. Muita gente protestou, claro. Mas é fato. Ele não rende uma boa causa, e nenhum militante se interessa por seus problemas. Reivindicar o quê? Qualquer forma de proselitismo cheiraria a reacionarismo, a uma tentativa de fazer a sociedade regredir a um estágio anterior, em que a desigualdade era a norma. É claro que o que digo aqui tem também um viés que poderia ser considerado, sei lá, de classe. No povão, ainda não é assim. Boa parte das famílias pobres é chefiada por mulheres. E não por afirmação feminista, mas porque os maridos somem, dão no pé, migram, desaparecem, deixando atrás de si as responsabilidades. Mas também isso é uma questão de ajuste. A tendência está mais do que esboçada. O mundo é das mulheres. Quem tem de se perguntar hoje “o que fazer?” são os homens.
Elas estão à frente também do que se chamava antigamente “indústria cultural”, oferecendo valores, propondo novos comportamentos, ditando o ritmo até do avanço científico em certas áreas. A Veja desta semana deixa claro o quanto a medicina se ocupa das mulheres. Só um lobby é, talvez, mais poderoso do que o feminino na cultura ocidental: o gay — mas, nesse caso, não se pode dizer que se trata exatamente da apologia do mundo masculino.
Viram O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee? As esposas são seres deploráveis: uma é histérica, e outra é idiota. E os dois pastores se entregam a folguedos rurais. Quando elas aparecem, o ambiente é sempre pequeno, opressivo, cheio de cacarecos no cenário. Já eles se amam na paisagem aberta, que conspira a favor do romance. Ainda que haja um esforço para se construir um drama psicológico, não vê o aspecto misógino do filme quem não quer. As feministas não protestaram porque os gays são seus aliados na luta anti-homem. Aposto que Ang Lee, o diretor, detesta mulher. Se os machos deixassem em casa as suas fêmeas para jogar sinuca, futebol ou transar com prostitutas, o diretor seria hostilizado. Como o faziam para cair um nos braços do outro, então se falou que ele fez um filme “sensível”. Jogaram-lhe flores.
Além do aspecto político — não enfrentar o poderoso lobby gay —, deve querer dizer alguma coisa o fato de que as mulheres só aceitam ser segregadas no caso de os homens compartilharem uma espécie de paixão narcisista, estéril, de que elas não têm como participar. Fora isso, nem vem que não tem: elas já estão prontas para humilhar você também na sinuca, amigão. Deplorando sempre, é claro, seu jogo agressivo e a sua mania de querer ganhar sempre. Não gostou? Suba a montanha. Os que ficamos na planície constatamos uma revolução em curso.
Não reclamo. Apenas constato. E até aplaudo."
Portal da Revista Veja (08/03/2007)
"Jantei com um grupo de amigos no sábado. Entre eles, estava o presidente do conselho de administração de uma grande empresa, gigante em seu setor. Dizia-se surpreso com um dado da realidade: entre os candidatos a estagiários e a jovens executivos — engenheiros, administradores, pessoal de marketing —, 80% são mulheres, boa parte delas com currículos mais robustos do que os dos rapazes. Ele chegou àquele ponto em que pode se ocupar destas coisas: a renovação dos quadros da empresa, o acompanhamento das dinâmicas de grupo, os debates internos...
Segundo constata, o grau de agressividade das moças na disputa pelos cargos é muito maior do que o dos homens. Também conseguem, diz ele, ser muito mais cruéis. São mais dedicadas ao trabalho, não partilham de certa camaradagem que ainda há entre os rapazes — eles tendem a encobrir os erros uns dos outros, afirma — e, à diferença do que se supõe, tendem a decidir com mais objetividade. O que atrapalha a carreira das mulheres? Ele tem certeza: ainda é a maternidade — a que muitas executivas renunciam.
Não tenho números — raramente escrevo sobre eles, e sim sobre qualidades. Mas não seria difícil a qualquer um, feminista ou não, provar que a quantidade de mulheres no comando ainda não retrata a sua formação média na comparação com os homens. Acho que é questão de tempo. Nas carreiras que não pedem, vá lá, um tantinho a mais de testosterona (jornalismo, por exemplo), elas já são maioria. No dia em que a estiva estiver toda informatizada, talvez aconteça o mesmo... Na véspera do Dia Internacional da Mulher, constato: ser homem está se tornando, do ponto de vista social e político, um péssimo negócio. Até no que concerne aos valores, digamos, morais, acontece o mesmo: guerras, disputas, comportamento predador, máfia, narcotráfico, genocídio... A culpa é sempre do macho.
Pessoalmente, fico até contente. Tenho duas filhas. Prefiro um mundo mais amigável às mulheres. Sou curioso quanto ao futuro. Que papel estará reservado aos homens? Independentemente da opção sexual (homo, hetero ou total flex) deles, estão se “feminilizando” na vestimenta, nos hábitos, nas disputas. Jogadores hoje mais se beijam do que se chocam em campo. Um beijo, na nossa cultura, comporta sempre algum apelo sensual. Mas é óbvio que as bitocas nada têm de (homo)sexual. É que eles se obrigam à ternura.
Boa parte do que se considera o comportamento civilizado nas escolas da classe média é um padrão feminino. Os garotos se sujeitam à ditadura das garotas. Elas se tornam mulheres primeiro do que eles se fazem homens. Durante um bom tempo, eles experimentam uma espécie de humilhação sexual: moleques de 12 ou 13 anos são esmagados, sentimentalmente, por quase-mulheres da mesma idade, não raro com todos os sinais evidentes da maturidade sexual. Concorre também para esse quadro o fato de que a maioria dos especialistas em educação são “as” especialistas. Olham o mundo masculino como um conjunto de impulsos a ser refreado, domesticado, mitigado, enquadrado.
Escrevi certa feita um texto em que afirmei que o verdadeiro negro do mundo é o macho branco, heterossexual e pobre. Muita gente protestou, claro. Mas é fato. Ele não rende uma boa causa, e nenhum militante se interessa por seus problemas. Reivindicar o quê? Qualquer forma de proselitismo cheiraria a reacionarismo, a uma tentativa de fazer a sociedade regredir a um estágio anterior, em que a desigualdade era a norma. É claro que o que digo aqui tem também um viés que poderia ser considerado, sei lá, de classe. No povão, ainda não é assim. Boa parte das famílias pobres é chefiada por mulheres. E não por afirmação feminista, mas porque os maridos somem, dão no pé, migram, desaparecem, deixando atrás de si as responsabilidades. Mas também isso é uma questão de ajuste. A tendência está mais do que esboçada. O mundo é das mulheres. Quem tem de se perguntar hoje “o que fazer?” são os homens.
Elas estão à frente também do que se chamava antigamente “indústria cultural”, oferecendo valores, propondo novos comportamentos, ditando o ritmo até do avanço científico em certas áreas. A Veja desta semana deixa claro o quanto a medicina se ocupa das mulheres. Só um lobby é, talvez, mais poderoso do que o feminino na cultura ocidental: o gay — mas, nesse caso, não se pode dizer que se trata exatamente da apologia do mundo masculino.
Viram O Segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee? As esposas são seres deploráveis: uma é histérica, e outra é idiota. E os dois pastores se entregam a folguedos rurais. Quando elas aparecem, o ambiente é sempre pequeno, opressivo, cheio de cacarecos no cenário. Já eles se amam na paisagem aberta, que conspira a favor do romance. Ainda que haja um esforço para se construir um drama psicológico, não vê o aspecto misógino do filme quem não quer. As feministas não protestaram porque os gays são seus aliados na luta anti-homem. Aposto que Ang Lee, o diretor, detesta mulher. Se os machos deixassem em casa as suas fêmeas para jogar sinuca, futebol ou transar com prostitutas, o diretor seria hostilizado. Como o faziam para cair um nos braços do outro, então se falou que ele fez um filme “sensível”. Jogaram-lhe flores.
Além do aspecto político — não enfrentar o poderoso lobby gay —, deve querer dizer alguma coisa o fato de que as mulheres só aceitam ser segregadas no caso de os homens compartilharem uma espécie de paixão narcisista, estéril, de que elas não têm como participar. Fora isso, nem vem que não tem: elas já estão prontas para humilhar você também na sinuca, amigão. Deplorando sempre, é claro, seu jogo agressivo e a sua mania de querer ganhar sempre. Não gostou? Suba a montanha. Os que ficamos na planície constatamos uma revolução em curso.
Não reclamo. Apenas constato. E até aplaudo."
Como Surgiu o Dia Internacional das Mulheres
Greve de mulheres em Nova York e na Rússia deu origem à data.
Oito de março de 1857. Nesse dia, cerca de 130 mulheres entraram em greve e morreram queimadas dentro da fábrica de tecidos, em Nova York, nos Estados Unidos, onde trabalhavam. Outra paralisação, desta vez na Rússia, também colaborou com a instituição do Dia Internacional da Mulher.
As operárias da fábrica de tecido entraram em greve para pedir a redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas e o direito à licença maternidade. A polícia interveio. As mulheres foram trancadas na fábrica e morreram carbonizadas.
Em 1910, em uma conferência em Copenhague, na Dinamarca, foi decidido que o Dia Internacional da Mulher seria no dia 8 de março. A data só foi reconhecida em 1975 pela Organização das Nações Unidas.
Em 1917, as mulheres russas fizeram uma greve que foi o estopim para a revolução naquele país. “Este é outro caso de luta das mulheres”, diz a integrante da Sempre Viva Organização Feminista, Sônia Maria Coelho.“A data homenageia a capacidade de organização e coragem das mulheres”, afirma.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo (07/03/2007)
Oito de março de 1857. Nesse dia, cerca de 130 mulheres entraram em greve e morreram queimadas dentro da fábrica de tecidos, em Nova York, nos Estados Unidos, onde trabalhavam. Outra paralisação, desta vez na Rússia, também colaborou com a instituição do Dia Internacional da Mulher.
As operárias da fábrica de tecido entraram em greve para pedir a redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas e o direito à licença maternidade. A polícia interveio. As mulheres foram trancadas na fábrica e morreram carbonizadas.
Em 1910, em uma conferência em Copenhague, na Dinamarca, foi decidido que o Dia Internacional da Mulher seria no dia 8 de março. A data só foi reconhecida em 1975 pela Organização das Nações Unidas.
Em 1917, as mulheres russas fizeram uma greve que foi o estopim para a revolução naquele país. “Este é outro caso de luta das mulheres”, diz a integrante da Sempre Viva Organização Feminista, Sônia Maria Coelho.“A data homenageia a capacidade de organização e coragem das mulheres”, afirma.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo (07/03/2007)
Dia Internacional das Mulheres
Tenho muito o que escrever hoje. Dia Internacional das Mulheres e a Visita do presidente Bush ao Brasil. O problema é que também tenho muito trabalho neste 08 de março!
Tentarei mais tarde escrever, mesmo que pequenas notas sobre ambos os temas.
Tentarei mais tarde escrever, mesmo que pequenas notas sobre ambos os temas.
quarta-feira, março 07, 2007
Post Sem Educação!!!
Caros,
As palavras dos posts sobre a Importância da Educação estão praticamente todas sem o acento Til (~). Não se trata de um erro ortográfico, mas sim de algum problema do Blogger que eliminou os pobres símbolos utilizados para indicar a nasalação das vogais e/ou dos ditongos de que fazem parte.
Ironicamente, o Post sobre Educação me pareceu muito mau educado!!!
Peço que, apesar do problema técnico, não deixem de ler o conteúdo das matérias publicadas.
As palavras dos posts sobre a Importância da Educação estão praticamente todas sem o acento Til (~). Não se trata de um erro ortográfico, mas sim de algum problema do Blogger que eliminou os pobres símbolos utilizados para indicar a nasalação das vogais e/ou dos ditongos de que fazem parte.
Ironicamente, o Post sobre Educação me pareceu muito mau educado!!!
Peço que, apesar do problema técnico, não deixem de ler o conteúdo das matérias publicadas.
Temas Sobre Educação
Nos próximos dois posts reproduzirei uma matéria da revista Exame (Edição 886 – 08/02/2007) que mostra o quão importante é o investimento em educação para a melhoria da qualidade de vida como um todo. O enfoque da matéria está na questão econômica e mostra que quem tem formação superior, ganha melhor e fica mais tempo no emprego.
Recentes estudos também demonstraram que existe relação entre tempo de escolaridade e longevidade, ou seja, quem estuda mais, vive mais. A matéria é grande, mas entendo ser de suma importância para todos os universitários que pretendem entender melhor o que estão fazendo em um curso superior e quais os resultados que podem obter com este investimento. Espero que gostem.
Recentes estudos também demonstraram que existe relação entre tempo de escolaridade e longevidade, ou seja, quem estuda mais, vive mais. A matéria é grande, mas entendo ser de suma importância para todos os universitários que pretendem entender melhor o que estão fazendo em um curso superior e quais os resultados que podem obter com este investimento. Espero que gostem.
A Importância do Estudo I
Fonte:
- Revista Exame
- Edição: 886, de 08/02/2007
- Autora: Suzana Naiditch
Desde pequeno, ouvimos de nossos pais “vá estudar”, e a frase ecoa em nossas cabeças como sinos insistentes em badalar. Na maioria das vezes, no entanto, nao processamos a real importância dessas palavras.
Na atualidade, esse continua sendo o tema de discussão de grandes veículos de opinião nacional e, numa recente pesquisa, ficou provado que realmente vale a pena investir na educação.
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO
Diante da crise do desemprego, existe um caminho para o crescimento, esperança, motivação e confiança! A resposta é: ALTA TAXA DE EMPREGABILIDADE, ou seja, aquele que possuir elevado nível de competência, estiver informado do mundo dos negócios, buscar novos conhecimentos e estiver apto a assumir responsabilidades, mudanças, desafios e metas, será um profissional mais preparado para o mercado de trabalho.
Todo esse conjunto de atividades requer um planejamento pessoal e profissional, ou seja, um Projeto de Vida! Um recente estudo revelou que existe uma relaçao direta entre o grau de instruçao e o crescimento de remuneraçao.
As pessoas com maior grau de instruçao apresentam menor taxa de desemprego, principalmente aquelas vinculadas ao ensino superior, diferente daquelas com pouca instruçao que acabam por aceitar qualquer tipo de emprego, até o subemprego. De acordo com os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE, fica evidente o crescimento salarial relacionado ao estudo. Somente com uma graduaçao, diploma de um curso superior, seu salário já cresce 168%. Concluindo uma pós-graduaçao, seu salário aproxima-se dos 4 mil reais com mais 51% de aumento.
Esses números comprovam a necessidade de conhecimento e ensino. Isso influencia o aluno, mas numa visao macro, também o seu país. “Essa deficiencia provoca perda de competitividade do país em relaçao a economias com as quais disputa o mercado global. Ou seja, enquanto a educaçao brasileira nao der um salto qualitativo, o país continuará patinando” diz Alberto Rodriguez, especialista em educaçao do Banco Mundial a revista Exame de 27 de setembro de 2006. Entao voce se pergunta, por que o salário baixo?
Novamente a resposta: porque o brasileiro aprende pouco e se interessa pouco. Quem se interessar, estudar, pesquisar e se desenvolver vai ganhar mais, vai se destacar.
TEMPO MÉDIO DE ESTUDO
Nessa mesma matéria, o economista americano Edward Glaeser, professor da Universidade de Harvard e estudioso dos efeitos da educaçao sobre o desenvolvimento das sociedades afirma: “A educaçao é um dos motores do crescimento”.
O brasileiro estuda em média 5 anos, contra 11 do coreano, 9 do argentino e dez da maioria dos paises desenvolvidos. Se o brasileiro estudasse 12 anos como os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual.
TAXA DE ANALFABETISMO
Outra questao relevante diz respeito a Taxa de Analfabetismo. Enquanto países como a China e o México tem taxas em torno de 9,0% e 8,0% respectivamente, o Brasil apresenta 13,0%, índice extremamente alto para um país que busca competitividade mundial.
Cabe destacar alguns países com o a Rússia que apresenta 0,5% de analfabetos e o Canadá que erradicou esse problema tendo taxa de 0,0%.
PESQUISA DATAFOLHA
Uma pesquisa realizada pela Datafolha, revela que do perfil academico dos entrevistados: 87% graduaram-se no ensino privado. A pesquisa levantou dados com 161 executivos em empresas de grande, médio e pequeno porte, selecionadas por regiao e ramo de atividade para garantir a representatividade da amostra.
Esta pesquisa mostra ainda que, para 24% dos entrevista Esta pesquisa mostra ainda que, para 24% dos entrevistados, a maior ameaçãa a carreira é a desatualizaçao.
Sem querer correr esse risco 30% já cursaram Pós-Graduaçao. a de S. Paulo) de 20/09/2006, verifica-se que o salário inicial médio de pessoas com formaçao de curso superior, varia entre R$ 1.363,00 e R$ 2.000,00 (Grande Sao Paulo).
A seguir algumas profissoes e salários consultados:
Analista Júnior................................R$ 1.466,00
Analista Econ. – Financ......................R$ 1.983,00
Analista de Sistema Jr....................... R$ 1.363,00
Assistente de Contabilidade.................R$ 978,00
Assistente de Exportaçao...................R$ 1.228,00
Chefia de Planej. Contr. Prod...............R$ 1.678,00
Supervisor de Marketing.....................R$ 1.615,00
Supervisor de Vendas........................R$ 1.394,00
Advogado Júnior..............................R$ 2.229,00
Editor Assistente..............................R$ 2.128,00
Enfermeira Hospitalar........................R$ 1.626,00
Engenheiro Civil Júnior......................R$ 1.992,00
Engenheiro Mecânico Júnior................R$ 1.858,00
Engenheiro de Produçao....................R$ 2.346,00
Farmaceutico.................................R$ 1.752,00
Fisioterapeuta (hospitalar).................R$ 1.105,00
Psicólogo......................................R$ 993,00
Conclui-se entao que a pessoa ao fazer um bom Curso Superior, coloca-se frente a um mercado, cujo salário inicial é em média o triplo do seu investimento em mensalidades e materiais didáticos.
Além disso, existem benefícios adicionais para quem faz um curso superior como o networking, a inclusao social, a possibilidade de abrir um negócio próprio e a preparaçao para a vida de uma forma geral.
NETWORKING
A palavra networking é de origem inglesa, e significa rede de relacionamentos.
Ao fazer uma faculdade o aluno tem como benefício além do conhecimento adquirido, ampliar sua rede de amizades, o que lhe permite ter mais informação sobre o que ocorre em outras empresas tais como novidades de mercado, modernas técnicas de negócios, nível de salários, etc.
Uma pesquisa recente feita em várias universidades brasileiras apresentou entre outras curiosidades um grande número de jovens que acabaram conhecendo seu namorado ou namorada que por fim terminaram em casamentos. Assim, a faculdade acaba transformando vidas não só no campo profissional mas também no aspecto pessoal.
INCLUSÃO SOCIAL
A inclusao social é um processo para a construçao de um novo tipo de sociedade, através de transformaçoes nos ambientes físicos (espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos e utensílios mobiliário e meios de transporte) e na mentalidade de todas as pessoas e, portanto, também do próprio portador de necessidades especiais.
Na educaçao, a inclusao destaca-se na oportunidade do acesso ao ensino superior. Algumas instituiçoes de ensino tem dirigido seus programas para isso e, entre as que se destacam, podemos citar a Anhanguera Educacional que tem conseguido equilibrar de forma eficaz a relaçao entre o custo da mensalidade com a qualidade do ensino.
Hoje, devido a esse pioneirismo, inúmeros jovens e adultos tem conseguido seus diplomas de cursos superiores e, com isso, incluir-se em grupos dos quais estavam distantes anteriormente.
NEGÓCIO PRÓPRIO
Por vocaçao natural ou devido as dificuldades financeiras geradas pelo sistema econômico nacional, o negócio próprio é uma maneira que o profissional encontra para garantir uma renda.
Possuir o ensino superior hoje, significa ter conhecimentos suficientes para o futuro empresário ingressar nesse mercado competitivo em um negócio próprio, com possibilidades reais de sucesso.
Como exemplo, temos o médico veterinário que pode abrir sua própria clínica, o advogado que pode ter seu escritório de advocacia, um bacharel em letras apto a lecionar com aulas particulares, um fisioterapeuta que pode atender em sua clínica ou a domicílio entre outros casos.
O que se observa, portanto, é que o ensino superior abre um maior leque de oportunidades para pessoas que já tem vocaçao empreendedora, assim como para aqueles que por alguma circunstância específica se colocam frente a uma necessidade de ter seu próprio negócio.
- Revista Exame
- Edição: 886, de 08/02/2007
- Autora: Suzana Naiditch
Desde pequeno, ouvimos de nossos pais “vá estudar”, e a frase ecoa em nossas cabeças como sinos insistentes em badalar. Na maioria das vezes, no entanto, nao processamos a real importância dessas palavras.
Na atualidade, esse continua sendo o tema de discussão de grandes veículos de opinião nacional e, numa recente pesquisa, ficou provado que realmente vale a pena investir na educação.
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO
Diante da crise do desemprego, existe um caminho para o crescimento, esperança, motivação e confiança! A resposta é: ALTA TAXA DE EMPREGABILIDADE, ou seja, aquele que possuir elevado nível de competência, estiver informado do mundo dos negócios, buscar novos conhecimentos e estiver apto a assumir responsabilidades, mudanças, desafios e metas, será um profissional mais preparado para o mercado de trabalho.
Todo esse conjunto de atividades requer um planejamento pessoal e profissional, ou seja, um Projeto de Vida! Um recente estudo revelou que existe uma relaçao direta entre o grau de instruçao e o crescimento de remuneraçao.
As pessoas com maior grau de instruçao apresentam menor taxa de desemprego, principalmente aquelas vinculadas ao ensino superior, diferente daquelas com pouca instruçao que acabam por aceitar qualquer tipo de emprego, até o subemprego. De acordo com os últimos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do IBGE, fica evidente o crescimento salarial relacionado ao estudo. Somente com uma graduaçao, diploma de um curso superior, seu salário já cresce 168%. Concluindo uma pós-graduaçao, seu salário aproxima-se dos 4 mil reais com mais 51% de aumento.
Esses números comprovam a necessidade de conhecimento e ensino. Isso influencia o aluno, mas numa visao macro, também o seu país. “Essa deficiencia provoca perda de competitividade do país em relaçao a economias com as quais disputa o mercado global. Ou seja, enquanto a educaçao brasileira nao der um salto qualitativo, o país continuará patinando” diz Alberto Rodriguez, especialista em educaçao do Banco Mundial a revista Exame de 27 de setembro de 2006. Entao voce se pergunta, por que o salário baixo?
Novamente a resposta: porque o brasileiro aprende pouco e se interessa pouco. Quem se interessar, estudar, pesquisar e se desenvolver vai ganhar mais, vai se destacar.
TEMPO MÉDIO DE ESTUDO
Nessa mesma matéria, o economista americano Edward Glaeser, professor da Universidade de Harvard e estudioso dos efeitos da educaçao sobre o desenvolvimento das sociedades afirma: “A educaçao é um dos motores do crescimento”.
O brasileiro estuda em média 5 anos, contra 11 do coreano, 9 do argentino e dez da maioria dos paises desenvolvidos. Se o brasileiro estudasse 12 anos como os americanos, a renda nacional seria mais que o dobro da atual.
TAXA DE ANALFABETISMO
Outra questao relevante diz respeito a Taxa de Analfabetismo. Enquanto países como a China e o México tem taxas em torno de 9,0% e 8,0% respectivamente, o Brasil apresenta 13,0%, índice extremamente alto para um país que busca competitividade mundial.
Cabe destacar alguns países com o a Rússia que apresenta 0,5% de analfabetos e o Canadá que erradicou esse problema tendo taxa de 0,0%.
PESQUISA DATAFOLHA
Uma pesquisa realizada pela Datafolha, revela que do perfil academico dos entrevistados: 87% graduaram-se no ensino privado. A pesquisa levantou dados com 161 executivos em empresas de grande, médio e pequeno porte, selecionadas por regiao e ramo de atividade para garantir a representatividade da amostra.
Esta pesquisa mostra ainda que, para 24% dos entrevista Esta pesquisa mostra ainda que, para 24% dos entrevistados, a maior ameaçãa a carreira é a desatualizaçao.
Sem querer correr esse risco 30% já cursaram Pós-Graduaçao. a de S. Paulo) de 20/09/2006, verifica-se que o salário inicial médio de pessoas com formaçao de curso superior, varia entre R$ 1.363,00 e R$ 2.000,00 (Grande Sao Paulo).
A seguir algumas profissoes e salários consultados:
Analista Júnior................................R$ 1.466,00
Analista Econ. – Financ......................R$ 1.983,00
Analista de Sistema Jr....................... R$ 1.363,00
Assistente de Contabilidade.................R$ 978,00
Assistente de Exportaçao...................R$ 1.228,00
Chefia de Planej. Contr. Prod...............R$ 1.678,00
Supervisor de Marketing.....................R$ 1.615,00
Supervisor de Vendas........................R$ 1.394,00
Advogado Júnior..............................R$ 2.229,00
Editor Assistente..............................R$ 2.128,00
Enfermeira Hospitalar........................R$ 1.626,00
Engenheiro Civil Júnior......................R$ 1.992,00
Engenheiro Mecânico Júnior................R$ 1.858,00
Engenheiro de Produçao....................R$ 2.346,00
Farmaceutico.................................R$ 1.752,00
Fisioterapeuta (hospitalar).................R$ 1.105,00
Psicólogo......................................R$ 993,00
Conclui-se entao que a pessoa ao fazer um bom Curso Superior, coloca-se frente a um mercado, cujo salário inicial é em média o triplo do seu investimento em mensalidades e materiais didáticos.
Além disso, existem benefícios adicionais para quem faz um curso superior como o networking, a inclusao social, a possibilidade de abrir um negócio próprio e a preparaçao para a vida de uma forma geral.
NETWORKING
A palavra networking é de origem inglesa, e significa rede de relacionamentos.
Ao fazer uma faculdade o aluno tem como benefício além do conhecimento adquirido, ampliar sua rede de amizades, o que lhe permite ter mais informação sobre o que ocorre em outras empresas tais como novidades de mercado, modernas técnicas de negócios, nível de salários, etc.
Uma pesquisa recente feita em várias universidades brasileiras apresentou entre outras curiosidades um grande número de jovens que acabaram conhecendo seu namorado ou namorada que por fim terminaram em casamentos. Assim, a faculdade acaba transformando vidas não só no campo profissional mas também no aspecto pessoal.
INCLUSÃO SOCIAL
A inclusao social é um processo para a construçao de um novo tipo de sociedade, através de transformaçoes nos ambientes físicos (espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos e utensílios mobiliário e meios de transporte) e na mentalidade de todas as pessoas e, portanto, também do próprio portador de necessidades especiais.
Na educaçao, a inclusao destaca-se na oportunidade do acesso ao ensino superior. Algumas instituiçoes de ensino tem dirigido seus programas para isso e, entre as que se destacam, podemos citar a Anhanguera Educacional que tem conseguido equilibrar de forma eficaz a relaçao entre o custo da mensalidade com a qualidade do ensino.
Hoje, devido a esse pioneirismo, inúmeros jovens e adultos tem conseguido seus diplomas de cursos superiores e, com isso, incluir-se em grupos dos quais estavam distantes anteriormente.
NEGÓCIO PRÓPRIO
Por vocaçao natural ou devido as dificuldades financeiras geradas pelo sistema econômico nacional, o negócio próprio é uma maneira que o profissional encontra para garantir uma renda.
Possuir o ensino superior hoje, significa ter conhecimentos suficientes para o futuro empresário ingressar nesse mercado competitivo em um negócio próprio, com possibilidades reais de sucesso.
Como exemplo, temos o médico veterinário que pode abrir sua própria clínica, o advogado que pode ter seu escritório de advocacia, um bacharel em letras apto a lecionar com aulas particulares, um fisioterapeuta que pode atender em sua clínica ou a domicílio entre outros casos.
O que se observa, portanto, é que o ensino superior abre um maior leque de oportunidades para pessoas que já tem vocaçao empreendedora, assim como para aqueles que por alguma circunstância específica se colocam frente a uma necessidade de ter seu próprio negócio.
A Importância do Estudo II
A nova face do operário
Ele tem formação superior, ganha melhor e fica mais tempo no emprego é o que mostra um estudo exclusivo de EXAME
Por Suzana Naiditch
O gaúcho Lindomar Machado representa uma espécie em extinção na indústria brasileira. Aos 50 anos, o operário da linha de produção da fabricante de carrocerias Randon mal sabe ler, não concluiu o Ensino Fundamental e faz hoje rigorosamente o mesmo que há 23 anos, quando foi contratado. Durante 8 horas por dia, solda carrocerias, exercendo uma função que lembra o célebre personagem de Charles Chaplin no filme Tempos Modernos. Seu filho, Fernando, de 23 anos, é a personificação de por que não há no futuro lugar para profissionais como Lindomar. Ele também é operário. Também trabalha na Randon. Mas sua bagagem educacional é infinitamente maior. Fernando cursa atualmente faculdade de administração de empresas, freqüenta aulas de inglês e participou de vários treinamentos técnicos oferecidos pela companhia. Graças à sua formação, pôde abandonar o trabalho mais bruto e operar máquinas sofisticadas na linha de produção. Apenas três anos após entrar na Randon, Fernando passou a ganhar o mesmo salário que o pai e, segundo seus superiores, não tardará para que ganhe duas ou três vezes mais. "Pessoas como Lindomar são de um tempo em que operários entravam e saíam de uma empresa fazendo absolutamente a mesma coisa e ganhando o mesmo salário", diz Maria Tereza Casagrande, executiva de recursos humanos da Randon. "Esse tempo, porém, está acabando."
A transformação do chão de fábrica
Principais diferenças entre o operário de 20 anos atrás e o de hoje(1)
A formação melhorou
Em 1985 7% tinham terceiro grau completo
Hoje 35% têm terceiro grau completo
Eles ganham mais
Em 1985 12% recebiam mais de dez salários mínimos
Hoje 33% recebem mais de dez salários mínimos
E ficam mais tempo no emprego
Em 1985 36% ficavam mais de cinco anos no emprego
Hoje 46% permanecem mais de cinco anos no emprego
Pesquisa elaborada com base na lista das 150 Melhores Empresas Para Trabalhar Fonte: Unicamp
As notórias diferenças entre as duas gerações da família Machado simbolizam à perfeição uma mudança radical observada no chão de fábrica das empresas brasileiras a face do operário nacional transformou-se nos últimos 20 anos. Para melhor. Segundo estudo encomendado por EXAME a Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas e um dos maiores especialistas brasileiros em trabalho, hoje o operário nacional estuda mais, ganha melhor e passa mais tempo no emprego. A mudança mais dramática é em seu grau de formação. Em 1985, apenas 7% dos funcionários da linha de produção das 150 melhores empresas brasileiras para trabalhar tinham completado o Ensino Superior. Hoje, são 35%. A elevação na escolaridade trouxe um aumento significativo nos ganhos. Duas décadas atrás, apenas 12% dos operários recebiam mais que dez salários mínimos. Hoje, um terço recebe salário superior a 3 500 reais, o que os coloca no topo da pirâmide social brasileira. "Essa foi a maior revolução que o país já viveu em suas fábricas", diz Pochmann.
As duas gerações da família Machado simbolizam as transformações no perfil do operário nos últimos 20 anos. Lindomar Machado, de 50 anos, nunca completou o Ensino Fundamental. Ele trabalha na fabricante de carrocerias Randon, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, há mais de duas décadas, sempre na mesma função de soldador de carretas. Seu filho, Fernando, de 23 anos, seguiu caminho oposto. Fez cursos técnicos na empresa e decidiu aprender inglês. À noite, cursa administração de empresas numa universidade privada, com subsídio da Randon. Ao contrário do pai, cujo trabalho exige força, ele opera equipamentos automatizados, que exigem conhecimento. Pai e filho recebem o mesmo salário e Fernando está na empresa há apenas três anos.
A EVOLUÇÃO TECNOLOGICA transformou praticamente todas as profissões nos últimos 20 anos. Todos foram forçados a entender o funcionamento da internet e a adequar-se à rapidez nas comunicações. Médicos, engenheiros, advogados, banqueiros -- uma lista interminável. Quando se analisa o que ocorreu no chão de fábrica das companhias brasileiras, porém, percebe-se que essa transformação atingiu patamares incomparáveis. Há um motivo principal para isso: as peculiares (e colossais) mudanças por que passou a economia brasileira de 1985 para cá. Observados em separado, os dois momentos revelam países radicalmente diferentes. O primeiro tinha uma economia fechada e instável, reserva de mercado para negócios ineficientes e um ambiente competitivo em que poucas empresas se arriscavam a vender os produtos nacionais no exterior. O segundo tem economia aberta (menos aberta do que deveria, vale lembrar), moeda estável e empresas que se viram forçadas a disputar o mercado global com seus concorrentes. Essas mudanças trouxeram ao ambiente empresarial a obrigação de elevar seu padrão de produtividade para sobreviver. Com a importação de máquinas facilitada pela abertura comercial, as companhias compraram equipamentos que substituíram o trabalho braçal e repetitivo dos operários nas fábricas. O que se viu, então, foi uma elevação notável nos índices de produtividade. Em 1985, cada trabalhador da indústria automotiva produzia oito veículos por ano. Hoje, produz 30 (nas fábricas mais modernas, chega a 60). A produtividade das siderúrgicas quadruplicou no período. Na indústria têxtil, quintuplicou e números semelhantes são observados em cada um dos setores da economia.
Salton
Valcir Toffoli, de 58 anos, é o cantineiro-chefe da vinícola Salton, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Aprendeu o ofício na prática, em barricas de madeira. Agora passa por uma situação constrangedora: comanda um grupo de jovens na faixa dos 20 anos, com formação superior ou técnica em enologia, que sabem o que o chefe desconhece — operar os modernos tanques de aço inoxidável, controlados por computador.
Nesse processo, os operários que exerciam funções menos complexas viram seu emprego simplesmente sumir e quem sobrou passou a exercer funções que lembram pouco a dos torneiros mecânicos e soldadores, tão comuns nas linhas de produção dos anos 70 e 80. Hoje, o operário é uma espécie de minigerente, cujas funções mudam a cada inovação tecnológica ou reorganização dos processos de produção. "Nesse ambiente, as empresas precisam de trabalhadores que pensem e interpretem o que lêem e vêem", diz Denise Asnis, responsável pela área de recursos humanos e educação corporativa da Natura. "Precisam ter capacidade de abstrair, entender, somar, dividir." Como as empresas eliminaram um sem-número de funções de supervisão (sempre com os olhos voltados para o corte de custos), o novo operário ganhou altas doses de responsabilidade pelo que acontece em seu departamento. Recentemente, a Natura acabou com a função de líder nas fábricas e entregou a gestão das unidades aos próprios operários. Para adaptar-se à nova realidade, a operária Maria Soares de Camargo, de 32 anos, teve de cursar faculdade de administração de empresas para familiarizar-se com os mais modernos mecanismos de gestão. No novo cargo, seu salário pode dobrar. Todos os envolvidos têm clareza quanto ao nível acadêmico da maioria das universidades freqüentadas por operários como Maria Soares -- no mínimo duvidoso. "Mas, mesmo com cursos ruins, freqüentar uma universidade ajuda o operário a ter experiência de vida, de relacionamento e a estar num ambiente de discussão, o que já é alguma coisa", diz Denise.
Natura
Quando começou a trabalhar como operária na Natura, Maria Soares de Camargo tinha apenas 16 anos e o Ensino Fundamental. Dentro da empresa, completou o Ensino Médio e tornou-se líder de produção. Em julho do ano passado, essa função foi extinta. Para ser promovida a analista, era preciso ter curso superior — desde outubro de 2006, ela cursa administração de empresas.
O esforço para educar funcionários tornou-se, necessariamente, um hábito. Vinte anos atrás, contratar operários era tarefa relativamente simples: bastava colocar um aviso na porta e recrutar os primeiros que aparecessem. Com as novas funções, o que era simples tornou-se uma complicação. É preciso encontrar, em meio à multidão de trabalhadores com formação precária lançados no mercado a cada ano, aqueles com potencial para encaixar-se nos padrões atuais. Note bem: com potencial. São raros os profissionais que já vêm prontos, o que força as empresas a investir o dinheiro do acionista em treinamento e bolsas universitárias. Companhias como Embraco e Saint-Gobain investem anualmente cerca de 0,5% do faturamento na formação de seus operários. Até os anos 80, parte do esforço das empresas concentrava-se na tarefa de alfabetizar funcionários. Hoje, não saber ler e escrever significa simplesmente a exclusão do mercado mesmo para as tarefas mais simples. É isso que explica o descompasso entre vagas abertas e filas de desempregados tentando se colocar. Encontrar o profissional adequado é tão difícil que muitas empresas simplesmente desistem e deixam as vagas abertas. A Natura acaba de eliminar 1 500 candidatos com Ensino Médio completo num processo de seleção os testes mostraram que são analfabetos funcionais. Ou seja, sabem ler, mas não entendem o que lêem. A Saint-Gobain demitiu 300 analfabetos do chão de fábrica por considerar que eles não tinham condições mínimas de operar os novos equipamentos da linha de produção. "A mudança foi obrigatória para manter a empresa competitiva", diz Raul Navarro, diretor de recursos humanos da Saint-Gobain.
Embraco
Antônio do Prado, operário da catarinense Embraco, fabricante de compressores, já esteve duas vezes na China. Foi enviado pela companhia para treinar trabalhadores da fábrica que a empresa tem naquele país. Há 16 anos na Embraco, Prado começou como auxiliar de produção e já fez mais de 800 horas de cursos oferecidos pela empresa.
TAMANHO RIGOR NA CONTRATAÇÃO e na formação dos operários deve-se a seu papel crucial no desempenho das empresas. Hoje, cada companhia investe na construção de uma linha de produção que a coloque num patamar superior em relação à concorrência. Ter profissionais que dominam os métodos e a linguagem dos negócios é visto como essencial. A maior prova dessa evolução pode ser encontrada nas multinacionais brasileiras, companhias que compraram ou abriram fábricas no exterior. Até recentemente, essas empresas enviavam para fora do país apenas um punhado de executivos, que comandariam a mão-de-obra local. Hoje, companhias como Votorantim Cimentos, Camargo Corrêa, Ambev e Gerdau expatriam operários para administrar suas linhas de produção internacionais, implementar seus sistemas e treinar os trabalhadores locais. O catarinense Antônio do Prado, funcionário da Embraco, líder mundial na produção de compressores, foi enviado duas vezes à China para passar adiante a cultura do chão de fábrica na subsidiária. "Nunca tinha viajado de avião, muito menos saído do Brasil", diz Prado. A primeira viagem aconteceu em abril de 2006. Na comitiva de 15 pessoas, seis eram operários como ele. "Implementar nossas técnicas de manufatura na China foi extremamente difícil."É consenso entre os especialistas que há inúmeros passos a dar na evolução da classe operária brasileira. Essa transformação ainda está pela metade, o que gera situações constrangedoras nas empresas. É o caso da Salton, maior vinícola do país. Seu chefe da linha de produção, Valcir Toffoli, de 58 anos, cresceu na hierarquia de uma empresa que tinha métodos de produção parados no tempo. O vinho era fabricado artesanalmente, em antiquados tanques de madeira. O choque causado pela enxurrada de vinhos importados, nos anos 90, fez com que essa empresa deixasse de existir. Nos últimos cinco anos, a Salton modernizou sua fábrica, comprou tanques de aço inox, e a produção de vinho passou a ser controlada por meio de toques na tela do computador -- que faz tudo que os operários antigos faziam. A produtividade triplicou. "Deixei de estudar há 40 anos, não tenho capacidade para lidar com informática", diz Toffoli. Seus subordinados são exponencialmente mais bem formados. Na faixa dos 20 anos, dominam o manuseio das máquinas, estão concluindo cursos de enologia e discorrem com naturalidade sobre os processos microbiológicos da vinificação. Enquanto o chefe, com mais de duas décadas de casa, ganha cerca de seis salários mínimos, os garotos da Salton já ultrapassaram os quatro salários. E acabaram de começar.
A QUALIDADE E O PREÇO da mão-de-obra estão entre as variáveis mais importantes na decisão de investimento das empresas -- mais que isso, ajudam a explicar a bonança econômica de algumas economias e a estagnação de outras. A China cresce estrondosamente, em boa medida porque o custo de seus operários é ainda baixíssimo. Um funcionário da indústria automotiva chinesa custa 2 dólares por hora, ante quase 41 dólares de um operário alemão. Mesmo que tenha má formação e a produtividade seja baixa (como é), o custo compensa o investimento por lá. E, embora seja altamente produtivo, o operário alemão é caro demais, o que leva as montadoras a abrir fábricas no Leste Europeu e a fechar suas linhas de produção na Alemanha. Na Coréia, o investimento em educação formou uma classe operária extremamente produtiva e não tão cara quanto a alemã. De acordo com um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um trabalhador coreano produz em média duas vezes mais que o brasileiro -- que, nem tão barato quanto o chinês nem tão eficiente quanto o coreano, coloca o país numa espécie de meio-termo nefasto para as empresas. "Para piorar a situação do Brasil, as novas gerações chinesas estão recebendo mais educação que as novas gerações de brasileiros e, daqui a alguns anos, esse esforço vai torná-los mais qualificados que nós", diz o economista José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Princeton.Segundo os especialistas, é na direção da Coréia que o Brasil deve seguir: um investimento pesado em educação, especialmente para crianças e jovens, colocaria à disposição das empresas funcionários capazes de sustentar ainda mais seus investimentos em tecnologia e tornar o país mais competitivo. "É urgente melhorar a qualidade de nosso ensino, porque os alunos brasileiros têm desempenho muito ruim se comparados a alunos de países desenvolvidos ou até mesmo a outros emergentes", diz Scheinkman. "Só assim os países enriquecem." O trabalhador brasileiro já passou por uma transformação radical nos últimos 20 anos é um passo considerável. A dúvida é se o mundo esperará outros 20 anos pelas mudanças que ainda precisam acontecer.
Ele tem formação superior, ganha melhor e fica mais tempo no emprego é o que mostra um estudo exclusivo de EXAME
Por Suzana Naiditch
O gaúcho Lindomar Machado representa uma espécie em extinção na indústria brasileira. Aos 50 anos, o operário da linha de produção da fabricante de carrocerias Randon mal sabe ler, não concluiu o Ensino Fundamental e faz hoje rigorosamente o mesmo que há 23 anos, quando foi contratado. Durante 8 horas por dia, solda carrocerias, exercendo uma função que lembra o célebre personagem de Charles Chaplin no filme Tempos Modernos. Seu filho, Fernando, de 23 anos, é a personificação de por que não há no futuro lugar para profissionais como Lindomar. Ele também é operário. Também trabalha na Randon. Mas sua bagagem educacional é infinitamente maior. Fernando cursa atualmente faculdade de administração de empresas, freqüenta aulas de inglês e participou de vários treinamentos técnicos oferecidos pela companhia. Graças à sua formação, pôde abandonar o trabalho mais bruto e operar máquinas sofisticadas na linha de produção. Apenas três anos após entrar na Randon, Fernando passou a ganhar o mesmo salário que o pai e, segundo seus superiores, não tardará para que ganhe duas ou três vezes mais. "Pessoas como Lindomar são de um tempo em que operários entravam e saíam de uma empresa fazendo absolutamente a mesma coisa e ganhando o mesmo salário", diz Maria Tereza Casagrande, executiva de recursos humanos da Randon. "Esse tempo, porém, está acabando."
A transformação do chão de fábrica
Principais diferenças entre o operário de 20 anos atrás e o de hoje(1)
A formação melhorou
Em 1985 7% tinham terceiro grau completo
Hoje 35% têm terceiro grau completo
Eles ganham mais
Em 1985 12% recebiam mais de dez salários mínimos
Hoje 33% recebem mais de dez salários mínimos
E ficam mais tempo no emprego
Em 1985 36% ficavam mais de cinco anos no emprego
Hoje 46% permanecem mais de cinco anos no emprego
Pesquisa elaborada com base na lista das 150 Melhores Empresas Para Trabalhar Fonte: Unicamp
As notórias diferenças entre as duas gerações da família Machado simbolizam à perfeição uma mudança radical observada no chão de fábrica das empresas brasileiras a face do operário nacional transformou-se nos últimos 20 anos. Para melhor. Segundo estudo encomendado por EXAME a Marcio Pochmann, professor da Universidade de Campinas e um dos maiores especialistas brasileiros em trabalho, hoje o operário nacional estuda mais, ganha melhor e passa mais tempo no emprego. A mudança mais dramática é em seu grau de formação. Em 1985, apenas 7% dos funcionários da linha de produção das 150 melhores empresas brasileiras para trabalhar tinham completado o Ensino Superior. Hoje, são 35%. A elevação na escolaridade trouxe um aumento significativo nos ganhos. Duas décadas atrás, apenas 12% dos operários recebiam mais que dez salários mínimos. Hoje, um terço recebe salário superior a 3 500 reais, o que os coloca no topo da pirâmide social brasileira. "Essa foi a maior revolução que o país já viveu em suas fábricas", diz Pochmann.
As duas gerações da família Machado simbolizam as transformações no perfil do operário nos últimos 20 anos. Lindomar Machado, de 50 anos, nunca completou o Ensino Fundamental. Ele trabalha na fabricante de carrocerias Randon, em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, há mais de duas décadas, sempre na mesma função de soldador de carretas. Seu filho, Fernando, de 23 anos, seguiu caminho oposto. Fez cursos técnicos na empresa e decidiu aprender inglês. À noite, cursa administração de empresas numa universidade privada, com subsídio da Randon. Ao contrário do pai, cujo trabalho exige força, ele opera equipamentos automatizados, que exigem conhecimento. Pai e filho recebem o mesmo salário e Fernando está na empresa há apenas três anos.
A EVOLUÇÃO TECNOLOGICA transformou praticamente todas as profissões nos últimos 20 anos. Todos foram forçados a entender o funcionamento da internet e a adequar-se à rapidez nas comunicações. Médicos, engenheiros, advogados, banqueiros -- uma lista interminável. Quando se analisa o que ocorreu no chão de fábrica das companhias brasileiras, porém, percebe-se que essa transformação atingiu patamares incomparáveis. Há um motivo principal para isso: as peculiares (e colossais) mudanças por que passou a economia brasileira de 1985 para cá. Observados em separado, os dois momentos revelam países radicalmente diferentes. O primeiro tinha uma economia fechada e instável, reserva de mercado para negócios ineficientes e um ambiente competitivo em que poucas empresas se arriscavam a vender os produtos nacionais no exterior. O segundo tem economia aberta (menos aberta do que deveria, vale lembrar), moeda estável e empresas que se viram forçadas a disputar o mercado global com seus concorrentes. Essas mudanças trouxeram ao ambiente empresarial a obrigação de elevar seu padrão de produtividade para sobreviver. Com a importação de máquinas facilitada pela abertura comercial, as companhias compraram equipamentos que substituíram o trabalho braçal e repetitivo dos operários nas fábricas. O que se viu, então, foi uma elevação notável nos índices de produtividade. Em 1985, cada trabalhador da indústria automotiva produzia oito veículos por ano. Hoje, produz 30 (nas fábricas mais modernas, chega a 60). A produtividade das siderúrgicas quadruplicou no período. Na indústria têxtil, quintuplicou e números semelhantes são observados em cada um dos setores da economia.
Salton
Valcir Toffoli, de 58 anos, é o cantineiro-chefe da vinícola Salton, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Aprendeu o ofício na prática, em barricas de madeira. Agora passa por uma situação constrangedora: comanda um grupo de jovens na faixa dos 20 anos, com formação superior ou técnica em enologia, que sabem o que o chefe desconhece — operar os modernos tanques de aço inoxidável, controlados por computador.
Nesse processo, os operários que exerciam funções menos complexas viram seu emprego simplesmente sumir e quem sobrou passou a exercer funções que lembram pouco a dos torneiros mecânicos e soldadores, tão comuns nas linhas de produção dos anos 70 e 80. Hoje, o operário é uma espécie de minigerente, cujas funções mudam a cada inovação tecnológica ou reorganização dos processos de produção. "Nesse ambiente, as empresas precisam de trabalhadores que pensem e interpretem o que lêem e vêem", diz Denise Asnis, responsável pela área de recursos humanos e educação corporativa da Natura. "Precisam ter capacidade de abstrair, entender, somar, dividir." Como as empresas eliminaram um sem-número de funções de supervisão (sempre com os olhos voltados para o corte de custos), o novo operário ganhou altas doses de responsabilidade pelo que acontece em seu departamento. Recentemente, a Natura acabou com a função de líder nas fábricas e entregou a gestão das unidades aos próprios operários. Para adaptar-se à nova realidade, a operária Maria Soares de Camargo, de 32 anos, teve de cursar faculdade de administração de empresas para familiarizar-se com os mais modernos mecanismos de gestão. No novo cargo, seu salário pode dobrar. Todos os envolvidos têm clareza quanto ao nível acadêmico da maioria das universidades freqüentadas por operários como Maria Soares -- no mínimo duvidoso. "Mas, mesmo com cursos ruins, freqüentar uma universidade ajuda o operário a ter experiência de vida, de relacionamento e a estar num ambiente de discussão, o que já é alguma coisa", diz Denise.
Natura
Quando começou a trabalhar como operária na Natura, Maria Soares de Camargo tinha apenas 16 anos e o Ensino Fundamental. Dentro da empresa, completou o Ensino Médio e tornou-se líder de produção. Em julho do ano passado, essa função foi extinta. Para ser promovida a analista, era preciso ter curso superior — desde outubro de 2006, ela cursa administração de empresas.
O esforço para educar funcionários tornou-se, necessariamente, um hábito. Vinte anos atrás, contratar operários era tarefa relativamente simples: bastava colocar um aviso na porta e recrutar os primeiros que aparecessem. Com as novas funções, o que era simples tornou-se uma complicação. É preciso encontrar, em meio à multidão de trabalhadores com formação precária lançados no mercado a cada ano, aqueles com potencial para encaixar-se nos padrões atuais. Note bem: com potencial. São raros os profissionais que já vêm prontos, o que força as empresas a investir o dinheiro do acionista em treinamento e bolsas universitárias. Companhias como Embraco e Saint-Gobain investem anualmente cerca de 0,5% do faturamento na formação de seus operários. Até os anos 80, parte do esforço das empresas concentrava-se na tarefa de alfabetizar funcionários. Hoje, não saber ler e escrever significa simplesmente a exclusão do mercado mesmo para as tarefas mais simples. É isso que explica o descompasso entre vagas abertas e filas de desempregados tentando se colocar. Encontrar o profissional adequado é tão difícil que muitas empresas simplesmente desistem e deixam as vagas abertas. A Natura acaba de eliminar 1 500 candidatos com Ensino Médio completo num processo de seleção os testes mostraram que são analfabetos funcionais. Ou seja, sabem ler, mas não entendem o que lêem. A Saint-Gobain demitiu 300 analfabetos do chão de fábrica por considerar que eles não tinham condições mínimas de operar os novos equipamentos da linha de produção. "A mudança foi obrigatória para manter a empresa competitiva", diz Raul Navarro, diretor de recursos humanos da Saint-Gobain.
Embraco
Antônio do Prado, operário da catarinense Embraco, fabricante de compressores, já esteve duas vezes na China. Foi enviado pela companhia para treinar trabalhadores da fábrica que a empresa tem naquele país. Há 16 anos na Embraco, Prado começou como auxiliar de produção e já fez mais de 800 horas de cursos oferecidos pela empresa.
TAMANHO RIGOR NA CONTRATAÇÃO e na formação dos operários deve-se a seu papel crucial no desempenho das empresas. Hoje, cada companhia investe na construção de uma linha de produção que a coloque num patamar superior em relação à concorrência. Ter profissionais que dominam os métodos e a linguagem dos negócios é visto como essencial. A maior prova dessa evolução pode ser encontrada nas multinacionais brasileiras, companhias que compraram ou abriram fábricas no exterior. Até recentemente, essas empresas enviavam para fora do país apenas um punhado de executivos, que comandariam a mão-de-obra local. Hoje, companhias como Votorantim Cimentos, Camargo Corrêa, Ambev e Gerdau expatriam operários para administrar suas linhas de produção internacionais, implementar seus sistemas e treinar os trabalhadores locais. O catarinense Antônio do Prado, funcionário da Embraco, líder mundial na produção de compressores, foi enviado duas vezes à China para passar adiante a cultura do chão de fábrica na subsidiária. "Nunca tinha viajado de avião, muito menos saído do Brasil", diz Prado. A primeira viagem aconteceu em abril de 2006. Na comitiva de 15 pessoas, seis eram operários como ele. "Implementar nossas técnicas de manufatura na China foi extremamente difícil."É consenso entre os especialistas que há inúmeros passos a dar na evolução da classe operária brasileira. Essa transformação ainda está pela metade, o que gera situações constrangedoras nas empresas. É o caso da Salton, maior vinícola do país. Seu chefe da linha de produção, Valcir Toffoli, de 58 anos, cresceu na hierarquia de uma empresa que tinha métodos de produção parados no tempo. O vinho era fabricado artesanalmente, em antiquados tanques de madeira. O choque causado pela enxurrada de vinhos importados, nos anos 90, fez com que essa empresa deixasse de existir. Nos últimos cinco anos, a Salton modernizou sua fábrica, comprou tanques de aço inox, e a produção de vinho passou a ser controlada por meio de toques na tela do computador -- que faz tudo que os operários antigos faziam. A produtividade triplicou. "Deixei de estudar há 40 anos, não tenho capacidade para lidar com informática", diz Toffoli. Seus subordinados são exponencialmente mais bem formados. Na faixa dos 20 anos, dominam o manuseio das máquinas, estão concluindo cursos de enologia e discorrem com naturalidade sobre os processos microbiológicos da vinificação. Enquanto o chefe, com mais de duas décadas de casa, ganha cerca de seis salários mínimos, os garotos da Salton já ultrapassaram os quatro salários. E acabaram de começar.
A QUALIDADE E O PREÇO da mão-de-obra estão entre as variáveis mais importantes na decisão de investimento das empresas -- mais que isso, ajudam a explicar a bonança econômica de algumas economias e a estagnação de outras. A China cresce estrondosamente, em boa medida porque o custo de seus operários é ainda baixíssimo. Um funcionário da indústria automotiva chinesa custa 2 dólares por hora, ante quase 41 dólares de um operário alemão. Mesmo que tenha má formação e a produtividade seja baixa (como é), o custo compensa o investimento por lá. E, embora seja altamente produtivo, o operário alemão é caro demais, o que leva as montadoras a abrir fábricas no Leste Europeu e a fechar suas linhas de produção na Alemanha. Na Coréia, o investimento em educação formou uma classe operária extremamente produtiva e não tão cara quanto a alemã. De acordo com um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), um trabalhador coreano produz em média duas vezes mais que o brasileiro -- que, nem tão barato quanto o chinês nem tão eficiente quanto o coreano, coloca o país numa espécie de meio-termo nefasto para as empresas. "Para piorar a situação do Brasil, as novas gerações chinesas estão recebendo mais educação que as novas gerações de brasileiros e, daqui a alguns anos, esse esforço vai torná-los mais qualificados que nós", diz o economista José Alexandre Scheinkman, da Universidade de Princeton.Segundo os especialistas, é na direção da Coréia que o Brasil deve seguir: um investimento pesado em educação, especialmente para crianças e jovens, colocaria à disposição das empresas funcionários capazes de sustentar ainda mais seus investimentos em tecnologia e tornar o país mais competitivo. "É urgente melhorar a qualidade de nosso ensino, porque os alunos brasileiros têm desempenho muito ruim se comparados a alunos de países desenvolvidos ou até mesmo a outros emergentes", diz Scheinkman. "Só assim os países enriquecem." O trabalhador brasileiro já passou por uma transformação radical nos últimos 20 anos é um passo considerável. A dúvida é se o mundo esperará outros 20 anos pelas mudanças que ainda precisam acontecer.
terça-feira, março 06, 2007
Preciso de Ajuda
Caros leitores,
Preciso de um apoio de todos. Nesta manhã eu calculei o quanto de imposto eu paguei ao Governo Federal durante o ano de 2006. O total é de R$14.756,82. A Receita Federal considera que ainda não foi suficiente e quer mais algo em torno de R$2.000,00. Isso chegaria a quase 17 mil reais entregues para a máquina petista instalada no Estado brasileiro. Não consegui calcular os impostos que estão embutidos até no café que tomo na estrada quando vou para São Paulo dar aulas.
Também não consegui visualizar absolutamente qualquer serviço prestado a mim, pelo Governo Federal, durante o ano de 2006. O único serviço que usei foi durante o mês de janeiro, quando viajei por uma rodovia federal. Mas não vale, porque os buracos quebraram a suspensão de meu carro e o conserto foi alto o suficiente para eu chegar a quase 20 mil se somar o estrago que o serviço público fez nas minhas férias.
Gostaria de contar com uma ajuda de todos no seguinte sentido:
Encontrem para mim qualquer serviço público que eu possa ter utilizado e que justifique os valores que paguei ao governo federal. Para contribuir com o exercício, aí vão algumas informações importantes:
1- Tenho Plano de Saúde Privado;
2- Estudei em uma Universidade Pública ESTADUAL, cujo orçamento é proveniente do ICMS;
3- Meu Plano Odontológico é Privado;
4- As estradas que uso são Privadas;
5- Uma vez chamei a Polícia, mas ela é estadual e praticamente não conta com nenhum recurso federal para sua manutenção.
Por favor, contribuam com respostas!
Preciso de um apoio de todos. Nesta manhã eu calculei o quanto de imposto eu paguei ao Governo Federal durante o ano de 2006. O total é de R$14.756,82. A Receita Federal considera que ainda não foi suficiente e quer mais algo em torno de R$2.000,00. Isso chegaria a quase 17 mil reais entregues para a máquina petista instalada no Estado brasileiro. Não consegui calcular os impostos que estão embutidos até no café que tomo na estrada quando vou para São Paulo dar aulas.
Também não consegui visualizar absolutamente qualquer serviço prestado a mim, pelo Governo Federal, durante o ano de 2006. O único serviço que usei foi durante o mês de janeiro, quando viajei por uma rodovia federal. Mas não vale, porque os buracos quebraram a suspensão de meu carro e o conserto foi alto o suficiente para eu chegar a quase 20 mil se somar o estrago que o serviço público fez nas minhas férias.
Gostaria de contar com uma ajuda de todos no seguinte sentido:
Encontrem para mim qualquer serviço público que eu possa ter utilizado e que justifique os valores que paguei ao governo federal. Para contribuir com o exercício, aí vão algumas informações importantes:
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3- Meu Plano Odontológico é Privado;
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