Ano passado um dos temas mais citados neste blog foi a corrupção. Eu tinha muito material para isso e a cada dia uma novidade aparecia. Infelizmente, escrever sobre corrupção no Brasil virou um tema redundante e me parece que jamais nos livraremos desta praga. Faz mais de um mês que tenho me segurado para não voltar ao tema, apesar de escrever de uma maneira amena sobre a Operação Hurricane, da Polícia Federal. Mas depois veio a Navalha, a nova crise de ética política e quando nesta manhã eu li sobre dois participantes do programa Aprendiz 4, que foram demitidos por Roberto Justus por uma “falha ética”, eu não resisti e decidi voltar à carga.
A corrupção é definitivamente uma patologia do caráter torto do povo brasileiro e para abordar o tema escreverei uma seqüência de ao menos dois posts sobre corrupção, evidentemente tentando agregar algo aos leitores deste blog que fuja do senso comum.
Não sei se conseguirei, mas prometo tentar.
sexta-feira, junho 01, 2007
quinta-feira, maio 03, 2007
Dinheiro, Amor, Trabalho e Democracia
Uma das maiores dificuldades para a manutenção dos sistemas democráticos é ser valorizado e defendido pelo seu povo. Os cidadãos, principalmente os mais jovens, desconhecem certos valores intrínsecos que fazem com que, mesmo com suas imperfeições, a democracia ainda seja a forma mais pluralista e eficaz de geração de riqueza, com desenvolvimento econômico e social. Entretanto, essa relação entre Povo e Estado, Cidadania e Direitos, só sobrevive por meio do fortalecimento da liberdade de expressão, liberdade de imprensa, participação política, tolerância e compromisso com a Constituição, no que ela expressa em termos de direitos e deveres. A educação tem total vínculo com tais relações, pois quanto mais educados, informados e críticos, melhor será sua convivência com a democracia.
Dessa forma, faz toda a diferença saber ler e interpretar notícias nos jornais; faz toda a diferença conhecer a história recente do país; faz toda a diferença compreender seu papel e importância no sistema. Quanto mais estudar, conhecer e decobrir, mais você será valorizado por sua família, amigos, companheiros de trabalho e, dessa forma, tanto melhor será sua auto-estima e capacidade produtiva. Portanto, ao reconhecer sua parcela de importância dentro da sociedade e de sua participação na defesa da democracia, tanto melhor será sua vida social, sua produtividade intelectual e seus rendimentos financeiros.
Sim. Há total relação entre a sua felicidade pessoal e os valores que carrega consigo, desde valores morais até os políticos. Experimente observar o que faz as pessoas se sentirem felizes. Inicialmente suas respostas serão dinheiro, saúde, amor... não necessariamente nesta ordem. Mas pensando um pouco melhor entenderás que a saúde é um estar bem consigo mesmo, é paz de espírito, é não ter rancor e fazer com que a palavra "ódio" não faça parte de seu vocabulário. É querer bem ao outro e não desejar maldades para as pessoas. O dinheiro vem com o trabalho, valorização profissional, formação acadêmica, capacidade de superação e com aquele gosto de missão cumprida, ainda que sempre pensarás que se é mau remunerado por tudo o que fez. Posso garantir que pior do que despertar numa manhã planejando quais as contas pagar com seus parcos recursos é levantar-se da cama e não ter para onde ir. E o amor, bem, o amor que é fogo que arde sem se ver, arde melhor quando você se sentir mais bonita ou bonito, mais auto-confiante e independente, mais seguro de quanto você vale. E o amor é sempre melhor com alguem que tenha uma boa conversa, que saiba valorizar uma taça de vinho numa noite fria, que seja engraçado e que tenha um dinheiro para passear no fim de semana. Sim, a materialidade também é fundamental para nutrir aquele amor espiritual. Mas se observarem bem, a materialidade, a conversa engraçada, a sensibilidade, o bom humor, a delicadeza e a inteligência são diretamente proporcionais ao seu desempenho na faculdade, no trabalho, na sua capacidade de interagir com pessoas diferentes.
Portanto, por mais incrível que pareça, defender a democracia, estudar bastante, tentar viver em harmonia e fazer trabalhos voluntários também são requisitos que contribuem para a melhoria de sua vida pessoal.
Dessa forma, faz toda a diferença saber ler e interpretar notícias nos jornais; faz toda a diferença conhecer a história recente do país; faz toda a diferença compreender seu papel e importância no sistema. Quanto mais estudar, conhecer e decobrir, mais você será valorizado por sua família, amigos, companheiros de trabalho e, dessa forma, tanto melhor será sua auto-estima e capacidade produtiva. Portanto, ao reconhecer sua parcela de importância dentro da sociedade e de sua participação na defesa da democracia, tanto melhor será sua vida social, sua produtividade intelectual e seus rendimentos financeiros.
Sim. Há total relação entre a sua felicidade pessoal e os valores que carrega consigo, desde valores morais até os políticos. Experimente observar o que faz as pessoas se sentirem felizes. Inicialmente suas respostas serão dinheiro, saúde, amor... não necessariamente nesta ordem. Mas pensando um pouco melhor entenderás que a saúde é um estar bem consigo mesmo, é paz de espírito, é não ter rancor e fazer com que a palavra "ódio" não faça parte de seu vocabulário. É querer bem ao outro e não desejar maldades para as pessoas. O dinheiro vem com o trabalho, valorização profissional, formação acadêmica, capacidade de superação e com aquele gosto de missão cumprida, ainda que sempre pensarás que se é mau remunerado por tudo o que fez. Posso garantir que pior do que despertar numa manhã planejando quais as contas pagar com seus parcos recursos é levantar-se da cama e não ter para onde ir. E o amor, bem, o amor que é fogo que arde sem se ver, arde melhor quando você se sentir mais bonita ou bonito, mais auto-confiante e independente, mais seguro de quanto você vale. E o amor é sempre melhor com alguem que tenha uma boa conversa, que saiba valorizar uma taça de vinho numa noite fria, que seja engraçado e que tenha um dinheiro para passear no fim de semana. Sim, a materialidade também é fundamental para nutrir aquele amor espiritual. Mas se observarem bem, a materialidade, a conversa engraçada, a sensibilidade, o bom humor, a delicadeza e a inteligência são diretamente proporcionais ao seu desempenho na faculdade, no trabalho, na sua capacidade de interagir com pessoas diferentes.
Portanto, por mais incrível que pareça, defender a democracia, estudar bastante, tentar viver em harmonia e fazer trabalhos voluntários também são requisitos que contribuem para a melhoria de sua vida pessoal.
quinta-feira, abril 26, 2007
Aos Alunos de PP, RTV e Editoração
Escrevi um post no dia 23/04, no qual me queixei dos resultados obtidos na Avaliação I, que gerou um constrangimento por parte de vários alunos das turmas de PP, RTV e Editoração. Estes se sentiram ofendidos pelo fato de eu ter publicado um tema que gostariam que ficasse entre a sala. Eles estão certos.
Em toda minha vida profissional sempre procurei elogiar publicamente e repreender reservadamente e, por isso, peço minhas desculpas sinceras àqueles que se sentiram constrangidos, reafirmando que tenho total confiança na melhoria do desempenho dos alunos destes cursos e na capacidade de superação de todas as dificuldades acadêmicas existentes.
Prometo continuar repreendendo-os enquanto entender que seus comportamentos acadêmicos e/ou disciplinares não estiverem condizentes com o padrão de qualidade que exijo de meus alunos. Entretanto, quando isso se fizer necessário, prometo fazê-lo reservadamente.
Um abraço a todos!
Em toda minha vida profissional sempre procurei elogiar publicamente e repreender reservadamente e, por isso, peço minhas desculpas sinceras àqueles que se sentiram constrangidos, reafirmando que tenho total confiança na melhoria do desempenho dos alunos destes cursos e na capacidade de superação de todas as dificuldades acadêmicas existentes.
Prometo continuar repreendendo-os enquanto entender que seus comportamentos acadêmicos e/ou disciplinares não estiverem condizentes com o padrão de qualidade que exijo de meus alunos. Entretanto, quando isso se fizer necessário, prometo fazê-lo reservadamente.
Um abraço a todos!
segunda-feira, abril 23, 2007
Notas no Sistema III
Aos alunos de Jornalismo e RP: as notas serão publicadas somente na quarta-feira. Estou na metade da correção.
Notas no Sistema II
Alunos de PP, RTV e EDITORAÇÃO em Opinião Pública: notas lançadas no sistema.
PS.: Em seis anos de docência, vocês me proporcionaram minha maior decepção.
- 05 alunos conseguiram nota acima da média;
- A maior nota foi 8,5;
- Pouco mais de 30% da sala já está de Exame;
- Os detalhes "sórdidos" comentarei apenas em sala de aula, pois não pretendo expô-los publicamente.
PS.: Em seis anos de docência, vocês me proporcionaram minha maior decepção.
- 05 alunos conseguiram nota acima da média;
- A maior nota foi 8,5;
- Pouco mais de 30% da sala já está de Exame;
- Os detalhes "sórdidos" comentarei apenas em sala de aula, pois não pretendo expô-los publicamente.
domingo, abril 22, 2007
Notas no Sistema
Alunos da disciplina Antropologia e Cultura Contemporânea: suas notas da Avaliação I já estão disponíveis.
sexta-feira, abril 20, 2007
Meu Caso de Amor com Sandy
Encontrei no Portal da AFP - Agence France-Presse, uma explicação bem didática sobre os nomes que os metereologistas dão para os furacões. Resumidamente as tempestades eram batizadas com os nomes dos santos dos dias em que tocavam o solo. Mais tarde, militares americanos começaram a batizar os furacões com nomes de suas amigas ou mulheres e a moda foi oficializada em 1953. Em 1979 os metereologistas introduziram nomes masculinos. O processo é simples: existem seis listas com 21 nomes, de A a W, para a bacia do Atlântico e seis com 23 nomes, de A a Z, para a do Pacífico Norte-oriental (a costa americana), e o uso é rotativo, isto é, os nomes utilizados em 2005 voltarão a ser usados em 2011. No caso do Atlântico, se a quantidade de furacões em um ano superar os 21, a identificação continua adiante utilizando as letras do alfabeto grego: Alfa, Beta, Gama, Delta etc. Dessa forma, nomes como Tony e Helene, furacões formados em 2006, poderão voltar à cena em 2012.
Feita esta elucubração, pensava sobre o nome da Operação da Polícia Federal que desbaratou ou está tentando desbaratar a quadrilha formada para executar um esquema de venda de sentenças para beneficiar a máfia de jogos: Hurricane, furacão em inglês.
O Brasil é um país que consegue criar situações tão inusitadas que custa muito a um observador de fora conseguir entender. Se os desafios à lógica estivessem exclusivamente circunscritos ao terreno formal das relações de trabalho, poder, políticas, partidárias, dentre outras, talvez ainda fosse razoável imaginar que aqueles que vivem em outros países compreenderiam, por exemplo, o fato de que o “P” da CPMF deixasse de ser Provisória e passasse a ser Permanente. Com algum esforço também poderiam entender o fato de que os membros do partido que sempre representou a bandeira da ética, tivessem criado sua própria quadrilha e pilhado os cofres públicos com tamanha devassidão corrupta e, ainda assim, seu líder maior fora reeleito nos braços do povo para mais quatro anos de mandato. Mesmo que difícil, com um pouco mais de esforço, podem ao menos imaginar quais as razões que fizeram com que o orçamento dos Jogos Pan-americanos tivesse estourado em mais de 700%. Seria difícil tentar explicar para um alemão que somente a reforma do Maracanã tenha custado o mesmo que a construção inteira de um daqueles estádios ultra modernos da Copa do Mundo do ano passado. Certas coisas parecem tão inusitadas que são muito difíceis de serem explicadas.
Dessa forma, se eu tivesse que explicar a um metereologista de qualquer outro país como é que conseguimos criar uma nova categoria de batismo para furacões, creio eu que meu intento seria em vão. Ora, todos sabem agora que nossos furacões, aqueles “empresários” do jogo, juízes, policiais e demais membros do Estado brasileiro envolvidos com a praga da corrupção, já têm seus novos nomes. João, José, Oscar, Evandro, Ernesto, Jaime... Todos eles têm sobrenome e endereço fixo e muitos pareciam profissionais ilibados: Juízes, desembargadores, policiais, enfim, uma miríade de funções criadas para defender as liberdades civis, o Estado democrático de direito, a Justiça e os Cidadãos.
Sempre fui fascinado pelos furacões. Via neles um misto de força e poder indestrutíveis e, ao mesmo tempo, um fenômeno belo, único e absolutamente sublime. O olho de um furacão é uma imagem extraordinária e ao vê-lo “olhando” para mim, invariavelmente sinto algum tipo de emoção inexplicável. É evidente que um morador de uma ilha do caribe que tivera sua casa devastada por um choque de ar há mais de 200 km por hora se sentiria injuriado com esta minha frase, mas vá lá, não há como negar que, de longe, existe um efeito estético deslumbrante nessas tempestades. Ano passado, uma foto de Sandy, um furacão formado no Atlântico, me deixou extasiado. Ela era absolutamente linda, poderosa, impassível e única. Apaixonei-me por aquela imagem e a guardei no meu laptop para que sua visão fosse para mim uma brisa de beleza e um sopro de inspiração (sem trocadilhos).
Pois bem, certos brasileiros estragam tudo o que é bonito e, mais uma vez, quando penso nos furacões, na Sandy e em seus efeitos, não consigo mais visualizar seu olho negro e imponente em meio às nuvens nervosas que giram à sua volta. Observar Furacão no Brasil agora ficou fácil: basta ligar a TV e ler os jornais. A diferença é que, ainda que continuem destruindo o que pode existir à sua volta, estes nos escondem seus olhos.
Feita esta elucubração, pensava sobre o nome da Operação da Polícia Federal que desbaratou ou está tentando desbaratar a quadrilha formada para executar um esquema de venda de sentenças para beneficiar a máfia de jogos: Hurricane, furacão em inglês.
O Brasil é um país que consegue criar situações tão inusitadas que custa muito a um observador de fora conseguir entender. Se os desafios à lógica estivessem exclusivamente circunscritos ao terreno formal das relações de trabalho, poder, políticas, partidárias, dentre outras, talvez ainda fosse razoável imaginar que aqueles que vivem em outros países compreenderiam, por exemplo, o fato de que o “P” da CPMF deixasse de ser Provisória e passasse a ser Permanente. Com algum esforço também poderiam entender o fato de que os membros do partido que sempre representou a bandeira da ética, tivessem criado sua própria quadrilha e pilhado os cofres públicos com tamanha devassidão corrupta e, ainda assim, seu líder maior fora reeleito nos braços do povo para mais quatro anos de mandato. Mesmo que difícil, com um pouco mais de esforço, podem ao menos imaginar quais as razões que fizeram com que o orçamento dos Jogos Pan-americanos tivesse estourado em mais de 700%. Seria difícil tentar explicar para um alemão que somente a reforma do Maracanã tenha custado o mesmo que a construção inteira de um daqueles estádios ultra modernos da Copa do Mundo do ano passado. Certas coisas parecem tão inusitadas que são muito difíceis de serem explicadas.
Dessa forma, se eu tivesse que explicar a um metereologista de qualquer outro país como é que conseguimos criar uma nova categoria de batismo para furacões, creio eu que meu intento seria em vão. Ora, todos sabem agora que nossos furacões, aqueles “empresários” do jogo, juízes, policiais e demais membros do Estado brasileiro envolvidos com a praga da corrupção, já têm seus novos nomes. João, José, Oscar, Evandro, Ernesto, Jaime... Todos eles têm sobrenome e endereço fixo e muitos pareciam profissionais ilibados: Juízes, desembargadores, policiais, enfim, uma miríade de funções criadas para defender as liberdades civis, o Estado democrático de direito, a Justiça e os Cidadãos.
Sempre fui fascinado pelos furacões. Via neles um misto de força e poder indestrutíveis e, ao mesmo tempo, um fenômeno belo, único e absolutamente sublime. O olho de um furacão é uma imagem extraordinária e ao vê-lo “olhando” para mim, invariavelmente sinto algum tipo de emoção inexplicável. É evidente que um morador de uma ilha do caribe que tivera sua casa devastada por um choque de ar há mais de 200 km por hora se sentiria injuriado com esta minha frase, mas vá lá, não há como negar que, de longe, existe um efeito estético deslumbrante nessas tempestades. Ano passado, uma foto de Sandy, um furacão formado no Atlântico, me deixou extasiado. Ela era absolutamente linda, poderosa, impassível e única. Apaixonei-me por aquela imagem e a guardei no meu laptop para que sua visão fosse para mim uma brisa de beleza e um sopro de inspiração (sem trocadilhos).
Pois bem, certos brasileiros estragam tudo o que é bonito e, mais uma vez, quando penso nos furacões, na Sandy e em seus efeitos, não consigo mais visualizar seu olho negro e imponente em meio às nuvens nervosas que giram à sua volta. Observar Furacão no Brasil agora ficou fácil: basta ligar a TV e ler os jornais. A diferença é que, ainda que continuem destruindo o que pode existir à sua volta, estes nos escondem seus olhos.
quarta-feira, abril 18, 2007
Eu Pago o Pato
Compreendo que alguns alunos se sintam ansiosos para ter os resultados das avaliações, porém peço um pouco mais de paciência, pois somente terminarei de corrigir tudo no próximo final de semana. O problema é que gosto muito de ler o que vocês escrevem e, neste sentido, observar como anda a capacidade de articulação e construção de raciocínios por meio da escrita. Isso é muito importante. Não desejo que sejam literatos, porém devemos manter um certo nível de exigência e um padrão da escrita formal que gostaria de perseguir junto de vocês.
Sempre quando penso nisso, me lembro das histórias de Rui Barbosa. Para quem não se lembra, Rui Barbosa foi um dos mais ilustres personagens de nossa história, naquele tempo em que a inteligência ainda era valorizada e bonito era ser intelectual, formador de opiniões e um excelente orador. Rui Barbosa era tudo isso e muito mais: um excelente jurista, grande jornalista, defensor da liberdade de imprensa e das liberdades civis. Presidente da Academia Brasileira de Letras, candidato à presidência da República em duas ocasiões e Juiz da Corte Internacional de Haia. Apesar de não ser um conhecedor profundo de suas obras, aprecio muito sua forma de articular seus pensamentos e sua visão moderna sobre o mundo.
Em 1865 escreveu: "A primeira verdade dos governos livres é que a responsabilidade deve estender-se igualmente por todos os graus da hierarquia governamental. Todo aquele que, revestido de autoridade, exerce mediata ou imediatamente qualquer função pública, desde o agente de polícia até os mais altos funcionários do estado, não pode evitar a responsabilidade de seus atos perante os tribunais ou perante a nação." Bem atual, não é mesmo?
Contudo, gosto especialmente desta frase, cuja data desconheço:
"O poder não é um antro; é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação, têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."
Faz falta neste momento de nossa história uma figura como Rui Barbosa. Os brasileiros parecem resignados com um destino medíocre de assistencialismo, com negociações espúrias, corrupção, cinismo generalizado e com essa mania de querer sempre menos, mesmo quando podem ter mais.
Conhecido por sua intelectualidade e profundo conhecedor da Língua Portuguesa, reza a lenda que em um fim de tarde, ao chegar a sua casa, Rui Barbosa ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal.Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse-lhe:
“Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares as profanas de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha
alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de sua sinagoga que reduzir-te-á à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.”
E o ladrão, confuso, disse:
- Ô moço, afinal, eu levo ou deixo os patos?
O problema desta história é que não se sabe qual a resposta de Rui Barbosa para o meliante.
Não sei vocês, mas eu não roubo e por isso tenho a sensação de que pago o pato.
Sempre quando penso nisso, me lembro das histórias de Rui Barbosa. Para quem não se lembra, Rui Barbosa foi um dos mais ilustres personagens de nossa história, naquele tempo em que a inteligência ainda era valorizada e bonito era ser intelectual, formador de opiniões e um excelente orador. Rui Barbosa era tudo isso e muito mais: um excelente jurista, grande jornalista, defensor da liberdade de imprensa e das liberdades civis. Presidente da Academia Brasileira de Letras, candidato à presidência da República em duas ocasiões e Juiz da Corte Internacional de Haia. Apesar de não ser um conhecedor profundo de suas obras, aprecio muito sua forma de articular seus pensamentos e sua visão moderna sobre o mundo.
Em 1865 escreveu: "A primeira verdade dos governos livres é que a responsabilidade deve estender-se igualmente por todos os graus da hierarquia governamental. Todo aquele que, revestido de autoridade, exerce mediata ou imediatamente qualquer função pública, desde o agente de polícia até os mais altos funcionários do estado, não pode evitar a responsabilidade de seus atos perante os tribunais ou perante a nação." Bem atual, não é mesmo?
Contudo, gosto especialmente desta frase, cuja data desconheço:
"O poder não é um antro; é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação, têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."
Faz falta neste momento de nossa história uma figura como Rui Barbosa. Os brasileiros parecem resignados com um destino medíocre de assistencialismo, com negociações espúrias, corrupção, cinismo generalizado e com essa mania de querer sempre menos, mesmo quando podem ter mais.
Conhecido por sua intelectualidade e profundo conhecedor da Língua Portuguesa, reza a lenda que em um fim de tarde, ao chegar a sua casa, Rui Barbosa ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal.Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse-lhe:
“Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares as profanas de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha
alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de sua sinagoga que reduzir-te-á à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.”
E o ladrão, confuso, disse:
- Ô moço, afinal, eu levo ou deixo os patos?
O problema desta história é que não se sabe qual a resposta de Rui Barbosa para o meliante.
Não sei vocês, mas eu não roubo e por isso tenho a sensação de que pago o pato.
quarta-feira, abril 11, 2007
Ministro minimiza crise aérea e afirma que governo busca solução
Fonte: Folha Online
Texto: GABRIELA GUERREIRO
"O ministro da Defesa, Waldir Pires, minimizou nesta quarta-feira a crise no controle do tráfego aéreo do país. Ele atribuiu os problemas recentes no setor às falhas nos equipamentos e aos recursos humanos, numa referência indireta aos controladores de tráfego aéreo. O ministro considerou a crise como normal.
"Em países em desenvolvimento, essa é a rotina", afirmou, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o caos aéreo.
Pires disse que o governo vai solucionar crise e que está aprimorando os diagnósticos para impedir novos atrasos nos vôos. "Os fatores são definidos ao meu juízo em procedimento de gestão que determinaram ocorrências. Não há por que deixarem de serem reordenadas e postas a serviço do povo brasileiro."
O ministro saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que há duas semanas desautorizou o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, a dar ordem de prisão para os controladores amotinados no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília.
"Quando o presidente assume uma posição, ele assume como titular da soberania popular. Quando ele assume o comando supremo das Forças Armadas, ele tem o mandato oriundo de cada cidadão do Brasil. É a mais alta voz do Brasil, assume legitimamente."
Pires também disse que Lula agiu de forma correta ao designar o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) para negociar com os controladores e colocar fim ao motim ocorrido no fim de março --o mais grave do setor e que por, aproximadamente cinco horas, praticamente paralisou as decolagens no país. "Quando o presidente atribui diretamente a outros ordens de presença nas instituições, ele faz isso com legitimidade."
Participam também da audiência pública na Câmara dos deputados os presidentes da Infraero (estatal que administra os aeroportos), José Carlos Pereira, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, além de Pires e Saito.
Crise
O pior episódio da crise ocorreu no dia 30 de março, quando controladores de tráfego aéreo paralisaram as atividades por cerca de cinco horas. O movimento começou no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, e se espalhou para outras regiões do país.
Na ocasião, o governo federal chegou a firmar um acordo com os amotinados, mas recuou. Eles, agora, são investigados por suspeita de insubordinação.
Desde o final do ano passado, passageiros enfrentam constantes atrasos e cancelamentos de vôos. Inicialmente, os problemas foram causados pela operação-padrão dos controladores, que restabeleceram à força parâmetros internacionais de segurança. O Cindacta-1 sofria com a falta de controladores, pois alguns tinham sido afastados pelas investigações sobre a queda do Boeing da Gol, ocorrida em setembro.
Depois, falhas em equipamentos passaram a contribuir para aumentar a espera nos aeroportos. Desde março, o aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), um dos maiores do país, pára sempre que chove forte, pois a pista auxiliar está fechada para reformas e a principal tem graves problemas de escoamento."
Texto: GABRIELA GUERREIRO
"O ministro da Defesa, Waldir Pires, minimizou nesta quarta-feira a crise no controle do tráfego aéreo do país. Ele atribuiu os problemas recentes no setor às falhas nos equipamentos e aos recursos humanos, numa referência indireta aos controladores de tráfego aéreo. O ministro considerou a crise como normal.
"Em países em desenvolvimento, essa é a rotina", afirmou, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o caos aéreo.
Pires disse que o governo vai solucionar crise e que está aprimorando os diagnósticos para impedir novos atrasos nos vôos. "Os fatores são definidos ao meu juízo em procedimento de gestão que determinaram ocorrências. Não há por que deixarem de serem reordenadas e postas a serviço do povo brasileiro."
O ministro saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que há duas semanas desautorizou o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, a dar ordem de prisão para os controladores amotinados no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília.
"Quando o presidente assume uma posição, ele assume como titular da soberania popular. Quando ele assume o comando supremo das Forças Armadas, ele tem o mandato oriundo de cada cidadão do Brasil. É a mais alta voz do Brasil, assume legitimamente."
Pires também disse que Lula agiu de forma correta ao designar o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) para negociar com os controladores e colocar fim ao motim ocorrido no fim de março --o mais grave do setor e que por, aproximadamente cinco horas, praticamente paralisou as decolagens no país. "Quando o presidente atribui diretamente a outros ordens de presença nas instituições, ele faz isso com legitimidade."
Participam também da audiência pública na Câmara dos deputados os presidentes da Infraero (estatal que administra os aeroportos), José Carlos Pereira, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, além de Pires e Saito.
Crise
O pior episódio da crise ocorreu no dia 30 de março, quando controladores de tráfego aéreo paralisaram as atividades por cerca de cinco horas. O movimento começou no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, e se espalhou para outras regiões do país.
Na ocasião, o governo federal chegou a firmar um acordo com os amotinados, mas recuou. Eles, agora, são investigados por suspeita de insubordinação.
Desde o final do ano passado, passageiros enfrentam constantes atrasos e cancelamentos de vôos. Inicialmente, os problemas foram causados pela operação-padrão dos controladores, que restabeleceram à força parâmetros internacionais de segurança. O Cindacta-1 sofria com a falta de controladores, pois alguns tinham sido afastados pelas investigações sobre a queda do Boeing da Gol, ocorrida em setembro.
Depois, falhas em equipamentos passaram a contribuir para aumentar a espera nos aeroportos. Desde março, o aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), um dos maiores do país, pára sempre que chove forte, pois a pista auxiliar está fechada para reformas e a principal tem graves problemas de escoamento."
O super-Lula da pesquisa: o que isso quer dizer?
O texto abaixo é do Blog de Reinaldo Azevedo. Pessoalmente adoro quando os jornalistas são assim: diretos e críticos. No caso do Reinaldo Azevedo, já escrevi isso em outra ocasião, existe um padrão muito alto na qualidade e no estilo com que se comunica com seus leitores. Ele, antes de tudo, é um polêmico. Leiam o texto:
"Segue síntese do Estadão On Line sobre os números da pesquisa CNT-Sensus. Volto em seguida:
Lula
O índice de aprovação do presidente foi o melhor desde fevereiro de 2005 (66,1%) e ficou em 63,7% contra 59,3%, em agosto de 2006, data da última pesquisa. A desaprovação ao desempenho de Lula também caiu, para 28,2%, ante 32,5% em agosto de 2006, também a menor desde fevereiro de 2005.
Governo Lula
O levantamento apontou ainda um aumento na avaliação do governo, que foi para 49,58%, a terceira melhor da série. Em agosto de 2006, a aprovação estava em 43,6%. O porcentual dos que desaprovam a gestão de Lula caiu para 14,6%, o menor índice desde fevereiro de 2005. Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato do presidente vai ser melhor do que o primeiro. Para 19,6%, será pior e 18,7% acreditam que será igual.A avaliação regular do governo também caiu, de 39,5% para 34,3%.
Apoio partidário e ministérios
A exigência dos partidos políticos de participar dos ministérios em troca de apoio ao governo no Congresso conta com a aprovação de 37,5% dos entrevistados, contra 40,8% que discordam.
Violência
Para 90,9% dos entrevistados, a violência no Brasil aumentou nos últimos anos. Apenas 5,2% discordaram. Os que consideram a cidade onde vivem violenta ou muito violenta chegam a 34,8%. Já 38,3% acham sua cidade pouco ou nada violenta.
Sobre as causas da violência, 24,1% apontaram a pobreza e a miséria. Praticamente empatados, a Justiça e o tráfico de drogas aparecem, com 19,1% e 19%, respectivamente. As leis brandas têm 15%; a corrupção policial, 11% e a falta de policiamento, 7,6%.
A pesquisa mostra ainda que para 29,9% da população cabe ao governo federal agir em relação à violência urbana, enquanto que 16,7% consideram essa responsabilidade do governo estadual e 12,6% da administração municipal.
Pena de morte e idade penal
Houve crescimento dos que são a favor da pena de morte: 49%, ante 46,7% em maio de 2003. Os contrários somaram 46%, ante 49,7% em maio de 2003. Já sobre a redução da idade penal para 16 anos, 81,5% foram favoráveis, contra 88,1% em dezembro de 2003. Os contrários à redução subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e renda
Emprego e renda estão entre as prioridades que devem ser enfrentadas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo 26,3% dos entrevistados. Saúde Pública aparece em segundo lugar, com 25,7%; seguida de Segurança Pública, 18,2%; Educação, 16,7%; Previdência Social, 5,5%; Defesa Nacional, 2,9% e Inflação, 1,7%.
Programas sociais
Os programas sociais do governo são conhecidos por 56,8% dos entrevistados. Desse total, 15,3% são beneficiários dessas iniciativas e 40,7% dizem não conhecer pessoas que sejam beneficiadas pelo programa.
Para 66% dos entrevistados, os programas são positivos, ajudam à população e levam ao desenvolvimento. Já 27,0% classificam os projetos sociais como negativos por não resolverem os problemas nem gerarem desenvolvimento.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Já entre os que têm informações sobre o PAC, esse índice sobe para 57,9% contra 24,7% que não acreditam que o programa vai acelerar o crescimento.
Selic
A redução da taxa básica de juros nos últimos seis meses aumentaram a disposição de 22% dos entrevistados para fazer compras a prazo. Mas, para 65,4%, a redução da Selic não aumentou a disposição para fazer novos financiamentos.
Entre os que disseram que houve aumento na disposição de compras a prazo, 48,4% efetivamente aumentaram suas compras, enquanto 46,8% não aumentaram.
A pesquisa mostra ainda que, do universo dos entrevistados dispostos a fazer compras a prazo, a preferência é por aquisições de eletrodomésticos, com 28% do total. A casa própria foi o segundo item mais citado, com 23,9%. Material de construção e carro aparecem na seqüência com 15% e 11,1%, respectivamente.
Crise aérea
O governo federal foi apontado como o principal responsável pela crise aérea no País. Pesquisa CNT-Sensus mostra essa constatação para 21,2% dos entrevistados. Tomando por base apenas os entrevistados que tiveram contato com o assunto (acompanham ou ouviram falar), esse número sobe para 25,8%.
Voltei (ele, Reinaldo Azevedo)
Para muitos dos que não gostam do governo Lula, os números talvez sejam um tanto desanimadores. Mas eles são absolutamente explicáveis. Mais do que isso: são razoáveis. Eu não esperava nada muito diferente disso. É isto, leitor amigo: conforme-se em ser minoria no Brasil por um bom tempo. O sonho da massa revoltada contra o poder despótico é uma ilusão ou uma tara de esquerda. A maioria da população, em situação de normalidade democrática, é assim mesmo: apática, abúlica e gosta de quem está no comando. Irrupções revolucionárias, só para citar o ponto extremo do desagrado da massa com os governantes, são sempre coisa de minorias e jamais são bem-sucedidas se uma fatia do próprio poder dominante não resolve trair as suas origens. Os historiadores, inclusive os marxistas, sabem disso. Mas criam o mito da resistência popular. Pura balela.
Lula foi reeleito há pouco mais de cinco meses e começou o segundo mandato há pouco mais de três: chegou lá com dois terços do eleitorado e, com pequena variação, ainda os conserva. A rigor, não há razão para ter perdido o apoio daqueles que o reelegeram. Aquele país ainda é o mesmo, com uma ou outra notícia “positiva” a mais, como o PIB recontado e o dólar no buraco, o que enche, acreditem, uma parte importante dos brasileiros de orgulho.
A craca assistencialista grudou na política brasileira, e não será fácil tirá-la, mormente porque as oposições são muito tímidas no país — e tendem a se intimidar ainda mais diante de pesquisas como essa. Querem números exemplares do que estamos vivendo? Dizem conhecer os tais “programas sociais” 56,8% dos entrevistados. Mas 66% os aprovam. Aprovam o quê? A propaganda. Com isso, não quero dizer que os programas não existam. Existem, é claro. Mas são uma abstração para uma boa parcela dos entrevistados — e, pois, dos brasileiros.
Acompanhem: quantos beneficiários, leitor, você conhece do Bolsa Família? A exemplo deste escriba, a resposta é quase certa: nenhum — fazemos parte daqueles 40,7%. Pior: integramos o grupo dos 27% que consideram que eles não respondem ao desafio do desenvolvimento. Estamos na contramão da “doxa”. E agora? Vejam só: Lula inventou o tal PAC para a parcela mais informada da população, que resiste a seus encantos. Nada menos de 59% dos entrevistados — e é provável que todos eles estejam entre os dois terços que o apóiam — nem sabem que diabo é isso. Só 18,6% acham que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Vejam só: se Lula nunca mais tocar nesse assunto, vai decepcionar pouca gente.
E a crise aérea? Como é possível que ela não afete a imagem de Lula? É possível. Ele governa ou para o país que anda de carroça (metáfora) ou para o que compra avião — jamais para o que apenas anda de avião. E não vai abandonar essa clivagem. No médio e no longo prazos, essa administração medíocre do país vai fazer diferença, cobrar a sua fatura? Vai. As políticas públicas têm um tempo de maturação que não é o mesmo do julgamento da opinião pública. Imaginem se FHC tivesse feito tudo o que PT queria nos seus dois primeiros mandatos... Imaginem um país com a economia ainda mais fechada, atolado no endividamento das estatais. Que governo o PT estaria fazendo agora?
Não duvidem: os que não compactuam com o lulo-petismo terão de comer poeira por um bom tempo. É da natureza do jogo. Mais ainda: têm de se organizar para não continuar a comê-la, coisa de que não estou bem certo de que saibam fazer. Penso, por exemplo, nas 3,4 milhões de pessoas jurídicas que integram o MSP — Movimento dos Sem-Político (na verdade, considerando familiares e tal, talvez o dobro disso). Quem fala por eles? Quem vocaliza suas angústias? As oposições, no Brasil, cometem a delicadeza de jogar fora o público que têm ambicionando aquele que jamais terão, porque seduzidos pelo petismo e suas “conquistas”.
Lula navega numa onda extremamente favorável, que só existe porque governos anteriores se negaram a seguir a receita do petismo — que, uma vez no poder, demonstrou não ter receita nenhuma, a não ser, de um lado, acomodar interesses, e, de outro, manter azeitada uma máquina assistencialista inédita. Até que seus erros de agora não comecem a cobrar a sua fatura, vai tocando a vida sem muitos percalços. Mas atenção: mesmo esses erros só passarão a ter importância se transformados em luta política, coisa que as oposições não conseguiram fazer até agora."
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja
Publicado em 10 de abril de 2007
"Segue síntese do Estadão On Line sobre os números da pesquisa CNT-Sensus. Volto em seguida:
Lula
O índice de aprovação do presidente foi o melhor desde fevereiro de 2005 (66,1%) e ficou em 63,7% contra 59,3%, em agosto de 2006, data da última pesquisa. A desaprovação ao desempenho de Lula também caiu, para 28,2%, ante 32,5% em agosto de 2006, também a menor desde fevereiro de 2005.
Governo Lula
O levantamento apontou ainda um aumento na avaliação do governo, que foi para 49,58%, a terceira melhor da série. Em agosto de 2006, a aprovação estava em 43,6%. O porcentual dos que desaprovam a gestão de Lula caiu para 14,6%, o menor índice desde fevereiro de 2005. Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato do presidente vai ser melhor do que o primeiro. Para 19,6%, será pior e 18,7% acreditam que será igual.A avaliação regular do governo também caiu, de 39,5% para 34,3%.
Apoio partidário e ministérios
A exigência dos partidos políticos de participar dos ministérios em troca de apoio ao governo no Congresso conta com a aprovação de 37,5% dos entrevistados, contra 40,8% que discordam.
Violência
Para 90,9% dos entrevistados, a violência no Brasil aumentou nos últimos anos. Apenas 5,2% discordaram. Os que consideram a cidade onde vivem violenta ou muito violenta chegam a 34,8%. Já 38,3% acham sua cidade pouco ou nada violenta.
Sobre as causas da violência, 24,1% apontaram a pobreza e a miséria. Praticamente empatados, a Justiça e o tráfico de drogas aparecem, com 19,1% e 19%, respectivamente. As leis brandas têm 15%; a corrupção policial, 11% e a falta de policiamento, 7,6%.
A pesquisa mostra ainda que para 29,9% da população cabe ao governo federal agir em relação à violência urbana, enquanto que 16,7% consideram essa responsabilidade do governo estadual e 12,6% da administração municipal.
Pena de morte e idade penal
Houve crescimento dos que são a favor da pena de morte: 49%, ante 46,7% em maio de 2003. Os contrários somaram 46%, ante 49,7% em maio de 2003. Já sobre a redução da idade penal para 16 anos, 81,5% foram favoráveis, contra 88,1% em dezembro de 2003. Os contrários à redução subiram de 9,3% para 14,3%.
Emprego e renda
Emprego e renda estão entre as prioridades que devem ser enfrentadas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo 26,3% dos entrevistados. Saúde Pública aparece em segundo lugar, com 25,7%; seguida de Segurança Pública, 18,2%; Educação, 16,7%; Previdência Social, 5,5%; Defesa Nacional, 2,9% e Inflação, 1,7%.
Programas sociais
Os programas sociais do governo são conhecidos por 56,8% dos entrevistados. Desse total, 15,3% são beneficiários dessas iniciativas e 40,7% dizem não conhecer pessoas que sejam beneficiadas pelo programa.
Para 66% dos entrevistados, os programas são positivos, ajudam à população e levam ao desenvolvimento. Já 27,0% classificam os projetos sociais como negativos por não resolverem os problemas nem gerarem desenvolvimento.
PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Já entre os que têm informações sobre o PAC, esse índice sobe para 57,9% contra 24,7% que não acreditam que o programa vai acelerar o crescimento.
Selic
A redução da taxa básica de juros nos últimos seis meses aumentaram a disposição de 22% dos entrevistados para fazer compras a prazo. Mas, para 65,4%, a redução da Selic não aumentou a disposição para fazer novos financiamentos.
Entre os que disseram que houve aumento na disposição de compras a prazo, 48,4% efetivamente aumentaram suas compras, enquanto 46,8% não aumentaram.
A pesquisa mostra ainda que, do universo dos entrevistados dispostos a fazer compras a prazo, a preferência é por aquisições de eletrodomésticos, com 28% do total. A casa própria foi o segundo item mais citado, com 23,9%. Material de construção e carro aparecem na seqüência com 15% e 11,1%, respectivamente.
Crise aérea
O governo federal foi apontado como o principal responsável pela crise aérea no País. Pesquisa CNT-Sensus mostra essa constatação para 21,2% dos entrevistados. Tomando por base apenas os entrevistados que tiveram contato com o assunto (acompanham ou ouviram falar), esse número sobe para 25,8%.
Voltei (ele, Reinaldo Azevedo)
Para muitos dos que não gostam do governo Lula, os números talvez sejam um tanto desanimadores. Mas eles são absolutamente explicáveis. Mais do que isso: são razoáveis. Eu não esperava nada muito diferente disso. É isto, leitor amigo: conforme-se em ser minoria no Brasil por um bom tempo. O sonho da massa revoltada contra o poder despótico é uma ilusão ou uma tara de esquerda. A maioria da população, em situação de normalidade democrática, é assim mesmo: apática, abúlica e gosta de quem está no comando. Irrupções revolucionárias, só para citar o ponto extremo do desagrado da massa com os governantes, são sempre coisa de minorias e jamais são bem-sucedidas se uma fatia do próprio poder dominante não resolve trair as suas origens. Os historiadores, inclusive os marxistas, sabem disso. Mas criam o mito da resistência popular. Pura balela.
Lula foi reeleito há pouco mais de cinco meses e começou o segundo mandato há pouco mais de três: chegou lá com dois terços do eleitorado e, com pequena variação, ainda os conserva. A rigor, não há razão para ter perdido o apoio daqueles que o reelegeram. Aquele país ainda é o mesmo, com uma ou outra notícia “positiva” a mais, como o PIB recontado e o dólar no buraco, o que enche, acreditem, uma parte importante dos brasileiros de orgulho.
A craca assistencialista grudou na política brasileira, e não será fácil tirá-la, mormente porque as oposições são muito tímidas no país — e tendem a se intimidar ainda mais diante de pesquisas como essa. Querem números exemplares do que estamos vivendo? Dizem conhecer os tais “programas sociais” 56,8% dos entrevistados. Mas 66% os aprovam. Aprovam o quê? A propaganda. Com isso, não quero dizer que os programas não existam. Existem, é claro. Mas são uma abstração para uma boa parcela dos entrevistados — e, pois, dos brasileiros.
Acompanhem: quantos beneficiários, leitor, você conhece do Bolsa Família? A exemplo deste escriba, a resposta é quase certa: nenhum — fazemos parte daqueles 40,7%. Pior: integramos o grupo dos 27% que consideram que eles não respondem ao desafio do desenvolvimento. Estamos na contramão da “doxa”. E agora? Vejam só: Lula inventou o tal PAC para a parcela mais informada da população, que resiste a seus encantos. Nada menos de 59% dos entrevistados — e é provável que todos eles estejam entre os dois terços que o apóiam — nem sabem que diabo é isso. Só 18,6% acham que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Vejam só: se Lula nunca mais tocar nesse assunto, vai decepcionar pouca gente.
E a crise aérea? Como é possível que ela não afete a imagem de Lula? É possível. Ele governa ou para o país que anda de carroça (metáfora) ou para o que compra avião — jamais para o que apenas anda de avião. E não vai abandonar essa clivagem. No médio e no longo prazos, essa administração medíocre do país vai fazer diferença, cobrar a sua fatura? Vai. As políticas públicas têm um tempo de maturação que não é o mesmo do julgamento da opinião pública. Imaginem se FHC tivesse feito tudo o que PT queria nos seus dois primeiros mandatos... Imaginem um país com a economia ainda mais fechada, atolado no endividamento das estatais. Que governo o PT estaria fazendo agora?
Não duvidem: os que não compactuam com o lulo-petismo terão de comer poeira por um bom tempo. É da natureza do jogo. Mais ainda: têm de se organizar para não continuar a comê-la, coisa de que não estou bem certo de que saibam fazer. Penso, por exemplo, nas 3,4 milhões de pessoas jurídicas que integram o MSP — Movimento dos Sem-Político (na verdade, considerando familiares e tal, talvez o dobro disso). Quem fala por eles? Quem vocaliza suas angústias? As oposições, no Brasil, cometem a delicadeza de jogar fora o público que têm ambicionando aquele que jamais terão, porque seduzidos pelo petismo e suas “conquistas”.
Lula navega numa onda extremamente favorável, que só existe porque governos anteriores se negaram a seguir a receita do petismo — que, uma vez no poder, demonstrou não ter receita nenhuma, a não ser, de um lado, acomodar interesses, e, de outro, manter azeitada uma máquina assistencialista inédita. Até que seus erros de agora não comecem a cobrar a sua fatura, vai tocando a vida sem muitos percalços. Mas atenção: mesmo esses erros só passarão a ter importância se transformados em luta política, coisa que as oposições não conseguiram fazer até agora."
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja
Publicado em 10 de abril de 2007
terça-feira, abril 10, 2007
Nosso Novo Lema
Já escrevi aqui e discuti em sala de aula que certos termos e expressões, carregados de significados ideológicos, políticos, científicos e filosóficos são utilizados pelos leigos como se fossem verdades absolutas e, uma vez desprovidas de seu sentido preciso, são vocalizados com galhardia e coragem pelos mais incautos cidadãos.
Por exemplo: alguém aqui sabe exatamente o que é ser de esquerda e de direita? Alguém pode me dizer o que significa a chegada do “risco-brasil” no nível 100?
Onde está a certeza de que a desmilitarização dos controladores de vôo irá gerar o fim do Apagão Aéreo?
Afinal, qual foi a matemática utilizada pelo Romário para dizer que ele finalmente marcará seu gol número 1.000? Será que ele não estaria no 1007? 980? E aquela pelada no final de semana que foi registrada pela filha da cunhada da vizinha do campinho de Macaé, na década de 80? Valeu? Se o Pelé somou o gol que fez, vestindo um terno, no evento que marcou a demolição do estádio de Wenbley e acrescentou à sua lista os gols que fez contra a seleção do exército, o Romário poderia somar os gols que marcou nos churrasquinhos de fim de semana na casa dos amigos e na chácara do Chico Buarque!
O fato é que cada um toma para si certas palavras e cria seus conceitos e verdades sobre elas de acordo com a conveniência do momento, assim como fazem com cálculos e estatísticas de desemprego e do crescimento do PIB. Se está ruim, ora, vamos mudar o cálculo e dar aquele jeitinho de fazer a estatística jogar a nosso favor. Este processo, em alguns casos é pura cara de pau, porém em outros, significa que ainda existem certos conjuntos de conhecimentos sobre os quais a maioria das pessoas não domina.
Eu, por exemplo, desconheço os efeitos do movimento caótico, o caos, sobre a mecânica quântica. Tampouco compreendo as relações binárias e não sei reconhecer se são reflexivas, assimétricas ou qualquer outra coisa que o valha. Da mesma forma, até hoje jamais consegui fazer um pudim de leite condensado igual ao da minha avó e tenho certeza de que não conseguiria fazer um gol vestindo terno com gravata apertada no pescoço. Dessa forma, devemos tomar cuidado com certas “verdades” que escutamos e também verbalizamos.
Desconfiar sempre. Este é o lema!
Se o fulano se diz “de esquerda” e por isso se considera um sujeito “do bem”, “do povo” etc, basta uma pergunta simples para complicar a vida do rapaz: Mas você é marxista leninista, trotskista ou bolchevista? Heim? Pronto, está feito o estrago.
Para a massa da classe média, o assunto do momento é o Apagão Aéreo. Por alguma razão, alguns formadores de opinião, membros do governo federal, da imprensa, dentre outros, venderam/aceitaram tranqüilamente a tese de que a solução para o problema está na desmilitarização dos controladores de vôo. Pouca gente utilizou o nosso lema e, sem desconfiar, passaram a repetir diuturnamente e propagar a “solução”. Alguma pessoa que resolvesse questionar criticamente a idéia faria algumas daquelas perguntas impertinentes, como por exemplo: mas esta solução é juridicamente legal? Ora, se para ingressar em uma determinada carreira é necessário passar por um concurso público, como seria feita a migração de servidores militares para o serviço público civil sem a realização de uma prova para tal? Outra questão capciosa: se o espaço aéreo brasileiro é protegido pela Aeronáutica e os radares operados são os mesmos que os controladores utilizam atualmente para gerenciar o tráfego aéreo, com quem ficaria o sistema? Com os controladores civis alocados em outros ambientes ou com os militares? Afinal, quem vai mandar nos radares? E se forem os civis, com quais equipamentos os militares protegerão nosso espaço aéreo?
Na verdade, este processo não irá acabar com a crise no setor, irá apenas possibilitar maior poder de barganha salarial à categoria dos controladores de vôo. Se na condição de militares eles são capazes de parar o país, imaginem quando a transição de sargentos para companheiros estiver 100% realizada e os novos servidores estiverem devidamente sob a custódia e o amparo de alguma Central Sindical.
Pois bem, certas “verdades” não devem ser repetidas sem antes utilizarmos o nosso lema: desconfiem, meninos e meninas... desconfiem...
Por exemplo: alguém aqui sabe exatamente o que é ser de esquerda e de direita? Alguém pode me dizer o que significa a chegada do “risco-brasil” no nível 100?
Onde está a certeza de que a desmilitarização dos controladores de vôo irá gerar o fim do Apagão Aéreo?
Afinal, qual foi a matemática utilizada pelo Romário para dizer que ele finalmente marcará seu gol número 1.000? Será que ele não estaria no 1007? 980? E aquela pelada no final de semana que foi registrada pela filha da cunhada da vizinha do campinho de Macaé, na década de 80? Valeu? Se o Pelé somou o gol que fez, vestindo um terno, no evento que marcou a demolição do estádio de Wenbley e acrescentou à sua lista os gols que fez contra a seleção do exército, o Romário poderia somar os gols que marcou nos churrasquinhos de fim de semana na casa dos amigos e na chácara do Chico Buarque!
O fato é que cada um toma para si certas palavras e cria seus conceitos e verdades sobre elas de acordo com a conveniência do momento, assim como fazem com cálculos e estatísticas de desemprego e do crescimento do PIB. Se está ruim, ora, vamos mudar o cálculo e dar aquele jeitinho de fazer a estatística jogar a nosso favor. Este processo, em alguns casos é pura cara de pau, porém em outros, significa que ainda existem certos conjuntos de conhecimentos sobre os quais a maioria das pessoas não domina.
Eu, por exemplo, desconheço os efeitos do movimento caótico, o caos, sobre a mecânica quântica. Tampouco compreendo as relações binárias e não sei reconhecer se são reflexivas, assimétricas ou qualquer outra coisa que o valha. Da mesma forma, até hoje jamais consegui fazer um pudim de leite condensado igual ao da minha avó e tenho certeza de que não conseguiria fazer um gol vestindo terno com gravata apertada no pescoço. Dessa forma, devemos tomar cuidado com certas “verdades” que escutamos e também verbalizamos.
Desconfiar sempre. Este é o lema!
Se o fulano se diz “de esquerda” e por isso se considera um sujeito “do bem”, “do povo” etc, basta uma pergunta simples para complicar a vida do rapaz: Mas você é marxista leninista, trotskista ou bolchevista? Heim? Pronto, está feito o estrago.
Para a massa da classe média, o assunto do momento é o Apagão Aéreo. Por alguma razão, alguns formadores de opinião, membros do governo federal, da imprensa, dentre outros, venderam/aceitaram tranqüilamente a tese de que a solução para o problema está na desmilitarização dos controladores de vôo. Pouca gente utilizou o nosso lema e, sem desconfiar, passaram a repetir diuturnamente e propagar a “solução”. Alguma pessoa que resolvesse questionar criticamente a idéia faria algumas daquelas perguntas impertinentes, como por exemplo: mas esta solução é juridicamente legal? Ora, se para ingressar em uma determinada carreira é necessário passar por um concurso público, como seria feita a migração de servidores militares para o serviço público civil sem a realização de uma prova para tal? Outra questão capciosa: se o espaço aéreo brasileiro é protegido pela Aeronáutica e os radares operados são os mesmos que os controladores utilizam atualmente para gerenciar o tráfego aéreo, com quem ficaria o sistema? Com os controladores civis alocados em outros ambientes ou com os militares? Afinal, quem vai mandar nos radares? E se forem os civis, com quais equipamentos os militares protegerão nosso espaço aéreo?
Na verdade, este processo não irá acabar com a crise no setor, irá apenas possibilitar maior poder de barganha salarial à categoria dos controladores de vôo. Se na condição de militares eles são capazes de parar o país, imaginem quando a transição de sargentos para companheiros estiver 100% realizada e os novos servidores estiverem devidamente sob a custódia e o amparo de alguma Central Sindical.
Pois bem, certas “verdades” não devem ser repetidas sem antes utilizarmos o nosso lema: desconfiem, meninos e meninas... desconfiem...
Avaliação de Antropologia
Aos alunos de Antropologia, disse que iria explicar o esquema da Avaliação I no moodle, mas não consegui publicar lá. Sorte que temos sempre o plano B. Então vamos lá.
Peço aos alunos dos demais cursos que não fiquem com inveja dos pupilos do primeiro semestre, mas ocorre que a avaliação da disciplina de Antropologia e Cultura possui outros elementos fundamentais que são distintos das demais matérias, a saber, a necessidade de despertar o poder crítico e ampliar a capacidade dos estudantes em criar textos adequados e marcados pelo distanciamento do senso comum.
Assim, a avaliação I contará com duas questões, sendo uma de ordem mais aberta, baseada na obra de Darcy Ribeiro, e outra mais teórica, baseada nos fundamentos da Antropologia. Quero treiná-los a responder questões bem distintas em uma mesma avaliação, seja no estilo, finalidade e/ou objetivos. Os valores de ambas questões serão diferentes e o maior peso será para a questão 1.
Apenas para recordar: é permitido consultar os materiais utilizados so longo do bimestre, incluindo os livros, textos e anotações em sala de aula. Entretanto, NÃO será permitida a troca de quaiquer tipos de materiais durante o período da avaliação, incluindo textos, canetas, papéis e quaisquer outros objetos.
Até quinta!
Peço aos alunos dos demais cursos que não fiquem com inveja dos pupilos do primeiro semestre, mas ocorre que a avaliação da disciplina de Antropologia e Cultura possui outros elementos fundamentais que são distintos das demais matérias, a saber, a necessidade de despertar o poder crítico e ampliar a capacidade dos estudantes em criar textos adequados e marcados pelo distanciamento do senso comum.
Assim, a avaliação I contará com duas questões, sendo uma de ordem mais aberta, baseada na obra de Darcy Ribeiro, e outra mais teórica, baseada nos fundamentos da Antropologia. Quero treiná-los a responder questões bem distintas em uma mesma avaliação, seja no estilo, finalidade e/ou objetivos. Os valores de ambas questões serão diferentes e o maior peso será para a questão 1.
Apenas para recordar: é permitido consultar os materiais utilizados so longo do bimestre, incluindo os livros, textos e anotações em sala de aula. Entretanto, NÃO será permitida a troca de quaiquer tipos de materiais durante o período da avaliação, incluindo textos, canetas, papéis e quaisquer outros objetos.
Até quinta!
Agora é Oficial: Deputados não Trabalham na Segunda
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Texto: Denise Madueño e Eugênia Lopes
Câmara desiste de sessões de votação nas segundas-feiras
BRASÍLIA - A experiência da Câmara de tentar aumentar os dias de votação na semana acabou. Em reunião dos líderes partidários e do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi decidido, por unanimidade, que não haverá mais sessões de votação às segundas-feiras.
As sessões das segundas-feiras, na avaliação que vinham fazendo os líderes, não estavam se mostrando eficientes nem produtivas. Quando assumiu o cargo de presidente, Chinaglia instituiu votações às segundas-feiras, mas o quórum, nesses dias, estava menor a cada semana. No início, havia a desculpa do chamado apagão aéreo, mas, na segunda passada, se repetiu o quórum baixo.
Para compensar o fim das sessões de votação às segundas-feiras, os líderes se dispuseram a fazer sessões deliberativas às terças-feiras pela manhã e não apenas à tarde. Na reunião, foi mantida a prioridade de votação da proposta de reajuste salarial dos deputados assim que forem votadas as medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta do plenário. A previsão é de que a liberação da pauta se dê na próxima semana.
Chinaglia afirmou, segundo relatos de líderes, que o consenso é pelo aumento que reponha a inflação dos últimos quatro anos medida pelo IPCA, o que significa uma elevação dos atuais R$ 12.847 para cerca de R$ 16.200.
Os líderes e Chinaglia incluíram na lista de prioridades a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que propõe o fim do nepotismo nos três Poderes. O deputado Manato (PDT-ES) apresentou uma versão mais liberal, com mais benefícios para os parlamentares do que a proposta já aprovada em comissão especial da Câmara. Mesmo assim, o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), resiste a votar a proposta, argumentando que vai discutir com a bancada. Na reunião, Chinaglia reafirmou que a reforma política deverá ser votada até o final de maio.
Texto: Denise Madueño e Eugênia Lopes
Câmara desiste de sessões de votação nas segundas-feiras
BRASÍLIA - A experiência da Câmara de tentar aumentar os dias de votação na semana acabou. Em reunião dos líderes partidários e do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi decidido, por unanimidade, que não haverá mais sessões de votação às segundas-feiras.
As sessões das segundas-feiras, na avaliação que vinham fazendo os líderes, não estavam se mostrando eficientes nem produtivas. Quando assumiu o cargo de presidente, Chinaglia instituiu votações às segundas-feiras, mas o quórum, nesses dias, estava menor a cada semana. No início, havia a desculpa do chamado apagão aéreo, mas, na segunda passada, se repetiu o quórum baixo.
Para compensar o fim das sessões de votação às segundas-feiras, os líderes se dispuseram a fazer sessões deliberativas às terças-feiras pela manhã e não apenas à tarde. Na reunião, foi mantida a prioridade de votação da proposta de reajuste salarial dos deputados assim que forem votadas as medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta do plenário. A previsão é de que a liberação da pauta se dê na próxima semana.
Chinaglia afirmou, segundo relatos de líderes, que o consenso é pelo aumento que reponha a inflação dos últimos quatro anos medida pelo IPCA, o que significa uma elevação dos atuais R$ 12.847 para cerca de R$ 16.200.
Os líderes e Chinaglia incluíram na lista de prioridades a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que propõe o fim do nepotismo nos três Poderes. O deputado Manato (PDT-ES) apresentou uma versão mais liberal, com mais benefícios para os parlamentares do que a proposta já aprovada em comissão especial da Câmara. Mesmo assim, o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), resiste a votar a proposta, argumentando que vai discutir com a bancada. Na reunião, Chinaglia reafirmou que a reforma política deverá ser votada até o final de maio.
terça-feira, abril 03, 2007
Eu Voltei!

Escreverei daqui há pouco, mas antes creio ser necessário publicar a capa do filme que indiquei para os alunos de Teoria da Opinião Pública: Terra de Ninguém. É razoável mostrar a imagem do filme, uma vez que existe uma outra obra com o mesmo nome e isso vem confundindo alguns alunos.
Um abraço e até mais!
quarta-feira, março 21, 2007
Eu nem sinto os meus pés no chão...
"Ando
Meio desligado
Eu nem sinto
Meus pés no chão
Olho
E não vejo nada..."
Marisa Monte
Alunos Queridos,
Tenho trabalhado ultimamente em novos e grandes projetos profissionais e, por esta razão, faz uns dias que não publico nada. Para terem uma idéia eu nem consegui terminar a Parte 2 do "Vassalagem Moral" apesar de mais da metade estar pronta e a idéia bem concebida.
Além disso, fui acometido por uma gripe fortíssima, o que deixou este soldado "ferido", mas jamais longe da Guerra!!! Apesar de tudo, voltarei brevemente à vida normal.
PS.: Finalmente consegui acessar o Moodle! Neste fim de semana trabalharei nele para acrescentar materiais para nossos cursos.
Meio desligado
Eu nem sinto
Meus pés no chão
Olho
E não vejo nada..."
Marisa Monte
Alunos Queridos,
Tenho trabalhado ultimamente em novos e grandes projetos profissionais e, por esta razão, faz uns dias que não publico nada. Para terem uma idéia eu nem consegui terminar a Parte 2 do "Vassalagem Moral" apesar de mais da metade estar pronta e a idéia bem concebida.
Além disso, fui acometido por uma gripe fortíssima, o que deixou este soldado "ferido", mas jamais longe da Guerra!!! Apesar de tudo, voltarei brevemente à vida normal.
PS.: Finalmente consegui acessar o Moodle! Neste fim de semana trabalharei nele para acrescentar materiais para nossos cursos.
sábado, março 17, 2007
Sobre a Vassalagem Moral (Parte 1)
Quando eu era uma criança meu pai dizia que minha irmã caçula, com seus 3 ou 4 aninhos, sofria de Gota, porque, segundo ele, ela era muito “Gotósa”! Apesar de infame, é claro que eu achava aquilo engraçado e me lembrei dessa frase da infância porque li esses dias que na maioria dos casos, o primeiro sintoma da Gota (doença provocada pela elevação de ácido úrico no sangue) é, juro (eu li mesmo!), dor no dedão do pé! Interessante estes casos de sintomas e patologias. A Agência EFE de notícias publicou uma matéria sobre os dependentes da Internet e dos Celulares. “Seus dependentes possuem os mesmos sintomas que os de qualquer outro grupo: síndrome de abstinência, insônia, falta de apetite, dependência e uma necessidade compulsiva de se conectar à rede para acalmar a ansiedade.” Até mesmo o som do modem ou do celular pode provocar nesses dependentes taquicardia. Não quero me desfazer da relevância do tema, mas como sou uma pessoa imagética não pude deixar de visualizar um adolescente manifestando excessos de alegria ao toque do celular.
Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”
Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino (refiro-me às desorganizações psíquicas, se é que me entendem!) e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.
Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.
Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.
(Continuarei mais tarde...)
Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”
Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino (refiro-me às desorganizações psíquicas, se é que me entendem!) e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.
Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.
Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.
(Continuarei mais tarde...)
terça-feira, março 13, 2007
Exercício Para os Alunos de Antropologia
Após nossa incrível jornada por Angola, vinda pelas mãos do sociólogo Rafael Belletti, com seu talento e bom humor, passaremos agora para nosso exercício, conforme estabelecido no início do curso. Lembrem-se que trata-se de um trabalho etnológico, cujos dados etnográficos, nos foram trazidos pelo Rafael. Portanto vocês agora deverão escrever um texto sobre uma das fotos que publicarei ainda hoje, conjugando as impressões de vocês sobre os fundamentos da Antropologia, os dados sobre Angola que colheram em suas pesquisas, bem como as informações trazidas em nossa palestra da última quinta-feira.
Apresentarei 4 (quatro) fotos e vou numerá-las de acordo com sua ordem.
Lembro a todos que as fotos são protegidas por direitos autorais e sua reprodução total ou parcial, para quaisquer fins, é totalmente proibida.
Apresentarei 4 (quatro) fotos e vou numerá-las de acordo com sua ordem.
Lembro a todos que as fotos são protegidas por direitos autorais e sua reprodução total ou parcial, para quaisquer fins, é totalmente proibida.
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