sexta-feira, julho 20, 2007

Marco Aurélio Garcia: Voltei das Férias só por causa dele

Quem ainda não viu pode acessar o link abaixo para sentir o escárnio e a obscenidade com que o governo Lula trata as questões mais importantes do país.

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM703872-7823-O+LADO+POLITICO+DE+UM+ACIDENTE,00.html

Sempre que penso ter visto e escutado tudo o que a medíocridade, a canalhice e a bandidagem política de Lula e seu bando pudessem produzir, continuo a me surpreender com a corja repugnante que ocupa o Palácio do Planalto. Jamais escrevi algo tão direto e tão cheio de asco como este post, mas desta vez a combinação da obscenidade do assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia (vejam o link), a falsidade e hipocrisia do pronunciamento de Lula e a indecorosa condecoração de Diretores da ANAC pelos "serviços prestados ao setor aéreo", gerou em meu espírito um dos maiores escárnios que já senti.

Todos os limites foram ultrapassados há muito tempo, entretanto, esta seqüência de obscenidades políticas demonstrou que o fator "opinião pública" já não mais é fruto de reflexões das principais figuras políticas do país. Se ainda fosse, o Comandante da Aeronáutica, o incompetente e inoperante Juniti Saito jamais teria permitido a realização do evento de condecoração dos membros da ANAC. Se a opinião pública fosse elemento considerado importante como cálculo político, a Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, jamais inventaria aquela balela de que não diria onde seria construído o novo aeroporto para evitar especulação imobiliária, pela simples razão de que ela NÃO SABE onde será realizada a tal obra. Ela simplesmente NÃO SABE! Esta obra é um remendo, assim como tudo o que o governo Lula faz, exceto aquilo que ele copia. Me lembrei vivamente da entrevista coletiva tumultuada que a ex-Ministra da Fazenda do governo Collor deu em março de 1989 quando tentava explicar o inexplicável: o confisco da caderneta de poupança de milhões de brasileiros.

As "medidas" do governo para a crise aérea poderiam ter sido tomadas há muito mais tempo, a obra do suposto novo aeroporto é mais um daqueles truques fajutos que ocupam as redes de televisão todos os dias: propagandear o que não existe. O PAC não existia e já era vendido como apanágio para os males do país, as propagandas de TV do governo federal invariavelmente sempre são feitas com termos no futuro, nunca no passado. O "governo fará", "serão investidos", "com o início do programa tal", "o país ganhará 150 escolas técnicas" e por aí vai. Não interessa se o Programa não der certo ou se os recursos a ele destinados forem desviados pela máquina corrupta ainda em operação, pois a mensagem já foi transmitida e os ingênuos um dia a repetirão, mesmo que seu efeito prático seja nulo.

Marco Aurélio Garcia, o homem que defende Hugo Cháves, ultrapassou todos os limites. Ele tem que cair! Todos os Diretores da ANAC têm que cair! O Presidente da Infraero tem que cair. O Comandante da Aeronáutica tem que cair. Toda a cúpula política responsável pela aviação do país tem que cair!!!

A obscenidade dos gestos do assessor especial da Presidência da República representa mais um tapa na cara dos cidadãos brasileiros. Ele está comemorando algo que não é possível comemorar, em nenhuma circunstância, em nenhum lugar.

Os Nojentos

Fonte: Portal da Revista Veja.
Blog de Reinaldo Azevedo.

"Asquerosa!
Deprimente!
Revoltante!
Vagabunda!
Delinqüente!

A que outras palavras se pode recorrer para definir os gestos despudorados do velho Marco Aurélio Garcia (publico acima, de novo, o vídeo), assessor especial de Lula, e do ainda jovem Bruno Gaspar, assessor de Imprensa? Vejam aí: a maturidade não faz o decoro. Num, a idade foi acrescentando tolice, fatuidade, arrogância. No outro, a falta dela confere jactância, fanfarrice, prepotência. E o velho, ali, era o retrato bem-sucedido do moço. Marco Aurélio é Bruno quando maduro. Bruno é Marco Aurélio quando jovem. Essa gente é uma espécie.

O Brasil ainda chora quase 200 vítimas; enlutadas, as famílias anseiam, ao menos, pelos despojos de seus mortos, para que possam concluir suas respectivas tragédias, já que aqueles a quem amavam lhes foram arrancados, surrupiados, seqüestrados por um governo incompetente; que, quando não é só incompetente, consegue ser pior porque incompetente e corrupto. Corrupção e incompetência fartamente documentadas justamente na Infraero, especialmente na reforma do Aeroporto de Congonhas, mortalha de inocentes; picadeiros de palhaços da morte; valhacouto de assassinos.

O que tanto comemoravam aquelas duas tristes figuras? Quem Marco Aurélio achava que estava f_ _ _ _ _o? Quem estava sendo violado pelo sr. Bruno Gaspar? Quais eram seus inimigos imaginários que estavam ali sendo subjugados em seu festim patético? Por que tripudiavam, eufóricos, sobre 200 mortos, sobre histórias interrompidas, sobre famílias moralmente destruídas, que, a esta altura, não têm de seu nem os corpos para enterrar, carbonizados que foram na pira da incúria, da loucura, da irresponsabilidade, da prevaricação? Por que festejam estes vândalos? Qual foi a grande vitória que obtiveram? Quem o assessorzinho chama de “filho da puta”?

A resposta é simples e chegou a este blog na pena dos acólitos, da Al Qaeda eletrônica, dos esbirros menores da ditadura da corrupção, da incompetência e da vulgaridade. Para estas alimárias, a matéria de William Bonner, no Jornal Nacional, provando que a aeronave estava com um dos reversores desativado (e que enfrentara problema no dia anterior ao do acidente) livrava o governo de qualquer responsabilidade. Mais uma vez, a “mídia”, inimiga eterna de ditadores e, por que não?, dos petistas, seria, então, acusada de conspiração. Como se a informação não tivesse sido tornada pública pela própria mídia que se procurava execrar, ferrar, violar, subjugar, submeter, humilhar.

Feios! Sujos! Malvados!

Só que não prova nada! O reversor desativado lhes saiu pela culatra. Todos os técnicos, incluindo a voz oficial da Aeronáutica, sustentam que, em pista adequada, é perfeitamente possível aterrissar sem o reversor — de fato, sem os dois reversores. Ele pode ajudar a diminuir a velocidade de um avião, mas, deixam claríssimos os especialistas, naquela situação vivida pelo AirBus, teria sido inútil. Sabem o que isso significa? Que a hipótese de problema na pista, em vez de ter diminuído, aumentou. A reportagem do Jornal Nacional, não obstante, é muito importante: em sua entrevista coletiva, Marco Antonio Blogna, presidente da TAM, omitira tal dado. Disse que a aeronave estava em perfeitas condições. Poderiam até ser adequadas, mas perfeitas não eram. Também omitiu que a mesma aeronave quase saíra na pista no dia anterior ao acidente. A relação Infraero-empresas-Anac, vai ficando evidente a cada dia, não pode ser mais obscura, confusa, estranha. Sargento Garcia e o Tonto vibraram inutilmente.

Vocês leram; os posts estão nos arquivos. Desde a primeira hora do acidente, apontei a responsabilidade do governo, seja lá qual for a causa desta tragédia em particular. Tanto é, que Lula vai hoje à TV anunciar medidas. Os três órgãos que cuidam do setor são subordinados ao Executivo: Infraero, Anac e Ministério da Aeronáutica. Lembrem-se: quase uma hora depois do acidente, não se sabia que avião ardia em chamas, não se sabia o nº do vôo, não se sabia nada. Trata-se do maior acidente aéreo no mundo em cinco anos. Na história da aviação, é a primeira vez que um país registra dois casos tão graves em prazo tão curto: 10 meses. Não! Ocorre que este governo não suporta cobranças. Como fica claro num vídeo que postei ontem, Lula ainda espera que lhe sejamos gratos por cumprir tão mal as suas obrigações.

Desde o primeiro post sobre o caso, a Al Qaeda eletrônica tenta se infiltrar aqui. A acusação estúpida, maledicente, que segue o velho princípio de acusar os adversários dos vícios que “eles” têm, é que eu estaria contente com a tragédia. A cobrança política que fiz foi tachada de exploração da dor alheia; foi chamada de insensível. O lema passou a ser, então: “Vamos parar de politizar o acidente”. Revejam o vídeo de Marco Aurélio e de Bruno Gaspar. Agora respondam: quem, de fato, explora a tragédia? Quem se ocupa unicamente de sua dimensão política? Quem, com efeito, está mais preocupado com a imagem do governo do que com a dor das famílias dos mortos?

Marco Aurélio, o Dom Giovanni da ditadura do proletariado, e seu Leporello pegador, de crachá e camisa amarrotada, são mais indecorosos pelo que pensam do que pelos gestos obscenos que fazem. São o retrato de um governo mais interessado em achar uma desculpa do que uma resposta; mais interessado em se safar do juízo da opinião pública do que em resolver um problema. E poderia ser diferente? Garcia é um dos artífices de nossa política externa; foi o homem enviado por Lula à Venezuela, logo nos primeiros dias de seu primeiro mandato, para atestar a “democracia até em excesso” de Hugo Chávez. É o pensador por trás da aproximação de Lula com as ditaduras islâmicas. É, não custa lembrar, co-fundador, com o Apedeuta, do Foro de São Paulo, um ajuntamento de partidos e grupos de esquerda da América Latina em que as narcoguilheiras Farc têm assento. Presidiu o PT durante a crise do dossiê e foi um dos formuladores da tese de que se tratava, vejam só, de uma tentativa de golpe de Estado.

Tremores e desculpa
Marco Aurélio resolveu dar uma pequena entrevista se explicando, com seus óculos redondinhos, como a anunciar que atrás daquelas lentes mora um intelectual refinado. Nós vimos. Classificou as imagens de “clandestinas” e disse que, em público, não se comportaria daquela maneira. Falo já disso. Clandestinas? Ele estava no Palácio do Planalto, na sede do Poder Executivo. Talvez ignore, mas aquele é um espaço público, e ele podia ser visto próximo à janela. Ninguém invadiu a sua casa para flagrá-lo na intimidade. Muito ao contrário. O que ele esperava? Que o cinegrafista, vendo-o ali, desligasse por pudor a câmera? Talvez sim. Os indecorosos sempre esperam que os decorosos se intimidem. Contam com isso.

Mas estupenda e reveladora é sua afirmação de que jamais faria aquilo em público. Ora, todos sabemos, não é? A frase é um emblema. Existe o petismo público e existe o petismo de corredor; existe o petismo para a massa de néscios, e existe o petismo para os escolhidos; existe o petismo oficial, e existe o petismo não-contabilizado, paralelo, caixa dois. Estamos falando, afinal, desde sempre, de um esquerdista para quem, por definição, a moral está a serviço de um projeto. E, na trajetória da esquerda, nunca importou quantos poderiam ou precisariam morrer para que esse projeto se realizasse.

“A nossa moral e a deles”
Marco Aurélio não vem da banda do PT stalinista. Vem do trotskismo — e ele não se curou: ficou mais doente. Porque agora aderiu também à vida pançuda da burocracia estatal. Trotsky é autor de um célebre texto em que fala da “nossa moral [dos socialistas] e da deles [dos burgueses]” Saibam, leitores: tudo aquilo que reconhecemos como escrúpulo, decência, limite, individualidade, respeito ao outro, tudo isso não passa da moral burguesa, a ser descartada liminarmente em nome de uma outra moral, uma doutrina aberta que, supostamente, vai-se construindo na história, mas que, de fato, atende exclusivamente aos interesses do partido encarregado da revolução. No caso, a revolução possível: essa porcaria que o PT vem fazendo.

Para realizar seus objetivos, temos outros exemplos, essa gente já demonstrou não ter limites e não se intimidar jamais. Nas suas explicações, ao ajeitar os seus óculos redondinhos, Marco Aurélio tremia feito uma gelatina. Era alguém acostumado, como se viu, a gestos bastante eloqüentes nos bastidores obrigando-se a fingir uma civilidade que, com efeito, não tem. Pelo menos, vá lá, é um medalhão do partido. E aquele outro coitado? E o Robin ideológico do Batman pançudo do socialismo?

Acusam seus adversários daquilo que eles próprios fazem. Não! Eu não celebrei a morte de ninguém. Lamentei. Lamentei todas elas e uma em particular, a do deputado Julio Redecker (PSDB-RS), e já expus aqui os motivos. Ah, eles sim. Eles tentaram comemorar o que seria a vitória sobre os adversários. Na entrevista, Marco Aurélio teve o mau gosto adicional de citar os mortos, que seriam a causa original de sua indignação. Conversa! Ele julgou, junto com o seu “Menino Prodígio” rompedor, que a fatura estava liquidada. Para ele, Lula havia ganhado mais essa. Para ele, Lula havia derrotado os 200 mortos.

Mas não derrotou. Eles lhe pesam sobre os ombros, junto com os 154 do avião da Gol. Hoje o demiurgo fala. Embora “não tenha nada com isso”, vai anunciar medidas. Se não der um pé no traseiro do Batman Gorducho e do Robin matusquela, estará repetindo ele próprio o gesto de seus subordinados. E, aí, para todo o povo brasileiro. Nunca uma gente tão baixa chegou tão alto. E, por isso, morremos assim: esturricados na fogueira de sua incompetência.

E saibam: eles sempre podem ir um pouco mais longe."

domingo, julho 15, 2007

Todas os Minhas Crianças em Mim

Esta será a última mensagem antes das minhas férias e das férias deste blog.
Preciso mudá-lo um pouco, a começar pelo nome e pretendo dinamizá-lo de alguma forma, mas ainda não sei como. Terei que pensar. E é este o problema: pensar. Não sei quem disse isso, me desculpem, mas a frase é muito boa: todo conhecimento adquirido é um novo fardo que se carrega. Sempre pensei o contrário, pois para mim, todo novo conhecimento era (ou é) uma gota de liberdade que se bebe. Mas nesta tarde reuni quatro crianças em minha casa para assistir ao jogo do Brasil com a... com a... nem me lembro qual era o nome do time de azul que corria abestalhado pelo campo. Mas, enfim, o fato é que havia convidado meu afilhado para assistir a partida em casa. Depois convidei seu irmão, meu outro sobrinho. A prima deles estava na cidade e então pensei que onde vão dois, também vão três. Bem, horas depois, com a ajuda deste raciocínio, olhei para o retrovisor e no banco dos passageiros quatro crianças faziam uma algazarra sem fim. Então lá estava eu com aquele monte de crianças a me oferecer as mais belas lições que só eles poderiam me dar. Tenho passado por um período cheio de cansaço. Físico, intelectual e moral.
E nesta lide com o desgaste, muitas respostas a oferecer a mim mesmo. Como não consigo resolver diversas questões pendentes, pensei que pudesse observar, nas crianças, como elas lidam com suas decisões. Outro dia dois deles ligaram para a avó, minha mãe, que possui um restaurante em Ribeirão Preto, e pediram uma reserva de mesa. Sim, o menino de 7 anos e a menina de 8 anos queriam jantar sozinhos. Questionados porque queriam jantar em uma mesa só deles, Lucca respondeu que tinha algo "muuuuiiito importante" para falar para a Beatriz, sua prima. Então a avó respondeu: Lucca, consegui reservar a mesa 11. Mas Nonó, 11!!! Eu queria ficar só eu e a Bibi!!! Calma Lucca, eu disse a mesa 11 e não 11 pessoas!
Desfeita a confusão, no horário marcado lá estava o lindo casal de primos. Eles sentaram-se à mesa e logo sacaram vários papéis e lápis de cor de todos os tipos. E assim passaram a noite, batendo papo e desenhando. Era, enfim, isso o que queriam, um lugar confortável para desenhar. Simples: tenho vontade de fazer algo, do meu jeito, na minha hora e com quem eu desejo e então eu simplesmente faço, sem me importar se estou ou não ocupando a vaga de alguem, fazendo a fila esperar ou se ao final pagarei a conta ou não.
Nesta tarde, as lições continuaram. Gosto de deixá-los "se virar". Então, fingindo que não vejo, divido as tarefas e enquanto faço uma coisa, como por exemplo, ficar na fila para comprar os ingressos do cinema (Ratattouille merece um post à parte!!!), deixo que eles se organizem na fila da pipoca! E lá vão eles, pequeninos e corajosos, enfrentar aquele balcão enorme e a responsabilidade de dividir o dinheiro, escolher as guloseimas, comprar as bugigangas e voltar com o troco bem contado. Fiquei de longe observando como se organizam e assim eu fiz na livraria, na lanchonete, no cinema e em toda essa tarde. Reparei que suas decisões são simples, rápidas e determinadas. Não há um minuto sequer de uma dúvida pairando no ar, nem tampouco uma sombra de arrependimento sobre a decisão tomada. Simplesmente decidem e executam. Pensei que talvez, na idade deles, eu também pudesse agir assim e evidentemente também fiquei buscando, assombrado, em que momento da minha vida eu deixei esta simplicidade de lado para inventar a complexidade e a dúvida. Penso que foi quando as formalidades surgiram, quando as convenções sociais me foram impostas, os códigos de conduta determinados e, finalmente, quando chegou a hora de exercer meu "papel": vai Renato! Ser gauche na vida! E aqui estou eu: torto, incrédulo, dadivoso, dividido, inexpugnável, receoso, "enduvidado".
Quiçá um dia as crianças que me habitam possam gritar dentro de mim e transformar a inquietante dúvida, na plenitude da certeza. O complicado em simplicidade. Enquanto este dia não chega, continuarei pensando e aguardando uma mesa para ser minha.

terça-feira, junho 05, 2007

Vamos Organizar


Para quem acompanha este blog, assumi o compromisso de escrever alguns posts sobre corrupção. Este post serve para organizar as coisas!
Minha intenção foi escrever algo um pouco fora do senso comum e das coisas que aparecem na imprensa. Dessa forma, escrevi uma seqüência de três posts (falta mais um!), as vezes um pouco longos, mas quem tiver paciência e interesse pelo tema não se cansará. Eu escrevo nestes três posts as seguintes idéias:
a) a relação entre dinheiro e política;
b) a necessidade de financiamento para a atividade política no sistema democrático;
c) as campanhas eleitorais;
d) os desvios na lei e, finalmente (no último post)
e) os resultados nefastos que a dependência financeira provoca nas relações de poder e criminalidade instaladas no meio político.
Alterei as datas dos posts para que tenham uma lógica para os leitores.
Espero que gostem, mas, acima de tudo, espero que os textos contribuam para o entendimento de parte da questão, uma vez que ela é bem complexa e com diversas nuances.
Um abraço a todos!

Série Corrupção - Parte I: Financiamento Político

O ano era 1981. Abrahim Farhat e seus companheiros do PT levaram Lula e sua comitiva para comer no bar e restaurante Casarão, ao lado do quartel da PM. Lhé, como era conhecido o fundador do PT no Acre, estava preocupado porque o PT daquele estado era muito pobre e naquele dia sequer tinha dinheiro para pagar o almoço dos visitantes.

Aí aconteceu o “milagre”, que tanto Lhé admira. Todos estavam comendo, quando chegou na mesa o seu Nicolau, pai do Valter, dono do restaurante, e interpelou Lula sobre o que ele estava fazendo no Acre. Lula não o reconheceu de imediato, mas seu Nicolau tratou logo de refrescar a memória do então presidente do sindicato dos metalúrgicos. “Lula, foi você que assinou a minha aposentadoria lá no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Por isso, na casa do meu filho, vocês não precisam pagar a comida que estão comendo”.

Uma das máximas mais utilizadas nas empresas privadas para explicar como funciona o sistema capitalista é a famosa idéia de que sempre alguém terá que “pagar o almoço”. O preceito, autoexplicativo, indica a necessidade de planejamento detalhado, orçamento adequado e aplicação de recursos financeiros minuciosamente controlados como regras básicas do setor produtivo. Qualquer desvio de finalidade, erro de cálculo ou ação defeituosamente implementada acarretará algum tipo de prejuízo, cujo custo poderá ser sentido em diferentes escalas de acordo com o grau de erro aplicado.

No sistema capitalista, portanto, não existe a mais remota possibilidade de ocorrer qualquer tipo de “milagre”, uma vez que o dinheiro, no sentido ampliado de “valor”, é quem determina o movimento econômico desde o séc. XVI, quando o mercado e o comércio mundiais inauguraram o que Marx chamou de a moderna história do capital.

Desta feita, no capitalismo, cujo sistema político fundamental é a Democracia, independentemente das diferenças entre as doutrinas liberais e socialistas, qualquer atividade vinculada à sua manutenção e desenvolvimento, seja na esfera privada ou pública, irá gerar custos financeiros e algum tipo de comprometimento econômico aos seus atores.

Portanto, é dada como inquestionável a necessidade de um determinado capital que faça movimentar a máquina da democracia. Também é indiscutível a idéia de que entes dos sistema democrático, justamente por ser realizado no palco do capitalismo, devem regular toda atividade vinculada ao processo eleitoral com o objetivo de equilibrar a disputa (preceito constitutivo de igualdade de direitos da própria democracia), julgar e punir casos de abuso de poder econômico (quando ocorre o desequilíbrio na disputa eleitoral) e zelar pela própria sobrevivência do sistema, uma vez que a radical ruptura do equilíbrio perseguido é o caminho para seu desfacelamento.

Mas no sistema democrático, além do dinheiro, existem outros “valores”, os quais são importantíssimos para a captação dos recursos financeiros propriamente ditos. Tais “valores” são difíceis de serem mensurados, pois estão ligados à história dos partidos, ao prestígio de personalidades do meio político ou mesmo ao conjunto de idéias defendidas pelos mandatários do poder. Tais valores traduzem-se em capacidade de articulação e acesso a recursos para financiamento dos embates políticos.

Uma história (ou lenda!) que ilustra a importância do valor citado acima é a de uma entrevista que um grupo de jornalistas fazia com Jânio Quadros. Entre as inúmeras indagações, um repórter fez a seguinte pergunta: Dr. Jânio, como é que o senhor consegue tanto apoio para suas campanhas eleitorais? Sem dizer qualquer palavra colocou um cigarro na boca e bateu com as mãos nos bolsos do paletó que vestia fazendo menção a inexistência de algo para acender seu cigarro. Imediatamente, todos à sua volta sacaram suas caixas de fósforo e isqueiros e esticaram os braços em sua direção. Calmamente, Jânio Quadros virou-se para o jornalista e indagou: Isto responde a sua pergunta?

Esta história, independente de ser verdadeira ou tratar-se de mais uma lenda em torno da personalidade do ex-presidente Jânio Quadros e a história contada no início deste texto, sobre a visita de Lula ao Acre, ilustram com bastante simplicidade a importância de certos valores, materiais e imateriais, para a consecução de projetos políticos dos mais variados.

Em qualquer dos casos, é fato que o dinheiro, para utilizar o termo mais direto, é o núcleo que dá vida a todo o aparato necessário para o sucesso das pretenções político-eleitorais.

Porém o Brasil vive um tempo em que “milagres” não mais acontecem e que certos “valores” já não são necessariamente a garantia de uma campanha repleta de apoio. Em parte os problemas atuais são fruto de questões formativas da sociedade brasileira e da compreensão da importância da prática política.

No campo político temos como períodos de nossa formação histórica exemplos como o Patrimonialismo caracterizado pela mistura e conluio entre o poder privado e o poder estatal, que gerava súditos em detrimento de cidadãos e o Coronelismo, marcado pelo excesso de poder regional dentro de um sistema federativo, o qual provocava um excesso de dependência do ente federal em relação ao ente municipal. No plano histórico recente temos poucos períodos ininterruptos de manutenção do sistema democrático e uma herança ditatorial forjada no período da ditadura militar, pós 64, a qual transfigurou elementos importantes que serviriam de defesa do sistema democrático.

Por outro lado, a própria concepção sobre a prática democrática ainda carece de elementos positivos, uma vez que a opinião pública ainda costuma definir a participação e ação políticas com adjetivos pouco amigáveis, os quais não seriam adequados apresentar neste blog. Assim, o país da desigualdade de distribuição de renda e do abismo existente entre ricos e pobres vê as mesmas características se repetirem quando o tema é a prática política e o envolvimento dos cidadãos nos assuntos públicos.

Exceto nas vésperas dos dias de eleições, o povo brasileiro é pouco afeito a uma participação ativa no campo político justamente porque vê mais ônus do que bônus na prática democrática.

O cruzamento dessas peculiaridades, herança histórica, dificuldades de compreensão sobre o tema, precária formação política, baixos níveis educacionais e o conjunto de crenças populares e visões distorcidas da opinião pública dadas como “verdades”, formam o extrato do que entendemos como apatia e repulsa à prática política.

Referidas peculiaridades também se aplicam àqueles que se descolam da massa da população e passam a “fazer” política, isto é, participar do processo ativamente, independentemente de seu papel ser o de um protagonista, coadjuvante ou figurante. Neste caso, a compreensão sobre o tema vem transformando o problema da apatia política em verdadeiros casos de polícia. Explico-me no próximo post. Até mais!

Série Corrupção - Parte II: Financiamento Político

É da tradição republicana os integrantes do campo político compreenderem suas atividades como algo descolado daquelas funções que os pensadores e filósofos das teorias da formação do Estado qualificariam como mais nobres, dentre elas a defesa da liberdade, da autodeterminação dos povos, da eqüidade, da cidadania, enfim, de um arcabouço de conceitos e normas que defendam o ser humano e sobretudo a vida.

Weber, em seu pequeno ensaio “A Política Como Vocação” aborda o tema da busca e manutenão do poder com simplicidade, clareza e de uma forma interessante ao distinguir aqueles que vivem da política daqueles que vivem para a política. Segundo sua visão “Quem faz política busca o poder. Poder, ou como meio a serviço de outros fins ou poder por causa dele mesmo, para desfrutar do prestígio que ele confere". Esse último modo de poder político é recorrente em nossa história e denota o tamanho do esforço e de energia necessários para a acirrada luta durante o processo de chegada ao poder.

Num sistema capitalista esse “esforço” e “energia” podem ser traduzidos em “apoios” e “dinheiro”, sem os quais nenhuma candidatura, seja de vereador de uma cidade média ou de presidente da república, consegue sair vitoriosa.

Sabe-se que apenas 15% dos eleitores que votam nas eleições gerais veêm seus respectivos candidatos vencerem a corrida eleitoral. Isso significa que, em média, 85% dos votos são destinados a candidatos que perdem a eleição ou que se posicionam nas cadeiras de suplentes. Este dado oferece a dimensão da dificuldade de se obter uma vaga para o exercício de um mandato de 4 (quatro) anos em quaisquer esferas do poder.

Portanto, diante dessa realidade de má formação congênita no campo da política (tomo emprestado o termo médico para tentar ilustrar e transmitir a ênfase que pretendo registrar, no sentido de frisar que determinada classe de políticos já possuem “desvios” seja de formação ética ou política, antes mesmo de adentrarem o campo da ação e da prática eleitorais), de despreparo para a execução de um mandato e de relativa ou algumas vezes total dependência do poder econômico para vencer a disputa eleitoral, tem-se uma situação preocupante, a qual contribui para a corrosão do sistema democrático, à medida em que os atores das campanhas utilizam os meios mais engenhosos para burlar as regras que, em tese, foram criadas para minimamente igualar as disputas.

Entre os “fazedores de campanhas” existe um sentimento generalizado de que a legislação eleitoral atrapalha o desenvolvimento dos trabalhos e que é útil apenas quando é possível açoitar o adversário com uma multa, retirada de material de campanha das ruas ou mesmo um direito de resposta, quando da identificação e posterior denúncia de qualquer ato de desrespeito às normas cometida pelo oponente.

De uma forma muito objetiva, para a maioria dos profissionais que comandam as campanhas, a lei eleitoral não é entendida como um apanágio necessário para tornar a contenda mais democrática, mas sim como um conjunto de regras impostas para disciplinar a ação entre os adversários evitando que ambos se auto-destruam ao longo dos fatídicos meses de luta pelo voto.

Vale ressaltar que a função da legislação é, de fato, disciplinar a disputa, entretanto, não ocorre aos participantes do processo que a sua essência está muito mais vinculada a uma questão de preservação do sistema democrático do que de imposição de controles de conduta. (continua no post seguinte).

Série Corrupção - Parte III: Financiamento Político, corrupção, caixa dois, narcotráfico e outros bixos

Se analisarmos do ponto de vista dos profissionais que ocupam os postos de comando das campanhas eleitorais, na maior parte das vezes a Lei Eleitoral é um objeto a ser burlado. Isto porque a consecução eficiente deste objetivo corrompe imediatamente a sua função de equilibrador da disputa e, portanto, a vantagem passa a pender do lado do candidato que obteve algum tipo de exposição superior àquele que se mantém coerente com as normas importas pela Justiça Eleitoral.

É imprescindível ressaltar que todas estas afirmações não são simples generalizações sem qualquer embasamento teórico ou empírico. Trata-se apenas de uma tentativa de conduzir o leitor a um ambiente em que a crueza da disputa faz com que existam formas distintas de compreender o processo político eleitoral. Fazemos este parênteses apenas para anunciar a existência daqueles candidatos e comandos de campanhas que não só zelam pela manutenção da lei eleitoral, como também dispensam boa parte de suas energias, notadamente por meio de seus advogados, a fiscalizar a ação de seus adversários na esperança de que uma falha, por menor que seja, poderá vir a render votos no dia da eleição.

Aliás, um dos grandes aliados da Justiça Eleitoral no trabalho de fiscalização da lei, são justamente aqueles candidatos que optam pelo caminho do respeito às regras do jogo.

Entretanto, existe um aspecto que a cada processo de observação dos cientistas políticos fica mais evidente quando o assunto é o respeito ao código eleitoral: a fraude na prestação de contas.

É fato a existência de diversos mecanismos que promovem o ocultamento dos valores arrecadados e das fontes de financiamento, mas estas linhas não tratarão especificamente das estratégias utilizadas para enganar a justiça, mas sim, das razões que levam ao ocultamento das contribuições, dos valores aproximados de uma campanha eleitoral e, finalmente, da confrontação entre os valores médios de uma campanha eleitoral com aquilo que é apresentado pelos candidatos aos tribunais eleitorais.

Existem diferentes razões para que os candidatos não apresentem, em suas prestações de contas, o nome de seus doadores. Tais razões podem ser divididas em dois grupos: corrupção e cálculo político-eleitoral.

Não se trata de definir com precisão o que venha a ser a corrupção, uma vez que temos o significado geral do termo impresso em nosso vocabulário certamente com bastante precisão. Entretanto apenas para dispor o termo no ambiente em que necessitamos aborda-lo, a corrupção é, de modo geral, um fenômeno em que determinado indivíduo, servidor estatal (funcionário público de qualquer natureza), executa uma ação fora dos padrões normativos das instituições públicas, com o fito de receber alguma recompensa em troca do favorecimento de interesses pessoais e em prejuízo do interesse público.

A corrupção corrói a dignidade do cidadão, aprofunda a má distribuição de renda no país, alimenta as desigualdades sociais, ameaça o sistema democrático, corrompe as instituições, prejudica a formação do civismo e do sentimento de pertencimento a uma coletividade, além de significar perdas monstruosas de dinheiro público que são desviados para organizações criminosas de todos os tipos.

A corrupção é umas das principais chagas do país. Ela é uma permuta nefasta entre aquele que corrompe e aquele que se deixa corromper. “A corrupção é uma forma particular de exercer influência: influência ilícita, ilegal e ilegítima. Amolda-se ao funcionamento de um sistema, em particular ao modo como se tomam as decisões. A primeira consideração diz respeito ao âmbito da institucionalização de certas práticas: quanto maior for o âmbito de institucionalização, tanto maiores serão as possibilidades do comportamento corrupto. Por isso a ampliação do setor público em relação ao privado provoca o aumento das possibilidades de Corrupção. Mas não é só a amplitude do setor público que influi nessas possibilidades; também o ritmo com que ele se expande. Em ambientes estavelmente institucionalizados, os comportamentos corruptos tendem a ser, ao mesmo tempo, menos freqüentes e mais visíveis que em ambientes de institucionalização parcial ou flutuante” (Bobbio & Matteucci).

No manual para ONG´s “Monitoreo Cívico del Gasto en Propaganda Política” a questão da importância das instituições também é citada como barreira que se impõe contra os atos de corrupção. “Tanto o financiamento quanto a corrupção estão intimamente relacionadas com a qualidade do governo e com a magnitude das economias informais (economias que estão fora do controle estatal) de cada país. Quanto menor a qualidade do governo e maior a economia informal maiores serão também os riscos e a falta de transparência nas campanhas eleitorais e no financiamento dos partidos.”

A corrupção no sistema eleitoral pode ser realizada de diversas formas, mas, como já foi afirmado anteriormente, o foco deste texto está na questão do financiamento de campanhas eleitorais. Neste sentido, a corrupção está no ato de ocultar as doações de campanha com a criação do chamado “Caixa Dois” ou, nos termos legais, manter ou movimentar recurso ou valor paralelamente à contabilidade exigida pela legislação, ou ainda, em termos políticos contemporâneos, utilizar de recursos não contabilizados para favorecer candidatos ao longo das disputas eleitorais.

O Caixa Dois, (ou os recursos não contabilizados), fere as regras da disputa eleitoral na medida em que oferece ao candidato a possibilidade de efetuar a captação de financiamento por meio de fontes cuja idoneidade não pode ser confirmada, fontes que os eleitores não têm o conhecimento (e que portanto não entram no cálculo de decisão de cada eleitor em votar ou não neste ou naquele candidato) e fontes que eventualmente estão proibidas de praticar esse tipo de doação.

Além disso, e o pior, o Caixa Dois é uma porta de entrada privilegiada para a lavagem de dinheiro proveniente de outros atos ilícitos, tais como o roubo, contrabando, narcotráfico etc.

As possibilidades são imensas e variadas e certamente muito mais sofisticadas do que a capacidade da Justiça Eleitoral fiscalizar a ação delituosa com a qualidade e perfeição que toda a sociedade, inclusive a própria justiça, esperam. De fato, a corrupção no sistema eleitoral é uma realidade indiscutível, cuja soma dos valores ninguém consegue calcular.

O truque está, basicamente, em “esquentar” o dinheiro por meio de notas fiscais de fornecedores que emitem as notas e recibos sem que o serviço tenha sido prestado. Por outro lado, outra forma comum de burlar a lei é contratar serviços que de fato são executados a bem das campanhas, mas cujas notas não são emitidas. Dessa forma é possível, por exemplo, imprimir uma tonelada de papéis para material de campanha e emitir uma nota com apenas cem kilos discriminados.

Apenas para revisar, é importante demonstrar que o Caixa Dois tem dupla função: esconder um doador e/ou “esquentar” dinheiro proveniente de organizações criminosas. Entretanto, aquela que é utilizada em larga escala refere-se justamente ao ocultamento de repasses de recursos financeiros que não podem ser registrados, muitas vezes pela segunda razão, a qual foi citada nas páginas anteriores: o cálculo político-eleitoral.

Certa feita, o ex-presidente americano Richard Nixon disse que “os agentes do Serviço Secreto protegem os candidatos contra os maníacos e os pesquisadores de opinião os protegem contra os eleitores. Ao mesmo tempo, os assessores de campanha vendem ao candidato um pacote completo: mensagem, estratégia, tática e infra-estrutura e dão assim aos eleitores não uma opção entre vários candidatos, mas uma opção entre vários pacotes.”

A frase é valiosa para explicar a razão que faz parte do segundo grupo anteriormente citado: o cálculo político-eleitoral.

Nas próximas páginas abordaremos a questão propriamente das campahas eleitorais, suas estruturas, dinâmica e demandas necessárias para que o resultado seja satisfatório. No entanto, uma coisa é certa: toda candidatura representa um “pacote” e muitos candidatos não estão interessados em rechear seus pacotes com doadores considerados inadequados para a sociedade, nem tampouco o eleitor aceitaria um pacote, ainda que muito bem embrulhado, cujo conteúdo possa ferir seus ideais, costumes ou preceitos morais.

Dessa forma, é comum, dentro do cálculo político-eleitoral os comandos de campanha ou mesmo os próprios candidatos vetarem determinados nomes de doadores, ou seja, “aceitamos o seu dinheiro, mas negaremos publicamente qualquer relação com sua empresa”. Ainda que por um momento seja razoável imaginar que a recíproca seja verdadeira, muitas empresas encaram esse tipo de relação com bastante naturalidade, uma vez que seus interesses em determinadas votações são infinitamente mais importantes do que a divulgação que determinado político conta com seu apoio.

Empresas com imagem pública arranhada, fábricas poluidoras, indústrias de cigarros, bebidas ou mesmo grandes corporações com interesses bélicos são alvos freqüentes de ataques de membros do governo, ONG´s ou de cidadãos descontentes com seus ramos de atuação. Muitas vezes para determinados políticos vincular a sua imagem ao de empresas de pouca ou nenhuma reputação converte-se num golpe fatal para suas pretensões de chegada ao poder e, ao mesmo tempo, um saboroso prato para seus oponentes.

Por outro lado, o Caixa Dois também é utilizado para engendrar os mais complicados métodos de fraudes contra a Receita Federal, afim de “esquentar” dinheiro proveniente de operações ilegais nos mais variados ramos de atividade do crime. Neste quesito, vale lembrar que existem poucas provas e/ou casos da narrativa policial em que as autoridades conseguem detectar operações deste tipo, ainda que possamos encontrar na literatura, seja a policial, jornalística, política ou acadêmica (notadamente com os autores que estudam a questão da corrupção em sistemas eleitorais) indícios de práticas que vão desde a lavagem do dinheiro proveniente de operações vinculadas ao contrabando, roubo de cargas e narcotráfico, até o uso indevido de recursos públicos destinados a partidos políticos, desviados para os mais variados fins, estranhos àqueles que a Justiça Eleitoral determina.
(publicarei nos próximos dias o último post da série)

sexta-feira, junho 01, 2007

Ela de novo

Ano passado um dos temas mais citados neste blog foi a corrupção. Eu tinha muito material para isso e a cada dia uma novidade aparecia. Infelizmente, escrever sobre corrupção no Brasil virou um tema redundante e me parece que jamais nos livraremos desta praga. Faz mais de um mês que tenho me segurado para não voltar ao tema, apesar de escrever de uma maneira amena sobre a Operação Hurricane, da Polícia Federal. Mas depois veio a Navalha, a nova crise de ética política e quando nesta manhã eu li sobre dois participantes do programa Aprendiz 4, que foram demitidos por Roberto Justus por uma “falha ética”, eu não resisti e decidi voltar à carga.

A corrupção é definitivamente uma patologia do caráter torto do povo brasileiro e para abordar o tema escreverei uma seqüência de ao menos dois posts sobre corrupção, evidentemente tentando agregar algo aos leitores deste blog que fuja do senso comum.

Não sei se conseguirei, mas prometo tentar.

quinta-feira, maio 03, 2007

Dinheiro, Amor, Trabalho e Democracia

Uma das maiores dificuldades para a manutenção dos sistemas democráticos é ser valorizado e defendido pelo seu povo. Os cidadãos, principalmente os mais jovens, desconhecem certos valores intrínsecos que fazem com que, mesmo com suas imperfeições, a democracia ainda seja a forma mais pluralista e eficaz de geração de riqueza, com desenvolvimento econômico e social. Entretanto, essa relação entre Povo e Estado, Cidadania e Direitos, só sobrevive por meio do fortalecimento da liberdade de expressão, liberdade de imprensa, participação política, tolerância e compromisso com a Constituição, no que ela expressa em termos de direitos e deveres. A educação tem total vínculo com tais relações, pois quanto mais educados, informados e críticos, melhor será sua convivência com a democracia.
Dessa forma, faz toda a diferença saber ler e interpretar notícias nos jornais; faz toda a diferença conhecer a história recente do país; faz toda a diferença compreender seu papel e importância no sistema. Quanto mais estudar, conhecer e decobrir, mais você será valorizado por sua família, amigos, companheiros de trabalho e, dessa forma, tanto melhor será sua auto-estima e capacidade produtiva. Portanto, ao reconhecer sua parcela de importância dentro da sociedade e de sua participação na defesa da democracia, tanto melhor será sua vida social, sua produtividade intelectual e seus rendimentos financeiros.
Sim. Há total relação entre a sua felicidade pessoal e os valores que carrega consigo, desde valores morais até os políticos. Experimente observar o que faz as pessoas se sentirem felizes. Inicialmente suas respostas serão dinheiro, saúde, amor... não necessariamente nesta ordem. Mas pensando um pouco melhor entenderás que a saúde é um estar bem consigo mesmo, é paz de espírito, é não ter rancor e fazer com que a palavra "ódio" não faça parte de seu vocabulário. É querer bem ao outro e não desejar maldades para as pessoas. O dinheiro vem com o trabalho, valorização profissional, formação acadêmica, capacidade de superação e com aquele gosto de missão cumprida, ainda que sempre pensarás que se é mau remunerado por tudo o que fez. Posso garantir que pior do que despertar numa manhã planejando quais as contas pagar com seus parcos recursos é levantar-se da cama e não ter para onde ir. E o amor, bem, o amor que é fogo que arde sem se ver, arde melhor quando você se sentir mais bonita ou bonito, mais auto-confiante e independente, mais seguro de quanto você vale. E o amor é sempre melhor com alguem que tenha uma boa conversa, que saiba valorizar uma taça de vinho numa noite fria, que seja engraçado e que tenha um dinheiro para passear no fim de semana. Sim, a materialidade também é fundamental para nutrir aquele amor espiritual. Mas se observarem bem, a materialidade, a conversa engraçada, a sensibilidade, o bom humor, a delicadeza e a inteligência são diretamente proporcionais ao seu desempenho na faculdade, no trabalho, na sua capacidade de interagir com pessoas diferentes.
Portanto, por mais incrível que pareça, defender a democracia, estudar bastante, tentar viver em harmonia e fazer trabalhos voluntários também são requisitos que contribuem para a melhoria de sua vida pessoal.

quinta-feira, abril 26, 2007

Aos Alunos de PP, RTV e Editoração

Escrevi um post no dia 23/04, no qual me queixei dos resultados obtidos na Avaliação I, que gerou um constrangimento por parte de vários alunos das turmas de PP, RTV e Editoração. Estes se sentiram ofendidos pelo fato de eu ter publicado um tema que gostariam que ficasse entre a sala. Eles estão certos.
Em toda minha vida profissional sempre procurei elogiar publicamente e repreender reservadamente e, por isso, peço minhas desculpas sinceras àqueles que se sentiram constrangidos, reafirmando que tenho total confiança na melhoria do desempenho dos alunos destes cursos e na capacidade de superação de todas as dificuldades acadêmicas existentes.
Prometo continuar repreendendo-os enquanto entender que seus comportamentos acadêmicos e/ou disciplinares não estiverem condizentes com o padrão de qualidade que exijo de meus alunos. Entretanto, quando isso se fizer necessário, prometo fazê-lo reservadamente.
Um abraço a todos!

segunda-feira, abril 23, 2007

Notas no Sistema III

Aos alunos de Jornalismo e RP: as notas serão publicadas somente na quarta-feira. Estou na metade da correção.

Notas no Sistema II

Alunos de PP, RTV e EDITORAÇÃO em Opinião Pública: notas lançadas no sistema.
PS.: Em seis anos de docência, vocês me proporcionaram minha maior decepção.
- 05 alunos conseguiram nota acima da média;
- A maior nota foi 8,5;
- Pouco mais de 30% da sala já está de Exame;
- Os detalhes "sórdidos" comentarei apenas em sala de aula, pois não pretendo expô-los publicamente.

domingo, abril 22, 2007

Notas no Sistema

Alunos da disciplina Antropologia e Cultura Contemporânea: suas notas da Avaliação I já estão disponíveis.

sexta-feira, abril 20, 2007

Meu Caso de Amor com Sandy

Encontrei no Portal da AFP - Agence France-Presse, uma explicação bem didática sobre os nomes que os metereologistas dão para os furacões. Resumidamente as tempestades eram batizadas com os nomes dos santos dos dias em que tocavam o solo. Mais tarde, militares americanos começaram a batizar os furacões com nomes de suas amigas ou mulheres e a moda foi oficializada em 1953. Em 1979 os metereologistas introduziram nomes masculinos. O processo é simples: existem seis listas com 21 nomes, de A a W, para a bacia do Atlântico e seis com 23 nomes, de A a Z, para a do Pacífico Norte-oriental (a costa americana), e o uso é rotativo, isto é, os nomes utilizados em 2005 voltarão a ser usados em 2011. No caso do Atlântico, se a quantidade de furacões em um ano superar os 21, a identificação continua adiante utilizando as letras do alfabeto grego: Alfa, Beta, Gama, Delta etc. Dessa forma, nomes como Tony e Helene, furacões formados em 2006, poderão voltar à cena em 2012.

Feita esta elucubração, pensava sobre o nome da Operação da Polícia Federal que desbaratou ou está tentando desbaratar a quadrilha formada para executar um esquema de venda de sentenças para beneficiar a máfia de jogos: Hurricane, furacão em inglês.

O Brasil é um país que consegue criar situações tão inusitadas que custa muito a um observador de fora conseguir entender. Se os desafios à lógica estivessem exclusivamente circunscritos ao terreno formal das relações de trabalho, poder, políticas, partidárias, dentre outras, talvez ainda fosse razoável imaginar que aqueles que vivem em outros países compreenderiam, por exemplo, o fato de que o “P” da CPMF deixasse de ser Provisória e passasse a ser Permanente. Com algum esforço também poderiam entender o fato de que os membros do partido que sempre representou a bandeira da ética, tivessem criado sua própria quadrilha e pilhado os cofres públicos com tamanha devassidão corrupta e, ainda assim, seu líder maior fora reeleito nos braços do povo para mais quatro anos de mandato. Mesmo que difícil, com um pouco mais de esforço, podem ao menos imaginar quais as razões que fizeram com que o orçamento dos Jogos Pan-americanos tivesse estourado em mais de 700%. Seria difícil tentar explicar para um alemão que somente a reforma do Maracanã tenha custado o mesmo que a construção inteira de um daqueles estádios ultra modernos da Copa do Mundo do ano passado. Certas coisas parecem tão inusitadas que são muito difíceis de serem explicadas.

Dessa forma, se eu tivesse que explicar a um metereologista de qualquer outro país como é que conseguimos criar uma nova categoria de batismo para furacões, creio eu que meu intento seria em vão. Ora, todos sabem agora que nossos furacões, aqueles “empresários” do jogo, juízes, policiais e demais membros do Estado brasileiro envolvidos com a praga da corrupção, já têm seus novos nomes. João, José, Oscar, Evandro, Ernesto, Jaime... Todos eles têm sobrenome e endereço fixo e muitos pareciam profissionais ilibados: Juízes, desembargadores, policiais, enfim, uma miríade de funções criadas para defender as liberdades civis, o Estado democrático de direito, a Justiça e os Cidadãos.

Sempre fui fascinado pelos furacões. Via neles um misto de força e poder indestrutíveis e, ao mesmo tempo, um fenômeno belo, único e absolutamente sublime. O olho de um furacão é uma imagem extraordinária e ao vê-lo “olhando” para mim, invariavelmente sinto algum tipo de emoção inexplicável. É evidente que um morador de uma ilha do caribe que tivera sua casa devastada por um choque de ar há mais de 200 km por hora se sentiria injuriado com esta minha frase, mas vá lá, não há como negar que, de longe, existe um efeito estético deslumbrante nessas tempestades. Ano passado, uma foto de Sandy, um furacão formado no Atlântico, me deixou extasiado. Ela era absolutamente linda, poderosa, impassível e única. Apaixonei-me por aquela imagem e a guardei no meu laptop para que sua visão fosse para mim uma brisa de beleza e um sopro de inspiração (sem trocadilhos).

Pois bem, certos brasileiros estragam tudo o que é bonito e, mais uma vez, quando penso nos furacões, na Sandy e em seus efeitos, não consigo mais visualizar seu olho negro e imponente em meio às nuvens nervosas que giram à sua volta. Observar Furacão no Brasil agora ficou fácil: basta ligar a TV e ler os jornais. A diferença é que, ainda que continuem destruindo o que pode existir à sua volta, estes nos escondem seus olhos.

quarta-feira, abril 18, 2007

Eu Pago o Pato

Compreendo que alguns alunos se sintam ansiosos para ter os resultados das avaliações, porém peço um pouco mais de paciência, pois somente terminarei de corrigir tudo no próximo final de semana. O problema é que gosto muito de ler o que vocês escrevem e, neste sentido, observar como anda a capacidade de articulação e construção de raciocínios por meio da escrita. Isso é muito importante. Não desejo que sejam literatos, porém devemos manter um certo nível de exigência e um padrão da escrita formal que gostaria de perseguir junto de vocês.

Sempre quando penso nisso, me lembro das histórias de Rui Barbosa. Para quem não se lembra, Rui Barbosa foi um dos mais ilustres personagens de nossa história, naquele tempo em que a inteligência ainda era valorizada e bonito era ser intelectual, formador de opiniões e um excelente orador. Rui Barbosa era tudo isso e muito mais: um excelente jurista, grande jornalista, defensor da liberdade de imprensa e das liberdades civis. Presidente da Academia Brasileira de Letras, candidato à presidência da República em duas ocasiões e Juiz da Corte Internacional de Haia. Apesar de não ser um conhecedor profundo de suas obras, aprecio muito sua forma de articular seus pensamentos e sua visão moderna sobre o mundo.

Em 1865 escreveu: "A primeira verdade dos governos livres é que a responsabilidade deve estender-se igualmente por todos os graus da hierarquia governamental. Todo aquele que, revestido de autoridade, exerce mediata ou imediatamente qualquer função pública, desde o agente de polícia até os mais altos funcionários do estado, não pode evitar a responsabilidade de seus atos perante os tribunais ou perante a nação." Bem atual, não é mesmo?

Contudo, gosto especialmente desta frase, cuja data desconheço:

"O poder não é um antro; é um tablado. A autoridade não é uma capa, mas um farol. A política não é uma maçonaria, e sim uma liça. Queiram, ou não queiram, os que se consagraram à vida pública, até à sua vida particular deram paredes de vidro. Agrade, ou não agrade, as constituições que abraçaram o governo da Nação pela Nação, têm por suprema esta norma: para a Nação não há segredos; na sua administração não se toleram escaninhos; no procedimento dos seus servidores não cabe mistério; e toda encoberta, sonegação ou reserva, em matéria de seus interesses, importa, nos homens públicos, traição ou deslealdade aos mais altos deveres do funcionário para com o cargo, do cidadão para com o país."

Faz falta neste momento de nossa história uma figura como Rui Barbosa. Os brasileiros parecem resignados com um destino medíocre de assistencialismo, com negociações espúrias, corrupção, cinismo generalizado e com essa mania de querer sempre menos, mesmo quando podem ter mais.

Conhecido por sua intelectualidade e profundo conhecedor da Língua Portuguesa, reza a lenda que em um fim de tarde, ao chegar a sua casa, Rui Barbosa ouviu um barulho estranho vindo de seu quintal.Chegando lá, constatou que havia um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo, surpreendendo-o tentando pular o muro com seus amados patos. Batendo nas costas do tal invasor, disse-lhe:

“Ô bucéfalo, não é pelo valor intrínseco dos bípedes palmíferes e sim pelo ato vil e sorrateiro de galgares as profanas de minha residência. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares de minha
alta prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica no alto de sua sinagoga que reduzir-te-á à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.”

E o ladrão, confuso, disse:
- Ô moço, afinal, eu levo ou deixo os patos?

O problema desta história é que não se sabe qual a resposta de Rui Barbosa para o meliante.

Não sei vocês, mas eu não roubo e por isso tenho a sensação de que pago o pato.

quarta-feira, abril 11, 2007

Ministro minimiza crise aérea e afirma que governo busca solução

Fonte: Folha Online
Texto: GABRIELA GUERREIRO

"O ministro da Defesa, Waldir Pires, minimizou nesta quarta-feira a crise no controle do tráfego aéreo do país. Ele atribuiu os problemas recentes no setor às falhas nos equipamentos e aos recursos humanos, numa referência indireta aos controladores de tráfego aéreo. O ministro considerou a crise como normal.

"Em países em desenvolvimento, essa é a rotina", afirmou, ao participar de audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir o caos aéreo.

Pires disse que o governo vai solucionar crise e que está aprimorando os diagnósticos para impedir novos atrasos nos vôos. "Os fatores são definidos ao meu juízo em procedimento de gestão que determinaram ocorrências. Não há por que deixarem de serem reordenadas e postas a serviço do povo brasileiro."

O ministro saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que há duas semanas desautorizou o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, a dar ordem de prisão para os controladores amotinados no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília.

"Quando o presidente assume uma posição, ele assume como titular da soberania popular. Quando ele assume o comando supremo das Forças Armadas, ele tem o mandato oriundo de cada cidadão do Brasil. É a mais alta voz do Brasil, assume legitimamente."

Pires também disse que Lula agiu de forma correta ao designar o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) para negociar com os controladores e colocar fim ao motim ocorrido no fim de março --o mais grave do setor e que por, aproximadamente cinco horas, praticamente paralisou as decolagens no país. "Quando o presidente atribui diretamente a outros ordens de presença nas instituições, ele faz isso com legitimidade."

Participam também da audiência pública na Câmara dos deputados os presidentes da Infraero (estatal que administra os aeroportos), José Carlos Pereira, da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Milton Zuanazzi, além de Pires e Saito.

Crise

O pior episódio da crise ocorreu no dia 30 de março, quando controladores de tráfego aéreo paralisaram as atividades por cerca de cinco horas. O movimento começou no Cindacta-1 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo), em Brasília, e se espalhou para outras regiões do país.

Na ocasião, o governo federal chegou a firmar um acordo com os amotinados, mas recuou. Eles, agora, são investigados por suspeita de insubordinação.

Desde o final do ano passado, passageiros enfrentam constantes atrasos e cancelamentos de vôos. Inicialmente, os problemas foram causados pela operação-padrão dos controladores, que restabeleceram à força parâmetros internacionais de segurança. O Cindacta-1 sofria com a falta de controladores, pois alguns tinham sido afastados pelas investigações sobre a queda do Boeing da Gol, ocorrida em setembro.

Depois, falhas em equipamentos passaram a contribuir para aumentar a espera nos aeroportos. Desde março, o aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), um dos maiores do país, pára sempre que chove forte, pois a pista auxiliar está fechada para reformas e a principal tem graves problemas de escoamento."

O super-Lula da pesquisa: o que isso quer dizer?

O texto abaixo é do Blog de Reinaldo Azevedo. Pessoalmente adoro quando os jornalistas são assim: diretos e críticos. No caso do Reinaldo Azevedo, já escrevi isso em outra ocasião, existe um padrão muito alto na qualidade e no estilo com que se comunica com seus leitores. Ele, antes de tudo, é um polêmico. Leiam o texto:


"Segue síntese do Estadão On Line sobre os números da pesquisa CNT-Sensus. Volto em seguida:

Lula
O índice de aprovação do presidente foi o melhor desde fevereiro de 2005 (66,1%) e ficou em 63,7% contra 59,3%, em agosto de 2006, data da última pesquisa. A desaprovação ao desempenho de Lula também caiu, para 28,2%, ante 32,5% em agosto de 2006, também a menor desde fevereiro de 2005.

Governo Lula
O levantamento apontou ainda um aumento na avaliação do governo, que foi para 49,58%, a terceira melhor da série. Em agosto de 2006, a aprovação estava em 43,6%. O porcentual dos que desaprovam a gestão de Lula caiu para 14,6%, o menor índice desde fevereiro de 2005. Para 54,8% dos entrevistados, o segundo mandato do presidente vai ser melhor do que o primeiro. Para 19,6%, será pior e 18,7% acreditam que será igual.A avaliação regular do governo também caiu, de 39,5% para 34,3%.

Apoio partidário e ministérios
A exigência dos partidos políticos de participar dos ministérios em troca de apoio ao governo no Congresso conta com a aprovação de 37,5% dos entrevistados, contra 40,8% que discordam.

Violência
Para 90,9% dos entrevistados, a violência no Brasil aumentou nos últimos anos. Apenas 5,2% discordaram. Os que consideram a cidade onde vivem violenta ou muito violenta chegam a 34,8%. Já 38,3% acham sua cidade pouco ou nada violenta.
Sobre as causas da violência, 24,1% apontaram a pobreza e a miséria. Praticamente empatados, a Justiça e o tráfico de drogas aparecem, com 19,1% e 19%, respectivamente. As leis brandas têm 15%; a corrupção policial, 11% e a falta de policiamento, 7,6%.

A pesquisa mostra ainda que para 29,9% da população cabe ao governo federal agir em relação à violência urbana, enquanto que 16,7% consideram essa responsabilidade do governo estadual e 12,6% da administração municipal.

Pena de morte e idade penal
Houve crescimento dos que são a favor da pena de morte: 49%, ante 46,7% em maio de 2003. Os contrários somaram 46%, ante 49,7% em maio de 2003. Já sobre a redução da idade penal para 16 anos, 81,5% foram favoráveis, contra 88,1% em dezembro de 2003. Os contrários à redução subiram de 9,3% para 14,3%.

Emprego e renda
Emprego e renda estão entre as prioridades que devem ser enfrentadas no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo 26,3% dos entrevistados. Saúde Pública aparece em segundo lugar, com 25,7%; seguida de Segurança Pública, 18,2%; Educação, 16,7%; Previdência Social, 5,5%; Defesa Nacional, 2,9% e Inflação, 1,7%.

Programas sociais
Os programas sociais do governo são conhecidos por 56,8% dos entrevistados. Desse total, 15,3% são beneficiários dessas iniciativas e 40,7% dizem não conhecer pessoas que sejam beneficiadas pelo programa.
Para 66% dos entrevistados, os programas são positivos, ajudam à população e levam ao desenvolvimento. Já 27,0% classificam os projetos sociais como negativos por não resolverem os problemas nem gerarem desenvolvimento.

PAC
Apesar de ser o carro-chefe do segundo mandato do governo Lula, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ainda é bastante desconhecido. O levantamento mostra que 59% dos entrevistados nunca ouviram falar do PAC, enquanto apenas 32,2% acompanham ou ouviram falar sobre o assunto.
Apenas 18,6% dos entrevistados acreditam que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Já entre os que têm informações sobre o PAC, esse índice sobe para 57,9% contra 24,7% que não acreditam que o programa vai acelerar o crescimento.

Selic
A redução da taxa básica de juros nos últimos seis meses aumentaram a disposição de 22% dos entrevistados para fazer compras a prazo. Mas, para 65,4%, a redução da Selic não aumentou a disposição para fazer novos financiamentos.
Entre os que disseram que houve aumento na disposição de compras a prazo, 48,4% efetivamente aumentaram suas compras, enquanto 46,8% não aumentaram.
A pesquisa mostra ainda que, do universo dos entrevistados dispostos a fazer compras a prazo, a preferência é por aquisições de eletrodomésticos, com 28% do total. A casa própria foi o segundo item mais citado, com 23,9%. Material de construção e carro aparecem na seqüência com 15% e 11,1%, respectivamente.

Crise aérea
O governo federal foi apontado como o principal responsável pela crise aérea no País. Pesquisa CNT-Sensus mostra essa constatação para 21,2% dos entrevistados. Tomando por base apenas os entrevistados que tiveram contato com o assunto (acompanham ou ouviram falar), esse número sobe para 25,8%.

Voltei (ele, Reinaldo Azevedo)
Para muitos dos que não gostam do governo Lula, os números talvez sejam um tanto desanimadores. Mas eles são absolutamente explicáveis. Mais do que isso: são razoáveis. Eu não esperava nada muito diferente disso. É isto, leitor amigo: conforme-se em ser minoria no Brasil por um bom tempo. O sonho da massa revoltada contra o poder despótico é uma ilusão ou uma tara de esquerda. A maioria da população, em situação de normalidade democrática, é assim mesmo: apática, abúlica e gosta de quem está no comando. Irrupções revolucionárias, só para citar o ponto extremo do desagrado da massa com os governantes, são sempre coisa de minorias e jamais são bem-sucedidas se uma fatia do próprio poder dominante não resolve trair as suas origens. Os historiadores, inclusive os marxistas, sabem disso. Mas criam o mito da resistência popular. Pura balela.

Lula foi reeleito há pouco mais de cinco meses e começou o segundo mandato há pouco mais de três: chegou lá com dois terços do eleitorado e, com pequena variação, ainda os conserva. A rigor, não há razão para ter perdido o apoio daqueles que o reelegeram. Aquele país ainda é o mesmo, com uma ou outra notícia “positiva” a mais, como o PIB recontado e o dólar no buraco, o que enche, acreditem, uma parte importante dos brasileiros de orgulho.

A craca assistencialista grudou na política brasileira, e não será fácil tirá-la, mormente porque as oposições são muito tímidas no país — e tendem a se intimidar ainda mais diante de pesquisas como essa. Querem números exemplares do que estamos vivendo? Dizem conhecer os tais “programas sociais” 56,8% dos entrevistados. Mas 66% os aprovam. Aprovam o quê? A propaganda. Com isso, não quero dizer que os programas não existam. Existem, é claro. Mas são uma abstração para uma boa parcela dos entrevistados — e, pois, dos brasileiros.

Acompanhem: quantos beneficiários, leitor, você conhece do Bolsa Família? A exemplo deste escriba, a resposta é quase certa: nenhum — fazemos parte daqueles 40,7%. Pior: integramos o grupo dos 27% que consideram que eles não respondem ao desafio do desenvolvimento. Estamos na contramão da “doxa”. E agora? Vejam só: Lula inventou o tal PAC para a parcela mais informada da população, que resiste a seus encantos. Nada menos de 59% dos entrevistados — e é provável que todos eles estejam entre os dois terços que o apóiam — nem sabem que diabo é isso. Só 18,6% acham que o programa vai ajudar o Brasil a crescer. Vejam só: se Lula nunca mais tocar nesse assunto, vai decepcionar pouca gente.

E a crise aérea? Como é possível que ela não afete a imagem de Lula? É possível. Ele governa ou para o país que anda de carroça (metáfora) ou para o que compra avião — jamais para o que apenas anda de avião. E não vai abandonar essa clivagem. No médio e no longo prazos, essa administração medíocre do país vai fazer diferença, cobrar a sua fatura? Vai. As políticas públicas têm um tempo de maturação que não é o mesmo do julgamento da opinião pública. Imaginem se FHC tivesse feito tudo o que PT queria nos seus dois primeiros mandatos... Imaginem um país com a economia ainda mais fechada, atolado no endividamento das estatais. Que governo o PT estaria fazendo agora?

Não duvidem: os que não compactuam com o lulo-petismo terão de comer poeira por um bom tempo. É da natureza do jogo. Mais ainda: têm de se organizar para não continuar a comê-la, coisa de que não estou bem certo de que saibam fazer. Penso, por exemplo, nas 3,4 milhões de pessoas jurídicas que integram o MSP — Movimento dos Sem-Político (na verdade, considerando familiares e tal, talvez o dobro disso). Quem fala por eles? Quem vocaliza suas angústias? As oposições, no Brasil, cometem a delicadeza de jogar fora o público que têm ambicionando aquele que jamais terão, porque seduzidos pelo petismo e suas “conquistas”.

Lula navega numa onda extremamente favorável, que só existe porque governos anteriores se negaram a seguir a receita do petismo — que, uma vez no poder, demonstrou não ter receita nenhuma, a não ser, de um lado, acomodar interesses, e, de outro, manter azeitada uma máquina assistencialista inédita. Até que seus erros de agora não comecem a cobrar a sua fatura, vai tocando a vida sem muitos percalços. Mas atenção: mesmo esses erros só passarão a ter importância se transformados em luta política, coisa que as oposições não conseguiram fazer até agora."

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Portal da Revista Veja
Publicado em 10 de abril de 2007

terça-feira, abril 10, 2007

Nosso Novo Lema

Já escrevi aqui e discuti em sala de aula que certos termos e expressões, carregados de significados ideológicos, políticos, científicos e filosóficos são utilizados pelos leigos como se fossem verdades absolutas e, uma vez desprovidas de seu sentido preciso, são vocalizados com galhardia e coragem pelos mais incautos cidadãos.

Por exemplo: alguém aqui sabe exatamente o que é ser de esquerda e de direita? Alguém pode me dizer o que significa a chegada do “risco-brasil” no nível 100?
Onde está a certeza de que a desmilitarização dos controladores de vôo irá gerar o fim do Apagão Aéreo?

Afinal, qual foi a matemática utilizada pelo Romário para dizer que ele finalmente marcará seu gol número 1.000? Será que ele não estaria no 1007? 980? E aquela pelada no final de semana que foi registrada pela filha da cunhada da vizinha do campinho de Macaé, na década de 80? Valeu? Se o Pelé somou o gol que fez, vestindo um terno, no evento que marcou a demolição do estádio de Wenbley e acrescentou à sua lista os gols que fez contra a seleção do exército, o Romário poderia somar os gols que marcou nos churrasquinhos de fim de semana na casa dos amigos e na chácara do Chico Buarque!

O fato é que cada um toma para si certas palavras e cria seus conceitos e verdades sobre elas de acordo com a conveniência do momento, assim como fazem com cálculos e estatísticas de desemprego e do crescimento do PIB. Se está ruim, ora, vamos mudar o cálculo e dar aquele jeitinho de fazer a estatística jogar a nosso favor. Este processo, em alguns casos é pura cara de pau, porém em outros, significa que ainda existem certos conjuntos de conhecimentos sobre os quais a maioria das pessoas não domina.

Eu, por exemplo, desconheço os efeitos do movimento caótico, o caos, sobre a mecânica quântica. Tampouco compreendo as relações binárias e não sei reconhecer se são reflexivas, assimétricas ou qualquer outra coisa que o valha. Da mesma forma, até hoje jamais consegui fazer um pudim de leite condensado igual ao da minha avó e tenho certeza de que não conseguiria fazer um gol vestindo terno com gravata apertada no pescoço. Dessa forma, devemos tomar cuidado com certas “verdades” que escutamos e também verbalizamos.

Desconfiar sempre. Este é o lema!

Se o fulano se diz “de esquerda” e por isso se considera um sujeito “do bem”, “do povo” etc, basta uma pergunta simples para complicar a vida do rapaz: Mas você é marxista leninista, trotskista ou bolchevista? Heim? Pronto, está feito o estrago.

Para a massa da classe média, o assunto do momento é o Apagão Aéreo. Por alguma razão, alguns formadores de opinião, membros do governo federal, da imprensa, dentre outros, venderam/aceitaram tranqüilamente a tese de que a solução para o problema está na desmilitarização dos controladores de vôo. Pouca gente utilizou o nosso lema e, sem desconfiar, passaram a repetir diuturnamente e propagar a “solução”. Alguma pessoa que resolvesse questionar criticamente a idéia faria algumas daquelas perguntas impertinentes, como por exemplo: mas esta solução é juridicamente legal? Ora, se para ingressar em uma determinada carreira é necessário passar por um concurso público, como seria feita a migração de servidores militares para o serviço público civil sem a realização de uma prova para tal? Outra questão capciosa: se o espaço aéreo brasileiro é protegido pela Aeronáutica e os radares operados são os mesmos que os controladores utilizam atualmente para gerenciar o tráfego aéreo, com quem ficaria o sistema? Com os controladores civis alocados em outros ambientes ou com os militares? Afinal, quem vai mandar nos radares? E se forem os civis, com quais equipamentos os militares protegerão nosso espaço aéreo?

Na verdade, este processo não irá acabar com a crise no setor, irá apenas possibilitar maior poder de barganha salarial à categoria dos controladores de vôo. Se na condição de militares eles são capazes de parar o país, imaginem quando a transição de sargentos para companheiros estiver 100% realizada e os novos servidores estiverem devidamente sob a custódia e o amparo de alguma Central Sindical.

Pois bem, certas “verdades” não devem ser repetidas sem antes utilizarmos o nosso lema: desconfiem, meninos e meninas... desconfiem...

Avaliação de Antropologia

Aos alunos de Antropologia, disse que iria explicar o esquema da Avaliação I no moodle, mas não consegui publicar lá. Sorte que temos sempre o plano B. Então vamos lá.

Peço aos alunos dos demais cursos que não fiquem com inveja dos pupilos do primeiro semestre, mas ocorre que a avaliação da disciplina de Antropologia e Cultura possui outros elementos fundamentais que são distintos das demais matérias, a saber, a necessidade de despertar o poder crítico e ampliar a capacidade dos estudantes em criar textos adequados e marcados pelo distanciamento do senso comum.

Assim, a avaliação I contará com duas questões, sendo uma de ordem mais aberta, baseada na obra de Darcy Ribeiro, e outra mais teórica, baseada nos fundamentos da Antropologia. Quero treiná-los a responder questões bem distintas em uma mesma avaliação, seja no estilo, finalidade e/ou objetivos. Os valores de ambas questões serão diferentes e o maior peso será para a questão 1.

Apenas para recordar: é permitido consultar os materiais utilizados so longo do bimestre, incluindo os livros, textos e anotações em sala de aula. Entretanto, NÃO será permitida a troca de quaiquer tipos de materiais durante o período da avaliação, incluindo textos, canetas, papéis e quaisquer outros objetos.

Até quinta!

Agora é Oficial: Deputados não Trabalham na Segunda

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Texto: Denise Madueño e Eugênia Lopes

Câmara desiste de sessões de votação nas segundas-feiras


BRASÍLIA - A experiência da Câmara de tentar aumentar os dias de votação na semana acabou. Em reunião dos líderes partidários e do presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), foi decidido, por unanimidade, que não haverá mais sessões de votação às segundas-feiras.

As sessões das segundas-feiras, na avaliação que vinham fazendo os líderes, não estavam se mostrando eficientes nem produtivas. Quando assumiu o cargo de presidente, Chinaglia instituiu votações às segundas-feiras, mas o quórum, nesses dias, estava menor a cada semana. No início, havia a desculpa do chamado apagão aéreo, mas, na segunda passada, se repetiu o quórum baixo.

Para compensar o fim das sessões de votação às segundas-feiras, os líderes se dispuseram a fazer sessões deliberativas às terças-feiras pela manhã e não apenas à tarde. Na reunião, foi mantida a prioridade de votação da proposta de reajuste salarial dos deputados assim que forem votadas as medidas provisórias (MPs) que trancam a pauta do plenário. A previsão é de que a liberação da pauta se dê na próxima semana.

Chinaglia afirmou, segundo relatos de líderes, que o consenso é pelo aumento que reponha a inflação dos últimos quatro anos medida pelo IPCA, o que significa uma elevação dos atuais R$ 12.847 para cerca de R$ 16.200.

Os líderes e Chinaglia incluíram na lista de prioridades a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) que propõe o fim do nepotismo nos três Poderes. O deputado Manato (PDT-ES) apresentou uma versão mais liberal, com mais benefícios para os parlamentares do que a proposta já aprovada em comissão especial da Câmara. Mesmo assim, o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), resiste a votar a proposta, argumentando que vai discutir com a bancada. Na reunião, Chinaglia reafirmou que a reforma política deverá ser votada até o final de maio.