terça-feira, fevereiro 03, 2009

COMEÇOU 2009!!!

Olá Queridos Leitores e Queridas Leitoras!
José Sarney é presidente do Senado, Michel Temer da Câmara, Obama tomou posse, Dilma fez plástica, economia mundial em frangalhos, Ronaldo perdeu barriga, Lula disse que nunca antes neste país, Tarso Genro inaugurou uma nova crise diplomática, Chaves (o Hugo) comemora 10 anos no Poder, meu Botinha de Ribeirão subiu para a série A do Paulistão, todos querem o PMDB, castigos das chuvas, desemprego em massa, Big Brother cada vez mais chato, mais do mesmo no Carnaval que se aproxima, Irã lança novo míssil, bombardeios na Faixa de Gaza, Roberto Carlos renova contrato com a Globo... bem... agora que o ano começou eu voltarei a escrever e a postar coisas que considero interessantes. Lá vamos nós!

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Redação: Minhas Férias... não tive e não terei!!!!

2008 foi um daqueles anos típicos que marcam as transições na vida que os indivíduos são obrigados a percorrer, sentindo as dores do crescimento, para se transformar em alguma coisa diferente do que era antes. Reparem que nem estou dizendo para melhor ou para pior.
Mas eu sobrevivi.
Apesar disso, o cansaço físico, intelectual e principalmente espiritual eram tão fortes que eu simplesmente não podia mais escrever uma linha sequer de qualquer assunto. Aprendi muitas lições, mas uma especificamente ainda não: trabalhar menos. A labuta que quase me consumiu em 2008 não será menor em 2009, ao contrário, pois tenho que pagar muitas contas e para isso ocupei também dois dias fundamentais da minha semana com novos trabalhos: já ouviram falar em sábado e domingo? Pois é, além das horas em que me ocupava preparando aulas aos finais de semana, acrescentei algumas tantas a mais para outras atividades laborais. Imaginem todos os sábados, após uma longa jornada semanal, ter que acordar as 6 da manhã? E aquela pergunta infeliz (que tantos professores gostam de repetir) "o que você faz da meia-noite às seis?!" Pois é, agora eu já tenho resposta até para essa questão!
Para tudo isso que me aguarda neste ano eu já estou me preparando, pois já fui a médicos, fiz exames, tentarei mudar alguns hábitos, estou consumindo novas vitaminas, enfim, me mantive ocupado o suficiente para dizer que aquilo que eu mais precisava não aconteceu: Férias!
Mas está ótimo! De qualquer forma, na economia de energia que estou tentando fazer acabei por não escrever neste blog, mas prometo ao menos publicar textos legais e interessantes sobre os assuntos em voga. O primeiro está abaixo e eu recomendo!!!
Um forte abraço a todos e Feliz 2009!

Dez lições de Bush para Obama

Taí algo de novo publicado na imprensa sobre a transição de poder na Casa Branca. Leiam, pois este vale a pena, uma vez que não se trata apenas de uma lição de política, mas de liderança (ou falta dela) aplicável para CEO´s, Diretores, Gerentes e até mesmo para Representantes de sala de aula de Faculdades!

Fonte: Portal do Estadão
Data: 19/01/2009
Autor: Bob Woodward*, The Washington Post

"Na verdade, há muito que o presidente eleito, Barack Obama, pode aprender a partir da turbulenta presidência de George W. Bush. Durante os últimos oito anos, entrevistei o presidente Bush por quase 11 horas, passei centenas de horas com os principais nomes de sua presidência e analisei milhares de páginas de documentos e anotações. Isso rendeu quatro livros, num total de 1.727 páginas, compondo um estudo de caso bastante extenso sobre o processo presidencial de tomada de decisões. A moral dessa história é farta e variada. Os presidentes vivem em meio aos assuntos inacabados de seus antecessores, e Bush projeta uma sombra gigantesca sobre a presidência de Obama: duas guerras em aberto e uma monumental crise econômica e financeira. Eis aqui dez lições que Obama e sua equipe devem aprender a partir da experiência de Bush.


1. Os presidentes definem o tom do relacionamento entre os membros da sua equipe. Não se pode ser passivo nem tolerar divisões virulentas.

No outono de 2002, Bush testemunhou pessoalmente um preocupante embate entre a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, na sala de comando de emergências (Situation Room), depois de Rumsfeld ter exposto ao Conselho de Segurança Nacional um relatório sobre os planos para a guerra no Iraque. Condoleezza queria ficar com uma cópia dos slides informativos do Pentágono, reunidos sob o codinome Polo Step. "Acho que você não vai precisar disso", disse Rumsfeld, esticando o braço sobre a mesa e arrancando das mãos de Condoleezza o envelope marcado como Top Secret - bem diante dos olhos do presidente. "Vou deixar que vocês dois se entendam", disse Bush, voltando-se para a porta e saindo da sala. Condoleezza teve de enviar um assessor ao Pentágono para obter uma cópia pirata diretamente com o Estado-Maior Conjunto.

Bush jamais deveria ter aceitado a forçação de mão de Rumsfeld. Em lugar de uma equipe em que houvesse rivalidade, Bush acabou cercado por um grupo de traidores com antigas e virulentas discordâncias entre eles sobre princípios de política externa.

2. O presidente deve insistir para que todos se pronunciem abertamente uns diante dos outros, mesmo que haja - ou especialmente quando houver - discordâncias veementes.

Nesse mesmo período crítico, o vice-presidente, Dick Cheney, estava exigindo que o secretário de Estado, Colin Powell, avaliasse com seriedade a possibilidade de ligar o Iraque aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Powell considerou a hipótese mais do que ridícula e concluiu rancorosamente que Cheney sofria do que chamou de "delírio febril". (Em particular, Powell costumava chamar o gabinete de elaboração de medidas do Pentágono, administrado pelo subsecretário da Defesa, Douglas Feith, que partilhava do interesse ardente de Cheney nos supostos laços entre a Al-Qaeda e o Iraque, de "gabinete da Gestapo".)

Powell estava certo ao concluir que Saddam Hussein e Osama bin Laden não trabalharam juntos. Mas Cheney e Powell não travaram esse debate fundamental diante do presidente - muito embora tal discussão possivelmente enfraquecesse uma das principais razões para a guerra. Cheney aconselhava o presidente em particular, mas raramente teve de debater com outras pessoas em defesa de seu ponto de vista. Depois da invasão, ele promoveu um jantar comemorativo com alguns assessores e amigos. "Colin sempre teve imensas reservas contra o que estávamos tentando fazer", disse Cheney ao grupo, enquanto brindavam à saúde de Bush e riam de Powell. Escárnios desse tipo prejudicaram a unidade de propósito da administração - e dão uma amostra do tom belicoso que pode emergir quando o debate aberto é sufocado por divergências antigas e hostilidades pessoais.

3. Um presidente precisa fazer a lição de casa para dominar as ideias e conceitos fundamentais por trás das medidas que adota.

O presidente não deve gerenciar cada detalhe, mas a compreensão das ramificações das suas posições não pode ser terceirizada.

Por exemplo, o general George W. Casey Jr., comandante das forças americanas no Iraque de 2004 a 2007, concluiu que o presidente Bush não compreendia os fundamentos básicos por trás da guerra no país. Casey acreditava que Bush, insistindo em perguntar sobre o número de baixas inimigas, via a guerra como uma batalha convencional e não como aquilo que de fato era: uma campanha de contrainsurgência para conquistar a confiança da população iraquiana. "No Iraque, não podemos abrir caminho para a vitória através da matança", disse posteriormente o general David Petraeus. Em entrevista concedida a mim em maio de 2008, Bush insistiu em que ele, mais que todos, era quem melhor compreendia sobre o que era a guerra.

4. Os presidentes precisam fazer com que as pessoas exponham seus pontos de vista e se certificar de que as más notícias cheguem ao Salão Oval.

Em 18 de junho de 2003, antes que os verdadeiros problemas começassem a surgir no Iraque, o general da reserva Jay Garner, primeiro oficial a chefiar a iniciativa de reconstrução do país, alertou Rumsfeld de que a dispersão do Exército iraquiano e a expulsão de um número excessivo de ex-partidários do Baath eram "equívocos trágicos". Mas, numa reunião com Bush no Salão Oval mais tarde naquele mesmo dia, nada disso foi mencionado e Garner relatou a um presidente satisfeito que, em 70 reuniões realizadas com iraquianos, eles sempre diziam "Deus abençoe o sr. George Bush". O presidente devia ter perguntado a Garner se ele tinha alguma preocupação - talvez até mesmo expulsando Rumsfeld do Salão Oval e dizendo algo como "Jay, você esteve lá, insto em que me diga a verdade. Não esconda nada".

Bush por vezes achou que conhecia as opiniões particulares dos seus assessores sem perguntá-las a eles individualmente. Ele tomou aquela que foi provavelmente a decisão mais importante de sua presidência - se deveria invadir o Iraque ou não - sem perguntar diretamente a Powell, a Rumsfeld e ao diretor da CIA, George Tenet, qual era a recomendação deles no caso. (Em lugar de consultar o próprio pai, o ex-presidente George H. W. Bush, que declarara guerra em 1991 para expulsar o Exército iraquiano do Kuwait, o jovem Bush me contou que tinha consultado um "pai superior" em busca de forças.)

5. Os presidentes precisam fomentar uma cultura de ceticismo e dúvidas.

Durante entrevista concedida por Bush em dezembro de 2003, li para ele uma citação de seu aliado mais próximo, o primeiro-ministro britânico Tony Blair, sobre cartas em que parentes de soldados mortos afirmavam odiá-lo. "Não acredite se alguém disser que ao receber tais cartas não sofra com dúvidas", dissera Blair. "Pois não sofri dúvidas", respondeu Bush. "É mesmo?" perguntei. "Nenhuma?" "Não", disse ele.

Presidentes e generais não têm que viver em dúvida. Mas deveriam aprender a amá-la. "Você não pode ser o papagaio no ombro do secretário", disse o general dos fuzileiros navais James Jones, futuro conselheiro de Segurança Nacional da administração Obama, a seu velho amigo, o general Peter Pace. Na época, Place era chefe do Estado-Maior Conjunto - um grupo que Jones considerava ter sido "sistematicamente emasculado por Rumsfeld". A dúvida não é inimiga das boas medidas. Ela pode ajudar os líderes a avaliar alternativas, tomar decisões importantes e posteriormente fazer correções de rumo se estas se mostrarem necessárias.


6. Os presidentes recebem dados contraditórios e precisam confrontá-los com rigor.

Entre 2004 e 2006, a CIA relatava que o Iraque estava se tornando mais violento e menos estável. Em meados de 2006, a representante do próprio Bush no Conselho de Segurança Nacional, Meghan O?Sullivan, fez um comentário franco sobre as condições em Bagdá: "É o próprio inferno, sr. presidente". Mas o Pentágono manteve o otimismo e relatou que uma estratégia de retirada dos soldados americanos e transferência da responsabilidade pela segurança aos próprios iraquianos resultaria em "autossuficiência" em 2009. Até onde pude apurar, o presidente jamais insistiu em que fosse resolvida a contradição entre "inferno" e "autossuficiência".

7. Os presidentes precisam contar a verdade nua e crua ao público, mesmo que isso signifique dar notícias muito ruins.

Durante anos após a invasão do Iraque, Bush fez pronunciamentos públicos consistentemente otimistas. Isso foi muito além do infame cartaz de "Missão Cumprida", que ele admitiu na última segunda feira ter sido um equívoco. "Estamos vencendo, com toda certeza", disse o presidente durante uma entrevista coletiva concedida em outubro de 2006. "Estamos vencendo." Seus comentários confiantes foram feitos durante uma das fases mais negativas da guerra, num momento em que todos que tinham televisão sabiam que a guerra ia mal. Em 5 de fevereiro de 2005, quando Stephen Hadley estava deixando o cargo de vice de Condoleezza no primeiro mandato de Bush para assumir o de conselheiro de Segurança Nacional, fizera uma interpretação confidencial, privada, sobre o primeiro mandato de Bush, dominado pelo Iraque. "Eu nos dou ?menos B? em planejamento político e ?menos D? em execução", disse ele. Posteriormente, o presidente me disse que sabia que a "estratégia para o Iraque não estava funcionando". Então, como poderiam os Estados Unidos estar vencendo uma guerra se sua estratégia estava fracassando?

Depois do 11 de Setembro, Bush falou francamente sobre uma guerra ao terror que poderia durar toda uma geração e incluir outros ataques contra o território americano. Essa franqueza marcou o período de maior popularidade e capacidade de liderança de Bush. Os presidentes são fortes quando incorporam a voz do realismo.

8. Motivos justos não bastam para garantir eficácia política.

"Acredito que tenhamos o dever de libertar as pessoas", Bush me disse em fins de 2003. Creio que ele realmente quisesse trazer a democracia ao Afeganistão e ao Iraque. Durante a preparação de seu segundo discurso de posse, em 2005, por exemplo, Bush disse ao chefe de sua equipe de redatores de discursos, Michael Gerson: "O futuro da América e sua segurança dependem da propagação da liberdade". Isso inspirou tanto o idealista Gerson que ele se engajou em produzir o equivalente em política externa à teoria do campo unificado de Einstein - um pronunciamento de 17 minutos no qual o presidente afirmava nada menos que sua meta era "o fim da tirania no mundo".

Mas essa motivação elevada com frequência cegou Bush e assessores para as consequências de sua corrida enlouquecida rumo à democracia. Em 2005, por exemplo, Bush e seu gabinete de guerra passaram boa parte do tempo na promoção de eleições livres no Iraque - coisa que acabou destacando o isolamento da minoria sunita e preparando o terreno para a selvagem violência sectária de 2006.

9. Os presidentes precisam insistir em pensamento estratégico.

Somente o presidente (e quem sabe o conselheiro de Segurança Nacional) podem fazer com que uma burocracia estática visualize em que a administração deverá estar enfocando em um, dois, ou mesmo quatro anos. Então devem ser estabelecidos planos táticos detalhados, passo a passo, para tentar atingir a meta. É fácil para uma administração consumir-se na tarefa de apagar incêndios rotineiros que com frequência exigem o envolvimento do presidente. (Perguntem a Obama quanto tempo ele tem passado envolvido com a guerra em Gaza.) Mas um presidente será provavelmente julgado pelo sucesso de seus planos de longo prazo, não pelo gerenciamento de crises diárias.

Por exemplo, nas guerras do Afeganistão e do Iraque, a qualidade do planejamento para as operações de combate oscilou entre adequada e forte, mas pouquíssima atenção foi dedicada ao que poderia sobrevir à queda do Taleban e do Partido Baath. Algumas decisões estratégicas fundamentais - dispersar o Exército iraquiano, expulsar os partidários do Baath do governo e impedir a formação inicial de um conselho iraquiano de governo - foram tomadas no próprio Iraque, sem o envolvimento do Conselho de Segurança Nacional e do presidente.

Obama faria bem em se lembrar do exemplo de um jovem presidente democrata que estava disposto a elaborar planos de longo prazo. Bill Clinton assumiu a presidência em 1993 depois de ter prometido cortar pela metade o déficit federal em questão de quatro anos. O plano inicial não parecia muito firme e Clinton foi muito criticado durante mais de um ano. Mas ele e sua equipe mantiveram a estratégia básica de corte nos gastos federais e aumento de impostos, medidas que estabeleceram boa parte dos fundamentos da prosperidade econômica da era Clinton. Foi um planejamento estratégico clássico, demonstrando disposição em pagar um preço no curto prazo para obter o tipo de ganho de longo prazo que entra para os livros de história.

10. Os presidentes devem abraçar a transparência.

Alguma versão do que aconteceu nos bastidores durante seu período na Casa Branca sempre chegará ao público - e será melhor para todos se essa versão for tão precisa quanto possível.

Em 8 de março de 2008, Hadley fez um extraordinário comentário sobre como era difícil compreender a verdadeira maneira pela qual Bush tomava suas decisões. "Ele fala com muita autoridade e transmitindo grande segurança ao afirmar "eis o que vamos fazer", disse Hadley. E não estará sendo sincero. Porque ainda não terá passado pelo processo de considerações que o deixaria apto a poder dizer "eu decidi". E se você escrever todas essas coisas e os historiadores tiverem acesso a elas, eles dirão: Bem, ele decidiu em tal dia fazer tais e tais coisas. Não é verdade. Não é história. É um fato, mas um fato enganador."

Os presidentes devem tomar cuidado com tais "fatos enganadores". Eles devem manter debates e discussões internas com seus principais assessores que façam sentido quando vierem à tona posteriormente. Esse tipo de relato dos bastidores será divulgado, ao menos em parte, durante a presidência. Mas a melhor versão possível emergirá mais vagarosamente, ao longo do tempo, e fará parte da história."

*Bob Woodward, jornalista que com o colega Carl Bernstein revelou o escândalo Watergate, é editor-assistente do Washington Post e autor de quatro livros sobre o presidente George W. Bush: Bush em Guerra (Arx), Plano de Ataque (Editora Globo), State of Denial e The War Whithin (Simon & Schuster). Evelyn Duffy contribuiu para este artigo

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Lugares que Papai Noel não vai Visitar

Como o ano está chegando ao fim, me descolo um pouco dos temas mais prementes vinculados ao nosso curso e me dedico a novas leituras, novos pensamentos (no sentido cristão, claro!) e me volto um pouco para temas que me despertam o coração. Coisas “leves”, tais como os ataques terroristas na Índia, os contrabandistas de armas nucleares, os piratas da Somália... Haaa... os piratas da Somália. Sim, este tema me “encanta” pelo ineditismo, pela curiosidade que suscita e pelas transformações da história da humanidade que nele estão contidas.

O risco de se cair no senso comum é enorme. Aposto que alguma rede de TV em algum lugar do mundo já colocou a imagem de Jonny Deep, no filme “Piratas do Caribe”, para lançar a discussão sobre os “Piratas Modernos”. Mas será que o conceito de “moderno” está sendo bem empregado neste caso? O que há de modernidade em assaltar navios, carregando pesados armamentos, seqüestrando tripulantes e pedindo resgate para não afundar as gigantescas naves cheias de petróleo, ou modernos e não menos grandes (e caros!) pesqueiros?

Reparem: voltamos aos tempos da barbárie? O fim dos blocos hegemônicos criou ilhas de descontrole total? Pois é, além da Somália, país que abriga as quadrilhas de piratas e que se transformou quase numa terra sem lei, temos também outros exemplos que utilizarei nos próximos posts de fim de ano.

Assim, enquanto a TV toca Jingle Bell, aqui a gente escreve sobre alguns dos lugares onde o Papai Noel não vai passar no dia 25.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Equador entra com processo em câmara internacional contra o BNDES

Fonte: Portal da Revista Veja
Data: 20/11/2008


O Equador tenta se livrar do pagamento de um empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e entrou com ação de arbitragem na Câmara de Comércio Internacional, em Paris. O empréstimo foi concedido pelo banco brasileiro para financiar a construção de uma usina hidrelétrica, sob responsabilidade da construtora Odebrecht, expulsa do país em setembro.

O pedido feito pelo governo equatoriano exige a anulação de uma cláusula que estabelece a capitalização dos juros e do que já foi cobrado utilizando esse conceito. As autoridades alegam que o pedido seria ilegal.


O BNDES fez um empréstimo de 243 milhões de dólares para financiar a construção da central hidrelétrica San Francisco, cujas operações foram suspensas por vários meses devido a falhas técnicas.

Segundo o jornal El Universo, já foi apresentado à promotoria um processo contra a Odebrecht. No processo arbitral da Câmara são solicitadas medidas cautelares contra o Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame), do BNDES, para frear cobranças pelo crédito à Hidropastaza, primeira concessionária da hidrelétrica, para financiar sua construção.


O Itamaraty afirmou que não recebeu comunicação oficial do governo do Equador sobre esse episódio e que se pronunciará quando isso for feito.

quarta-feira, novembro 05, 2008

E o Mundo Real diz: Bem Vindo Obama!

Um mundo midiático. Mais de 700 milhões de Dólares. Uma Guerra Religiosa. Uma esperança. Um Mito! Eis Obama! Yes, we can!

Barack Obama definitivamente entra para a história não só por ser o primeiro negro a assumir a presidência dos EUA, mas também por pertencer a uma jovem geração incumbida de uma missão inglória de reinventar a América.

A uma amiga negra a quem muito admiro, que verteu lágrimas após a vitória de Obama contra Hillary Clinton nas primárias Democratas eu disse que a mudança da história, a real mudança da história, acontecerá somente depois de 4 anos de mandato de Obama e não agora. O que queria dizer é que até hoje tudo é mito, tudo é simbólico, tudo é mídia. Mas o resultado dessas eleições deverá ser entendido melhor após o cumprimento do mandato do recém eleito, pois quando o mundo real lhe cobrar a conta é que poderemos entender o efeito da chegada de um negro à Casa Branca. Seu sucesso será a redenção histórica de uma população reprimida, perseguida e explorada durante várias décadas. Seu fracasso será a aquiescência do retorno à nefasta tese da superioridade de uma raça sobre a outra.

E o mundo real está de braços abertos para Obama. Quer abraçá-lo, quer esmagá-lo. Uma crise econômica profunda, duas guerras em andamento, interesses geopolíticos, desafios nas relações internacionais, tensões na América Latina e no leste europeu; problemas internos, crise do sistema de saúde, seguro social e conflitos migratórios. Esta é a pequena agenda que deverá enfrentar o novo presidente. Sua missão é das mais complexas, mas ao menos ninguém duvida da inteligência muito acima da média de Barack Obama.

Nós brasileiros estamos até achando bonitinho tudo isso. Que legal. Que interessante. Que histórico! Alguns membros do governo brasileiro já se mostraram confiantes e dizem que as relações irão melhorar, como se estivéssemos em crise nas relações Brasil – EUA. Mas quando Obama incrementar os subsídios aos produtores de milho, contra o etanol brasileiro e quando as políticas de proteção dos produtores internos forem colocadas em prática é bem provável que aí sim a crise passe a existir. O interessante da força midiática desta campanha é que tem muita gente, brasileiros inclusive, acreditando que Obama será o presidente do mundo. Não. Obama será o presidente dos EUA e, ao contrário de Lula que defende os interesses da Bolívia, do Equador e da Venezuela, Obama certamente defenderá os interesses americanos.

O mundo real obrigará esta figura incrível a autorizar ataques militares contra interesses americanos, obrigará assinar documentos que desagradem os governos de outros países, obrigará criar medidas polêmicas e decisões difíceis a serem tomadas as 3 da manhã, quando algum assessor afobado bater à porta de seus aposentos para anunciar uma nova crise envolvendo os americanos em alguma parte do mundo.

Não quero estragar a festa, claro. Vamos curti-la mais um pouco. De nossos sofás em frente a TV vamos abanar a mão, fazendo sinal de tchau, quando Bush passar o comando do país para Obama.

Depois... bem, depois o mundo real, com seu peculiar sorriso sarcástico, nos dará as boas vindas.

Três fatores decidiram eleição nos Estados Unidos

Fonte: Jornal O Estado de SãoPaulo
Data: 05/11/08
Autor: Cristiano Dias

Barack Obama tornou-se presidente dos EUA graças à conjunção de três fatores: uma campanha bem organizada, a conjuntura econômica e política amplamente favorável e a condução desastrosa da candidatura de seu rival republicano.

Em fevereiro de 2007, pouquíssima gente levou a sério quando um senador negro de nome estranho disse que estava lançando candidatura à presidência dos EUA. Era uma tarde fria de inverno na cidade de Springfield, capital de Illinois, quando Obama empolgou algumas centenas de pessoas que se juntaram para ouvi-lo diante da sede do governo local.

No discurso, ele prometeu mudar o jeito de fazer política em Washington, mas a jornada, como ele mesmo definiu mais tarde, era "improvável". Nas primárias do partido, ele enfrentaria políticos mais experientes, como o ex-senador John Edwards, candidato a vice-presidente em 2004, e a senadora Hillary Clinton, guru e marca registrada dos democratas, considerada "candidata inevitável" do partido.

Obama derrubou os adversários usando como base um exército de 2 milhões de voluntários e comitês que atuaram em todos os 50 Estados, registrando cerca de 4 milhões de novos eleitores em todo o país. Hillary, rival mais obstinada, achou que as primárias terminariam na Superterça, em 5 de fevereiro, quando 24 Estados votaram nos pré-candidatos dos dois partidos. Quando percebeu o erro estratégico, a ex-primeira-dama já estava derrotada.

A grande marca da campanha de Obama - e o motivo pelo qual a eleição americana nunca mais será a mesma - foi o uso revolucionário da internet para arrecadar US$ 700 milhões e a utilização de diferentes canais de mídia para divulgar sua candidatura. Obama teve três momentos ruins em sua jornada improvável. O primeiro foi a derrota nas primárias de Ohio e do Texas, no início de março, quando Hillary tornou-se a adversária que mais perto chegou de emoldurá-lo como um aventureiro inexperiente. O autor do golpe teria sido um comercial que questionava a competência de Obama para resolver um problema que surgisse às 3 horas da madrugada.

O segundo contratempo ocorreu duas semanas depois, com os discursos inflamados de seu ex-pastor Jeremiah Wright. Obama conseguiu contornar a situação escrevendo um brilhante discurso sobre raça, proferido na Filadélfia, em que tratou da desigualdade e das tensões raciais.

A última dificuldade veio logo após a convenção republicana, no início de setembro, quando John McCain disparou nas pesquisas após escolher a ultraconservadora governadora do Alasca, Sarah Palin, como vice. A euforia dos republicanos com Sarah durou duas semanas e logo se transformou no pior erro de McCain.

Entrevistas desastrosas, o envolvimento em um escândalo de abuso de poder em seu Estado e a divulgação dos US$ 150 mil gastos em roupas para a campanha viraram tema de piada nos principais programas humorísticos do horário nobre. Em meio a uma enxurrada de críticas, duas semanas depois, McCain piorou as coisas ao suspender sua campanha, em setembro, para trabalhar pela aprovação do resgate financeiro de US$ 700bilhões proposto pela Casa Branca.

Conjuntura
No entanto, segundo analistas, a causa sistêmica para a vitória de Obama foi a conjuntura favorável aos democratas. A explosão da crise econômica em plena campanha assustou a maioria dos americanos. A impopularidade do presidente George W. Bush e da guerra no Iraque também facilitaram as coisas.

Na campanha, Obama frisou que foi o único a se opor à guerra desde o início e defendeu um cronograma de retirada das tropas. No fim, até Bush e o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, concordaram com Obama e deixaram McCain pregando sozinho a permanência das tropas.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Cheiro de Vitória de Obama no Ar

Sei que se trata apenas de um cenário, mas algumas coisas que vem acontecendo nos últimos dias na campanha eleitoral dos EUA indicam um certo cheiro de vitória de Barack Obama à presidência americana.

Destaco sete itens:

1) As pesquisas não indicam um vencedor, mas todas as margens de erro colocam uma leve vantagem para o Democrata;
2) Os materiais de campanha de Obama estão cada vez melhores e os de McCain cada vez piores;
3) Sarah Palin não mais atende as orientações dos estrategistas da campanha. Ao contrário, parece discursar mais pensando em sua imagem do que na de McCain e de sua campanha;
4) Os comitês de campanha de McCain estão cada vez mais vazios e o clima em alguns é de desânimo;
5) Várias empresas de comunicação e jornais influentes debandaram para o lado de Obama. A mídia adora Obama;
6) O dinheiro de Obama jorra e o de McCain seca;
7) tradicionais eleitores que possuem baixo comparecimento nas urnas se dispuseram a participar neste ano. São eles: negros, latinos e os mais pobres.

Mas atenção! Apesar de perceber que esses elementos representam indicadores importantes eu não arriscaria nenhuma aposta!

segunda-feira, outubro 27, 2008

Sobre como Calcular os Perdedores e Vencedores

Confirmados todos os resultados das eleições é a hora dos cientistas políticos realizarem suas análises sobre quem ganhou e quem perdeu neste pleito municipal. Entendo que existe um erro conceitual básico nas análises: contar os vencedores e perdedores apenas por uma variável quantitativa. Alguns analistas utilizam os votos que cada partido recebeu, outros a quantidade de capitais que cada partido conquistou, outros ainda quantos vereadores foram eleitos por partido e assim sucessivamente. Pessoalmente entendo que para se ter um quadro dos vencedores e perdedores (há também aqueles partidos que permaneceram na mesma situação) é necessário criar um critério universal que combine diferentes variáveis, divididas por pesos.

Dessa forma faríamos uma lista com as variáveis levadas em conta (incluindo as que citei acima), incluiríamos duas muito importantes que são o tamanho do Orçamento municipal e o tamanho da máquina pública dos municípios e daríamos pesos diferentes para cada um. A partir daí, com um cálculo matemático, poderíamos contar com um quadro melhor, mais lógico e agregarmos a ele alguns temas que podem conter uma certa subjetividade, tais como prognósticos, linhas de tendência e a potencialidade e fragilidade da imagem dos principais atores dos processos eleitorais.

A partir disso teríamos, de fato, uma conclusão inconteste sobre os vencedores e perdedores das eleições 2008. De qualquer forma, apresentarei abaixo alguns textos sobre o assunto para ao menos poder contar com referências de bons autores.

A Minha Lista Pessoal de Quem Ganha e Quem Perde

ATENÇÃO! Apesar do título ser em primeira pessoa o texto que segue é de autoria de Reinaldo Azevedo. Faz tempo que não publicava nada dele para vocês. Tentei selecionar textos que analisassem as eleições de diferentes formas, mas fui até sites considerados socialistas e de apoio à base do governo Lula, como por exemplo o Blog de Mino Carta (Carta Capital), mas não encontrei muita coisa. Portanto, segue um texto de Azevedo e outro (na seqüência) do Noblat.

Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Data: 27/10/2008

"Toda eleição tem lista de “ganhadores” e “perdedores”. Também vou fazer a minha. Deixarei de lado alguns nomes de expressão mais regional. Sim! Como sempre, é uma leitura pessoal.

GANHAM
JOSÉ SERRA – Individualmente, é o maior vencedor da eleição. Seu candidato, Gilberto Kassab, tinha 9% das intenções de voto há menos de três meses. Conseguiu a reeleição com uma votação história e atribui ao governador o seu triunfo. O tucano passou a ser considerado, com tal desempenho, o mais forte candidato do seu partido à Presidência. Não custa lembrar que o PMDB coligou-se com Kassab em São Paulo — e Serra tem, no partido, serristas em penca.

GILBERTO KASSAB – Surge como uma liderança de alcance nacional por razões óbvias. Sempre foi bom articulador de bastidores. Faltava-se lhe uma vitória convincente numa disputa majoritária. Alguém imagina algo mais convincente? Queira ou não, é pré-candidato natural ao governo de São Paulo.

PSDB – Perdeu algumas prefeituras, mas ainda é o segundo partido em número de cidades: 788. Está atrás apenas do PMDB: 1207. E manteve a Prefeitura de São Paulo, que compartilha com o DEM. Fortalece-se também porque, obviamente, seu principal nome à Presidência, Serra, sai do processo com mais musculatura.

DEM – Vejam como sou escandaloso, não? O partido perdeu muitas prefeituras. Elegeu “apenas” 501. Embora tenha se transformado na Geni dos petistas e do PCB (Partido dos Colunistas Brasileiros), fez apenas 57 prefeituras a menos que o superpoderoso PT. Nestas eleições, fez só uma prefeitura, mas é justamente a de São Paulo. E vê nascer um líder num estado onde sempre foi fraco. Sim, todos dirão que o DEM é perdedor. Eu não acho. Fazer o quê? Ah, sim: em Salavador, ajudou a derrotar o PT.

PMDB – É o grande vencedor deste pleito, sem dúvida, com 1207 prefeituras. Mas não tem e não terá candidato à Presidência da República. Já havia avançado formidavelmente no primeiro turno e, agora, consolida essa posição com as vitórias em Porto Alegre e Salvador.

FERNANDO GABEIRA – Chegou bem perto de vencer a eleição no Rio — e talvez tivesse chegado lá não fossem três fatores:
- a escandalosa abstenção na cidade: deixaram de votar 927.250 eleitores, um índice superior a 20%;
- a impressionante baixaria de que foi vítima;
- um certo discurso antipolítico que pode ter diminuído o número de cabos eleitorais nas ruas.
É certo que passa a ser considerado uma referência na cidade para disputar o governo em 2010. Mais: fez a sua estréia como político de massas. Era, até então, o chamado "deputado de opinião”.

PERDEM
LULA – Entrou de cabeça na eleição em São Paulo. E São Paulo elegeu Kassab com uma clareza inequívoca. Uma coisa é perder por dois ou três pontos. Outra é perder por 18. Nas capitais em que o PT estava bem, o partido elegeu o prefeito. Onde não estava, a ação de Lula foi irrelevante.

MARTA SUPLICY – Individualmente, é a maior derrotada de 2008. Teve menos votos do que em 2004 nas duas etapas eleitorais e viu aumentar a sua rejeição. A frase “relaxa e goza”, em vez de esquecida, foi reavivada na memória do eleitor. Pior: sua campanha optou pela baixaria sem medo de ser feliz, ao fazer especulações sobre a vida privada do adversário — o que também manchou a sua biografia. Quando deu início à corrida, seu grupo político queria ver nela uma presidenciável. Hoje, os adversários torcem para que seja a candidata do PT ao governo de São Paulo. É preciso verificar até onde Marta não virou o Maluf dos petistas: basta ela se candidatar para eleger o adversário.

PT – Sim, perdeu. Embora quase todo mundo diga que ganhou. Tinha nove capitais, ficou com seis. Somadas, não chegam ao Orçamento ou à população de São Paulo, que ficou com o arqiinimigo DEM. Perdeu todas as capitais que disputou no segundo turno. Recuperar o governo de Porto Alegre era um ponto de honra. Dançou com uma diferença de 18 pontos. Cresceu muito nas pesquenas cidades em razão do bolsismo...

AÉCIO NEVES – Como??? Márcio Lacerda ganhou, Reinaldo!" É, mas o governador saiu do processo menor do que entrou, a despeito de sua impressionante capacidade de fazer malabarismos verbais repetidos pelo Partido dos Colunistas. Os solavancos da eleição em Belo Horizonte evidenciaram o artificialismo da aliança PSDB-PT. Longe de ser um exemplo para o Brasil, provou que é temerária até mesmo em Minas. O PSDB perdeu prefeituras no Estado em vez de ganhar. O exotismo eleitoral de BH fez Aécio passar por três fases:
A – “Aqui está a novidade do pós-Lula”;
B – “Admito que não deu certo”;
C – “Aqui está a novidade do pós-Lula” — de novo.
A última leitura, digamos, exótica que seu grupo espalha é que ele ajudou a destruir o PT de Minas. Excesso de malabarismo retórico deixa potenciais aliados um tanto assustados. Ademais, ajudou a fortalecer o PMDB.

CIRO GOMES – Também ele? Também ele. Lacerda, eleito em BH, é um aliado seu, claro, claro... Mas foi eleito pelas máquinas do PSDB e do PT. Ciro não tem nada com isso. Já em Fortaleza, onde ele tinha "tudo com isso", apostou suas fichas na ex-mulher, Patrícia Saboya. Ela não passou nem para o segundo turno.
DILMA ROUSSEFF – Jura, Reinaldo? Juro! Lembram-se da sua ida quase teatral para dar apoio à candidata do PT à Prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann? Pois é... Beto Richa se elegeu no primeiro turno com quase 80% dos votos. Depois Dilma decidiu declarar seu apoio decisivo à petista Maria do Rosário, em Porto Alegre. José Fogaça venceu por estratosféricos 18 pontos de diferença. Como a gente vê, Dilma não transfere o que nunca teve: votos.

GERALDO ALCKMIN – Era o candidato certo do PSDB ao governo de São Paulo. Mas decidiu apostar no confronto com o governador José Serra e sair candidato à Prefeitura, fazendo uma espécie de ponte com Minas. Começou o ano como favorito e não passou nem para o segundo turno. Agora, só será candidato se Serra concordar. Mas a fila, pouco importa o que digam todos os atores políticos, passou a ter um primeiro colocado: Kassab. Em política, não existe “jamais”.

SÉRGIO CABRAL – Apesar da vitória de Eduardo Paes, Sérgio Cabral não se saiu tão bem. Em política, o placar, se dilatado ou não, faz diferença, sim. O governador do Rio perdeu disputas importantes no interior do Estado e, por muito pouco, não vê uma espécie de movimento cívico vencer a eleição na capital, com Fernando Gabeira. A brutal abstenção pode ser um indicador de problemas. Mais: a campanha na capital, lamento muito, esteve longe de lustrar a civilidade política. O que poderia ser uma das disputas mais elevadas do país evoluiu para uma impressionante e decepcionante soma de baixarias. Até a última hora, até o último dia. A primeira aparição do governador e do prefeito eleito expressavam o excesso de excitação de quem havia passado um grande aperto — faltava comedimento. Cabral entrou no processo para se credenciar a ser vice de alguém. E eu acho que não se credenciou.

Ah, sim. O Chico Buarque também perdeu. Ele promete agora dar apoio a Raúl Castro se um dia houver eleições diretas em Cuba.

Glossário da Eleição 2008

Fonte: Blog do Noblat
Data: 27/10/2008
endereço: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/


Aécio Neves - Vide Serra.

Baixaria - No início da campanha todos os candidatos a abominam. Do meio para o fim, ela costuma se impor. Em São Paulo, deu ensejo ao comercial de televisão de Marta Suplicy (PT) destinado a virar um clássico (“Ele é casado? Tem filhos?”). Foi decisiva em Belo Horizonte para que Márcio Lacerda (PSB) derrotasse Leonardo Quintão (PMDB).

Caixa 2 - Ou fizeram bem feito ou fizeram de menos. Ou então a imprensa não correu atrás.

Gabeira – Derrotado por míseros 55 mil votos, menos do que a lotação do Maracanã, ganhou a condição de o maior eleitor individual do Rio. Em 2010 pode disputar o governo ou o Senado. Fora ganhar, nada é melhor do que perder ganhando. É o caso dele.

Geddel Vieira Lima - Tirou do fundo do poço da rejeição o prefeito João Henrique (PMDB), de Salvador, e o reelegeu contra a vontade do governador Jaques Wagner (PT). O PMDB baiano emplacou 114 prefeitos e 554 vereadores contra 67 prefeitos e 357 vereadores do PT. Gedel ganhou um palanque no Estado para oferecê-lo em 2010 a quem preferir – Dilma Rousseff ou José Serra.

Lula - Saiu da eleição menor do que entrou. Entrou como um Midas, capaz de transformar em ouro tudo que tocasse. Não desempatou a eleição em favor de ninguém. Perdeu feio ao ceder ao apelo do fígado para derrotar em Natal a candidata do senador José Agripino Maia, líder do DEM. Ou em Parintins o cunhado do senador Arthur Virgílio Neto, líder do PSDB. Lula está para essa eleição como a Seleção Brasileira esteve para a Copa do Mundo de 2006: condenado a ganhar, não ganhou.

Máquina - Dos 3.357 prefeitos que concorreram à reeleição, 2.245 foram reeleitos no primeiro turno – ou 66,8% deles. É o maior índice desde 2000 quando pela primeira vez os prefeitos puderam se reeleger. A máquina administrativa é o maior trunfo de candidatos à reeleição - mas ela só decide a parada se seu piloto for bom e se os ventos soprarem a favor. A máquina se mexeu para eleger Serra presidente da República em 2002 - mas os ventos sopravam a favor de Lula. E a máquina vazava óleo por todos os lados.

Marqueteiro - De estrela de primeira grandeza passou a culpado pelo desempenho medíocre dos candidatos. Quem ganha eleição é o candidato. Quem perde é o marqueteiro. Geraldo Alckmin (PSDB) trocou de marqueteiro no meio do primeiro turno. E aí? Acabou em terceiro lugar. Maria do Rosário (PT) trocou no segundo turno – perdeu para José Fogaça (PMDB). O marqueteiro argentino de Márcio Lacerda ficou rouco de tanto aconselhá-lo a construir uma imagem própria. Foi demitido. Seu substituto seguiu a receita dele com rigor – Lacerda venceu.

Militância - Era barulhenta, colorida e de graça. Perdeu a cor. Barulho? Agora só com pagamento adiantado.

Palanque - Entenda-se como tal a montagem de coligações que assegurem um tempo razoável de propaganda no rádio e na televisão. Quem não teve palanque perdeu logo no primeiro turno. Marcelo Crivella (PR) não teve no Rio. Nem Jandira Feghali (PC do B). Em São Paulo, Alckmin não teve.

PMDB - O michê subiu. Quero dizer: o cachê aumentou. Dizia-se que sem o PMDB presidente algum governaria. É certo dizer que sem o PMDB dificilmente alguém se elegerá presidente em 2010. Foi o partido que mais elegeu prefeitos e vereadores.

Poste – O mais ilustre deles, Márcio Lacerda, penou para se eleger prefeito de Belo Horizonte. Só conseguiu porque no segundo turno foi menos poste, a depender da luz emanada por Aécio (PSDB) e Fernando Pimentel (PT), e mais candidato. Kassab foi um poste que acendia. Poste autêntico foi João do Poste (ou melhor: João da Costa), eleito prefeito do Recife por obra e graça do prefeito João Paulo (PT).

PT - Não perdeu. Para compensar não ganhou. Aumentou seu time de prefeitos e de vereadores, é fato. Ficou de fora da festa nos maiores colégios eleitorais do país. Obteve um resultado muito aquém da sua ambição.

Serra - Sai da eleição maior do que entrou. Entrou na condição de possível candidato a uma derrota para Alckmin, que se lançou à revelia dele e como um enclave em São Paulo da candidatura de Aécio à sucessão de Lula. Serra derrotou Alckmin, Aécio e Marta. E elegeu Kassab. Foi um craque improvável, assim como é Obina no Flamengo.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Mulheres Poderosas (Parte 1)



Dentre as mulheres mais importantes da política brasileira estão Marta Suplicy e Dilma Roussef, Ministra Chefe da Casa Civil.

Para não pensarmos que tudo está perdido, preparei um post em que poderemos conhecer outras figuras interessantes da política mundial. Esqueçam porque não incluirei Sarah Palin, a candidata a vice na chapa de MacCain. Leiam os posts abaixo e conheçam figuras femininas bem interessantes!

Mulheres Poderosas (Parte 2)


Vamos começar a lista com esta pequena beldade chamada Marianne Thieme. Ela é holandesa, tem 36 anos e foi eleita deputada em 2006, com quase 200 mil votos. Sua atuação é muito forte na área do Meio Ambiente e da proteção aos animais. Para os machistas de plantão que pensarem que Marianne obteve essa votação expressiva apenas pela beleza, lembro a todos que ela estudou na Sorbonne, em Paris e sua especialização em Direito Administrativo foi feito na Universidade de Roterdam.
Ela é Vegetariana.

Mulheres Poderosas (Parte 3)


Continuando na faixa dos trinta, a jovem Ruby Dhalla (34 anos) nasceu em Winnipeg, no Canadá e é deputada federal pelo Partido Liberal. Filha de indianos, do Punjab, Ruby teve sua primeira aparição política aos 10 anos de idade, ao ficar famosa pela carta que escreveu para a então primeira-ministra da India, Indira Ghandi, solicitando uma solução urgente para o conflito entre o exército daquele país e os separatistas Shiks. Em 2008 foi reeleita com mais de 41% dos votos feitos para os Liberais.

Mulheres Poderosas (Parte 4)


Vamos para nossa representante norte-americana. Nascida em 1970, Nicole Parra é deputada federal pelo estado da Califórnia. Ela é Democrata e membro da Comissão de Agricultura do Parlamento. Parra tem dois bacharelados, em Artes e em Economia, todos feitos pela Universidade de Berkeley, na Califórnia. Nos últimos meses se envolveu em uma forte polêmica ao votar contra a união de homosexuais na Califórnia, uma posição pouco comum na tradição política feminina norte-americana.
Nicole Parra é católica.

Mulheres Poderosas (Parte 5)





Esta morena com um certo olhar melancólico (pessoalmente acho isso um charme!) é Hina Rabbani. Nascida em 19 de janeiro de 1977 (é do mesmo signo que o meu... tenho certeza de que se me conhecesse seria amor a primeira vista!) na cidade de Multan, no Paquistão, foi deputada entre 2003 e 2007 e reeleita em 2008, sendo que além de representante do Parlamento atua como uma espécie de Conselheira Especial para assuntos de economia do primeiro-ministro de seu país. Também em 2008 foi incluída na lista das Jovens Lideranças Globais do Fórum Econômico Mundial.
Bacharel em Economia pela Lahore University of Management Sciences, fez MBA pela Universidade de Massachusetts.
Hina gosta de viajar. (E se eu puder quero ir junto!)

Mulheres poderosas (Parte 6)



Nada melhor que uma mulher na faixa dos 50 toda charmosa, bonita e inteligente. Esta é Segonèle Royal. Apesar de sua carreira política ter sido feita na França, Segonèle nasceu em Dakar, no Senegal há 55 anos atrás. Disputou a presidência da França contra Sarkozy, pelo Partido Socialista. Pode-se dizer que sua luta política começou em casa, pois seu pai era um militar conhecido por suas posições radicais e absolutamente contrárias à liberdade feminina.
Segonèle estudou Economia na Universidade de Nancy e depois se formou em Administração pela Escola Nacional de Administração. Sua carreira política é vastíssima e neste caso pode ser facilmente encontrada na internet.
Segonèle gosta de usar casacos brancos.

Mulheres Poderosas (Parte 7)


Esta é impressionante! Trata-se da italiana Mara Carfagna, nascida em Salerno, tem 33 anos, foi eleita deputada federal em 2006 e atualmente ocupa o posto de Ministra da Igualdade do governo italiano. Da lista que preparei a vocês, Mara é a única cuja carreira começou fora dos campos de batalha da política, pois ela fez muito sucesso na TV e também como modelo antes de disputar uma eleição. Apesar disso ela é considerada uma política muito atuante e trabalha com muita força pelos direitos dos gays, das prostitutas e de outras minorias exploradas sexual e/ou socialmente.
Mara estudou na Universidade de Salerno, onde se formou em Direito.
Em 1997 disputou o Miss Itália e ficou em sexto lugar. (Eu daria o primeiro!)

Mulheres Poderosas (Parte 8)





Escreverei pouco sobre esta musa da política. Ela nunca concorreu a qualquer pleito eleitoral, mas é altamente atuante em defesa das crianças e dos direitos das mulheres. Ela é Rannia, a Rainha da Jordânia (até rimou!). Nascida no Kuwait, em 31 de agosto de 1970, apesar de ser bem jovem é mãe de quatro filhos. Hoje, dia 24 de outubro, ela está em visita ao Brasil. Estudou Administração e Negócios na Universidade Americana do Cairo e trabalhou na Apple e no Citybank.
Ela é bonita, charmosa e inteligente. Basta!

Os Fatores que Influenciam o Voto do Eleitor

Tenho postado vários textos do Jairo Nicolau, cientista político que escreve na Veja.
Este é um dos mais interessantes para o atual momento. Já expliquei em sala de aula mais de mil vezes que o senso comum determina certos mitos sobre o mundo político e um deles é o de que boa parte do eleitorado decide seu voto de acordo com o candidato que está na frente das pesquisas. Todos pensam que isso é verdade, mas como eleitores, não se comportam assim. O texto abaixo trata deste assunto e minha diferença é que sou um pouquinho mais radical do que o autor nos aspectos por ele tratados. Um estudo muito interessante apresentou duas dezenas de variáveis que influenciam a tomada de decisão por parte dos eleitores e o fator "Estar à frente nas Pesquisas" é o 11° do ranking, ou seja, esta variável, de fato existe, mas não determina um volume extraordinário de eleitores que decidem seu voto baseado nesse quesito. Trocando em miúdos, na média, ao pensar em quem votar um eleitor leva em consideração 10 variáveis antes de chegar até a questão da posição do candidato nas pesquisas eleitorais.

Vamos ao texto de Jairo Nicolau.
Fonte: Portal da Revista Veja
Data: 22/10/2008

"Para quem estuda eleições, o maior desafio é tentar responder a uma pergunta aparente simples: o que explica o voto dos eleitores? Todos os que se dedicam a fazer ou a estudar as campanhas eleitorais têm procurado responder a esta pergunta.

A cada momento de campanha sou procurado por jornalistas desejosos de saber se uma declaração, uma denúncia, uma pesquisa, um apoio influenciam a escolha dos eleitores.


"Minha desconfiança é que um reduzido contingente de eleitores decida seu voto baseado em pesquisas."

Existem muitos estudos sobre comportamento eleitoral no Brasil, mas ainda estamos longe de compreender as razões que levam os eleitores a preferirem certos candidatos em detrimento de outros. Acreditamos na influência de diversos fatores, mas precisamos de mais pesquisas para tentar responder algumas perguntas: Será que as diferenças sociais (renda, gênero, religião, lugar de moradia, escolaridade) influenciam na escolha? A ideologia e o partido ainda são importantes? A cobertura da mídia influencia? Como as "ondas eleitorais" se propagam? Os debates são decisivos?

Se pensarmos com cuidado veremos que tentar decifrar o "mistério da escolha eleitoral" não é mesmo um tarefa das mais simples. Milhões de pessoas escolhem um candidato em um determinado domingo de outubro. As razões apresentadas vão das mais prosaicas às mais sofisticadas. E cabe a nós, os analistas eleitorais, encontrar neste cipoal uma lista de possíveis fatores que influenciam o voto.

É impossível discutir aqui as principais teorias e modelos que buscaram explicar o voto nas democracias modernas. Minha tarefa será mais modesta. Apresento uma breve reflexão sobre a possível influência de apenas três fatores, que para muitos tem sido decisivos nas eleições brasileiras.

1. As pesquisas
Tenho recebido algumas mensagens sugerindo que a divulgação de pesquisas seja proibida Brasil. O argumento é que as pesquisas influenciariam negativamente os eleitores, sobretudo por conta do fenômeno conhecido como voto útil (os eleitores trocam o seu candidato, em má posição na disputa, por outro, melhor situado nas pesquisas). É bom lembrar que nas eleições municipais as pesquisas são publicadas com regularidade nas maiores cidades, mas em um número expressivo de cidades as pesquisas sequer são realizadas ou divulgadas.

Sabemos que as pesquisas influenciam os doadores de campanha, sabemos que elas afetam o moral dos candidatos e militantes, mas não sabemos o volume de eleitores que decidem seu voto baseado em pesquisas.

Minha desconfiança é que um reduzido contingente de eleitores decida seu voto baseado em pesquisas. Se tivesse que dar um palpite, diria que não mais do que 5%. Mas precisamos de estudos sobre o tema.

2. O horário eleitoral gratuito
No Brasil, os candidatos têm acesso ao mais generoso tempo de rádio e televisão do planeta. Hoje, os gastos mais expressivos dos candidatos estão associados à produção dos programas. Mas, afinal, os eleitores assistem ao horário? A propaganda tem sido decisiva para o eleitor?

É fundamental distinguir a propaganda em cadeia, que é divulgada duas vezes por dia, dos comerciais de 30 segundos divulgados no meio do horário regular de programação. O número de telespectadores e de ouvintes do programa em cadeia tem caído, comparativamente aos das campanhas das décadas de 1980 e 1990. Uma das razões é o crescimento de fontes alternativas de informação e lazer, tais como os canais a cabo e a internet.

Já os comerciais de 30 segundos são vistos e ouvidos por todos que estão conectados aos canais comerciais de rádio e televisão. Isto é, a grande maioria da população. Os comerciais têm se tornado a principal fonte de informação para os eleitores. Não conheço estudos sobre os efeitos dos comerciais, mas apostaria que hoje eles têm sido mais decisivos na campanha do que os programas em cadeia.

3. Os apoios
Um dos mitos desta eleição foi que o apoio do presidente Lula seria decisivo para os candidatos. Alguns candidatos da base governista quase se engalfinharam para obter o apoio presidencial. Ter sido apoiado pelo presidente pode ter dado alguns pontinhos extras para um ou outro candidato. Mas esteve longe de ter sido decisivo.

A razão é simples: as eleições municipais têm se organizado basicamente em torno dos temas locais, com diferentes contornos: a avaliação sobre um determinado prefeito (ou seu candidato); os tradicionais conflitos entre famílias e lideranças locais; a discussão dos problemas que afetam a cidade.

A escolha dos eleitores se dá basicamente tentando encontrar o nome mais adequado para enfrentar os desafios vividos por sua cidade. Por isso, a influência de atores externos à corrida eleitoral municipal (presidente, governadores, senadores, secretários estaduais, ministros) no voto, não tem sido, na maioria dos casos, decisiva."