Dizem que muita gente no governo federal viaja na maionese. O problema é que essa turma não viaja só na maionese, mas também em jatinhos e aviões de carreira, hospedam-se em hotéis e alugam carros.
Com ou sem crise financeira as empresas em todo o mundo têm investido fartos recursos para diminuir os custos com deslocamentos desnecessários. O uso de vídeo-conferência, tele-conferência e outros recursos tecnológicos vêm baixando os valores utilizados para o pagamento de passagens aéreas, as quais sempre estão vinculadas a diárias de hotel e estorno de valores gastos com refeições, táxis etc.
Entretanto esta lógica só funciona para o setor privado, pois o setor público continua se esbaldando não só com os cartões corporativos, apesar da forte redução dos gastos com este item, mas principalmente com as passagens aéreas.
Quanto o Estado brasileiro deve gastar para levar seus ministros, oficiais militares, secretários, assessores, diretores e demais funcionários para os encontros e reuniões em todas as partes do país? Já se sabe de antemão que não é pouco, afinal o Brasil é um país com território imenso, mas sejamos razoáveis. Duzentos milhões de reais em passagens aéreas parece muito. Mas para tentarmos ser realistas devemos jogar os gastos para um patamar próximo de oitocentos milhões de reais ao ano.
Pois em 2008 o estado brasileiro gastou com passagens aéreas e diárias em hotéis R$ 1,4 bilhão. Vale a pena repetir: um bilhão e quatrocentos milhões de reais em viagens ao longo de 2008. Só o Poder Executivo gastou R$ 1,2 bilhão, enquanto que os Poderes Legislativo e Judiciário gastaram R$114,5 milhões e R$ 90 milhões respectivamente. Tem alguma coisa errada. Sabemos que na cultura brasileira o dinheiro público não é o dinheiro de todos, mas sim, o dinheiro de ninguém. Deve ser por isso que se gasta tanto em viagens, sendo que boa parte delas seguramente poderia ser evitada com o investimento em recursos tecnológicos de comunicação telepresencial.
Se as empresas conseguiram e conseguem reduzir entre 30 e 50% seus custos em deslocamentos porque o Estado brasileiro não pode fazer o mesmo? Vale considerar que o simples fato de determinar planejamento na compra de passagens já é um fator de economia. Basta que um bilhete seja comprado com 1 mês ou até 15 dias de antecedência e uma pequena, porém importante economia terá sido feita.
Tecnologia, planejamento e bom senso são as ferramentas que a iniciativa privada utiliza para gastar menos e melhor. Entretanto, nesta lista, o bom senso vem em primeiro lugar e sendo este o pré-requisito para a diminuição de custos, os gastos com deslocamentos do Estado brasileiro em 2009 deverão aumentar, mesmo que seja para encontros que são... assim... uma viagem!
quarta-feira, março 11, 2009
sexta-feira, março 06, 2009
Para Entender o Retorno de Collor
Muita gente pode tentar encontrar um adjetivo para definir o "retorno" de Fernando Collor: vergonha, volta ao passado, falta de memória... Em minha opinião não é nada disso. Vamos por partes.
Em primeiro lugar existem dois erros conceituais nas inúmeras matérias que citam o "retorno" de Collor:
1- Collor nunca saiu de cena e
2- Collor já estava em cena desde que fora eleito para o Senado.
Vamos aos pormenores.
1- Collor nunca saiu de cena e quem nunca partiu não tem como retornar. Quando Collor sofreu o processo de impeachment e renunciou ao mandato, seu nome permaneceu nas notícias, em reportagens especiais, nos artigos políticos, nas bancas de monografias, TCC´s, mestrados e doutorados. Ainda que tenha saído por algum tempo da grande mídia, seu nome continuou a ser importante para aquele pedaço de terra bonito chamado Alagoas. Sua família, poderosa e dona de meios de comunicação importantes, manteve o "brilho" do político e pôde defender a tese de que, após a decisão da justiça inocentando o ex-presidente pela acusação de corrupção passiva, o impedimento pelo qual passou vinculava-se muito mais a uma perseguição política do que a um caso de polícia.
Da tragédia política veio a tragédia pessoal, principalmente com a morte de sua mãe, Leda, que fora uma figura central em sua vida e formação. Seu "exílio" em Miami representou o período de maior ostracismo, mas enquanto curtia a vida com Rosane Collor, entre uma marguerita e outra, o ex-presidente jamais deixou de acompanhar a cena política nacional, que incluía a ascensão política de FHC, o fortalecimento da democracia no país, o equilíbrio econômico gerado pelo Plano Real, bem como os primeiros sinais das mudanças de rumo da oposição, que levariam mais tarde o atual presidente Lula, ao seu primeiro mandato.
Fernando Collor também acompanhou de longe o retorno dos sinais exteriores de riqueza de seus antigos companheiros, que voltaram à cena mostrando que tinham capacidade financeira de sobra para investir em novos negócios como agências de turismo, boates, propriedades, concessionárias de veículos importados e até jornais. Como se vê, a corrupção rendeu frutos para toda aquela turma muitos anos depois e ainda por muito tempo.
Sua primeira tentativa de retorno à política (ainda com os direitos cassados) foi em uma tosca campanha pela prefeitura da cidade de São Paulo. Mais tarde, em 2002, Collor tentaria o cargo de governador do estado de Alagoas, eleição que perdeu em primeiro turno para Ronaldo Lessa.
2- Collor já estava em cena desde que fora eleito para o Senado.
Após sua derrota na campanha para o governo do estado de Alagoas, o ex-presidente manteve sua agenda política e reforçou posições em diversos pontos do estado. O resultado de sua persistência apareceu de maneira memorável, quando pôde dar o troco em Ronaldo Lessa, sendo eleito, em 2006, na disputa por uma cadeira no Senado, cujo mandato de oito anos começou em 2007.
Portanto, dizer que Collor "retornou" não me parece muito correto. Para ser mais preciso, o senador Fernando Collor "reforçou" a sua posição ao assumir um dos cargos mais importantes do Senado, o de presidente da Comissão de Infraestrutura, por onde passam, por exemplo, todos os projetos do PAC.
Resta-nos analisar qual o significado desse "reforço" em sua posição política e como isso pôde acontecer em uma Casa dominada pelos partidos que formam a base aliada do governo. É claro que Collor não é um opositor de Lula; suas declarações e votações deixam isso bem claro. Mas Collor não gosta do PT e vencer a senadora Ideli Salvatti certamente deve ter gerado um certo prazer todo especial.
O nome que está por trás de todo esse processo é um só: José Sarney. Ele de novo. Mas o articulador do processo sem dúvida alguma é Renan Calheiros. Como se vê, os brasileiros estão muito bem representados: Fernando Collor, José Sarney e Renan Calheiros.
No período em que se discutiam as alianças para eleger o novo presidente do Senado o cálculo para obter os votos necessários passavam, também, por Fernando Collor. O compromisso firmado solucionaria vários interesses do PMDB, que incluiam a eleição de Sarney e a tomada de poder, ainda que indiretamente, de postos fundamentais para o funcionamento da Casa.
Do ponto de vista institucional, os inúmeros arranjos vem gerando a paralização dos trabalhos do Senado, que há muito não discute matérias importantes para o país. Do ponto de vista macro político, ainda é cedo para saber se o ex-presidente Collor, agora ocupando um cargo de destaque, fará alguma diferença para o cenário nacional e quanto de energia ele possui para tentar superar a própria biografia.
Em primeiro lugar existem dois erros conceituais nas inúmeras matérias que citam o "retorno" de Collor:
1- Collor nunca saiu de cena e
2- Collor já estava em cena desde que fora eleito para o Senado.
Vamos aos pormenores.
1- Collor nunca saiu de cena e quem nunca partiu não tem como retornar. Quando Collor sofreu o processo de impeachment e renunciou ao mandato, seu nome permaneceu nas notícias, em reportagens especiais, nos artigos políticos, nas bancas de monografias, TCC´s, mestrados e doutorados. Ainda que tenha saído por algum tempo da grande mídia, seu nome continuou a ser importante para aquele pedaço de terra bonito chamado Alagoas. Sua família, poderosa e dona de meios de comunicação importantes, manteve o "brilho" do político e pôde defender a tese de que, após a decisão da justiça inocentando o ex-presidente pela acusação de corrupção passiva, o impedimento pelo qual passou vinculava-se muito mais a uma perseguição política do que a um caso de polícia.
Da tragédia política veio a tragédia pessoal, principalmente com a morte de sua mãe, Leda, que fora uma figura central em sua vida e formação. Seu "exílio" em Miami representou o período de maior ostracismo, mas enquanto curtia a vida com Rosane Collor, entre uma marguerita e outra, o ex-presidente jamais deixou de acompanhar a cena política nacional, que incluía a ascensão política de FHC, o fortalecimento da democracia no país, o equilíbrio econômico gerado pelo Plano Real, bem como os primeiros sinais das mudanças de rumo da oposição, que levariam mais tarde o atual presidente Lula, ao seu primeiro mandato.
Fernando Collor também acompanhou de longe o retorno dos sinais exteriores de riqueza de seus antigos companheiros, que voltaram à cena mostrando que tinham capacidade financeira de sobra para investir em novos negócios como agências de turismo, boates, propriedades, concessionárias de veículos importados e até jornais. Como se vê, a corrupção rendeu frutos para toda aquela turma muitos anos depois e ainda por muito tempo.
Sua primeira tentativa de retorno à política (ainda com os direitos cassados) foi em uma tosca campanha pela prefeitura da cidade de São Paulo. Mais tarde, em 2002, Collor tentaria o cargo de governador do estado de Alagoas, eleição que perdeu em primeiro turno para Ronaldo Lessa.
2- Collor já estava em cena desde que fora eleito para o Senado.
Após sua derrota na campanha para o governo do estado de Alagoas, o ex-presidente manteve sua agenda política e reforçou posições em diversos pontos do estado. O resultado de sua persistência apareceu de maneira memorável, quando pôde dar o troco em Ronaldo Lessa, sendo eleito, em 2006, na disputa por uma cadeira no Senado, cujo mandato de oito anos começou em 2007.
Portanto, dizer que Collor "retornou" não me parece muito correto. Para ser mais preciso, o senador Fernando Collor "reforçou" a sua posição ao assumir um dos cargos mais importantes do Senado, o de presidente da Comissão de Infraestrutura, por onde passam, por exemplo, todos os projetos do PAC.
Resta-nos analisar qual o significado desse "reforço" em sua posição política e como isso pôde acontecer em uma Casa dominada pelos partidos que formam a base aliada do governo. É claro que Collor não é um opositor de Lula; suas declarações e votações deixam isso bem claro. Mas Collor não gosta do PT e vencer a senadora Ideli Salvatti certamente deve ter gerado um certo prazer todo especial.
O nome que está por trás de todo esse processo é um só: José Sarney. Ele de novo. Mas o articulador do processo sem dúvida alguma é Renan Calheiros. Como se vê, os brasileiros estão muito bem representados: Fernando Collor, José Sarney e Renan Calheiros.
No período em que se discutiam as alianças para eleger o novo presidente do Senado o cálculo para obter os votos necessários passavam, também, por Fernando Collor. O compromisso firmado solucionaria vários interesses do PMDB, que incluiam a eleição de Sarney e a tomada de poder, ainda que indiretamente, de postos fundamentais para o funcionamento da Casa.
Do ponto de vista institucional, os inúmeros arranjos vem gerando a paralização dos trabalhos do Senado, que há muito não discute matérias importantes para o país. Do ponto de vista macro político, ainda é cedo para saber se o ex-presidente Collor, agora ocupando um cargo de destaque, fará alguma diferença para o cenário nacional e quanto de energia ele possui para tentar superar a própria biografia.
terça-feira, março 03, 2009
A Cadeia Produtiva do Carnaval
Todo mês de fevereiro eu adoro escrever posts avacalhando o carnaval.
Trata-se de um esporte.
É que pessoalmente não gosto da festa. Acho repetitiva, chata, com sempre as mesmas personagens (vide post abaixo), perigosa, tumultuada e impositiva no sentido em que para aqueles que a detestam, são obrigados a ficar à mercê da mídia que não para de veicular os mais bizarros aspectos da festa (vide post abaixo novamente!). Eu quero é paz.
Mas como muitos (muitos não, alguns) alunos e ex-alunos costumam ler este blog é evidente que necessito deixar meu esporte de lado e oferecer informações e/ou análises que possam enriquecer o processo de reflexão sobre nossa cultura e política.
Independentemente das implicâncias pessoais, é importante considerar a importância da festa sob diferentes aspectos. Destaco aqui parte dos resultados de uma pesquisa sobre a cadeia produtiva do carnaval no estado do Rio de Janeiro. A pesquisa será desenvolvida pelo Sebrae em parceria com a Associação Comercial do Rio de Janeiro. Seu coordenador, o economista Luiz Carlos Prestes Filho respondeu a algumas entrevistas adiantando números gerais que impressionam.
Apesar de alguns números serem divergentes, o carnaval carioca emprega 300 mil pessoas e representa um ingresso de pouco mais de 1 bilhão de reais na economia da capital do estado. Meus ex-alunos já estudaram o significado de uma cadeia produtiva, que pode ser entendida como uma rede de inter-relações entre produtores de um mesmo sistema industrial. Por meio do estudo de cadeias produtivas é possível identificar as etapas e fluxos existentes entre produtores que se relacionam por meio de trocas comerciais e de serviços, desde a matéria-prima até o consumidor final.
No caso do carnaval especificamente estamos falando sobre os carnavalescos, produtores, escultores, marceneiros, distribuidores, músicos, produtores de espetáculos e shows, soldadores, maquiadores, publicitários, dentre dezenas de outros profissionais. Apenas para exemplificar a importância do estudo da cadeia produtiva do carnaval, vale ilustrar o caso das bordadeiras. No município de Campos, interior do Rio de Janeiro, existem cerca de 740 bordadeiras que em 2008 produziram mais de 70 milhões de peças de bordado utilizadas tanto para o Carnaval brasileiro quanto para os mais de 900 eventos carnavalescos espalhadas pelo mundo todo. O ingresso de recursos proveniente do trabalho dessas bordadeiras representa 4,5% do PIB do município e considerando as grandes indústrias petroquímicas instaladas na cidade, esse número é fabuloso.
Toda essa produção ocorre sem que a prefeitura de Campos tenha uma política pública destinada a aumentar o mercado dessas produtoras, criar uma marca própria e oferecer condições para que elas produzam mais e ainda melhor.
Se somarmos a produção bruta de materiais para utilização na festa ao inúmeros rendimentos provenientes dos direitos autorais de produtores de música, para dar um exemplo, a cadeia produtiva do carnaval carioca mostra toda uma diversidade capaz de agregar valores econômicos ao estado não somente no período dos eventos, mas ao longo de todo o ano.
Segundo a agência de notícias do Sebrae, "apesar de fazer o maior carnaval, o maior réveillon e o maior festival de rock do mundo, além de abrigar a maior cidade cenográfica (o Projac, da Rede Globo), o Rio de Janeiro sofre com a falta de investimentos e de políticas públicas para garantir o desenvolvimento em diversos segmentos da chamada indústria cultural, especialmente no gráfico, editorial e fonográfico. A análise é feita por Luiz Carlos Prestes Filho, coordenador das pesquisas sobre economia cultura, cadeia da música e indústria do carnaval."
Outro dados interessante é o cálculo do ingresso de recursos financeiros por meio do ICMS da indústria gráfica carioca, a qual vem perdendo milhões de reais todos os anos para a indústria paulista, que se transformou em exportadora de serviços e produtos para o Rio de Janeiro.
O estudo deve revelar detalhes de todo esse processo e certamente será usado pelos governos estadual e municipal para que políticas públicas possam ser criadas com o obejtivo de incrementar ainda mais a riqueza e a criação de postos de trabalho diretamente vinculados com o carnaval.
Fontes: CBN/Sebrae/Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro.
Trata-se de um esporte.
É que pessoalmente não gosto da festa. Acho repetitiva, chata, com sempre as mesmas personagens (vide post abaixo), perigosa, tumultuada e impositiva no sentido em que para aqueles que a detestam, são obrigados a ficar à mercê da mídia que não para de veicular os mais bizarros aspectos da festa (vide post abaixo novamente!). Eu quero é paz.
Mas como muitos (muitos não, alguns) alunos e ex-alunos costumam ler este blog é evidente que necessito deixar meu esporte de lado e oferecer informações e/ou análises que possam enriquecer o processo de reflexão sobre nossa cultura e política.
Independentemente das implicâncias pessoais, é importante considerar a importância da festa sob diferentes aspectos. Destaco aqui parte dos resultados de uma pesquisa sobre a cadeia produtiva do carnaval no estado do Rio de Janeiro. A pesquisa será desenvolvida pelo Sebrae em parceria com a Associação Comercial do Rio de Janeiro. Seu coordenador, o economista Luiz Carlos Prestes Filho respondeu a algumas entrevistas adiantando números gerais que impressionam.
Apesar de alguns números serem divergentes, o carnaval carioca emprega 300 mil pessoas e representa um ingresso de pouco mais de 1 bilhão de reais na economia da capital do estado. Meus ex-alunos já estudaram o significado de uma cadeia produtiva, que pode ser entendida como uma rede de inter-relações entre produtores de um mesmo sistema industrial. Por meio do estudo de cadeias produtivas é possível identificar as etapas e fluxos existentes entre produtores que se relacionam por meio de trocas comerciais e de serviços, desde a matéria-prima até o consumidor final.
No caso do carnaval especificamente estamos falando sobre os carnavalescos, produtores, escultores, marceneiros, distribuidores, músicos, produtores de espetáculos e shows, soldadores, maquiadores, publicitários, dentre dezenas de outros profissionais. Apenas para exemplificar a importância do estudo da cadeia produtiva do carnaval, vale ilustrar o caso das bordadeiras. No município de Campos, interior do Rio de Janeiro, existem cerca de 740 bordadeiras que em 2008 produziram mais de 70 milhões de peças de bordado utilizadas tanto para o Carnaval brasileiro quanto para os mais de 900 eventos carnavalescos espalhadas pelo mundo todo. O ingresso de recursos proveniente do trabalho dessas bordadeiras representa 4,5% do PIB do município e considerando as grandes indústrias petroquímicas instaladas na cidade, esse número é fabuloso.
Toda essa produção ocorre sem que a prefeitura de Campos tenha uma política pública destinada a aumentar o mercado dessas produtoras, criar uma marca própria e oferecer condições para que elas produzam mais e ainda melhor.
Se somarmos a produção bruta de materiais para utilização na festa ao inúmeros rendimentos provenientes dos direitos autorais de produtores de música, para dar um exemplo, a cadeia produtiva do carnaval carioca mostra toda uma diversidade capaz de agregar valores econômicos ao estado não somente no período dos eventos, mas ao longo de todo o ano.
Segundo a agência de notícias do Sebrae, "apesar de fazer o maior carnaval, o maior réveillon e o maior festival de rock do mundo, além de abrigar a maior cidade cenográfica (o Projac, da Rede Globo), o Rio de Janeiro sofre com a falta de investimentos e de políticas públicas para garantir o desenvolvimento em diversos segmentos da chamada indústria cultural, especialmente no gráfico, editorial e fonográfico. A análise é feita por Luiz Carlos Prestes Filho, coordenador das pesquisas sobre economia cultura, cadeia da música e indústria do carnaval."
Outro dados interessante é o cálculo do ingresso de recursos financeiros por meio do ICMS da indústria gráfica carioca, a qual vem perdendo milhões de reais todos os anos para a indústria paulista, que se transformou em exportadora de serviços e produtos para o Rio de Janeiro.
O estudo deve revelar detalhes de todo esse processo e certamente será usado pelos governos estadual e municipal para que políticas públicas possam ser criadas com o obejtivo de incrementar ainda mais a riqueza e a criação de postos de trabalho diretamente vinculados com o carnaval.
Fontes: CBN/Sebrae/Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro.
segunda-feira, março 02, 2009
Sarney, Luiza Brunet, Passistas e Sambistas
Não é que discorde das inúmeras críticas que resmungam da falta de opções no senado brasileiro que elegeu, pela terceira vez, o ex-presidente da República, José Sarney para ocupar o cargo de Presidente daquela Casa.
Sarney tem muita história e é um símbolo da política brasileira, mas desta vez não vou discutir se o símbolo é bom ou ruim. É claro que tenho a minha opinião, mas no momento tratarei de outro aspecto porque o tema deste post é Carnaval.
Tradicionalmente eu dedico um post a cada fevereiro para este tema tão importante para a cultura nacional, esta festa que nos marca enquanto civilização, que nos diferencia e que se transforma na representação simbólica e dialética de uma raça única, distinta e distante de todas as outras. Sim, eu detesto Carnaval.
As vezes fico imaginando o Bonner, deitadinho de pijama ao lado da Fátima, vestindo sua meinha soquete para abrigar o pezinho resfriado pelo ar-condicionado do quarto do casal. Ele preocupado confessando, baixinho, no escuro, que não suporta mais dar notícias sobre Carnaval porque são sempre os mesmos temas:
- a rainha da bateria com suas variações: dietas, treinamento, ensaios no galpão.
- os carnavalescos com suas variações: técnicas, inspirações, ensaios no galpão.
- o público com suas variações: compra de ingressos, decoreba das letras dos sambas, ensaios nos galpões.
- as escolas com suas variações: temas, sambas-enredo, preparativos, ensaios nos galpões.
- os anônimos (haaa... essa eu adoro... sempre tem matérias sobre os anônimos) com suas variações: o trabalho árduo nos carros alegóricos, a economia para comprar a fantasia e os ensaios nos galpões.
Bem... e por aí vai. Depois tem sempre aquela matéria em que o jornalista, por melhor que seja, começa a frase mais ou menos assim: “por enquanto o único barulho dos galpões é este” (então corta a cena da imagem dele e aparecem as pessoas martelando, soldando, costurando, serrando... e volta para o repórter), “mas daqui há 1 semana o som será este” (daí começa aquele TumTum, BaticumDum, Ziriguidum!), enfim, que chato.
Nada tira da minha cabeça que lá no íntimo, no escurinho do quarto, os dois não vertam lágrimas quando se dão conta de que terão que iniciar as matérias sobre o Carnaval Globeleza. Nada contra, atenção. Eu sou um admirador desse casal e acho que eles são o que de melhor existe em termos de jornalismo para as massas. Não sou daqueles que pregam o fim da Rede Globo, a vilã que representa todo o mau... eu heim, para mim todo o mal não está na Globo, mas lá para os cantos de Brasília, especificamente no Palácio do Planalto.
Bem, mas estou dando voltas e mais voltas e meu objetivo é fazer um contra-ponto às críticas da eleição do Senado com o argumento de que são sempre os mesmos. A pergunta é: porque ninguém reclama dos sempre mesmos chatos que aparecem nos carnavais do Brasil? Será que só existe Chiclete com Banana, Ivete Sangalo e Cláudia Leite? Mas eu simpatizo com o carnaval do Nordeste, primeiro porque ele é mais “genuinamente popular”, apesar dos abadás custarem uma fortuna, e segundo porque ele está mais longe de mim. Agora perigosos mesmo são os desfiles de escolas de samba do Rio e de São Paulo. Haaa, esses são verdadeiras ameaças.
Reparem. As rainhas de bateria são sempre as mesmas, que vivem sorrindo para as câmeras, mas na verdade fazem verdadeiros conchavos políticos (tantas vezes piores do que os de Brasília), para ocupar o posto tão almejado. Fora as dietas absurdas e as plásticas infernais, mas daí é problema delas né, não meu. De qualquer forma o processo é longo e elas se engalfinham para mostrar o bumbum para os fotógrafos. Eu fiz uma pesquisa, ou melhor, um pequeno levantamento estatístico e posso comprovar a proporção de distribuição das vagas:
- 30% são atrizes bonitonas;
- 10% são namoradas e/ou amantes de alguém considerado importante: um presidente de escola, traficantes, ou pagodeiros ou tudo isso juntos (este post é uma brincadeira para entreter o leitor, mas não pensem que o narcotráfico também não financia a festa!);
- 30% são ex-capas da Playboy;
- 5% participaram de alguma edição do BBB;
- 20% são modelos;
- 5% são da “comunidadii”
Observem então as entrevistas das “celebridades” nos ensaios dos galpões. Sempre os mesmos. Sempre as mesmas perguntas e respostas idênticas às que foram fornecidas no Carnaval passado. Não seria mais fácil colocar o video tape do Eri Johnson, da Viviane Araújo, do Zeca Pagodinho e de tantos outros respondendo as mesmas perguntas do ano passado? E o pior são aquelas entrevistas que sempre terminam com um: “Escola de Tal na Cabeeeeçaaaaaaa” ou, “Escola de Tal arrebentandôôôôô... U-Huuuuu”. Fora o “Vamu ganhá Vamu Ganháááá!”.
Tenho certeza de que cronistas talentosos e engraçados já publicaram críticas sobre este mesmo aspecto que eu estou fazendo neste blog. Mas se na política são sempre os mesmos, nos Carnavais são sempre os mesmos, porque eu não posso abordar sempre os mesmos temas?
Com tamanha repetição eu definitivamente nem consigo mais ver graça alguma na Luiza Brunet, objeto de meus desejos mais íntimos ao longo de minha adolescência, transformada em meu pesadelo mais nítido nas transmissões do Carnaval.
Sarney tem muita história e é um símbolo da política brasileira, mas desta vez não vou discutir se o símbolo é bom ou ruim. É claro que tenho a minha opinião, mas no momento tratarei de outro aspecto porque o tema deste post é Carnaval.
Tradicionalmente eu dedico um post a cada fevereiro para este tema tão importante para a cultura nacional, esta festa que nos marca enquanto civilização, que nos diferencia e que se transforma na representação simbólica e dialética de uma raça única, distinta e distante de todas as outras. Sim, eu detesto Carnaval.
As vezes fico imaginando o Bonner, deitadinho de pijama ao lado da Fátima, vestindo sua meinha soquete para abrigar o pezinho resfriado pelo ar-condicionado do quarto do casal. Ele preocupado confessando, baixinho, no escuro, que não suporta mais dar notícias sobre Carnaval porque são sempre os mesmos temas:
- a rainha da bateria com suas variações: dietas, treinamento, ensaios no galpão.
- os carnavalescos com suas variações: técnicas, inspirações, ensaios no galpão.
- o público com suas variações: compra de ingressos, decoreba das letras dos sambas, ensaios nos galpões.
- as escolas com suas variações: temas, sambas-enredo, preparativos, ensaios nos galpões.
- os anônimos (haaa... essa eu adoro... sempre tem matérias sobre os anônimos) com suas variações: o trabalho árduo nos carros alegóricos, a economia para comprar a fantasia e os ensaios nos galpões.
Bem... e por aí vai. Depois tem sempre aquela matéria em que o jornalista, por melhor que seja, começa a frase mais ou menos assim: “por enquanto o único barulho dos galpões é este” (então corta a cena da imagem dele e aparecem as pessoas martelando, soldando, costurando, serrando... e volta para o repórter), “mas daqui há 1 semana o som será este” (daí começa aquele TumTum, BaticumDum, Ziriguidum!), enfim, que chato.
Nada tira da minha cabeça que lá no íntimo, no escurinho do quarto, os dois não vertam lágrimas quando se dão conta de que terão que iniciar as matérias sobre o Carnaval Globeleza. Nada contra, atenção. Eu sou um admirador desse casal e acho que eles são o que de melhor existe em termos de jornalismo para as massas. Não sou daqueles que pregam o fim da Rede Globo, a vilã que representa todo o mau... eu heim, para mim todo o mal não está na Globo, mas lá para os cantos de Brasília, especificamente no Palácio do Planalto.
Bem, mas estou dando voltas e mais voltas e meu objetivo é fazer um contra-ponto às críticas da eleição do Senado com o argumento de que são sempre os mesmos. A pergunta é: porque ninguém reclama dos sempre mesmos chatos que aparecem nos carnavais do Brasil? Será que só existe Chiclete com Banana, Ivete Sangalo e Cláudia Leite? Mas eu simpatizo com o carnaval do Nordeste, primeiro porque ele é mais “genuinamente popular”, apesar dos abadás custarem uma fortuna, e segundo porque ele está mais longe de mim. Agora perigosos mesmo são os desfiles de escolas de samba do Rio e de São Paulo. Haaa, esses são verdadeiras ameaças.
Reparem. As rainhas de bateria são sempre as mesmas, que vivem sorrindo para as câmeras, mas na verdade fazem verdadeiros conchavos políticos (tantas vezes piores do que os de Brasília), para ocupar o posto tão almejado. Fora as dietas absurdas e as plásticas infernais, mas daí é problema delas né, não meu. De qualquer forma o processo é longo e elas se engalfinham para mostrar o bumbum para os fotógrafos. Eu fiz uma pesquisa, ou melhor, um pequeno levantamento estatístico e posso comprovar a proporção de distribuição das vagas:
- 30% são atrizes bonitonas;
- 10% são namoradas e/ou amantes de alguém considerado importante: um presidente de escola, traficantes, ou pagodeiros ou tudo isso juntos (este post é uma brincadeira para entreter o leitor, mas não pensem que o narcotráfico também não financia a festa!);
- 30% são ex-capas da Playboy;
- 5% participaram de alguma edição do BBB;
- 20% são modelos;
- 5% são da “comunidadii”
Observem então as entrevistas das “celebridades” nos ensaios dos galpões. Sempre os mesmos. Sempre as mesmas perguntas e respostas idênticas às que foram fornecidas no Carnaval passado. Não seria mais fácil colocar o video tape do Eri Johnson, da Viviane Araújo, do Zeca Pagodinho e de tantos outros respondendo as mesmas perguntas do ano passado? E o pior são aquelas entrevistas que sempre terminam com um: “Escola de Tal na Cabeeeeçaaaaaaa” ou, “Escola de Tal arrebentandôôôôô... U-Huuuuu”. Fora o “Vamu ganhá Vamu Ganháááá!”.
Tenho certeza de que cronistas talentosos e engraçados já publicaram críticas sobre este mesmo aspecto que eu estou fazendo neste blog. Mas se na política são sempre os mesmos, nos Carnavais são sempre os mesmos, porque eu não posso abordar sempre os mesmos temas?
Com tamanha repetição eu definitivamente nem consigo mais ver graça alguma na Luiza Brunet, objeto de meus desejos mais íntimos ao longo de minha adolescência, transformada em meu pesadelo mais nítido nas transmissões do Carnaval.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Possíveis candidatos à sucessão de Lula têm blogs 'de campanha'
Leiam matéria interessante enviada pela Luciana Lima, uma amiga jornalista que me indicou a leitura, que agora publico para vocês.
Fonte: Diário do Grande ABC
Data: 25/02/2009
A campanha para a disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está na rede. Os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas - a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), e os governadores tucanos Aécio Neves e José Serra - possuem blogs alimentados por seus admiradores.
O site de Dilma (http://dilma13.blogspot.com), constantemente atualizado, tem um editor, Daniel Pearl. Na opinião dele, o uso da internet nas campanhas eleitorais é "fundamental". "Muito políticos não perceberam que fazer política como antigamente cansou o eleitorado. O eleitorado quer atenção, interação, resposta para seus questionamentos, quer solução rápida", afirmou no blog.
O blog do movimento "Quero Serra presidente" (http://euqueroserra.blogspot.com), possui uma enquete para decidir quem seria o futuro candidato a vice em uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo. Entre as opções estão os senadores Arthur Virgílio (PSDB), Mão Santa (PMDB) e o próprio governador Aécio Neves (PSDB).
A página de Aécio Neves (http://aeciopresidente.blogspot.com) é a menos atualizada. O último "post" data de novembro de 2008. O blog mostra basicamente notícias sobre as realizações de Aécio à frente do governo do Estado de Minas Gerais e informações que dão conta que ele irá permanecer no PSDB, mesmo com o convite feito pelo PMDB para ele se filiar ao partido para concorrer à presidência em 2010.
Segundo informação do site Congresso em Foco, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) permite campanhas eleitorais apenas em julho de 2010, depois das escolhas dos candidatos pelas convenções partidárias.Opinião - Os pré-candidatos a presidente da República correm o risco de ferir a legislação quando permitem a propaganda eleitoral antecipada em blogs mantidos por terceiros. Na opinião do ministro Marco Aurélio Mello, ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ouvido pelo Congresso em Foco, a publicidade relacionada à disputa de 2010 está proibida. Não importa se os blogs de divulgação das candidaturas sejam feitos por eleitores ou simpatizantes de forma não-oficial.
De acordo com Marco Aurélio, o impedimento desse tipo de propaganda se torna necessário porque "ficaria muito fácil" para os candidatos argumentarem à Justiça Eleitoral que uma terceira pessoa estaria fazendo sua campanha de forma antecipada. "O ato do terceiro repercute na caminhada dele", afirmou Marco Aurélio, que é ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
Fonte: Diário do Grande ABC
Data: 25/02/2009
A campanha para a disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está na rede. Os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas - a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), e os governadores tucanos Aécio Neves e José Serra - possuem blogs alimentados por seus admiradores.
O site de Dilma (http://dilma13.blogspot.com), constantemente atualizado, tem um editor, Daniel Pearl. Na opinião dele, o uso da internet nas campanhas eleitorais é "fundamental". "Muito políticos não perceberam que fazer política como antigamente cansou o eleitorado. O eleitorado quer atenção, interação, resposta para seus questionamentos, quer solução rápida", afirmou no blog.
O blog do movimento "Quero Serra presidente" (http://euqueroserra.blogspot.com), possui uma enquete para decidir quem seria o futuro candidato a vice em uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo. Entre as opções estão os senadores Arthur Virgílio (PSDB), Mão Santa (PMDB) e o próprio governador Aécio Neves (PSDB).
A página de Aécio Neves (http://aeciopresidente.blogspot.com) é a menos atualizada. O último "post" data de novembro de 2008. O blog mostra basicamente notícias sobre as realizações de Aécio à frente do governo do Estado de Minas Gerais e informações que dão conta que ele irá permanecer no PSDB, mesmo com o convite feito pelo PMDB para ele se filiar ao partido para concorrer à presidência em 2010.
Segundo informação do site Congresso em Foco, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) permite campanhas eleitorais apenas em julho de 2010, depois das escolhas dos candidatos pelas convenções partidárias.Opinião - Os pré-candidatos a presidente da República correm o risco de ferir a legislação quando permitem a propaganda eleitoral antecipada em blogs mantidos por terceiros. Na opinião do ministro Marco Aurélio Mello, ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ouvido pelo Congresso em Foco, a publicidade relacionada à disputa de 2010 está proibida. Não importa se os blogs de divulgação das candidaturas sejam feitos por eleitores ou simpatizantes de forma não-oficial.
De acordo com Marco Aurélio, o impedimento desse tipo de propaganda se torna necessário porque "ficaria muito fácil" para os candidatos argumentarem à Justiça Eleitoral que uma terceira pessoa estaria fazendo sua campanha de forma antecipada. "O ato do terceiro repercute na caminhada dele", afirmou Marco Aurélio, que é ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Zimbabue: 1 trilhão por cento de inflação
Ele gosta de culpar o imperialismo europeu por todos os males do país. Se a economia registra 1 trilhão por cento de inflação anual a culpa é dos europeus. Se no interior do país as pessoas comem ratos para matar a fome, os responsáveis são novamente os europeus neo-liberais. A cólera, transformada em uma epidemia que matou mais de 4 mil pessoas, também é culpa dos europeus, especificamente dos britânicos que utilizaram a doença como uma “arma bacteriológica” para justificar uma invasão ao país, segundo afirmação do ministro da Informação do país.
Apesar da retórica, o Zimbabue, país que viveu 100 anos sob o domínio da coroa britânica, vem sofrendo nos últimos anos o maior malefício que qualquer nação pode sofrer. Seu nome é ditadura.
Sob o regime de Robert Mugabe, um antigo herói nacional alçado ao poder pela revolução, o Zimbabue bate sucessivos récordes negativos em sua história. Conhecida como a “Suiça da África”, bastaram 30 anos de governo para que o sistema de educação e saúde, dentre os melhores de todo o continente, se transformasse em algo parecido com um “nada”. A agricultura está esfacelada e ¼ da população fugiu do país para tentar a sorte em qualquer outro lugar.
MUGABE
Em janeiro de 1980, 200 mil pessoas se juntaram no bairro negro de Highfield para ouvir o revolucionário Robert Mugabe que voltava do exílio. Naquele tempo, o Zimbábue se chamava Rodésia e a capital era conhecida como Salisbury. Com um discurso conciliador, ele prometeu tolerância racial para um povo que viveu 100 anos sob o colonialismo britânico e outros 15 debaixo do porrete do regime racista de Ian Smith.
A promessa pôs Mugabe na lista de favoritos ao Prêmio Nobel da Paz e os diplomatas estrangeiros passaram a se referir ao Zimbábue como a "Suíça da África". O país exportava trigo, tinha boas estradas e o melhor sistema educacional do continente.Hoje, 30 anos depois, o arauto da esperança virou o homem mais odiado da África. Com uma inflação de 1 trilhão por cento ao ano e uma epidemia de cólera que já matou mais de 4 mil pessoas, muitos zimbabuanos estão comendo ratos para sobreviver em aldeias no interior.
GUERRA BACTERIOLÓGICA
O ministro de Informação Sikhanyiso Ndlovu acusou o governo britânico de usar deliberadamente a cólera como arma de "guerra bacteriológica" para justificar uma invasão militar no Zimbábue, informou ha cerca de dois meses o jornal governamental The Herald. A ruína do país se confunde com história de Mugabe. Assim como outros líderes africanos, ele é produto da lógica missionária européia. Filho de um carpinteiro e de uma professora de catecismo, ele cresceu em uma aldeia jesuíta e estudou em colégio católico. A educação rigorosa o manteve longe do cigarro e da bebida - até hoje. Na adolescência, a disciplina jesuítica lhe rendeu uma bolsa para estudar arte na Universidade Fort Hare, na África do Sul, onde foi apresentado ao marxismo e às idéias de Mahatma Gandhi, modelo dos nacionalistas africanos - mais tarde ele ainda receberia diplomas de administração, educação e direito, todos por correspondência.
Mugabe deu aulas em Gana, onde foi contagiado pelo anticolonialismo dos anos 50. De volta à Rodésia, em 1960, ele se envolveu em partidos políticos negros, que se se tornaram guerrilhas depois que os brancos fizeram a independência, em 1965. A guerrilha rodesiana refletia a divisão do país. No sul, vivem os ndebeles, que são 25% da população. O norte é dominado pelos três quartos restantes de etnia shona, grupo do qual Mugabe tornou-se líder. Em 1986, a rivalidade foi a razão do massacre de 20 mil ndebeles por agentes do governo.
Para analistas, a chance de ser julgado por genocídio em um tribunal internacional é a razão pela qual Mugabe não deixa o poder. Aos poucos, a lua-de-mel dele com o Zimbábue chegou ao fim.
Para manter o regime de partido único, ele precisou construir uma base de poder, transformando o governo em um cabide de empregos onde a corrupção corre solta. O exemplo mais emblemático ocorreu em 1993, quando a empresa francesa Aéroport de Paris venceu a concorrência para construir o aeroporto de Harare. A licitação foi cancelada por Leo Mugabe, sobrinho do presidente, que entregou o projeto de US$ 80 milhões para uma firma do Chipre que pertencia a Hani Yamani, um milionário saudita - anos depois, Yamani disse que gastou US$ 3 milhões em suborno para membros do governo. Questionado sobre o caso, Mugabe disse que a corrupção era a chave para o controle do governo.
Na prática, com o setor privado reduzido, a única fonte de renda da população passou a ser o Estado. Outra tática para se manter no poder é tirar uma carta da manga sempre que está ameaçado. Em 2000, ele incentivou a invasão de fazendas de agricultores brancos. As terras foram distribuídas entre aliados, a maioria da elite de Harare que não sabe o que fazer com as propriedades. A agricultura entrou em colapso, mas a culpa foi outra vez colocada nas costas do imperialismo europeu. O problema de Mugabe é que as terras acabaram e não há mais brancos para expulsar. Um quarto da população já deixou o país. "Ele está ficando sem opções", disse ao jornal O Estado de São Paulo Judy Smith-Höhn, do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória, na África do Sul.
Para ela, o regime de Mugabe desafia a lógica. "É incrível como ele se sustenta mesmo sem oferecer os serviços mais básicos."
A história recente do Zimbabue, contada aqui com fontes que pesquisei na Editora Abril, no Jornal O Estado de São Paulo e no site oficial do país, servem como uma referência histórica importante para entendermos melhor os impactos de políticas antidemocráticas em nações que poderiam ser bem melhor sucedidas caso preceitos como liberdade, livre escolha, eleições limpas e alternância de poder fossem prioridades. Não estou criando paralelos enre Zimbabue e Venezuela (citada no post abaixo), mesmo porque não acredito (por diversas razões: econômicas, estruturais e sociais) que o país sulamericano terá o mesmo fim, ainda que seja um alerta para reafirmar que inexistem ganhos econômicos e sociais para os povos que vivem sob ditaduras de quaisquer aspectos e posições ideológicas.
Apesar da retórica, o Zimbabue, país que viveu 100 anos sob o domínio da coroa britânica, vem sofrendo nos últimos anos o maior malefício que qualquer nação pode sofrer. Seu nome é ditadura.
Sob o regime de Robert Mugabe, um antigo herói nacional alçado ao poder pela revolução, o Zimbabue bate sucessivos récordes negativos em sua história. Conhecida como a “Suiça da África”, bastaram 30 anos de governo para que o sistema de educação e saúde, dentre os melhores de todo o continente, se transformasse em algo parecido com um “nada”. A agricultura está esfacelada e ¼ da população fugiu do país para tentar a sorte em qualquer outro lugar.
MUGABE
Em janeiro de 1980, 200 mil pessoas se juntaram no bairro negro de Highfield para ouvir o revolucionário Robert Mugabe que voltava do exílio. Naquele tempo, o Zimbábue se chamava Rodésia e a capital era conhecida como Salisbury. Com um discurso conciliador, ele prometeu tolerância racial para um povo que viveu 100 anos sob o colonialismo britânico e outros 15 debaixo do porrete do regime racista de Ian Smith.
A promessa pôs Mugabe na lista de favoritos ao Prêmio Nobel da Paz e os diplomatas estrangeiros passaram a se referir ao Zimbábue como a "Suíça da África". O país exportava trigo, tinha boas estradas e o melhor sistema educacional do continente.Hoje, 30 anos depois, o arauto da esperança virou o homem mais odiado da África. Com uma inflação de 1 trilhão por cento ao ano e uma epidemia de cólera que já matou mais de 4 mil pessoas, muitos zimbabuanos estão comendo ratos para sobreviver em aldeias no interior.
GUERRA BACTERIOLÓGICA
O ministro de Informação Sikhanyiso Ndlovu acusou o governo britânico de usar deliberadamente a cólera como arma de "guerra bacteriológica" para justificar uma invasão militar no Zimbábue, informou ha cerca de dois meses o jornal governamental The Herald. A ruína do país se confunde com história de Mugabe. Assim como outros líderes africanos, ele é produto da lógica missionária européia. Filho de um carpinteiro e de uma professora de catecismo, ele cresceu em uma aldeia jesuíta e estudou em colégio católico. A educação rigorosa o manteve longe do cigarro e da bebida - até hoje. Na adolescência, a disciplina jesuítica lhe rendeu uma bolsa para estudar arte na Universidade Fort Hare, na África do Sul, onde foi apresentado ao marxismo e às idéias de Mahatma Gandhi, modelo dos nacionalistas africanos - mais tarde ele ainda receberia diplomas de administração, educação e direito, todos por correspondência.
Mugabe deu aulas em Gana, onde foi contagiado pelo anticolonialismo dos anos 50. De volta à Rodésia, em 1960, ele se envolveu em partidos políticos negros, que se se tornaram guerrilhas depois que os brancos fizeram a independência, em 1965. A guerrilha rodesiana refletia a divisão do país. No sul, vivem os ndebeles, que são 25% da população. O norte é dominado pelos três quartos restantes de etnia shona, grupo do qual Mugabe tornou-se líder. Em 1986, a rivalidade foi a razão do massacre de 20 mil ndebeles por agentes do governo.
Para analistas, a chance de ser julgado por genocídio em um tribunal internacional é a razão pela qual Mugabe não deixa o poder. Aos poucos, a lua-de-mel dele com o Zimbábue chegou ao fim.
Para manter o regime de partido único, ele precisou construir uma base de poder, transformando o governo em um cabide de empregos onde a corrupção corre solta. O exemplo mais emblemático ocorreu em 1993, quando a empresa francesa Aéroport de Paris venceu a concorrência para construir o aeroporto de Harare. A licitação foi cancelada por Leo Mugabe, sobrinho do presidente, que entregou o projeto de US$ 80 milhões para uma firma do Chipre que pertencia a Hani Yamani, um milionário saudita - anos depois, Yamani disse que gastou US$ 3 milhões em suborno para membros do governo. Questionado sobre o caso, Mugabe disse que a corrupção era a chave para o controle do governo.
Na prática, com o setor privado reduzido, a única fonte de renda da população passou a ser o Estado. Outra tática para se manter no poder é tirar uma carta da manga sempre que está ameaçado. Em 2000, ele incentivou a invasão de fazendas de agricultores brancos. As terras foram distribuídas entre aliados, a maioria da elite de Harare que não sabe o que fazer com as propriedades. A agricultura entrou em colapso, mas a culpa foi outra vez colocada nas costas do imperialismo europeu. O problema de Mugabe é que as terras acabaram e não há mais brancos para expulsar. Um quarto da população já deixou o país. "Ele está ficando sem opções", disse ao jornal O Estado de São Paulo Judy Smith-Höhn, do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória, na África do Sul.
Para ela, o regime de Mugabe desafia a lógica. "É incrível como ele se sustenta mesmo sem oferecer os serviços mais básicos."
A história recente do Zimbabue, contada aqui com fontes que pesquisei na Editora Abril, no Jornal O Estado de São Paulo e no site oficial do país, servem como uma referência histórica importante para entendermos melhor os impactos de políticas antidemocráticas em nações que poderiam ser bem melhor sucedidas caso preceitos como liberdade, livre escolha, eleições limpas e alternância de poder fossem prioridades. Não estou criando paralelos enre Zimbabue e Venezuela (citada no post abaixo), mesmo porque não acredito (por diversas razões: econômicas, estruturais e sociais) que o país sulamericano terá o mesmo fim, ainda que seja um alerta para reafirmar que inexistem ganhos econômicos e sociais para os povos que vivem sob ditaduras de quaisquer aspectos e posições ideológicas.
Chavez venceu mais uma contra o Imperialismo Americano!
Agora a “ditadura eleitoral” (esta nova modalidade), tem o caminho aberto para transformar a Venezuela definitivamente na mais nova ditadura da América Latina. Hugo Chavez, tornado elegível por tempo indeterminado, destruiu um dos elementos mais fundamentais das democracias: a alternância de poder.
O líder da Venezuela foi beneficiado pelo uso das reservas econômicas nacionais, as quais permitiram ao governo manter a estratégia de investimento nos programas sociais, fazendo com que a população não sentisse os efeitos da forte queda dos preços do barril do petróleo, principal fonte econômica do país. Além disso, utilizou todos os meios escusos para combater os partidários do “Não”.
Chavez imagina (e isso de fato deve ocorrer) que os preços do barril irão subir a patamares que ofereçam condições para a manutenção política da chamada revolução bolivariana e isso certamente lhe garantirá muitos e muitos anos no poder.
É estranho presenciar esses momentos históricos em que países fazem escolhas que jamais deram certo em qualquer lugar do mundo. Foi assim com outros países como a Coréia do Norte, o Zimbabue e esta sendo assim com o Equador, a Bolívia e a Venezuela.
Quando estive no ano passado no Equador discuti com uma família de classe média sobre as razões que faziam com que todos apoiassem a reforma constitucional de Rafael Correa, o aprendiz de ditador. Eles diziam que Correa havia feito mudanças radicais na sociedade e que seu poder concentrado não era visto com preocupação, pois as pessoas queriam melhores condições de vida e era isso o que importava. Ao que eu perguntei se conheciam alguma experiência histórica antidemocrática que resultara em benefícios sociais e fortalecimento econômico do país por longos períodos e era evidente que eles não tinham qualquer exemplo para dar.
Com uma boliviana a discussão foi muito parecida, mas o argumento de que Evo Morales nasceu pobre, viveu como um pequeno agricultor que vendia a sobra de sua produção na cidade e que subiu na vida por seus próprios méritos bastavam para justificar quaisquer políticas típicas de um regime de exceção.
Não é o meu desejo que o povo desses países passem por privações de quaisquer natureza, mas vale lembrar que a democracia, com todos os seus pilares que a compõe, ainda é o único sistema que pode proporcionar desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
Mas a culpa não é somente daqueles que votam a favor de regimes de exceção ou em ditadores, mas sim do processo histórico que fez com que muitos povos acreditassem que o capitalismo é tão somente um regime de exploração em que o ganho é zero para aqueles que não são detentores dos meios de produção.
Dessa forma, ao explorar até o limite as riquezas e possibilidades de diversas nações, seus habitantes, jogados à margem do processo de enriquecimento econômico, não conseguem vislumbrar outra saída para a melhoria de sua qualidade de vida senão oferecendo oportunidades de reiterar o poder de ditadores e proto-ditadores, ainda que não saibam que o resultado deste processo será infinitamente pior para todos, menos para os líderes e seus asseclas.
O líder da Venezuela foi beneficiado pelo uso das reservas econômicas nacionais, as quais permitiram ao governo manter a estratégia de investimento nos programas sociais, fazendo com que a população não sentisse os efeitos da forte queda dos preços do barril do petróleo, principal fonte econômica do país. Além disso, utilizou todos os meios escusos para combater os partidários do “Não”.
Chavez imagina (e isso de fato deve ocorrer) que os preços do barril irão subir a patamares que ofereçam condições para a manutenção política da chamada revolução bolivariana e isso certamente lhe garantirá muitos e muitos anos no poder.
É estranho presenciar esses momentos históricos em que países fazem escolhas que jamais deram certo em qualquer lugar do mundo. Foi assim com outros países como a Coréia do Norte, o Zimbabue e esta sendo assim com o Equador, a Bolívia e a Venezuela.
Quando estive no ano passado no Equador discuti com uma família de classe média sobre as razões que faziam com que todos apoiassem a reforma constitucional de Rafael Correa, o aprendiz de ditador. Eles diziam que Correa havia feito mudanças radicais na sociedade e que seu poder concentrado não era visto com preocupação, pois as pessoas queriam melhores condições de vida e era isso o que importava. Ao que eu perguntei se conheciam alguma experiência histórica antidemocrática que resultara em benefícios sociais e fortalecimento econômico do país por longos períodos e era evidente que eles não tinham qualquer exemplo para dar.
Com uma boliviana a discussão foi muito parecida, mas o argumento de que Evo Morales nasceu pobre, viveu como um pequeno agricultor que vendia a sobra de sua produção na cidade e que subiu na vida por seus próprios méritos bastavam para justificar quaisquer políticas típicas de um regime de exceção.
Não é o meu desejo que o povo desses países passem por privações de quaisquer natureza, mas vale lembrar que a democracia, com todos os seus pilares que a compõe, ainda é o único sistema que pode proporcionar desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
Mas a culpa não é somente daqueles que votam a favor de regimes de exceção ou em ditadores, mas sim do processo histórico que fez com que muitos povos acreditassem que o capitalismo é tão somente um regime de exploração em que o ganho é zero para aqueles que não são detentores dos meios de produção.
Dessa forma, ao explorar até o limite as riquezas e possibilidades de diversas nações, seus habitantes, jogados à margem do processo de enriquecimento econômico, não conseguem vislumbrar outra saída para a melhoria de sua qualidade de vida senão oferecendo oportunidades de reiterar o poder de ditadores e proto-ditadores, ainda que não saibam que o resultado deste processo será infinitamente pior para todos, menos para os líderes e seus asseclas.
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
Olha que Fácil!
Essa é curtinha, mas interessante. Leiam o que escreveu o editor assistente de Veja, Duda Teixeira, sobre a cédula de votação utilizada no referendo sobre a reeleição indefinida de Hugo Chávez. O título do post é "Pergunta com 65 Palavras". Segue o texto abaixo.
"No referendo do próximo dia 15, os venezuelanos dirão se aceitam ou não a reeleição indefinida para Hugo Chávez. Simples assim. Na cédula de votação, contudo, os venezuelanos terão uma questão muito mais complicada para resolver. A frase prolífica elaborada pelos parlamentares chavistas tem nada menos que 65 palavras.
"Você aprova a emenda aos artigos 160, 162, 174, 192 e 230 da Constituição da República, tramitada na Assembléia Nacional, que amplia os direitos políticos do povo, com o fim de permitir que qualquer cidadão ou cidadã no exercício de um cargo de eleição popular possa estar sujeito à postulação como candidato ou candidato para o mesmo cargo pelo tempo estabelecido constitucionalmente, dependendo sua possível eleição exclusivamente do voto popular?"
Chávez sabe que, quanto mais complicado para o eleitor, mais simples para ele."
Fonte: Blog de Caracas (blog do site da Revista Veja)
Autor: Duda Teixeira
"No referendo do próximo dia 15, os venezuelanos dirão se aceitam ou não a reeleição indefinida para Hugo Chávez. Simples assim. Na cédula de votação, contudo, os venezuelanos terão uma questão muito mais complicada para resolver. A frase prolífica elaborada pelos parlamentares chavistas tem nada menos que 65 palavras.
"Você aprova a emenda aos artigos 160, 162, 174, 192 e 230 da Constituição da República, tramitada na Assembléia Nacional, que amplia os direitos políticos do povo, com o fim de permitir que qualquer cidadão ou cidadã no exercício de um cargo de eleição popular possa estar sujeito à postulação como candidato ou candidato para o mesmo cargo pelo tempo estabelecido constitucionalmente, dependendo sua possível eleição exclusivamente do voto popular?"
Chávez sabe que, quanto mais complicado para o eleitor, mais simples para ele."
Fonte: Blog de Caracas (blog do site da Revista Veja)
Autor: Duda Teixeira
terça-feira, fevereiro 03, 2009
COMEÇOU 2009!!!
Olá Queridos Leitores e Queridas Leitoras!
José Sarney é presidente do Senado, Michel Temer da Câmara, Obama tomou posse, Dilma fez plástica, economia mundial em frangalhos, Ronaldo perdeu barriga, Lula disse que nunca antes neste país, Tarso Genro inaugurou uma nova crise diplomática, Chaves (o Hugo) comemora 10 anos no Poder, meu Botinha de Ribeirão subiu para a série A do Paulistão, todos querem o PMDB, castigos das chuvas, desemprego em massa, Big Brother cada vez mais chato, mais do mesmo no Carnaval que se aproxima, Irã lança novo míssil, bombardeios na Faixa de Gaza, Roberto Carlos renova contrato com a Globo... bem... agora que o ano começou eu voltarei a escrever e a postar coisas que considero interessantes. Lá vamos nós!
José Sarney é presidente do Senado, Michel Temer da Câmara, Obama tomou posse, Dilma fez plástica, economia mundial em frangalhos, Ronaldo perdeu barriga, Lula disse que nunca antes neste país, Tarso Genro inaugurou uma nova crise diplomática, Chaves (o Hugo) comemora 10 anos no Poder, meu Botinha de Ribeirão subiu para a série A do Paulistão, todos querem o PMDB, castigos das chuvas, desemprego em massa, Big Brother cada vez mais chato, mais do mesmo no Carnaval que se aproxima, Irã lança novo míssil, bombardeios na Faixa de Gaza, Roberto Carlos renova contrato com a Globo... bem... agora que o ano começou eu voltarei a escrever e a postar coisas que considero interessantes. Lá vamos nós!
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Redação: Minhas Férias... não tive e não terei!!!!
2008 foi um daqueles anos típicos que marcam as transições na vida que os indivíduos são obrigados a percorrer, sentindo as dores do crescimento, para se transformar em alguma coisa diferente do que era antes. Reparem que nem estou dizendo para melhor ou para pior.
Mas eu sobrevivi.
Apesar disso, o cansaço físico, intelectual e principalmente espiritual eram tão fortes que eu simplesmente não podia mais escrever uma linha sequer de qualquer assunto. Aprendi muitas lições, mas uma especificamente ainda não: trabalhar menos. A labuta que quase me consumiu em 2008 não será menor em 2009, ao contrário, pois tenho que pagar muitas contas e para isso ocupei também dois dias fundamentais da minha semana com novos trabalhos: já ouviram falar em sábado e domingo? Pois é, além das horas em que me ocupava preparando aulas aos finais de semana, acrescentei algumas tantas a mais para outras atividades laborais. Imaginem todos os sábados, após uma longa jornada semanal, ter que acordar as 6 da manhã? E aquela pergunta infeliz (que tantos professores gostam de repetir) "o que você faz da meia-noite às seis?!" Pois é, agora eu já tenho resposta até para essa questão!
Para tudo isso que me aguarda neste ano eu já estou me preparando, pois já fui a médicos, fiz exames, tentarei mudar alguns hábitos, estou consumindo novas vitaminas, enfim, me mantive ocupado o suficiente para dizer que aquilo que eu mais precisava não aconteceu: Férias!
Mas está ótimo! De qualquer forma, na economia de energia que estou tentando fazer acabei por não escrever neste blog, mas prometo ao menos publicar textos legais e interessantes sobre os assuntos em voga. O primeiro está abaixo e eu recomendo!!!
Um forte abraço a todos e Feliz 2009!
Mas eu sobrevivi.
Apesar disso, o cansaço físico, intelectual e principalmente espiritual eram tão fortes que eu simplesmente não podia mais escrever uma linha sequer de qualquer assunto. Aprendi muitas lições, mas uma especificamente ainda não: trabalhar menos. A labuta que quase me consumiu em 2008 não será menor em 2009, ao contrário, pois tenho que pagar muitas contas e para isso ocupei também dois dias fundamentais da minha semana com novos trabalhos: já ouviram falar em sábado e domingo? Pois é, além das horas em que me ocupava preparando aulas aos finais de semana, acrescentei algumas tantas a mais para outras atividades laborais. Imaginem todos os sábados, após uma longa jornada semanal, ter que acordar as 6 da manhã? E aquela pergunta infeliz (que tantos professores gostam de repetir) "o que você faz da meia-noite às seis?!" Pois é, agora eu já tenho resposta até para essa questão!
Para tudo isso que me aguarda neste ano eu já estou me preparando, pois já fui a médicos, fiz exames, tentarei mudar alguns hábitos, estou consumindo novas vitaminas, enfim, me mantive ocupado o suficiente para dizer que aquilo que eu mais precisava não aconteceu: Férias!
Mas está ótimo! De qualquer forma, na economia de energia que estou tentando fazer acabei por não escrever neste blog, mas prometo ao menos publicar textos legais e interessantes sobre os assuntos em voga. O primeiro está abaixo e eu recomendo!!!
Um forte abraço a todos e Feliz 2009!
Dez lições de Bush para Obama
Taí algo de novo publicado na imprensa sobre a transição de poder na Casa Branca. Leiam, pois este vale a pena, uma vez que não se trata apenas de uma lição de política, mas de liderança (ou falta dela) aplicável para CEO´s, Diretores, Gerentes e até mesmo para Representantes de sala de aula de Faculdades!
Fonte: Portal do Estadão
Data: 19/01/2009
Autor: Bob Woodward*, The Washington Post
"Na verdade, há muito que o presidente eleito, Barack Obama, pode aprender a partir da turbulenta presidência de George W. Bush. Durante os últimos oito anos, entrevistei o presidente Bush por quase 11 horas, passei centenas de horas com os principais nomes de sua presidência e analisei milhares de páginas de documentos e anotações. Isso rendeu quatro livros, num total de 1.727 páginas, compondo um estudo de caso bastante extenso sobre o processo presidencial de tomada de decisões. A moral dessa história é farta e variada. Os presidentes vivem em meio aos assuntos inacabados de seus antecessores, e Bush projeta uma sombra gigantesca sobre a presidência de Obama: duas guerras em aberto e uma monumental crise econômica e financeira. Eis aqui dez lições que Obama e sua equipe devem aprender a partir da experiência de Bush.
1. Os presidentes definem o tom do relacionamento entre os membros da sua equipe. Não se pode ser passivo nem tolerar divisões virulentas.
No outono de 2002, Bush testemunhou pessoalmente um preocupante embate entre a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, na sala de comando de emergências (Situation Room), depois de Rumsfeld ter exposto ao Conselho de Segurança Nacional um relatório sobre os planos para a guerra no Iraque. Condoleezza queria ficar com uma cópia dos slides informativos do Pentágono, reunidos sob o codinome Polo Step. "Acho que você não vai precisar disso", disse Rumsfeld, esticando o braço sobre a mesa e arrancando das mãos de Condoleezza o envelope marcado como Top Secret - bem diante dos olhos do presidente. "Vou deixar que vocês dois se entendam", disse Bush, voltando-se para a porta e saindo da sala. Condoleezza teve de enviar um assessor ao Pentágono para obter uma cópia pirata diretamente com o Estado-Maior Conjunto.
Bush jamais deveria ter aceitado a forçação de mão de Rumsfeld. Em lugar de uma equipe em que houvesse rivalidade, Bush acabou cercado por um grupo de traidores com antigas e virulentas discordâncias entre eles sobre princípios de política externa.
2. O presidente deve insistir para que todos se pronunciem abertamente uns diante dos outros, mesmo que haja - ou especialmente quando houver - discordâncias veementes.
Nesse mesmo período crítico, o vice-presidente, Dick Cheney, estava exigindo que o secretário de Estado, Colin Powell, avaliasse com seriedade a possibilidade de ligar o Iraque aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Powell considerou a hipótese mais do que ridícula e concluiu rancorosamente que Cheney sofria do que chamou de "delírio febril". (Em particular, Powell costumava chamar o gabinete de elaboração de medidas do Pentágono, administrado pelo subsecretário da Defesa, Douglas Feith, que partilhava do interesse ardente de Cheney nos supostos laços entre a Al-Qaeda e o Iraque, de "gabinete da Gestapo".)
Powell estava certo ao concluir que Saddam Hussein e Osama bin Laden não trabalharam juntos. Mas Cheney e Powell não travaram esse debate fundamental diante do presidente - muito embora tal discussão possivelmente enfraquecesse uma das principais razões para a guerra. Cheney aconselhava o presidente em particular, mas raramente teve de debater com outras pessoas em defesa de seu ponto de vista. Depois da invasão, ele promoveu um jantar comemorativo com alguns assessores e amigos. "Colin sempre teve imensas reservas contra o que estávamos tentando fazer", disse Cheney ao grupo, enquanto brindavam à saúde de Bush e riam de Powell. Escárnios desse tipo prejudicaram a unidade de propósito da administração - e dão uma amostra do tom belicoso que pode emergir quando o debate aberto é sufocado por divergências antigas e hostilidades pessoais.
3. Um presidente precisa fazer a lição de casa para dominar as ideias e conceitos fundamentais por trás das medidas que adota.
O presidente não deve gerenciar cada detalhe, mas a compreensão das ramificações das suas posições não pode ser terceirizada.
Por exemplo, o general George W. Casey Jr., comandante das forças americanas no Iraque de 2004 a 2007, concluiu que o presidente Bush não compreendia os fundamentos básicos por trás da guerra no país. Casey acreditava que Bush, insistindo em perguntar sobre o número de baixas inimigas, via a guerra como uma batalha convencional e não como aquilo que de fato era: uma campanha de contrainsurgência para conquistar a confiança da população iraquiana. "No Iraque, não podemos abrir caminho para a vitória através da matança", disse posteriormente o general David Petraeus. Em entrevista concedida a mim em maio de 2008, Bush insistiu em que ele, mais que todos, era quem melhor compreendia sobre o que era a guerra.
4. Os presidentes precisam fazer com que as pessoas exponham seus pontos de vista e se certificar de que as más notícias cheguem ao Salão Oval.
Em 18 de junho de 2003, antes que os verdadeiros problemas começassem a surgir no Iraque, o general da reserva Jay Garner, primeiro oficial a chefiar a iniciativa de reconstrução do país, alertou Rumsfeld de que a dispersão do Exército iraquiano e a expulsão de um número excessivo de ex-partidários do Baath eram "equívocos trágicos". Mas, numa reunião com Bush no Salão Oval mais tarde naquele mesmo dia, nada disso foi mencionado e Garner relatou a um presidente satisfeito que, em 70 reuniões realizadas com iraquianos, eles sempre diziam "Deus abençoe o sr. George Bush". O presidente devia ter perguntado a Garner se ele tinha alguma preocupação - talvez até mesmo expulsando Rumsfeld do Salão Oval e dizendo algo como "Jay, você esteve lá, insto em que me diga a verdade. Não esconda nada".
Bush por vezes achou que conhecia as opiniões particulares dos seus assessores sem perguntá-las a eles individualmente. Ele tomou aquela que foi provavelmente a decisão mais importante de sua presidência - se deveria invadir o Iraque ou não - sem perguntar diretamente a Powell, a Rumsfeld e ao diretor da CIA, George Tenet, qual era a recomendação deles no caso. (Em lugar de consultar o próprio pai, o ex-presidente George H. W. Bush, que declarara guerra em 1991 para expulsar o Exército iraquiano do Kuwait, o jovem Bush me contou que tinha consultado um "pai superior" em busca de forças.)
5. Os presidentes precisam fomentar uma cultura de ceticismo e dúvidas.
Durante entrevista concedida por Bush em dezembro de 2003, li para ele uma citação de seu aliado mais próximo, o primeiro-ministro britânico Tony Blair, sobre cartas em que parentes de soldados mortos afirmavam odiá-lo. "Não acredite se alguém disser que ao receber tais cartas não sofra com dúvidas", dissera Blair. "Pois não sofri dúvidas", respondeu Bush. "É mesmo?" perguntei. "Nenhuma?" "Não", disse ele.
Presidentes e generais não têm que viver em dúvida. Mas deveriam aprender a amá-la. "Você não pode ser o papagaio no ombro do secretário", disse o general dos fuzileiros navais James Jones, futuro conselheiro de Segurança Nacional da administração Obama, a seu velho amigo, o general Peter Pace. Na época, Place era chefe do Estado-Maior Conjunto - um grupo que Jones considerava ter sido "sistematicamente emasculado por Rumsfeld". A dúvida não é inimiga das boas medidas. Ela pode ajudar os líderes a avaliar alternativas, tomar decisões importantes e posteriormente fazer correções de rumo se estas se mostrarem necessárias.
6. Os presidentes recebem dados contraditórios e precisam confrontá-los com rigor.
Entre 2004 e 2006, a CIA relatava que o Iraque estava se tornando mais violento e menos estável. Em meados de 2006, a representante do próprio Bush no Conselho de Segurança Nacional, Meghan O?Sullivan, fez um comentário franco sobre as condições em Bagdá: "É o próprio inferno, sr. presidente". Mas o Pentágono manteve o otimismo e relatou que uma estratégia de retirada dos soldados americanos e transferência da responsabilidade pela segurança aos próprios iraquianos resultaria em "autossuficiência" em 2009. Até onde pude apurar, o presidente jamais insistiu em que fosse resolvida a contradição entre "inferno" e "autossuficiência".
7. Os presidentes precisam contar a verdade nua e crua ao público, mesmo que isso signifique dar notícias muito ruins.
Durante anos após a invasão do Iraque, Bush fez pronunciamentos públicos consistentemente otimistas. Isso foi muito além do infame cartaz de "Missão Cumprida", que ele admitiu na última segunda feira ter sido um equívoco. "Estamos vencendo, com toda certeza", disse o presidente durante uma entrevista coletiva concedida em outubro de 2006. "Estamos vencendo." Seus comentários confiantes foram feitos durante uma das fases mais negativas da guerra, num momento em que todos que tinham televisão sabiam que a guerra ia mal. Em 5 de fevereiro de 2005, quando Stephen Hadley estava deixando o cargo de vice de Condoleezza no primeiro mandato de Bush para assumir o de conselheiro de Segurança Nacional, fizera uma interpretação confidencial, privada, sobre o primeiro mandato de Bush, dominado pelo Iraque. "Eu nos dou ?menos B? em planejamento político e ?menos D? em execução", disse ele. Posteriormente, o presidente me disse que sabia que a "estratégia para o Iraque não estava funcionando". Então, como poderiam os Estados Unidos estar vencendo uma guerra se sua estratégia estava fracassando?
Depois do 11 de Setembro, Bush falou francamente sobre uma guerra ao terror que poderia durar toda uma geração e incluir outros ataques contra o território americano. Essa franqueza marcou o período de maior popularidade e capacidade de liderança de Bush. Os presidentes são fortes quando incorporam a voz do realismo.
8. Motivos justos não bastam para garantir eficácia política.
"Acredito que tenhamos o dever de libertar as pessoas", Bush me disse em fins de 2003. Creio que ele realmente quisesse trazer a democracia ao Afeganistão e ao Iraque. Durante a preparação de seu segundo discurso de posse, em 2005, por exemplo, Bush disse ao chefe de sua equipe de redatores de discursos, Michael Gerson: "O futuro da América e sua segurança dependem da propagação da liberdade". Isso inspirou tanto o idealista Gerson que ele se engajou em produzir o equivalente em política externa à teoria do campo unificado de Einstein - um pronunciamento de 17 minutos no qual o presidente afirmava nada menos que sua meta era "o fim da tirania no mundo".
Mas essa motivação elevada com frequência cegou Bush e assessores para as consequências de sua corrida enlouquecida rumo à democracia. Em 2005, por exemplo, Bush e seu gabinete de guerra passaram boa parte do tempo na promoção de eleições livres no Iraque - coisa que acabou destacando o isolamento da minoria sunita e preparando o terreno para a selvagem violência sectária de 2006.
9. Os presidentes precisam insistir em pensamento estratégico.
Somente o presidente (e quem sabe o conselheiro de Segurança Nacional) podem fazer com que uma burocracia estática visualize em que a administração deverá estar enfocando em um, dois, ou mesmo quatro anos. Então devem ser estabelecidos planos táticos detalhados, passo a passo, para tentar atingir a meta. É fácil para uma administração consumir-se na tarefa de apagar incêndios rotineiros que com frequência exigem o envolvimento do presidente. (Perguntem a Obama quanto tempo ele tem passado envolvido com a guerra em Gaza.) Mas um presidente será provavelmente julgado pelo sucesso de seus planos de longo prazo, não pelo gerenciamento de crises diárias.
Por exemplo, nas guerras do Afeganistão e do Iraque, a qualidade do planejamento para as operações de combate oscilou entre adequada e forte, mas pouquíssima atenção foi dedicada ao que poderia sobrevir à queda do Taleban e do Partido Baath. Algumas decisões estratégicas fundamentais - dispersar o Exército iraquiano, expulsar os partidários do Baath do governo e impedir a formação inicial de um conselho iraquiano de governo - foram tomadas no próprio Iraque, sem o envolvimento do Conselho de Segurança Nacional e do presidente.
Obama faria bem em se lembrar do exemplo de um jovem presidente democrata que estava disposto a elaborar planos de longo prazo. Bill Clinton assumiu a presidência em 1993 depois de ter prometido cortar pela metade o déficit federal em questão de quatro anos. O plano inicial não parecia muito firme e Clinton foi muito criticado durante mais de um ano. Mas ele e sua equipe mantiveram a estratégia básica de corte nos gastos federais e aumento de impostos, medidas que estabeleceram boa parte dos fundamentos da prosperidade econômica da era Clinton. Foi um planejamento estratégico clássico, demonstrando disposição em pagar um preço no curto prazo para obter o tipo de ganho de longo prazo que entra para os livros de história.
10. Os presidentes devem abraçar a transparência.
Alguma versão do que aconteceu nos bastidores durante seu período na Casa Branca sempre chegará ao público - e será melhor para todos se essa versão for tão precisa quanto possível.
Em 8 de março de 2008, Hadley fez um extraordinário comentário sobre como era difícil compreender a verdadeira maneira pela qual Bush tomava suas decisões. "Ele fala com muita autoridade e transmitindo grande segurança ao afirmar "eis o que vamos fazer", disse Hadley. E não estará sendo sincero. Porque ainda não terá passado pelo processo de considerações que o deixaria apto a poder dizer "eu decidi". E se você escrever todas essas coisas e os historiadores tiverem acesso a elas, eles dirão: Bem, ele decidiu em tal dia fazer tais e tais coisas. Não é verdade. Não é história. É um fato, mas um fato enganador."
Os presidentes devem tomar cuidado com tais "fatos enganadores". Eles devem manter debates e discussões internas com seus principais assessores que façam sentido quando vierem à tona posteriormente. Esse tipo de relato dos bastidores será divulgado, ao menos em parte, durante a presidência. Mas a melhor versão possível emergirá mais vagarosamente, ao longo do tempo, e fará parte da história."
*Bob Woodward, jornalista que com o colega Carl Bernstein revelou o escândalo Watergate, é editor-assistente do Washington Post e autor de quatro livros sobre o presidente George W. Bush: Bush em Guerra (Arx), Plano de Ataque (Editora Globo), State of Denial e The War Whithin (Simon & Schuster). Evelyn Duffy contribuiu para este artigo
Fonte: Portal do Estadão
Data: 19/01/2009
Autor: Bob Woodward*, The Washington Post
"Na verdade, há muito que o presidente eleito, Barack Obama, pode aprender a partir da turbulenta presidência de George W. Bush. Durante os últimos oito anos, entrevistei o presidente Bush por quase 11 horas, passei centenas de horas com os principais nomes de sua presidência e analisei milhares de páginas de documentos e anotações. Isso rendeu quatro livros, num total de 1.727 páginas, compondo um estudo de caso bastante extenso sobre o processo presidencial de tomada de decisões. A moral dessa história é farta e variada. Os presidentes vivem em meio aos assuntos inacabados de seus antecessores, e Bush projeta uma sombra gigantesca sobre a presidência de Obama: duas guerras em aberto e uma monumental crise econômica e financeira. Eis aqui dez lições que Obama e sua equipe devem aprender a partir da experiência de Bush.
1. Os presidentes definem o tom do relacionamento entre os membros da sua equipe. Não se pode ser passivo nem tolerar divisões virulentas.
No outono de 2002, Bush testemunhou pessoalmente um preocupante embate entre a conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, na sala de comando de emergências (Situation Room), depois de Rumsfeld ter exposto ao Conselho de Segurança Nacional um relatório sobre os planos para a guerra no Iraque. Condoleezza queria ficar com uma cópia dos slides informativos do Pentágono, reunidos sob o codinome Polo Step. "Acho que você não vai precisar disso", disse Rumsfeld, esticando o braço sobre a mesa e arrancando das mãos de Condoleezza o envelope marcado como Top Secret - bem diante dos olhos do presidente. "Vou deixar que vocês dois se entendam", disse Bush, voltando-se para a porta e saindo da sala. Condoleezza teve de enviar um assessor ao Pentágono para obter uma cópia pirata diretamente com o Estado-Maior Conjunto.
Bush jamais deveria ter aceitado a forçação de mão de Rumsfeld. Em lugar de uma equipe em que houvesse rivalidade, Bush acabou cercado por um grupo de traidores com antigas e virulentas discordâncias entre eles sobre princípios de política externa.
2. O presidente deve insistir para que todos se pronunciem abertamente uns diante dos outros, mesmo que haja - ou especialmente quando houver - discordâncias veementes.
Nesse mesmo período crítico, o vice-presidente, Dick Cheney, estava exigindo que o secretário de Estado, Colin Powell, avaliasse com seriedade a possibilidade de ligar o Iraque aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Powell considerou a hipótese mais do que ridícula e concluiu rancorosamente que Cheney sofria do que chamou de "delírio febril". (Em particular, Powell costumava chamar o gabinete de elaboração de medidas do Pentágono, administrado pelo subsecretário da Defesa, Douglas Feith, que partilhava do interesse ardente de Cheney nos supostos laços entre a Al-Qaeda e o Iraque, de "gabinete da Gestapo".)
Powell estava certo ao concluir que Saddam Hussein e Osama bin Laden não trabalharam juntos. Mas Cheney e Powell não travaram esse debate fundamental diante do presidente - muito embora tal discussão possivelmente enfraquecesse uma das principais razões para a guerra. Cheney aconselhava o presidente em particular, mas raramente teve de debater com outras pessoas em defesa de seu ponto de vista. Depois da invasão, ele promoveu um jantar comemorativo com alguns assessores e amigos. "Colin sempre teve imensas reservas contra o que estávamos tentando fazer", disse Cheney ao grupo, enquanto brindavam à saúde de Bush e riam de Powell. Escárnios desse tipo prejudicaram a unidade de propósito da administração - e dão uma amostra do tom belicoso que pode emergir quando o debate aberto é sufocado por divergências antigas e hostilidades pessoais.
3. Um presidente precisa fazer a lição de casa para dominar as ideias e conceitos fundamentais por trás das medidas que adota.
O presidente não deve gerenciar cada detalhe, mas a compreensão das ramificações das suas posições não pode ser terceirizada.
Por exemplo, o general George W. Casey Jr., comandante das forças americanas no Iraque de 2004 a 2007, concluiu que o presidente Bush não compreendia os fundamentos básicos por trás da guerra no país. Casey acreditava que Bush, insistindo em perguntar sobre o número de baixas inimigas, via a guerra como uma batalha convencional e não como aquilo que de fato era: uma campanha de contrainsurgência para conquistar a confiança da população iraquiana. "No Iraque, não podemos abrir caminho para a vitória através da matança", disse posteriormente o general David Petraeus. Em entrevista concedida a mim em maio de 2008, Bush insistiu em que ele, mais que todos, era quem melhor compreendia sobre o que era a guerra.
4. Os presidentes precisam fazer com que as pessoas exponham seus pontos de vista e se certificar de que as más notícias cheguem ao Salão Oval.
Em 18 de junho de 2003, antes que os verdadeiros problemas começassem a surgir no Iraque, o general da reserva Jay Garner, primeiro oficial a chefiar a iniciativa de reconstrução do país, alertou Rumsfeld de que a dispersão do Exército iraquiano e a expulsão de um número excessivo de ex-partidários do Baath eram "equívocos trágicos". Mas, numa reunião com Bush no Salão Oval mais tarde naquele mesmo dia, nada disso foi mencionado e Garner relatou a um presidente satisfeito que, em 70 reuniões realizadas com iraquianos, eles sempre diziam "Deus abençoe o sr. George Bush". O presidente devia ter perguntado a Garner se ele tinha alguma preocupação - talvez até mesmo expulsando Rumsfeld do Salão Oval e dizendo algo como "Jay, você esteve lá, insto em que me diga a verdade. Não esconda nada".
Bush por vezes achou que conhecia as opiniões particulares dos seus assessores sem perguntá-las a eles individualmente. Ele tomou aquela que foi provavelmente a decisão mais importante de sua presidência - se deveria invadir o Iraque ou não - sem perguntar diretamente a Powell, a Rumsfeld e ao diretor da CIA, George Tenet, qual era a recomendação deles no caso. (Em lugar de consultar o próprio pai, o ex-presidente George H. W. Bush, que declarara guerra em 1991 para expulsar o Exército iraquiano do Kuwait, o jovem Bush me contou que tinha consultado um "pai superior" em busca de forças.)
5. Os presidentes precisam fomentar uma cultura de ceticismo e dúvidas.
Durante entrevista concedida por Bush em dezembro de 2003, li para ele uma citação de seu aliado mais próximo, o primeiro-ministro britânico Tony Blair, sobre cartas em que parentes de soldados mortos afirmavam odiá-lo. "Não acredite se alguém disser que ao receber tais cartas não sofra com dúvidas", dissera Blair. "Pois não sofri dúvidas", respondeu Bush. "É mesmo?" perguntei. "Nenhuma?" "Não", disse ele.
Presidentes e generais não têm que viver em dúvida. Mas deveriam aprender a amá-la. "Você não pode ser o papagaio no ombro do secretário", disse o general dos fuzileiros navais James Jones, futuro conselheiro de Segurança Nacional da administração Obama, a seu velho amigo, o general Peter Pace. Na época, Place era chefe do Estado-Maior Conjunto - um grupo que Jones considerava ter sido "sistematicamente emasculado por Rumsfeld". A dúvida não é inimiga das boas medidas. Ela pode ajudar os líderes a avaliar alternativas, tomar decisões importantes e posteriormente fazer correções de rumo se estas se mostrarem necessárias.
6. Os presidentes recebem dados contraditórios e precisam confrontá-los com rigor.
Entre 2004 e 2006, a CIA relatava que o Iraque estava se tornando mais violento e menos estável. Em meados de 2006, a representante do próprio Bush no Conselho de Segurança Nacional, Meghan O?Sullivan, fez um comentário franco sobre as condições em Bagdá: "É o próprio inferno, sr. presidente". Mas o Pentágono manteve o otimismo e relatou que uma estratégia de retirada dos soldados americanos e transferência da responsabilidade pela segurança aos próprios iraquianos resultaria em "autossuficiência" em 2009. Até onde pude apurar, o presidente jamais insistiu em que fosse resolvida a contradição entre "inferno" e "autossuficiência".
7. Os presidentes precisam contar a verdade nua e crua ao público, mesmo que isso signifique dar notícias muito ruins.
Durante anos após a invasão do Iraque, Bush fez pronunciamentos públicos consistentemente otimistas. Isso foi muito além do infame cartaz de "Missão Cumprida", que ele admitiu na última segunda feira ter sido um equívoco. "Estamos vencendo, com toda certeza", disse o presidente durante uma entrevista coletiva concedida em outubro de 2006. "Estamos vencendo." Seus comentários confiantes foram feitos durante uma das fases mais negativas da guerra, num momento em que todos que tinham televisão sabiam que a guerra ia mal. Em 5 de fevereiro de 2005, quando Stephen Hadley estava deixando o cargo de vice de Condoleezza no primeiro mandato de Bush para assumir o de conselheiro de Segurança Nacional, fizera uma interpretação confidencial, privada, sobre o primeiro mandato de Bush, dominado pelo Iraque. "Eu nos dou ?menos B? em planejamento político e ?menos D? em execução", disse ele. Posteriormente, o presidente me disse que sabia que a "estratégia para o Iraque não estava funcionando". Então, como poderiam os Estados Unidos estar vencendo uma guerra se sua estratégia estava fracassando?
Depois do 11 de Setembro, Bush falou francamente sobre uma guerra ao terror que poderia durar toda uma geração e incluir outros ataques contra o território americano. Essa franqueza marcou o período de maior popularidade e capacidade de liderança de Bush. Os presidentes são fortes quando incorporam a voz do realismo.
8. Motivos justos não bastam para garantir eficácia política.
"Acredito que tenhamos o dever de libertar as pessoas", Bush me disse em fins de 2003. Creio que ele realmente quisesse trazer a democracia ao Afeganistão e ao Iraque. Durante a preparação de seu segundo discurso de posse, em 2005, por exemplo, Bush disse ao chefe de sua equipe de redatores de discursos, Michael Gerson: "O futuro da América e sua segurança dependem da propagação da liberdade". Isso inspirou tanto o idealista Gerson que ele se engajou em produzir o equivalente em política externa à teoria do campo unificado de Einstein - um pronunciamento de 17 minutos no qual o presidente afirmava nada menos que sua meta era "o fim da tirania no mundo".
Mas essa motivação elevada com frequência cegou Bush e assessores para as consequências de sua corrida enlouquecida rumo à democracia. Em 2005, por exemplo, Bush e seu gabinete de guerra passaram boa parte do tempo na promoção de eleições livres no Iraque - coisa que acabou destacando o isolamento da minoria sunita e preparando o terreno para a selvagem violência sectária de 2006.
9. Os presidentes precisam insistir em pensamento estratégico.
Somente o presidente (e quem sabe o conselheiro de Segurança Nacional) podem fazer com que uma burocracia estática visualize em que a administração deverá estar enfocando em um, dois, ou mesmo quatro anos. Então devem ser estabelecidos planos táticos detalhados, passo a passo, para tentar atingir a meta. É fácil para uma administração consumir-se na tarefa de apagar incêndios rotineiros que com frequência exigem o envolvimento do presidente. (Perguntem a Obama quanto tempo ele tem passado envolvido com a guerra em Gaza.) Mas um presidente será provavelmente julgado pelo sucesso de seus planos de longo prazo, não pelo gerenciamento de crises diárias.
Por exemplo, nas guerras do Afeganistão e do Iraque, a qualidade do planejamento para as operações de combate oscilou entre adequada e forte, mas pouquíssima atenção foi dedicada ao que poderia sobrevir à queda do Taleban e do Partido Baath. Algumas decisões estratégicas fundamentais - dispersar o Exército iraquiano, expulsar os partidários do Baath do governo e impedir a formação inicial de um conselho iraquiano de governo - foram tomadas no próprio Iraque, sem o envolvimento do Conselho de Segurança Nacional e do presidente.
Obama faria bem em se lembrar do exemplo de um jovem presidente democrata que estava disposto a elaborar planos de longo prazo. Bill Clinton assumiu a presidência em 1993 depois de ter prometido cortar pela metade o déficit federal em questão de quatro anos. O plano inicial não parecia muito firme e Clinton foi muito criticado durante mais de um ano. Mas ele e sua equipe mantiveram a estratégia básica de corte nos gastos federais e aumento de impostos, medidas que estabeleceram boa parte dos fundamentos da prosperidade econômica da era Clinton. Foi um planejamento estratégico clássico, demonstrando disposição em pagar um preço no curto prazo para obter o tipo de ganho de longo prazo que entra para os livros de história.
10. Os presidentes devem abraçar a transparência.
Alguma versão do que aconteceu nos bastidores durante seu período na Casa Branca sempre chegará ao público - e será melhor para todos se essa versão for tão precisa quanto possível.
Em 8 de março de 2008, Hadley fez um extraordinário comentário sobre como era difícil compreender a verdadeira maneira pela qual Bush tomava suas decisões. "Ele fala com muita autoridade e transmitindo grande segurança ao afirmar "eis o que vamos fazer", disse Hadley. E não estará sendo sincero. Porque ainda não terá passado pelo processo de considerações que o deixaria apto a poder dizer "eu decidi". E se você escrever todas essas coisas e os historiadores tiverem acesso a elas, eles dirão: Bem, ele decidiu em tal dia fazer tais e tais coisas. Não é verdade. Não é história. É um fato, mas um fato enganador."
Os presidentes devem tomar cuidado com tais "fatos enganadores". Eles devem manter debates e discussões internas com seus principais assessores que façam sentido quando vierem à tona posteriormente. Esse tipo de relato dos bastidores será divulgado, ao menos em parte, durante a presidência. Mas a melhor versão possível emergirá mais vagarosamente, ao longo do tempo, e fará parte da história."
*Bob Woodward, jornalista que com o colega Carl Bernstein revelou o escândalo Watergate, é editor-assistente do Washington Post e autor de quatro livros sobre o presidente George W. Bush: Bush em Guerra (Arx), Plano de Ataque (Editora Globo), State of Denial e The War Whithin (Simon & Schuster). Evelyn Duffy contribuiu para este artigo
quinta-feira, dezembro 11, 2008
Lugares que Papai Noel não vai Visitar
Como o ano está chegando ao fim, me descolo um pouco dos temas mais prementes vinculados ao nosso curso e me dedico a novas leituras, novos pensamentos (no sentido cristão, claro!) e me volto um pouco para temas que me despertam o coração. Coisas “leves”, tais como os ataques terroristas na Índia, os contrabandistas de armas nucleares, os piratas da Somália... Haaa... os piratas da Somália. Sim, este tema me “encanta” pelo ineditismo, pela curiosidade que suscita e pelas transformações da história da humanidade que nele estão contidas.
O risco de se cair no senso comum é enorme. Aposto que alguma rede de TV em algum lugar do mundo já colocou a imagem de Jonny Deep, no filme “Piratas do Caribe”, para lançar a discussão sobre os “Piratas Modernos”. Mas será que o conceito de “moderno” está sendo bem empregado neste caso? O que há de modernidade em assaltar navios, carregando pesados armamentos, seqüestrando tripulantes e pedindo resgate para não afundar as gigantescas naves cheias de petróleo, ou modernos e não menos grandes (e caros!) pesqueiros?
Reparem: voltamos aos tempos da barbárie? O fim dos blocos hegemônicos criou ilhas de descontrole total? Pois é, além da Somália, país que abriga as quadrilhas de piratas e que se transformou quase numa terra sem lei, temos também outros exemplos que utilizarei nos próximos posts de fim de ano.
Assim, enquanto a TV toca Jingle Bell, aqui a gente escreve sobre alguns dos lugares onde o Papai Noel não vai passar no dia 25.
O risco de se cair no senso comum é enorme. Aposto que alguma rede de TV em algum lugar do mundo já colocou a imagem de Jonny Deep, no filme “Piratas do Caribe”, para lançar a discussão sobre os “Piratas Modernos”. Mas será que o conceito de “moderno” está sendo bem empregado neste caso? O que há de modernidade em assaltar navios, carregando pesados armamentos, seqüestrando tripulantes e pedindo resgate para não afundar as gigantescas naves cheias de petróleo, ou modernos e não menos grandes (e caros!) pesqueiros?
Reparem: voltamos aos tempos da barbárie? O fim dos blocos hegemônicos criou ilhas de descontrole total? Pois é, além da Somália, país que abriga as quadrilhas de piratas e que se transformou quase numa terra sem lei, temos também outros exemplos que utilizarei nos próximos posts de fim de ano.
Assim, enquanto a TV toca Jingle Bell, aqui a gente escreve sobre alguns dos lugares onde o Papai Noel não vai passar no dia 25.
sexta-feira, novembro 21, 2008
Equador entra com processo em câmara internacional contra o BNDES
Fonte: Portal da Revista Veja
Data: 20/11/2008
O Equador tenta se livrar do pagamento de um empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e entrou com ação de arbitragem na Câmara de Comércio Internacional, em Paris. O empréstimo foi concedido pelo banco brasileiro para financiar a construção de uma usina hidrelétrica, sob responsabilidade da construtora Odebrecht, expulsa do país em setembro.
O pedido feito pelo governo equatoriano exige a anulação de uma cláusula que estabelece a capitalização dos juros e do que já foi cobrado utilizando esse conceito. As autoridades alegam que o pedido seria ilegal.
O BNDES fez um empréstimo de 243 milhões de dólares para financiar a construção da central hidrelétrica San Francisco, cujas operações foram suspensas por vários meses devido a falhas técnicas.
Segundo o jornal El Universo, já foi apresentado à promotoria um processo contra a Odebrecht. No processo arbitral da Câmara são solicitadas medidas cautelares contra o Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame), do BNDES, para frear cobranças pelo crédito à Hidropastaza, primeira concessionária da hidrelétrica, para financiar sua construção.
O Itamaraty afirmou que não recebeu comunicação oficial do governo do Equador sobre esse episódio e que se pronunciará quando isso for feito.
Data: 20/11/2008
O Equador tenta se livrar do pagamento de um empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e entrou com ação de arbitragem na Câmara de Comércio Internacional, em Paris. O empréstimo foi concedido pelo banco brasileiro para financiar a construção de uma usina hidrelétrica, sob responsabilidade da construtora Odebrecht, expulsa do país em setembro.
O pedido feito pelo governo equatoriano exige a anulação de uma cláusula que estabelece a capitalização dos juros e do que já foi cobrado utilizando esse conceito. As autoridades alegam que o pedido seria ilegal.
O BNDES fez um empréstimo de 243 milhões de dólares para financiar a construção da central hidrelétrica San Francisco, cujas operações foram suspensas por vários meses devido a falhas técnicas.
Segundo o jornal El Universo, já foi apresentado à promotoria um processo contra a Odebrecht. No processo arbitral da Câmara são solicitadas medidas cautelares contra o Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame), do BNDES, para frear cobranças pelo crédito à Hidropastaza, primeira concessionária da hidrelétrica, para financiar sua construção.
O Itamaraty afirmou que não recebeu comunicação oficial do governo do Equador sobre esse episódio e que se pronunciará quando isso for feito.
quarta-feira, novembro 05, 2008
E o Mundo Real diz: Bem Vindo Obama!
Um mundo midiático. Mais de 700 milhões de Dólares. Uma Guerra Religiosa. Uma esperança. Um Mito! Eis Obama! Yes, we can!
Barack Obama definitivamente entra para a história não só por ser o primeiro negro a assumir a presidência dos EUA, mas também por pertencer a uma jovem geração incumbida de uma missão inglória de reinventar a América.
A uma amiga negra a quem muito admiro, que verteu lágrimas após a vitória de Obama contra Hillary Clinton nas primárias Democratas eu disse que a mudança da história, a real mudança da história, acontecerá somente depois de 4 anos de mandato de Obama e não agora. O que queria dizer é que até hoje tudo é mito, tudo é simbólico, tudo é mídia. Mas o resultado dessas eleições deverá ser entendido melhor após o cumprimento do mandato do recém eleito, pois quando o mundo real lhe cobrar a conta é que poderemos entender o efeito da chegada de um negro à Casa Branca. Seu sucesso será a redenção histórica de uma população reprimida, perseguida e explorada durante várias décadas. Seu fracasso será a aquiescência do retorno à nefasta tese da superioridade de uma raça sobre a outra.
E o mundo real está de braços abertos para Obama. Quer abraçá-lo, quer esmagá-lo. Uma crise econômica profunda, duas guerras em andamento, interesses geopolíticos, desafios nas relações internacionais, tensões na América Latina e no leste europeu; problemas internos, crise do sistema de saúde, seguro social e conflitos migratórios. Esta é a pequena agenda que deverá enfrentar o novo presidente. Sua missão é das mais complexas, mas ao menos ninguém duvida da inteligência muito acima da média de Barack Obama.
Nós brasileiros estamos até achando bonitinho tudo isso. Que legal. Que interessante. Que histórico! Alguns membros do governo brasileiro já se mostraram confiantes e dizem que as relações irão melhorar, como se estivéssemos em crise nas relações Brasil – EUA. Mas quando Obama incrementar os subsídios aos produtores de milho, contra o etanol brasileiro e quando as políticas de proteção dos produtores internos forem colocadas em prática é bem provável que aí sim a crise passe a existir. O interessante da força midiática desta campanha é que tem muita gente, brasileiros inclusive, acreditando que Obama será o presidente do mundo. Não. Obama será o presidente dos EUA e, ao contrário de Lula que defende os interesses da Bolívia, do Equador e da Venezuela, Obama certamente defenderá os interesses americanos.
O mundo real obrigará esta figura incrível a autorizar ataques militares contra interesses americanos, obrigará assinar documentos que desagradem os governos de outros países, obrigará criar medidas polêmicas e decisões difíceis a serem tomadas as 3 da manhã, quando algum assessor afobado bater à porta de seus aposentos para anunciar uma nova crise envolvendo os americanos em alguma parte do mundo.
Não quero estragar a festa, claro. Vamos curti-la mais um pouco. De nossos sofás em frente a TV vamos abanar a mão, fazendo sinal de tchau, quando Bush passar o comando do país para Obama.
Depois... bem, depois o mundo real, com seu peculiar sorriso sarcástico, nos dará as boas vindas.
Barack Obama definitivamente entra para a história não só por ser o primeiro negro a assumir a presidência dos EUA, mas também por pertencer a uma jovem geração incumbida de uma missão inglória de reinventar a América.
A uma amiga negra a quem muito admiro, que verteu lágrimas após a vitória de Obama contra Hillary Clinton nas primárias Democratas eu disse que a mudança da história, a real mudança da história, acontecerá somente depois de 4 anos de mandato de Obama e não agora. O que queria dizer é que até hoje tudo é mito, tudo é simbólico, tudo é mídia. Mas o resultado dessas eleições deverá ser entendido melhor após o cumprimento do mandato do recém eleito, pois quando o mundo real lhe cobrar a conta é que poderemos entender o efeito da chegada de um negro à Casa Branca. Seu sucesso será a redenção histórica de uma população reprimida, perseguida e explorada durante várias décadas. Seu fracasso será a aquiescência do retorno à nefasta tese da superioridade de uma raça sobre a outra.
E o mundo real está de braços abertos para Obama. Quer abraçá-lo, quer esmagá-lo. Uma crise econômica profunda, duas guerras em andamento, interesses geopolíticos, desafios nas relações internacionais, tensões na América Latina e no leste europeu; problemas internos, crise do sistema de saúde, seguro social e conflitos migratórios. Esta é a pequena agenda que deverá enfrentar o novo presidente. Sua missão é das mais complexas, mas ao menos ninguém duvida da inteligência muito acima da média de Barack Obama.
Nós brasileiros estamos até achando bonitinho tudo isso. Que legal. Que interessante. Que histórico! Alguns membros do governo brasileiro já se mostraram confiantes e dizem que as relações irão melhorar, como se estivéssemos em crise nas relações Brasil – EUA. Mas quando Obama incrementar os subsídios aos produtores de milho, contra o etanol brasileiro e quando as políticas de proteção dos produtores internos forem colocadas em prática é bem provável que aí sim a crise passe a existir. O interessante da força midiática desta campanha é que tem muita gente, brasileiros inclusive, acreditando que Obama será o presidente do mundo. Não. Obama será o presidente dos EUA e, ao contrário de Lula que defende os interesses da Bolívia, do Equador e da Venezuela, Obama certamente defenderá os interesses americanos.
O mundo real obrigará esta figura incrível a autorizar ataques militares contra interesses americanos, obrigará assinar documentos que desagradem os governos de outros países, obrigará criar medidas polêmicas e decisões difíceis a serem tomadas as 3 da manhã, quando algum assessor afobado bater à porta de seus aposentos para anunciar uma nova crise envolvendo os americanos em alguma parte do mundo.
Não quero estragar a festa, claro. Vamos curti-la mais um pouco. De nossos sofás em frente a TV vamos abanar a mão, fazendo sinal de tchau, quando Bush passar o comando do país para Obama.
Depois... bem, depois o mundo real, com seu peculiar sorriso sarcástico, nos dará as boas vindas.
Três fatores decidiram eleição nos Estados Unidos
Fonte: Jornal O Estado de SãoPaulo
Data: 05/11/08
Autor: Cristiano Dias
Barack Obama tornou-se presidente dos EUA graças à conjunção de três fatores: uma campanha bem organizada, a conjuntura econômica e política amplamente favorável e a condução desastrosa da candidatura de seu rival republicano.
Em fevereiro de 2007, pouquíssima gente levou a sério quando um senador negro de nome estranho disse que estava lançando candidatura à presidência dos EUA. Era uma tarde fria de inverno na cidade de Springfield, capital de Illinois, quando Obama empolgou algumas centenas de pessoas que se juntaram para ouvi-lo diante da sede do governo local.
No discurso, ele prometeu mudar o jeito de fazer política em Washington, mas a jornada, como ele mesmo definiu mais tarde, era "improvável". Nas primárias do partido, ele enfrentaria políticos mais experientes, como o ex-senador John Edwards, candidato a vice-presidente em 2004, e a senadora Hillary Clinton, guru e marca registrada dos democratas, considerada "candidata inevitável" do partido.
Obama derrubou os adversários usando como base um exército de 2 milhões de voluntários e comitês que atuaram em todos os 50 Estados, registrando cerca de 4 milhões de novos eleitores em todo o país. Hillary, rival mais obstinada, achou que as primárias terminariam na Superterça, em 5 de fevereiro, quando 24 Estados votaram nos pré-candidatos dos dois partidos. Quando percebeu o erro estratégico, a ex-primeira-dama já estava derrotada.
A grande marca da campanha de Obama - e o motivo pelo qual a eleição americana nunca mais será a mesma - foi o uso revolucionário da internet para arrecadar US$ 700 milhões e a utilização de diferentes canais de mídia para divulgar sua candidatura. Obama teve três momentos ruins em sua jornada improvável. O primeiro foi a derrota nas primárias de Ohio e do Texas, no início de março, quando Hillary tornou-se a adversária que mais perto chegou de emoldurá-lo como um aventureiro inexperiente. O autor do golpe teria sido um comercial que questionava a competência de Obama para resolver um problema que surgisse às 3 horas da madrugada.
O segundo contratempo ocorreu duas semanas depois, com os discursos inflamados de seu ex-pastor Jeremiah Wright. Obama conseguiu contornar a situação escrevendo um brilhante discurso sobre raça, proferido na Filadélfia, em que tratou da desigualdade e das tensões raciais.
A última dificuldade veio logo após a convenção republicana, no início de setembro, quando John McCain disparou nas pesquisas após escolher a ultraconservadora governadora do Alasca, Sarah Palin, como vice. A euforia dos republicanos com Sarah durou duas semanas e logo se transformou no pior erro de McCain.
Entrevistas desastrosas, o envolvimento em um escândalo de abuso de poder em seu Estado e a divulgação dos US$ 150 mil gastos em roupas para a campanha viraram tema de piada nos principais programas humorísticos do horário nobre. Em meio a uma enxurrada de críticas, duas semanas depois, McCain piorou as coisas ao suspender sua campanha, em setembro, para trabalhar pela aprovação do resgate financeiro de US$ 700bilhões proposto pela Casa Branca.
Conjuntura
No entanto, segundo analistas, a causa sistêmica para a vitória de Obama foi a conjuntura favorável aos democratas. A explosão da crise econômica em plena campanha assustou a maioria dos americanos. A impopularidade do presidente George W. Bush e da guerra no Iraque também facilitaram as coisas.
Na campanha, Obama frisou que foi o único a se opor à guerra desde o início e defendeu um cronograma de retirada das tropas. No fim, até Bush e o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, concordaram com Obama e deixaram McCain pregando sozinho a permanência das tropas.
Data: 05/11/08
Autor: Cristiano Dias
Barack Obama tornou-se presidente dos EUA graças à conjunção de três fatores: uma campanha bem organizada, a conjuntura econômica e política amplamente favorável e a condução desastrosa da candidatura de seu rival republicano.
Em fevereiro de 2007, pouquíssima gente levou a sério quando um senador negro de nome estranho disse que estava lançando candidatura à presidência dos EUA. Era uma tarde fria de inverno na cidade de Springfield, capital de Illinois, quando Obama empolgou algumas centenas de pessoas que se juntaram para ouvi-lo diante da sede do governo local.
No discurso, ele prometeu mudar o jeito de fazer política em Washington, mas a jornada, como ele mesmo definiu mais tarde, era "improvável". Nas primárias do partido, ele enfrentaria políticos mais experientes, como o ex-senador John Edwards, candidato a vice-presidente em 2004, e a senadora Hillary Clinton, guru e marca registrada dos democratas, considerada "candidata inevitável" do partido.
Obama derrubou os adversários usando como base um exército de 2 milhões de voluntários e comitês que atuaram em todos os 50 Estados, registrando cerca de 4 milhões de novos eleitores em todo o país. Hillary, rival mais obstinada, achou que as primárias terminariam na Superterça, em 5 de fevereiro, quando 24 Estados votaram nos pré-candidatos dos dois partidos. Quando percebeu o erro estratégico, a ex-primeira-dama já estava derrotada.
A grande marca da campanha de Obama - e o motivo pelo qual a eleição americana nunca mais será a mesma - foi o uso revolucionário da internet para arrecadar US$ 700 milhões e a utilização de diferentes canais de mídia para divulgar sua candidatura. Obama teve três momentos ruins em sua jornada improvável. O primeiro foi a derrota nas primárias de Ohio e do Texas, no início de março, quando Hillary tornou-se a adversária que mais perto chegou de emoldurá-lo como um aventureiro inexperiente. O autor do golpe teria sido um comercial que questionava a competência de Obama para resolver um problema que surgisse às 3 horas da madrugada.
O segundo contratempo ocorreu duas semanas depois, com os discursos inflamados de seu ex-pastor Jeremiah Wright. Obama conseguiu contornar a situação escrevendo um brilhante discurso sobre raça, proferido na Filadélfia, em que tratou da desigualdade e das tensões raciais.
A última dificuldade veio logo após a convenção republicana, no início de setembro, quando John McCain disparou nas pesquisas após escolher a ultraconservadora governadora do Alasca, Sarah Palin, como vice. A euforia dos republicanos com Sarah durou duas semanas e logo se transformou no pior erro de McCain.
Entrevistas desastrosas, o envolvimento em um escândalo de abuso de poder em seu Estado e a divulgação dos US$ 150 mil gastos em roupas para a campanha viraram tema de piada nos principais programas humorísticos do horário nobre. Em meio a uma enxurrada de críticas, duas semanas depois, McCain piorou as coisas ao suspender sua campanha, em setembro, para trabalhar pela aprovação do resgate financeiro de US$ 700bilhões proposto pela Casa Branca.
Conjuntura
No entanto, segundo analistas, a causa sistêmica para a vitória de Obama foi a conjuntura favorável aos democratas. A explosão da crise econômica em plena campanha assustou a maioria dos americanos. A impopularidade do presidente George W. Bush e da guerra no Iraque também facilitaram as coisas.
Na campanha, Obama frisou que foi o único a se opor à guerra desde o início e defendeu um cronograma de retirada das tropas. No fim, até Bush e o premiê iraquiano, Nuri al-Maliki, concordaram com Obama e deixaram McCain pregando sozinho a permanência das tropas.
sexta-feira, outubro 31, 2008
Cheiro de Vitória de Obama no Ar
Sei que se trata apenas de um cenário, mas algumas coisas que vem acontecendo nos últimos dias na campanha eleitoral dos EUA indicam um certo cheiro de vitória de Barack Obama à presidência americana.
Destaco sete itens:
1) As pesquisas não indicam um vencedor, mas todas as margens de erro colocam uma leve vantagem para o Democrata;
2) Os materiais de campanha de Obama estão cada vez melhores e os de McCain cada vez piores;
3) Sarah Palin não mais atende as orientações dos estrategistas da campanha. Ao contrário, parece discursar mais pensando em sua imagem do que na de McCain e de sua campanha;
4) Os comitês de campanha de McCain estão cada vez mais vazios e o clima em alguns é de desânimo;
5) Várias empresas de comunicação e jornais influentes debandaram para o lado de Obama. A mídia adora Obama;
6) O dinheiro de Obama jorra e o de McCain seca;
7) tradicionais eleitores que possuem baixo comparecimento nas urnas se dispuseram a participar neste ano. São eles: negros, latinos e os mais pobres.
Mas atenção! Apesar de perceber que esses elementos representam indicadores importantes eu não arriscaria nenhuma aposta!
Destaco sete itens:
1) As pesquisas não indicam um vencedor, mas todas as margens de erro colocam uma leve vantagem para o Democrata;
2) Os materiais de campanha de Obama estão cada vez melhores e os de McCain cada vez piores;
3) Sarah Palin não mais atende as orientações dos estrategistas da campanha. Ao contrário, parece discursar mais pensando em sua imagem do que na de McCain e de sua campanha;
4) Os comitês de campanha de McCain estão cada vez mais vazios e o clima em alguns é de desânimo;
5) Várias empresas de comunicação e jornais influentes debandaram para o lado de Obama. A mídia adora Obama;
6) O dinheiro de Obama jorra e o de McCain seca;
7) tradicionais eleitores que possuem baixo comparecimento nas urnas se dispuseram a participar neste ano. São eles: negros, latinos e os mais pobres.
Mas atenção! Apesar de perceber que esses elementos representam indicadores importantes eu não arriscaria nenhuma aposta!
segunda-feira, outubro 27, 2008
Sobre como Calcular os Perdedores e Vencedores
Confirmados todos os resultados das eleições é a hora dos cientistas políticos realizarem suas análises sobre quem ganhou e quem perdeu neste pleito municipal. Entendo que existe um erro conceitual básico nas análises: contar os vencedores e perdedores apenas por uma variável quantitativa. Alguns analistas utilizam os votos que cada partido recebeu, outros a quantidade de capitais que cada partido conquistou, outros ainda quantos vereadores foram eleitos por partido e assim sucessivamente. Pessoalmente entendo que para se ter um quadro dos vencedores e perdedores (há também aqueles partidos que permaneceram na mesma situação) é necessário criar um critério universal que combine diferentes variáveis, divididas por pesos.
Dessa forma faríamos uma lista com as variáveis levadas em conta (incluindo as que citei acima), incluiríamos duas muito importantes que são o tamanho do Orçamento municipal e o tamanho da máquina pública dos municípios e daríamos pesos diferentes para cada um. A partir daí, com um cálculo matemático, poderíamos contar com um quadro melhor, mais lógico e agregarmos a ele alguns temas que podem conter uma certa subjetividade, tais como prognósticos, linhas de tendência e a potencialidade e fragilidade da imagem dos principais atores dos processos eleitorais.
A partir disso teríamos, de fato, uma conclusão inconteste sobre os vencedores e perdedores das eleições 2008. De qualquer forma, apresentarei abaixo alguns textos sobre o assunto para ao menos poder contar com referências de bons autores.
Dessa forma faríamos uma lista com as variáveis levadas em conta (incluindo as que citei acima), incluiríamos duas muito importantes que são o tamanho do Orçamento municipal e o tamanho da máquina pública dos municípios e daríamos pesos diferentes para cada um. A partir daí, com um cálculo matemático, poderíamos contar com um quadro melhor, mais lógico e agregarmos a ele alguns temas que podem conter uma certa subjetividade, tais como prognósticos, linhas de tendência e a potencialidade e fragilidade da imagem dos principais atores dos processos eleitorais.
A partir disso teríamos, de fato, uma conclusão inconteste sobre os vencedores e perdedores das eleições 2008. De qualquer forma, apresentarei abaixo alguns textos sobre o assunto para ao menos poder contar com referências de bons autores.
A Minha Lista Pessoal de Quem Ganha e Quem Perde
ATENÇÃO! Apesar do título ser em primeira pessoa o texto que segue é de autoria de Reinaldo Azevedo. Faz tempo que não publicava nada dele para vocês. Tentei selecionar textos que analisassem as eleições de diferentes formas, mas fui até sites considerados socialistas e de apoio à base do governo Lula, como por exemplo o Blog de Mino Carta (Carta Capital), mas não encontrei muita coisa. Portanto, segue um texto de Azevedo e outro (na seqüência) do Noblat.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Data: 27/10/2008
"Toda eleição tem lista de “ganhadores” e “perdedores”. Também vou fazer a minha. Deixarei de lado alguns nomes de expressão mais regional. Sim! Como sempre, é uma leitura pessoal.
GANHAM
JOSÉ SERRA – Individualmente, é o maior vencedor da eleição. Seu candidato, Gilberto Kassab, tinha 9% das intenções de voto há menos de três meses. Conseguiu a reeleição com uma votação história e atribui ao governador o seu triunfo. O tucano passou a ser considerado, com tal desempenho, o mais forte candidato do seu partido à Presidência. Não custa lembrar que o PMDB coligou-se com Kassab em São Paulo — e Serra tem, no partido, serristas em penca.
GILBERTO KASSAB – Surge como uma liderança de alcance nacional por razões óbvias. Sempre foi bom articulador de bastidores. Faltava-se lhe uma vitória convincente numa disputa majoritária. Alguém imagina algo mais convincente? Queira ou não, é pré-candidato natural ao governo de São Paulo.
PSDB – Perdeu algumas prefeituras, mas ainda é o segundo partido em número de cidades: 788. Está atrás apenas do PMDB: 1207. E manteve a Prefeitura de São Paulo, que compartilha com o DEM. Fortalece-se também porque, obviamente, seu principal nome à Presidência, Serra, sai do processo com mais musculatura.
DEM – Vejam como sou escandaloso, não? O partido perdeu muitas prefeituras. Elegeu “apenas” 501. Embora tenha se transformado na Geni dos petistas e do PCB (Partido dos Colunistas Brasileiros), fez apenas 57 prefeituras a menos que o superpoderoso PT. Nestas eleições, fez só uma prefeitura, mas é justamente a de São Paulo. E vê nascer um líder num estado onde sempre foi fraco. Sim, todos dirão que o DEM é perdedor. Eu não acho. Fazer o quê? Ah, sim: em Salavador, ajudou a derrotar o PT.
PMDB – É o grande vencedor deste pleito, sem dúvida, com 1207 prefeituras. Mas não tem e não terá candidato à Presidência da República. Já havia avançado formidavelmente no primeiro turno e, agora, consolida essa posição com as vitórias em Porto Alegre e Salvador.
FERNANDO GABEIRA – Chegou bem perto de vencer a eleição no Rio — e talvez tivesse chegado lá não fossem três fatores:
- a escandalosa abstenção na cidade: deixaram de votar 927.250 eleitores, um índice superior a 20%;
- a impressionante baixaria de que foi vítima;
- um certo discurso antipolítico que pode ter diminuído o número de cabos eleitorais nas ruas.
É certo que passa a ser considerado uma referência na cidade para disputar o governo em 2010. Mais: fez a sua estréia como político de massas. Era, até então, o chamado "deputado de opinião”.
PERDEM
LULA – Entrou de cabeça na eleição em São Paulo. E São Paulo elegeu Kassab com uma clareza inequívoca. Uma coisa é perder por dois ou três pontos. Outra é perder por 18. Nas capitais em que o PT estava bem, o partido elegeu o prefeito. Onde não estava, a ação de Lula foi irrelevante.
MARTA SUPLICY – Individualmente, é a maior derrotada de 2008. Teve menos votos do que em 2004 nas duas etapas eleitorais e viu aumentar a sua rejeição. A frase “relaxa e goza”, em vez de esquecida, foi reavivada na memória do eleitor. Pior: sua campanha optou pela baixaria sem medo de ser feliz, ao fazer especulações sobre a vida privada do adversário — o que também manchou a sua biografia. Quando deu início à corrida, seu grupo político queria ver nela uma presidenciável. Hoje, os adversários torcem para que seja a candidata do PT ao governo de São Paulo. É preciso verificar até onde Marta não virou o Maluf dos petistas: basta ela se candidatar para eleger o adversário.
PT – Sim, perdeu. Embora quase todo mundo diga que ganhou. Tinha nove capitais, ficou com seis. Somadas, não chegam ao Orçamento ou à população de São Paulo, que ficou com o arqiinimigo DEM. Perdeu todas as capitais que disputou no segundo turno. Recuperar o governo de Porto Alegre era um ponto de honra. Dançou com uma diferença de 18 pontos. Cresceu muito nas pesquenas cidades em razão do bolsismo...
AÉCIO NEVES – Como??? Márcio Lacerda ganhou, Reinaldo!" É, mas o governador saiu do processo menor do que entrou, a despeito de sua impressionante capacidade de fazer malabarismos verbais repetidos pelo Partido dos Colunistas. Os solavancos da eleição em Belo Horizonte evidenciaram o artificialismo da aliança PSDB-PT. Longe de ser um exemplo para o Brasil, provou que é temerária até mesmo em Minas. O PSDB perdeu prefeituras no Estado em vez de ganhar. O exotismo eleitoral de BH fez Aécio passar por três fases:
A – “Aqui está a novidade do pós-Lula”;
B – “Admito que não deu certo”;
C – “Aqui está a novidade do pós-Lula” — de novo.
A última leitura, digamos, exótica que seu grupo espalha é que ele ajudou a destruir o PT de Minas. Excesso de malabarismo retórico deixa potenciais aliados um tanto assustados. Ademais, ajudou a fortalecer o PMDB.
CIRO GOMES – Também ele? Também ele. Lacerda, eleito em BH, é um aliado seu, claro, claro... Mas foi eleito pelas máquinas do PSDB e do PT. Ciro não tem nada com isso. Já em Fortaleza, onde ele tinha "tudo com isso", apostou suas fichas na ex-mulher, Patrícia Saboya. Ela não passou nem para o segundo turno.
DILMA ROUSSEFF – Jura, Reinaldo? Juro! Lembram-se da sua ida quase teatral para dar apoio à candidata do PT à Prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann? Pois é... Beto Richa se elegeu no primeiro turno com quase 80% dos votos. Depois Dilma decidiu declarar seu apoio decisivo à petista Maria do Rosário, em Porto Alegre. José Fogaça venceu por estratosféricos 18 pontos de diferença. Como a gente vê, Dilma não transfere o que nunca teve: votos.
GERALDO ALCKMIN – Era o candidato certo do PSDB ao governo de São Paulo. Mas decidiu apostar no confronto com o governador José Serra e sair candidato à Prefeitura, fazendo uma espécie de ponte com Minas. Começou o ano como favorito e não passou nem para o segundo turno. Agora, só será candidato se Serra concordar. Mas a fila, pouco importa o que digam todos os atores políticos, passou a ter um primeiro colocado: Kassab. Em política, não existe “jamais”.
SÉRGIO CABRAL – Apesar da vitória de Eduardo Paes, Sérgio Cabral não se saiu tão bem. Em política, o placar, se dilatado ou não, faz diferença, sim. O governador do Rio perdeu disputas importantes no interior do Estado e, por muito pouco, não vê uma espécie de movimento cívico vencer a eleição na capital, com Fernando Gabeira. A brutal abstenção pode ser um indicador de problemas. Mais: a campanha na capital, lamento muito, esteve longe de lustrar a civilidade política. O que poderia ser uma das disputas mais elevadas do país evoluiu para uma impressionante e decepcionante soma de baixarias. Até a última hora, até o último dia. A primeira aparição do governador e do prefeito eleito expressavam o excesso de excitação de quem havia passado um grande aperto — faltava comedimento. Cabral entrou no processo para se credenciar a ser vice de alguém. E eu acho que não se credenciou.
Ah, sim. O Chico Buarque também perdeu. Ele promete agora dar apoio a Raúl Castro se um dia houver eleições diretas em Cuba.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo
Data: 27/10/2008
"Toda eleição tem lista de “ganhadores” e “perdedores”. Também vou fazer a minha. Deixarei de lado alguns nomes de expressão mais regional. Sim! Como sempre, é uma leitura pessoal.
GANHAM
JOSÉ SERRA – Individualmente, é o maior vencedor da eleição. Seu candidato, Gilberto Kassab, tinha 9% das intenções de voto há menos de três meses. Conseguiu a reeleição com uma votação história e atribui ao governador o seu triunfo. O tucano passou a ser considerado, com tal desempenho, o mais forte candidato do seu partido à Presidência. Não custa lembrar que o PMDB coligou-se com Kassab em São Paulo — e Serra tem, no partido, serristas em penca.
GILBERTO KASSAB – Surge como uma liderança de alcance nacional por razões óbvias. Sempre foi bom articulador de bastidores. Faltava-se lhe uma vitória convincente numa disputa majoritária. Alguém imagina algo mais convincente? Queira ou não, é pré-candidato natural ao governo de São Paulo.
PSDB – Perdeu algumas prefeituras, mas ainda é o segundo partido em número de cidades: 788. Está atrás apenas do PMDB: 1207. E manteve a Prefeitura de São Paulo, que compartilha com o DEM. Fortalece-se também porque, obviamente, seu principal nome à Presidência, Serra, sai do processo com mais musculatura.
DEM – Vejam como sou escandaloso, não? O partido perdeu muitas prefeituras. Elegeu “apenas” 501. Embora tenha se transformado na Geni dos petistas e do PCB (Partido dos Colunistas Brasileiros), fez apenas 57 prefeituras a menos que o superpoderoso PT. Nestas eleições, fez só uma prefeitura, mas é justamente a de São Paulo. E vê nascer um líder num estado onde sempre foi fraco. Sim, todos dirão que o DEM é perdedor. Eu não acho. Fazer o quê? Ah, sim: em Salavador, ajudou a derrotar o PT.
PMDB – É o grande vencedor deste pleito, sem dúvida, com 1207 prefeituras. Mas não tem e não terá candidato à Presidência da República. Já havia avançado formidavelmente no primeiro turno e, agora, consolida essa posição com as vitórias em Porto Alegre e Salvador.
FERNANDO GABEIRA – Chegou bem perto de vencer a eleição no Rio — e talvez tivesse chegado lá não fossem três fatores:
- a escandalosa abstenção na cidade: deixaram de votar 927.250 eleitores, um índice superior a 20%;
- a impressionante baixaria de que foi vítima;
- um certo discurso antipolítico que pode ter diminuído o número de cabos eleitorais nas ruas.
É certo que passa a ser considerado uma referência na cidade para disputar o governo em 2010. Mais: fez a sua estréia como político de massas. Era, até então, o chamado "deputado de opinião”.
PERDEM
LULA – Entrou de cabeça na eleição em São Paulo. E São Paulo elegeu Kassab com uma clareza inequívoca. Uma coisa é perder por dois ou três pontos. Outra é perder por 18. Nas capitais em que o PT estava bem, o partido elegeu o prefeito. Onde não estava, a ação de Lula foi irrelevante.
MARTA SUPLICY – Individualmente, é a maior derrotada de 2008. Teve menos votos do que em 2004 nas duas etapas eleitorais e viu aumentar a sua rejeição. A frase “relaxa e goza”, em vez de esquecida, foi reavivada na memória do eleitor. Pior: sua campanha optou pela baixaria sem medo de ser feliz, ao fazer especulações sobre a vida privada do adversário — o que também manchou a sua biografia. Quando deu início à corrida, seu grupo político queria ver nela uma presidenciável. Hoje, os adversários torcem para que seja a candidata do PT ao governo de São Paulo. É preciso verificar até onde Marta não virou o Maluf dos petistas: basta ela se candidatar para eleger o adversário.
PT – Sim, perdeu. Embora quase todo mundo diga que ganhou. Tinha nove capitais, ficou com seis. Somadas, não chegam ao Orçamento ou à população de São Paulo, que ficou com o arqiinimigo DEM. Perdeu todas as capitais que disputou no segundo turno. Recuperar o governo de Porto Alegre era um ponto de honra. Dançou com uma diferença de 18 pontos. Cresceu muito nas pesquenas cidades em razão do bolsismo...
AÉCIO NEVES – Como??? Márcio Lacerda ganhou, Reinaldo!" É, mas o governador saiu do processo menor do que entrou, a despeito de sua impressionante capacidade de fazer malabarismos verbais repetidos pelo Partido dos Colunistas. Os solavancos da eleição em Belo Horizonte evidenciaram o artificialismo da aliança PSDB-PT. Longe de ser um exemplo para o Brasil, provou que é temerária até mesmo em Minas. O PSDB perdeu prefeituras no Estado em vez de ganhar. O exotismo eleitoral de BH fez Aécio passar por três fases:
A – “Aqui está a novidade do pós-Lula”;
B – “Admito que não deu certo”;
C – “Aqui está a novidade do pós-Lula” — de novo.
A última leitura, digamos, exótica que seu grupo espalha é que ele ajudou a destruir o PT de Minas. Excesso de malabarismo retórico deixa potenciais aliados um tanto assustados. Ademais, ajudou a fortalecer o PMDB.
CIRO GOMES – Também ele? Também ele. Lacerda, eleito em BH, é um aliado seu, claro, claro... Mas foi eleito pelas máquinas do PSDB e do PT. Ciro não tem nada com isso. Já em Fortaleza, onde ele tinha "tudo com isso", apostou suas fichas na ex-mulher, Patrícia Saboya. Ela não passou nem para o segundo turno.
DILMA ROUSSEFF – Jura, Reinaldo? Juro! Lembram-se da sua ida quase teatral para dar apoio à candidata do PT à Prefeitura de Curitiba, Gleisi Hoffmann? Pois é... Beto Richa se elegeu no primeiro turno com quase 80% dos votos. Depois Dilma decidiu declarar seu apoio decisivo à petista Maria do Rosário, em Porto Alegre. José Fogaça venceu por estratosféricos 18 pontos de diferença. Como a gente vê, Dilma não transfere o que nunca teve: votos.
GERALDO ALCKMIN – Era o candidato certo do PSDB ao governo de São Paulo. Mas decidiu apostar no confronto com o governador José Serra e sair candidato à Prefeitura, fazendo uma espécie de ponte com Minas. Começou o ano como favorito e não passou nem para o segundo turno. Agora, só será candidato se Serra concordar. Mas a fila, pouco importa o que digam todos os atores políticos, passou a ter um primeiro colocado: Kassab. Em política, não existe “jamais”.
SÉRGIO CABRAL – Apesar da vitória de Eduardo Paes, Sérgio Cabral não se saiu tão bem. Em política, o placar, se dilatado ou não, faz diferença, sim. O governador do Rio perdeu disputas importantes no interior do Estado e, por muito pouco, não vê uma espécie de movimento cívico vencer a eleição na capital, com Fernando Gabeira. A brutal abstenção pode ser um indicador de problemas. Mais: a campanha na capital, lamento muito, esteve longe de lustrar a civilidade política. O que poderia ser uma das disputas mais elevadas do país evoluiu para uma impressionante e decepcionante soma de baixarias. Até a última hora, até o último dia. A primeira aparição do governador e do prefeito eleito expressavam o excesso de excitação de quem havia passado um grande aperto — faltava comedimento. Cabral entrou no processo para se credenciar a ser vice de alguém. E eu acho que não se credenciou.
Ah, sim. O Chico Buarque também perdeu. Ele promete agora dar apoio a Raúl Castro se um dia houver eleições diretas em Cuba.
Glossário da Eleição 2008
Fonte: Blog do Noblat
Data: 27/10/2008
endereço: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
Aécio Neves - Vide Serra.
Baixaria - No início da campanha todos os candidatos a abominam. Do meio para o fim, ela costuma se impor. Em São Paulo, deu ensejo ao comercial de televisão de Marta Suplicy (PT) destinado a virar um clássico (“Ele é casado? Tem filhos?”). Foi decisiva em Belo Horizonte para que Márcio Lacerda (PSB) derrotasse Leonardo Quintão (PMDB).
Caixa 2 - Ou fizeram bem feito ou fizeram de menos. Ou então a imprensa não correu atrás.
Gabeira – Derrotado por míseros 55 mil votos, menos do que a lotação do Maracanã, ganhou a condição de o maior eleitor individual do Rio. Em 2010 pode disputar o governo ou o Senado. Fora ganhar, nada é melhor do que perder ganhando. É o caso dele.
Geddel Vieira Lima - Tirou do fundo do poço da rejeição o prefeito João Henrique (PMDB), de Salvador, e o reelegeu contra a vontade do governador Jaques Wagner (PT). O PMDB baiano emplacou 114 prefeitos e 554 vereadores contra 67 prefeitos e 357 vereadores do PT. Gedel ganhou um palanque no Estado para oferecê-lo em 2010 a quem preferir – Dilma Rousseff ou José Serra.
Lula - Saiu da eleição menor do que entrou. Entrou como um Midas, capaz de transformar em ouro tudo que tocasse. Não desempatou a eleição em favor de ninguém. Perdeu feio ao ceder ao apelo do fígado para derrotar em Natal a candidata do senador José Agripino Maia, líder do DEM. Ou em Parintins o cunhado do senador Arthur Virgílio Neto, líder do PSDB. Lula está para essa eleição como a Seleção Brasileira esteve para a Copa do Mundo de 2006: condenado a ganhar, não ganhou.
Máquina - Dos 3.357 prefeitos que concorreram à reeleição, 2.245 foram reeleitos no primeiro turno – ou 66,8% deles. É o maior índice desde 2000 quando pela primeira vez os prefeitos puderam se reeleger. A máquina administrativa é o maior trunfo de candidatos à reeleição - mas ela só decide a parada se seu piloto for bom e se os ventos soprarem a favor. A máquina se mexeu para eleger Serra presidente da República em 2002 - mas os ventos sopravam a favor de Lula. E a máquina vazava óleo por todos os lados.
Marqueteiro - De estrela de primeira grandeza passou a culpado pelo desempenho medíocre dos candidatos. Quem ganha eleição é o candidato. Quem perde é o marqueteiro. Geraldo Alckmin (PSDB) trocou de marqueteiro no meio do primeiro turno. E aí? Acabou em terceiro lugar. Maria do Rosário (PT) trocou no segundo turno – perdeu para José Fogaça (PMDB). O marqueteiro argentino de Márcio Lacerda ficou rouco de tanto aconselhá-lo a construir uma imagem própria. Foi demitido. Seu substituto seguiu a receita dele com rigor – Lacerda venceu.
Militância - Era barulhenta, colorida e de graça. Perdeu a cor. Barulho? Agora só com pagamento adiantado.
Palanque - Entenda-se como tal a montagem de coligações que assegurem um tempo razoável de propaganda no rádio e na televisão. Quem não teve palanque perdeu logo no primeiro turno. Marcelo Crivella (PR) não teve no Rio. Nem Jandira Feghali (PC do B). Em São Paulo, Alckmin não teve.
PMDB - O michê subiu. Quero dizer: o cachê aumentou. Dizia-se que sem o PMDB presidente algum governaria. É certo dizer que sem o PMDB dificilmente alguém se elegerá presidente em 2010. Foi o partido que mais elegeu prefeitos e vereadores.
Poste – O mais ilustre deles, Márcio Lacerda, penou para se eleger prefeito de Belo Horizonte. Só conseguiu porque no segundo turno foi menos poste, a depender da luz emanada por Aécio (PSDB) e Fernando Pimentel (PT), e mais candidato. Kassab foi um poste que acendia. Poste autêntico foi João do Poste (ou melhor: João da Costa), eleito prefeito do Recife por obra e graça do prefeito João Paulo (PT).
PT - Não perdeu. Para compensar não ganhou. Aumentou seu time de prefeitos e de vereadores, é fato. Ficou de fora da festa nos maiores colégios eleitorais do país. Obteve um resultado muito aquém da sua ambição.
Serra - Sai da eleição maior do que entrou. Entrou na condição de possível candidato a uma derrota para Alckmin, que se lançou à revelia dele e como um enclave em São Paulo da candidatura de Aécio à sucessão de Lula. Serra derrotou Alckmin, Aécio e Marta. E elegeu Kassab. Foi um craque improvável, assim como é Obina no Flamengo.
Data: 27/10/2008
endereço: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/
Aécio Neves - Vide Serra.
Baixaria - No início da campanha todos os candidatos a abominam. Do meio para o fim, ela costuma se impor. Em São Paulo, deu ensejo ao comercial de televisão de Marta Suplicy (PT) destinado a virar um clássico (“Ele é casado? Tem filhos?”). Foi decisiva em Belo Horizonte para que Márcio Lacerda (PSB) derrotasse Leonardo Quintão (PMDB).
Caixa 2 - Ou fizeram bem feito ou fizeram de menos. Ou então a imprensa não correu atrás.
Gabeira – Derrotado por míseros 55 mil votos, menos do que a lotação do Maracanã, ganhou a condição de o maior eleitor individual do Rio. Em 2010 pode disputar o governo ou o Senado. Fora ganhar, nada é melhor do que perder ganhando. É o caso dele.
Geddel Vieira Lima - Tirou do fundo do poço da rejeição o prefeito João Henrique (PMDB), de Salvador, e o reelegeu contra a vontade do governador Jaques Wagner (PT). O PMDB baiano emplacou 114 prefeitos e 554 vereadores contra 67 prefeitos e 357 vereadores do PT. Gedel ganhou um palanque no Estado para oferecê-lo em 2010 a quem preferir – Dilma Rousseff ou José Serra.
Lula - Saiu da eleição menor do que entrou. Entrou como um Midas, capaz de transformar em ouro tudo que tocasse. Não desempatou a eleição em favor de ninguém. Perdeu feio ao ceder ao apelo do fígado para derrotar em Natal a candidata do senador José Agripino Maia, líder do DEM. Ou em Parintins o cunhado do senador Arthur Virgílio Neto, líder do PSDB. Lula está para essa eleição como a Seleção Brasileira esteve para a Copa do Mundo de 2006: condenado a ganhar, não ganhou.
Máquina - Dos 3.357 prefeitos que concorreram à reeleição, 2.245 foram reeleitos no primeiro turno – ou 66,8% deles. É o maior índice desde 2000 quando pela primeira vez os prefeitos puderam se reeleger. A máquina administrativa é o maior trunfo de candidatos à reeleição - mas ela só decide a parada se seu piloto for bom e se os ventos soprarem a favor. A máquina se mexeu para eleger Serra presidente da República em 2002 - mas os ventos sopravam a favor de Lula. E a máquina vazava óleo por todos os lados.
Marqueteiro - De estrela de primeira grandeza passou a culpado pelo desempenho medíocre dos candidatos. Quem ganha eleição é o candidato. Quem perde é o marqueteiro. Geraldo Alckmin (PSDB) trocou de marqueteiro no meio do primeiro turno. E aí? Acabou em terceiro lugar. Maria do Rosário (PT) trocou no segundo turno – perdeu para José Fogaça (PMDB). O marqueteiro argentino de Márcio Lacerda ficou rouco de tanto aconselhá-lo a construir uma imagem própria. Foi demitido. Seu substituto seguiu a receita dele com rigor – Lacerda venceu.
Militância - Era barulhenta, colorida e de graça. Perdeu a cor. Barulho? Agora só com pagamento adiantado.
Palanque - Entenda-se como tal a montagem de coligações que assegurem um tempo razoável de propaganda no rádio e na televisão. Quem não teve palanque perdeu logo no primeiro turno. Marcelo Crivella (PR) não teve no Rio. Nem Jandira Feghali (PC do B). Em São Paulo, Alckmin não teve.
PMDB - O michê subiu. Quero dizer: o cachê aumentou. Dizia-se que sem o PMDB presidente algum governaria. É certo dizer que sem o PMDB dificilmente alguém se elegerá presidente em 2010. Foi o partido que mais elegeu prefeitos e vereadores.
Poste – O mais ilustre deles, Márcio Lacerda, penou para se eleger prefeito de Belo Horizonte. Só conseguiu porque no segundo turno foi menos poste, a depender da luz emanada por Aécio (PSDB) e Fernando Pimentel (PT), e mais candidato. Kassab foi um poste que acendia. Poste autêntico foi João do Poste (ou melhor: João da Costa), eleito prefeito do Recife por obra e graça do prefeito João Paulo (PT).
PT - Não perdeu. Para compensar não ganhou. Aumentou seu time de prefeitos e de vereadores, é fato. Ficou de fora da festa nos maiores colégios eleitorais do país. Obteve um resultado muito aquém da sua ambição.
Serra - Sai da eleição maior do que entrou. Entrou na condição de possível candidato a uma derrota para Alckmin, que se lançou à revelia dele e como um enclave em São Paulo da candidatura de Aécio à sucessão de Lula. Serra derrotou Alckmin, Aécio e Marta. E elegeu Kassab. Foi um craque improvável, assim como é Obina no Flamengo.
sexta-feira, outubro 24, 2008
Mulheres Poderosas (Parte 1)


Dentre as mulheres mais importantes da política brasileira estão Marta Suplicy e Dilma Roussef, Ministra Chefe da Casa Civil.
Para não pensarmos que tudo está perdido, preparei um post em que poderemos conhecer outras figuras interessantes da política mundial. Esqueçam porque não incluirei Sarah Palin, a candidata a vice na chapa de MacCain. Leiam os posts abaixo e conheçam figuras femininas bem interessantes!
Assinar:
Postagens (Atom)