segunda-feira, agosto 17, 2009

Querem saber o segredo de Sarney? Eu vou contar!

Que vida estranha tenho levado nos últimos meses... muito boa, mas bastante estranha! Trabalho incansavelmente, mas volta e meia eu paro para tentar escrever coisas interessantes neste blog. Vocês sabem: a proposta é tratar de política, economia e afins sem parecer muito chato, ainda que conseguir este objetivo as vezes é difícil.

Estava tentando escrever algo sobre Sarney e seu discurso ligeiramente bobo, para não dizer outra coisa, para uma platéia de... bobos. Já sei... o leitor vai dizer: “hei... bobos somos nós que votamos nessa canalha!” Mas considerando que os bobos eram aqueles membros da corte que diziam tolices para divertir as pessoas e relendo o discurso tolo do presidente do Senado, até que a palavra bobo lhes convém.

Permaneço com as saudades daquela oratória carregada de enfeites que antigos senadores utilizavam para defender as suas idéias. Não que eu as tenha visto, mas cheguei a ler vários discursos interessantes proferidos daquela tribuna.

Vou contar uma história capciosa: quando trabalhava como aprendiz na Câmara Municipal de uma cidade do interior paulista um vereador (cujo nome não me lembro) disse numa roda de conversas, em meio ao plenário, que havia votado a favor de uma matéria porque uma empresa, cujo dono era seu amigo de longa data, lhe pedira ajuda para aprovar a tal matéria. O curioso é que ele dizia com total naturalidade que recebera um “apoio” da empresa e que ele precisava fazer aquilo “para poder terminar minha casinha!”.

Lembrei-me bem daquele episódio quando o presidente do Senado disse que não se deve negar um favor a uma neta! Observem que o conceito de público, como aquilo que é de todos, transforma-se rapidamente “naquilo que não é de ninguém” e, portanto, a relação privada, seja ela familiar ou de amizade, sobrepõe-se rapidamente ao interesse coletivo. Que se lixe (usando uma expressão de um deputado) a opinião pública! O que importa é a minha Netinha!

Pois bem, em qualquer sociedade desenvolvida, toda a pantomima do discurso de Sarney, os acordos entre situação e oposição, os telhados de vidro de todos os integrantes do Senado, a esculhambação da casa legislativa mais importante do país, enfim, qualquer mísero ato secreto para defesa de interesses pessoais com dinheiro público, já seria suficiente para levar centenas de milhares às ruas, obcecadas em defender o patrimônio público, a ética e a decência na política. Na Ásia uma meia dúzia de senadores já teria cometido suicídio em frente às câmeras... eu disse câmera e não Câmara... bem, mas daí, tanto faz!

O fato é que existe um “segredo” que faz com que Sarney resista bravamente no cargo de presidente do Senado. Este “segredo” eu vou contar! É que com toda a sua experiência, todo o domínio dos meios de comunicação de seu estado (seria Acre ou Maranhão?) e toda a fonte de informações que possui, incluindo pesquisas eleitorais e de imagem, adivinhem qual é a conclusão que o presidente do Senado chegou? Ora, caros leitores, a conclusão é óbvia: para os eleitores de seu estado não faz a menor diferença o escândalo dos Atos Secretos! Isso mesmo, seus eleitores não entendem muito bem o que são os atos secretos, conseguem mais ou menos saber que existe uma crise que envolve o ex-presidente, mas que não passa de uma campanha da imprensa contra o herói da Academia Brasileira de Letras! E só!

Portanto, se eu fosse Sarney faria exatamente o que ele tem feito: se agarrar à cadeira. O ex-presidente não é só bom de atos secretos, ele também é bom em fazer política.

quarta-feira, agosto 05, 2009

De Olho no Discurso de Sarney

Se estiverem em quarentena por conta da gripe A e tiverem TV a cabo, aproveitem a tarde para assistir o discurso de Sarney no Senado. Ele tentará se defender das acusações que vem sofrendo e o programa pode ser quase didático para aprenderem mais sobre o funcionamento da política e como os discursos são trabalhados.

Existem verdadeiros monumentos históricos construídos com palavras, fundamentais eu diria, proferidos a partir das tribunas daquela Casa. Nenhuma relação com o debate entre Pedro Simon e Fernando Esbugalhando os Olhos Collor que ocorreu esses dias.

Portanto, observem o nível deste, pois ele refletirá exatamente o nível do Senado. É um passo para concluir por si mesmos, sem a influência da imprensa, em que nível se encontra a Casa Legislativa mais importante do país, aquela cujos membros deveriam ser figuras ilibadas, irrepreensívas, formadoras do caráter político nacional, reconhecidos pelo alto nível dos debates, pelas honrosas proposições e pelas decisões legislativas de maior interesse do Estado brasileiro.

Façam o exercício. Garanto que será, no mínimo, curioso!

terça-feira, agosto 04, 2009

Sarney diz que fica e tropa de choque ameaça oposição com dossiê

Enquanto não encontro tempo para escrever, ao menos estou "postando" matérias relevantes sobre a crise no Senado.

Fonte: Portal do Estadão
Data: 03/08/2009
Texto: Eugênia Lopes e Vera Rosa

"Apoiados pelo Palácio do Planalto, os aliados do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cumpriram à risca a estratégia montada na semana passada e voltaram do recesso acuando a oposição, que pede sua renúncia do cargo. O próprio Sarney, após indicar para aliados e familiares, na semana passada, que iria renunciar, ontem mudou de ideia, reforçou a corrente de resistência da tropa de choque e negou que vá deixar o cargo. "Isso não existe, isso não existe", repetiu, ao deixar o plenário.

Na sessão, os aliados de Sarney revelaram abertamente que preparam "dossiês" sobre senadores da oposição. Também "vazaram" denúncias de irregularidades praticadas por desafetos do presidente da Casa. "Eu peguei todos os atos. Xeroquei do original. Tem a assinatura de cada um dos líderes lá avalizando as atitudes tomadas pelo presidente. Eu tenho os documentos", avisou Wellington Salgado (PMDB-MG), da tropa de Sarney, em plenário.

Pelo raciocínio do grupo, se ele cair, não será sozinho. A senha para o ataque foi o discurso do senador Pedro Simon (PMDB-RS), que pediu a renúncia de Sarney da presidência. Liderada por Renan Calheiros (PMDB-AL), a reação contou com a adesão de Fernando Collor (PTB-AL), que reeditou o estilo "bateu levou", da época em que presidiu o Brasil, entre 1990 e 1992, antes de ser alvo de processo de impeachment e ter o mandato cassado.

Momentos antes de o clima de beligerância tomar conta do plenário, Sarney saiu e se recolheu a seu gabinete. "Estou com um espírito muito bom. Nunca deixei de estar confiante", afirmou, ao ser indagado se estava tranquilo para enfrentar os 11 pedidos de investigação protocolados no Conselho de Ética. Desde que assumiu, em fevereiro, Sarney vem sendo alvo de denúncias que envolvem emprego de familiares, uso de atos secretos no Senado e desvios da fundação que leva seu nome. Os aliados passaram o início da tarde tentando pôr panos quentes na crise e refutando a hipótese de renúncia. "Isso aqui não é como time de futebol, que troca de técnico a toda hora", disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). "Não existe possibilidade de renunciar", emendou Salgado. Ao ser indagado sobre a nota do PMDB, divulgada anteontem, que aconselhou os dissidentes a saírem da legenda, em uma referência a Simon e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Jucá tentou amainar a crise. "Se estamos trabalhando para desidratar a crise, não há como jogar mais combustão", disse.

A decisão do Palácio do Planalto de apoiar Sarney foi tomada com base na certeza de que, se ele cair agora, a derrota será debitada pelo PMDB na conta do PT. O argumento é que o senador pode até não resistir à guerra e renunciar ao cargo, mas não é inteligente o PT empurrá-lo para o abismo. Ao contrário, trata-se, no diagnóstico do governo, de "tática suicida".Na tentativa de baixar a temperatura da crise, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, reuniu ontem para jantar os senadores Renan, Aloizio Mercadante (PT-SP), Gim Argello (PTB), Jucá, Ideli Salvatti (PT-SC) e o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP). A mesa era a expressão das divergências na base aliada. Berzoini criticou em tom duro a nota divulgada na semana retrasada por Mercadante pedindo o afastamento de Sarney.

LEGISLATIVO EM CRISE

10/6: Estado revela que Senado acumula mais de 300 atos secretos . Parentes de políticos, como o presidente José Sarney, se beneficiam.

23/6: Sob pressão, Sarney demite dois diretores do Senado: Alexandre Gazineo e Ralph Siqueira.

25/7: Estado revela que José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador, opera crédito consignado na Casa.

3/7/2009: Estado informa que Sarney ocultou casa de R$ 4 milhões, em Brasília, da Justiça Eleitoral.

9/7: Estado revela que Fundação José Sarney, em São Luís, desviou R$ 500 mil de verba da Petrobrás.

10/7: Polícia Federal instaura inquérito para investigar os atos secretos.

13/7: Ministério Público decide investigar desvio na Fundação Sarney.

15/7: Fernando Sarney, filho do senador, é indiciado pela PF por lavagem e formação de quadrilha.

21/7: Conversas gravadas pela PF e reveladas pelo Estado mostram o senador articulando a contratação, por meio de ato secreto, de um namorado da neta, Bia.

28/7: Ministério Público reprova contas da Fundação Sarney e decide intervir na entidade.

30/7: Liminar do desembargador Dácio Vieira, próximo do clã Sarney, proíbe Estado de noticiar investigação contra Fernando Sarney."

sexta-feira, julho 31, 2009

Justiça censura Estado e proíbe informações sobre Sarney

Fonte: Portal do Estadão
Data: 31/07/2009

BRASÍLIA - O desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), proibiu o jornal o Estado de S. Paulo e o portal Estadão de publicar reportagens que contenham informações da Operação Faktor, mais conhecida como Boi Barrica. O recurso judicial, que pôs o Estado sob censura, foi feito pelo empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O pedido chegou ao desembargador na quinta-feira, no fim do dia. E na manhã desta sexta-feira, 31, a liminar havia sido concedida. A decisão determina que o Estado não publique mais informações sobre a investigação da Polícia Federal e proíbe os demais veículos de comunicação - emissoras de rádio e televisão, além de jornais de todo o País - de utilizarem ou citarem material publicado pelo Estado.

Em caso de descumprimento, o desembargador Dácio Vieira determinou aplicação de multa de R$ 150 mil por "cada ato de violação do presente comando judicial", isto é, para cada reportagem publicada. O pedido inicial de Fernando Sarney era para que fosse aplicada multa de R$ 300 mil.

O advogado do Grupo Estado, Manuel Alceu Afonso Ferreira, vai recorrer da decisão. "Há um valor constitucional maior, que é o da liberdade de imprensa, principalmente quando esta liberdade se dá em benefício do interesse público", observou Manuel Alceu. "O jornal tomará as medidas cabíveis."

O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, afirmou que a medida não mudará a conduta do jornal. "O Estado não se intimidará, como nunca em sua história se intimidou. Respeita os parâmetros da lei, mas utiliza métodos jornalísticos lícitos e éticos para levar informações de interesse público à sociedade", disse.

Diálogos íntimos

Os advogados do empresário afirmam que o Grupo Estado praticou crime ao publicar trechos das conversas telefônicas gravadas na operação com autorização judicial e alegaram que a divulgação de dados das investigações fere a honra da família Sarney.

"Uma enxurrada de diálogos íntimos, travados entre membros da família, veio à tona da forma como a reportagem bem entendeu e quis. A partir daí, em se tratando de família da mais alta notoriedade, nem é preciso muito esforço para entender que os demais meios de comunicação deram especial atenção ao assunto, ‘leiloando’ a honra, a intimidade, a privacidade, enfim, aviltando o direito de personalidade de toda a família Sarney", argumentaram os advogados que assinam a ação - Marcelo Leal de Lima Oliveira, Benedito Cerezzo Pereira Filho e Janaína Castro de Carvalho Kalume, todos do escritório de Eduardo Ferrão.

As gravações revelaram ligações do presidente do Senado com a contratação de parentes por meio de atos secretos. A decisão faz com que o portal Estadão seja obrigado a suspender a veiculação dos arquivos de áudio relacionados à operação.

sábado, julho 04, 2009

Novos mísseis são provocação da Coreia do Norte, condena UE

Olá pessoal, faz tempo que estou interessado em colocar este tema para discussão. Vou iniciar publicando algumas notícias sobre a crise com a Coréia do Norte e depois eu desenvolvo o pensamento!

Título da matéria: Novos mísseis são provocação da Coreia do Norte, condena UE
Fonte: Portal do Estadão
Texto: Agência EFE

"Regime comunista lançou sete mísseis em direção ao Mar do Japão neste sábado; Rússia e China pedem calma.

BRUXELAS - A União Europeia (UE) condenou o governo da Coreia do Norte neste sábado, 4, afirmando que o lançamento de sete mísseis é uma "provocação" do regime comunista. A afirmação foi feita pelo escritório do alto representante para Política Externa e Segurança Comum do bloco, Javier Solana.

"A UE condena o lançamento de mísseis, considera uma provocação e exige que a Coreia do Norte volte à mesa de negociações", disse a porta-voz de Solana, Cristina Gallach. Também neste sábado, o ministro das relações exteriores russo afirmou que Rússia e China pedem calma na região. A Rússia quer que o governo da Coreia do Norte volta a negociar.

Neste sábado, a Coreia do Norte realizou seu sétimo teste de um míssil balístico, após ter lançado outros seis de curto alcance em direção ao Mar do Leste (Mar do Japão). O sétimo lançamento ocorreu às 17h40 locais (5h40 de Brasília), segundo o Ministério da Defesa sul-coreano.

As autoridades sul-coreanas dizem que estão investigando os testes norte-coreanos para determinar as intenções do regime comunista e o tipo exato de mísseis lançados, que parecem ter caído no Mar do Leste sem causar danos.

O governo sul-coreano suspeita de que todos sejam mísseis de curto alcance do tipo Scud, que podem cobrir uma maior distância - entre 400 e 500 km -, apesar de tecnicamente continuarem sendo considerados como projéteis de curto alcance. No entanto, não descartam que se tratem de projéteis Rodong, um tipo de Scud melhorado.

Os mísseis Rodong podem alcançar uma distância entre 1.000 e 1.400 km, mas teriam de ser modificados especialmente para a realização deste teste, com o objetivo de cair antes, segundo a Yonhap.

Se forem realmente mísseis Scud, considerados mais perigosos por Seul, será a primeira vez que a Coreia do Norte lança projéteis deste tipo desde julho de 2006, meses antes de seu primeiro teste nuclear.

Os lançamentos ocorrem dois dias depois de a Coreia do Norte ter disparado dois mísseis de curto alcance também de sua costa leste, em direção ao Mar do Japão, e coincide com o Dia da Independência dos Estados Unidos, comemorado em 4 de julho."

terça-feira, junho 16, 2009

A Vassalagem Moral ou o Nada, que é.

Em minha promessa de retorno estou tentando reescrever um texto que publiquei há bastante tempo chamado Vassalagem Moral. Não que eu queira requentar os posts, mas acontece que estava refletindo sobre algumas coisas que me levavam invariavelmente para este tema; o da vassalagem. Os vassalos morais são essas figuras que se conformam com tudo, são os preguiçosos intelectuais ou mesmo os preguiçosos circenses, aqueles espalhafatosos que dão chicotadas em frente ao público enquanto bichinhos correm, pulam, fazem malabarismos e recebem aplausos que sabem que não são para eles. Tem muita gente assim. O Vassalo Moral, por definição, é um ser amoral. Reparem: amoral e não imoral. Tem muita diferença. Li ontem um texto interessante do jornalista Ari Cunha, que escreve no Correio Braziliense, que tomo a liberdade de reproduzir.

"Conta a história que um navio atingido na 2ª Guerra o Comandante citou pensamento pessoal com esta frase: “O oceano é a única sepultura digna de um almirante batavo”.

Outro fato diz respeito ao encouraçado Graf Spee, da marinha alemã. O navio aportara no Uruguai, neutro. A esquadra inglesa estava no mar esperando para afundá-lo. O governo uruguaio deu guarida por dias, dentro da lei. E obrigou o comandante Langsdorff a levantar ferros. O almirante comandante deixou em Montevidéu os tripulantes doentes. E zarpou para alto mar. Antes de a esquadra inglesa atirar, o navio alemão, por ordens do seu comandante, explodiu de forma a não ficar um único sobrevivente. A foto do almirante Langsdorff está hoje na porta do almirantado inglês como homenagem à sua bravura."

Perceberam a diferença? O exemplo?

Quando eu era uma criança meu pai dizia que minha irmã caçula, com seus 3 ou 4 aninhos, sofria de Gota, porque, segundo ele, ela era muito “Gotósa”! Apesar de infame, é claro que eu achava aquilo engraçado e me lembrei dessa frase da infância porque li esses dias que na maioria dos casos, o primeiro sintoma da Gota (doença provocada pela elevação de ácido úrico no sangue) é, juro (eu li mesmo!), dor no dedão do pé! Interessante estes casos de sintomas e patologias. A Agência EFE de notícias publicou uma matéria sobre os dependentes da Internet e dos Celulares. “Seus dependentes possuem os mesmos sintomas que os de qualquer outro grupo: síndrome de abstinência, insônia, falta de apetite, dependência e uma necessidade compulsiva de se conectar à rede para acalmar a ansiedade.” Até mesmo o som do modem ou do celular pode provocar nesses dependentes taquicardia. Não quero me desfazer da relevância do tema, mas como sou uma pessoa imagética não pude deixar de visualizar um adolescente manifestando excessos de alegria ao toque do celular.

Também já li sobre um terapeuta que tratava do interessante caso de uma mulher que tinha orgasmos sempre que escovava os dentes. Psicólogos da Escola Paulista de Medicina publicaram um artigo no ano 2000 em que descreviam e analisavam novas patologias que estavam chegando até o Hospital São Paulo, as quais eram as tradicionais formas de desorganização psíquica, porém influenciadas pela Era da Informação, tais como as queixas do tipo “Estão escaneando minha mente.” ou “O movimento do mouse move minha cabeça e minha vagina.”

Não tenho a pretensão de me meter em assunto que não domino e por isso prefiro escrever sobre uma outra patologia moderna, a qual eu posso citar sem medo: a Vassalagem Moral. Há alguns anos eu li uma filósofa espanhola escrever sobre o tema e a idéia era mais ou menos esta: atitudes morais típicas de instituições políticas próprias de períodos históricos anteriores ao nosso, como o feudalismo e o despotismo, estão assombrosamente extendidas e reproduzidas na história contemporânea.

Com efeito, sabemos que a vassalagem era própria dos regimes feudais e consistia em uma relação de dependência e de fidelidade do vassalo para com seu Senhor. Essa figura do vassalo foi substituída pela do súdito, que era o sujeito que vivia sob a autoridade de um monarca. Ambos — vassalos e súditos — permaneciam submetidos à autoridade seja de seu Senhor, seja de seu Rei.

Nas democracias, como forma de organização política moderna, não se pode pactuar com a distinção entre senhor e vassalo, entre soberano e súdito, pois todos os membros das comunidades políticas são cidadãos iguais, submetidos exclusivamente ao império da lei. Dessa forma, a transição do vassalo para o súdito foi seguida da transição do súdito para o cidadão. Curiosamente, no entanto, a cidadania política não foi sucedida pela cidadania moral, a qual consistiria em assumir, como pessoa, a sua própria autonomia. Seria então moralmente vassalo aquele indivíduo que para criar um juízo moral entende ser necessário tomar de uma ou mais pessoas os juízos destas. Em outras palavras, o vassalo moral não possui capacidade para criar seus juízos morais próprios e assim prefere ser regido pelos outros que determinam este ou aquele tipo de comportamento.

É certo que não se defende a tese esdrúxula de que uma pessoa deva, absolutamente sozinha, definir suas idéias sem que haja influências de outrem. É mais do que saudável recorrer aos mais experientes, aos bons livros e demais pessoas de nossa confiança, seja intelectual ou pessoal, para que um conjunto de idéias possam “nascer” ou mesmo se transformar a partir dos filtros cognitivos que as pessoas, com espírito crítico e capacitadas para entender o universo em que vivem, podem possuir e/ou desenvolver.

O problema está no fato de que não pensar em nada ou simplesmente reproduzir cegamente as informações que chegam aos nossos ouvidos é bem mais cômodo do que ter que fazer aquela coisa chata de refletir sobre algo. Vejam que inconvenientes aqueles que protestam contra Ahmadinejad no Irã. Que coisa chata e pegajosa. Muito melhor é “desencanar” da política e deixar as coisas como elas são. Muita gente já faz assim! Muitos alunos também. Principalmente aqueles que reclamam quando um professor encomenda uma leitura de 15 páginas para a próxima aula. É inacreditável.

Pois a Vassalagem Moral é esta doença que se espalha mais do que a Influenza, que mata lentamente e em proporções maiores do que os corpos que sucumbiram à espada de Teerã; é a pandemia que acomete a nova geração que vem chegando para ocupar os bancos das faculdades e universidades, enfim, é a possibilidade da não existência ou (sem querer entrar na discussão filosófica do existencialismo de Sartre e muito menos subverter sua lógica) o nada, sendo.

quarta-feira, junho 10, 2009

Que Vergonha...

Se meu salário estivesse vinculado à minha produção de posts para este blog eu estaria na rua da amargura!!!!
Tentarei voltar na próxima semana... juro!!!

quarta-feira, abril 29, 2009

Crianças Soldado (Parte II)


Para quem não leu a Parte I, recomendo iniciar por ela.


“Dezenas de milhares de menores-meninas, em particular, se tornam praticamente invisíveis durante o processo de desmobilização e reintegração, Não é que suas necessidades e vulnerabilidade não se reconhecem, é simplesmente que não se aplicam as lições aprendidas e isso é o que está prejudicando a estes meninos e meninas e seu futuro”[1].



Em muitos paises se estabeleceram programas de Desarme, Desmobilização e Reintegração (DDR) específicos para crianças soldados, tanto durante o conflito armado como ao fim deste, o que tem ajudado ex crianças soldados a adquirirem novas habilidades e regressarem a suas comunidades. No entanto, esses programas necessitam mais fundos, recursos adequados e investimentos em longo prazo, além de mais alternativas de atuação. Eles precisam ser mais eficazes, principalmente, no que diz respeito às meninas que, como já foi dito, não são identificadas e não figuram nos programas de DDR, apesar de ser bem conhecida a presença delas nas forças de combate, como combatentes e não-combatentes, e como vítimas de escravidão sexual, violação e outras formas de violência.


Na Libéria, onde o programa de DDR finalizou aos finais de 2004, só um pouco mais da quarta parte das 11.000 meninas que estiveram associadas com as forças combatentes, figuravam no programa oficial de DDR.

Neste caso, como em tantos outros, milhares de meninas regressaram às suas comunidades de maneira informal, sem que fossem atendidas suas complexas necessidades médicas, psicossociais e econômicas. Várias questões devem ser tratadas na hora de desmobilizarem as crianças. A verificação da participação da criança no conflito armado, a recolha de informações fundamentais para estabelecer a identidade da criança, a busca de suas famílias, e o amparo para que ela se sinta segura e tenha conhecimento do que está sendo feito para ajudá-la são passos fundamentais de organizações que se encarregam da DDR.


Entre os elementos da reintegração se encontra a reunificação familiar, o acesso à educação e à formação, o desenvolvimento de estratégias apropriadas para o apoio econômico e do dia-a-dia e, em alguns casos, a prestação de apoio psicossocial.

Conforme consta no Protocolo facultativo sobre a participação de crianças em conflitos armados, é tarefa do programa de Desarme, Desmobilização e Reintegração[2]:

1) Prestar apoio aos programas de desmobilização e reintegração para as crianças ex combatentes em cooperação com os funcionários governamentais, os organismos das Nações Unidas e as organizações de proteção da infância que tenham conhecimentos técnicos e experiência nesta esfera.

2) Assegurar que os programas para desmobilização e reintegração das crianças soldados abordem as necessidades e direitos específicos das crianças, entre eles o apoio psicossocial, a educação, o ensino de atitudes para uma vida prática e a formação profissional.

3) Aderir lições aprendidas de outros paises sobre programas de desarme, desmobilização e reintegração de crianças soldados e compartilhar esta informação com outros organismos de proteção da infância para a criação de novos programas.

4) Contar com a participação das crianças na planificação dos programas de desarme, desmobilização e reintegração, para assegurar que sejam levado em conta seus pontos de vista.

O Informe também acentua o fato de que as pessoas encarregadas de traçar e implementar os programas de DDR geralmente fazem caso omisso das boas práticas acumuladas ao longo dos últimos anos, no que diz respeito à libertação as crianças das filas de forças combatentes e de assisti-las em sua reabilitação e reintegração. Raras vezes se dispõe de financiamento seguro para apoiar, em longo prazo, crianças que tenham sido soldados.


Na República Democrática do Congo, por exemplo, um financiamento com atraso, combinada com uma má planificação e má gestão do programa de DDR, se traduziu em que uns 14.000 ex-crianças soldados tenham sido excluídos do apoio à reintegração.

O persistente recrutamento militar de menores em tempos de paz está colocando obstáculos no progresso para uma norma global que proíba o recrutamento militar ou a utilização de menores em hostilidades. Pelo menos 63 governos – entre eles o britânico e o estadunidense – permitem o recrutamento voluntário de adolescentes de 16 e 17 anos, apesar de que em muitos desses paises a idade adulta só é alcançada aos 18 anos, o que põe em dúvida o compromisso, que muitos deles declaram, de serem protetores da infância. Os recrutas, frequentemente de famílias pobres, que são considerados demasiado jovens para votarem ou comprarem bebidas alcoólicas são submetidos a disciplina militar e a atividades perigosas e ficam constantemente expostos a abusos.


Segundo o Global Report 2008, as forças governamentais utilizaram menores em nove situações de conflito armado, somente uma a menos das 10 documentadas em 2004. Mianmar segue sendo o governo mais persistente nesta prática. Em suas forças armadas, implicadas em operações contra grupos étnicos armados havia milhares de menores, alguns inclusive de 11 anos de idade. Também se serviram de menores as forças governamentais de Chade, República Democrática do Congo, Somália, Uganda e Iêmen. As forças de defesa de Israel utilizaram também meninos e meninas como escudos humanos em varias ocasiões, e, até meados de 2005, as forças britânicas utilizaram vários menores no Iraque.

[1] Dra Forbes Adam, diretora da Coalizão para acabar com o uso de crianças soldados.
[2] Guia del Protocolo Facultativo sobre la participación de niños y ninas em los conflitos armados. http://www.unicef.org/


Suzanna Rosas (especial para o blog)


Nota do Editor: O documento acima não consta, porém vale lembrar que durante o último conflito entre Israel e o Hamas, na Faixa de Gaza, os combatentes do Hamas lançaram centenas de mísseis contra o território israelense a partir de telhados de creches e escolas infantis, pois tinham o conhecimento de que os radares de defesa inimigos detectariam as pequenas bases de lançamento e bombardeariam tais locais. Dessa forma, a contabilidade de crianças mortas no conflito foi assustadora e seu uso militar indireto, uma vez que a guerra é feita, também, de propaganda, forneceu apoio internacional ao Hamas e duras críticas à desproporcionalidade da força militar de Israel. Como podemos observar, existem outras formas de utilização de crianças nas guerras, as quais deverão ser melhor investigadas pela imprensa.

quinta-feira, abril 23, 2009

Crianças Soldado (Parte I)


“Me deram um uniforme e me disseram que já formava parte do exército. Até me deram um nome: “Pisco”. Disseram que voltariam e matariam meus pais se eu não fizesse o que eles me diziam”
(Notas de uma entrevista com um menino soldado de 17 anos em 2006.)

O uso de crianças soldados em exércitos e grupos militares vem, nos últimos anos, tornando-se cada vez mais visível às comunidades internacionais, que passaram a se encarregar do conhecimento real dessa questão. Muitas organizações dedicaram seus últimos anos ao estudo das crianças soldados e uma, em especial, foi criada exclusivamente para tratar do problema. É a “Coalizão internacional para acabar com o uso de crianças soldados”, formada em maio de 1998 por organizações humanitárias internacionais, que se organiza em redes regionais e nacionais na África, Ásia, Europa, América Latina e Médio Oriente.[1]


Nos últimos nove anos a Coalizão Internacional tem trabalhado em colaboração com outras organizações para estabelecer frentes nacionais em outras tantas regiões do mundo. Ela promove, a cada três anos, a revista Child Soldiers Global Report, que traz dados sobre o recrutamento e uso de crianças em conflitos em 190 países, dentro de exércitos ou de grupos armados não estatais (em tempos de guerra ou paz), além de informações sobre desmobilização e programas de reintegração existentes.

Baseada nos “Princípios da Cidade do Cabo”, de 1997, a UNICEF define “crianças soldados” como qualquer criança (do sexo feminino ou masculino), com menos de 18 anos que faça parte, em quaisquer condições, de qualquer espécie de grupo ou força armada, regular ou irregular. Isto inclui cozinheiros, carregadores, mensageiros e quem quer que acompanhe esses grupos em outra condição que não a de membro da família, mas não se limita a essas funções. Ela inclui meninas ou meninos recrutados para serviços sexuais forçados e/ou casamento forçado. Esta definição não se restringe às crianças armadas ou que tenham portado armas.[2]


Segundo o Global Report 2008, 24 países espalhados pelo mundo apresentaram evidências concretas da utilização de crianças em grupos armados (ver tabela 1). As vítimas são tiradas forçosamente de seus lares e, não raras vezes, são obrigadas a atirar contra suas próprias famílias. Desconhece-se o número exato de crianças soldados, já que a dinâmica incerta e vulnerável das regiões conflituosas dificulta a contagem exata; mas atuais estimativas da UNICEF falam de, aproximadamente, 250 mil crianças soldados, menos que as estimativas anteriores, de 300 mil.[3] Estas crianças são utilizadas como combatentes, mensageiras, espiãs, transportadoras ou cozinheiras, e as meninas são, com freqüência, exploradas sexualmente e privadas dos seus direitos.

Tabela 1. Países onde houve crianças soldados em grupos armados não estatais.

* Afeganistão
* Butão
* Burundi
* República Centro-Africana
* Chade
* Colômbia
* Costa do Marfim
* República Democrática do Congo
* Índia
* Indonésia
* Iraque
* Israel/ Território Palestino Ocupado
* Líbano
* Mianmar
* Nepal
* Nigéria
* Paquistão
* Filipinas
* Somália
* Sri Lanka
* Sudão
* Tailândia
* Uganda
Fonte: Child Soldiers Global Report 2008, p. 24

Muitas das crianças que não morrem nos conflitos armados, acabam por ferir-se durante os combates. A elas são designadas tarefas extremamente brutais e perigosas, como colocar minas ou explosivos em terrenos, manejar armas etc. Elas são tratadas com crueldade, são golpeadas e humilhadas; os castigos que sofrem por cometerem erros ou desertarem são, com freqüência, muito severos.


Além disso, as crianças soldados vivem em condições extremamente difíceis, com uma alimentação escassa e praticamente nenhum acesso aos serviços de saúde ou a remédios e, desde muito cedo, são privadas de valores humanos elementares e à educação. As meninas soldados, em especial, além de participarem em combates e realizarem outras tarefas, correm o risco de serem violadas ou sofrerem agressões ou abusos sexuais.


A guerra é um espaço desumano, onde elas são mortas, estupradas, mutiladas e onde são expostas à fome, à doença e ao ódio.

Crianças são utilizadas como soldados em vários paises asiáticos, em partes da América Latina, da Europa e do Oriente Médio, mas é na África que o problema é mais assustador. Calcula-se que haja no continente africano cerca de 100 mil crianças (algumas delas com apenas 9 anos) fazendo parte de conflitos armados. Em 2005, pelo menos 60 paises continuavam recrutando crianças entre 16 e 17 anos para seus exércitos, em tempos de paz. Entre eles se encontravam a Austrália, Áustria, Azerbaijão, Bangladesh, Canadá, Cuba, Índia, Iran, Jordânia, Paises Baixos e a República Democrática Popular da Coréia do Norte. Em Turquemenistão, a idade mínima para o recrutamento, tanto voluntário como forçoso baixou de 18 para 17 anos em 2002 e, segundo a pesquisa, a China também reduziu, em 2003, para 17 anos a idade de recrutamento em Pequim.

As crianças soldados estão associadas a grupos políticos armados de diversas naturezas, elas atuam em nove diferentes situações de conflito. Foi provado que elas integram grupos armados de 24 países e 26 exércitos. Elas têm, geralmente, entre 14 e 18 anos e muitas vivem em regiões assoladas pela guerra, onde as estruturas familiares, sociais e econômicas já encontram-se completamente desestruturadas. Investigações mostram que inúmeras dessas crianças são recrutadas à força por grupos armados, mas também muitas se alistam “voluntariamente”.[4]

Tabela 2. Países onde crianças foram recrutadas e usadas por paramilitares, milícias, forças de defesa civil ou grupos armados, ligadas ou apoiadas pelo governo.


* Chade
* Colômbia
* Côte d’Ivoire
* DRC
* India
* Irão
* Libya
* Mianmar
* Peru
* Filipinas
* Sri Lanka
* Sudão
* Uganda
* Além deles, milhares de crianças e jovens receberam treinamento em competências paramilitares nas milícias do Zimbábue.
Fonte: Child Soldiers Global Report 2008, p.18

Segundo consta no artigo terceiro do Protocolo Facultativo da Convenção sobre os Direitos da Criança (relativo à participação de crianças em conflitos armados), os Estados que permitirem o recrutamento voluntário em suas forças armadas nacionais de menores de 18 anos, deverão estabelecer medidas de salvaguarda que garantam, no mínimo, que: esse recrutamento seja autenticamente voluntário e que ele se realize com o consentimento informado dos pais ou das pessoas que tenham sua custódia legal; além disso, esses menores devem estar plenamente informados dos deveres que presumem esse serviço militar e devem apresentar provas seguras de sua idade antes de ingressarem no serviço militar nacional.

Como mostram as pesquisas, há muitos fatores que explicam as motivações para um recrutamento voluntário, mas talvez o mais significativo deles seja a consciência que estes adolescentes têm de que provavelmente a única maneira de sobreviverem à guerra seja, justamente, alistarem-se. Eles também se unem aos combatentes com desejo de vingarem-se, depois de verem com seus próprios olhos, suas famílias sendo torturadas e assassinadas por grupos armados ou forças do governo. Outros se alistam, simplesmente, pela falta de oportunidades para trabalharem ou estudarem. Junto a tudo isso, há também o desejo de adquirir reconhecimento social ou cederem a pressão de familiares ou amigos para alistarem-se por razões ideológicas e políticas, de forma a honrarem a tradição familiar.

Tabela 3. Governos que usaram crianças em conflitos armados entre abril de 2004 e outubro de 2007:

* Chade
* República Democrática do Congo (DRC)
* Israel
* Mianmar
* Somália
* Sudão e Sudão do Sul
* Uganda
* Iémen
* Além deles, o Reino Unido mobilizou menores de 18 anos para o Iraque, onde eles foram expostos a riscos e hostilidades.
Fonte: Child Soldiers Global Report 2008, p.16

Em pelo menos 14 países, jovens foram recrutados nas forças auxiliares vinculadas com os exércitos nacionais, nos grupos de defesa civil criados para apoiar as operações de contra insurgência, ou nas milícias ilegais e grupos armados que os exércitos nacionais utilizam (ver tabela 2 e 3). Em alguns paises, crianças soldados que se renderam ou escaparam foram encarceradas por forças governamentais, ao invés de ajudá-los a regressarem às suas famílias e às suas comunidades. Os EUA, apesar de não enviarem menores de 18 anos para as guerras que ajudam a promover, figuram entre os paises que maltrataram ou torturaram menores suspeitos de terem se associado com grupos armados juntamente com Burundi e Israel.

[1] A Coalizão internacional tem sede em Londres e suas organizações membros são, entre outras, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch. Ela também mantém vínculos ativos com a Cruz Vermelha e a UNICEF e a Organização Internacional do Trabalho.
[2] www.unicef.org
[3] “Factbox-Hot spots of child soldier recruitment,” Reuters. 31 July 2007. Disponível em: http://www.alertnet.org/thenews/newsdesk/L31815027.htm.
[4] Child Soldiers Global Report 2004


Fonte: Suzanna Rosas Ribeiro Ferreira. Especial para o Blog

segunda-feira, abril 06, 2009

Política Internacional

Este blog possui uma defasagem na abordagem de temas internacionais. Algumas vezes me esforço para criar posts sobre o assunto, mas não temos muitos registros contundentes sobre o tema. Pensando nisto fiz um "convênio familiar" com minha irmã caçula que nos emprestará alguns textos sobre temas internacionais, enriquecendo a qualidade da leitura de todos e agregando valor intelectual a este blog.

Suzanna Rosas Ribeiro Ferreira (a irmã!) tem 31 anos, é graduada em Sociologia pela UNESP de Araraquara, onde se especializou no estudo de antropologia cultural. Atualmente é mestranda em Antropologia Cultural pela Universidade de Coimbra, em Portugal. A Profa. Suzanna começará nos oferecendo um artigo (que eu dividirei em duas partes) sobre as crianças-soldado, um problema humanitário gravíssimo. Por maior que sejam as campanhas de países e organizações humanitárias contra a exploração da infância nos conflitos armados, os resultados ainda não são animadores.

Outro tema que gostaria de apresentar e discutir com vocês é a crise entre a Coréia do Norte e a comunidade internacional, principalmente o Japão. Estou buscando textos interessantes sobre esta crise e assim que encontrar, postarei para vocês!
atualizado em 08/04

segunda-feira, março 16, 2009

Escolha o Emprego dos Sonhos: Os dois pagam bem e você não terá grandes dificuldades para executar as tarefas necessárias!


Acima, a sede da AIG em Nova York e abaixo a Ilha de Hamilton.



Basta Escolher o Melhor "Escritório" e depois é partir para o abraço!
Leia o texto abaixo, pois ele poderá ajudá-los a escolher a melhor opção!

Mandei meu Currículo Para a AIG!

Há pouco tempo atrás um anúncio apresentava uma oferta de emprego para zelador da Ilha de Hamilton, na Austrália. O trabalho me parece duro, pois o candidato terá que se divertir bastante, tomar muito sol, nadar, velejar, conversar com os visitantes da ilha e mergulhar. Depois terá que contar para o mundo todo, por meio de um site, como é essa vida de muito trabalho. O salário é de cerca de US$ 100 mil (mais de R$ 232 mil) por seis meses e inclui passagens aéreas gratuitas. Mais de 18 mil pessoas de 200 países se inscreveram para concorrer à vaga numa demonstração clara de como as pessoas são abnegadas e trabalhadoras! Desses 18 mil, 50 foram foram pré-selecionados e as próximas etapas da seleção incluem 11 finalistas que foram levados para a ilha para fazer entrevistas, sendo que o feliz contratado será anunciado no dia 6 de maio.

Mas para quem perdeu esta vaga de ouro eu apresento uma nova oportunidade de emprego, em que além de não fazer nada, destruir a reputação de sua empresa, desvalorizar suas ações, praticamente quebrar a companhia toda e criar um prejuízo de 100 bilhões de dólares em 2008, você poderá ainda receber bônus milhonários de 165 milhões de dólares! Sim, este emprego existe e fica na AIG Seguradora!!!

A notícia está estampada em praticamente todos os jornais do mundo. A seguradora AIG, a mesma empresa que precisou de US$ 180 bilhões de empréstimos do governo norte-americano, vai pagar US$ 165 milhões em bonificações a executivos.

O presidente Barack Obama, escandalizado como qualquer outro americano, tentará impedir por todos os meios legais que o bônus seja distribuido aos executivos da empresa, boa parte deles envolvidos nas estratégias que levaram a companhia ao prejuízo récorde. "Isto é um insulto injustificável aos contribuintes", disse Obama durante a apresentação de um plano para empréstimos a pequenas empresas em Washington. Ainda segundo o jornal O Estado de São Paulo, Barack Obama afirmou que "Não é uma questão de dinheiro. É uma questão de princípios".

A empresa - que recebeu US$ 173 bi em recursos estatais para não falir - deve pagar US$ 165 milhões a seus executivos. Segundo a seguradora, os bônus estão previstos em contrato.

Ontem, O executivo-chefe da AIG, Edward Liddy, disse em uma carta dirigida ao secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, que o pagamento aos funcionários da unidade de serviços financeiros - cujos problemas provocaram perdas substanciais para a seguradora - vencem neste domingo e acrescentou: "francamente, a AIG está de mãos atadas".

Liddy escreveu na carta que os pagamentos aos empregados da unidade de produtos financeiros são "obrigações legais" da AIG e afirmou que há "consequências legais e empresariais graves caso (os bônus) não sejam pagos." "Eu não gosto destes acordos e acho difícil recomendar que prossigamos com eles", afirmou, acrescentando que, no entanto, "honrar os compromissos contratuais é a base do que fazemos no ramo de seguros".

O governo colocou Liddy no comando da AIG em setembro, como uma das condições para que a empresa recebesse os recursos federais. Em troca do resgate, os contribuintes norte-americanos receberam uma participação de quase 80% na empresa.

Ele também escreveu que a AIG "não pode atrair os melhores e mais brilhantes talentos se os funcionários acreditarem que a remuneração está sujeita a ajustes arbitrários do Departamento do Tesouro dos EUA".

Ainda no domingo, a AIG divulgou os nomes de seus credores que receberam cerca de US$ 75 bilhões do dinheiro injetado na seguradora pelo governo americano. Estão entre eles Goldman Sachs, Societe Generale, Deutsche Bank, Merrill Lynch, Morgan Stanley, Bank of America e Barclays. A maior parte dos pagamentos foi feita no último trimestre do ano passado para honrar perdas adquiridas com a crise do subprime."

Com texto do Jornal "O Estado de São Paulo".

domingo, março 15, 2009

Leitura Amena Para um Domingo

Desde as primárias, passando pelas eleições, até a posse do presidente Barack Obama, publiquei alguns posts com matérias da imprensa e um ou outro texto escrito por mim. Depois de alguns meses volto a publicar um texto, agora pós-festa de posse, com um tema que considero importante: as relações bilaterais entre Brasil e EUA.

O tema é sério e suscita muito debate e boas reflexões. Mas até que algo de realmente concreto seja realizado entre os dois países (as propostas são muitas) deixo um registro leve sobre o primeiro encontro ocorrido entre os colegas dos dois países. Voltarei ao assunto assim que as palavras começarem a se transformar em gestos mais concretos e importantes do que uma sacudida "de leve" no ombro de Lula.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Texto: Patrícia Campos Mello

A informalidade brasileira contagiou a Casa Branca e um encontro que deveria durar uma hora e vinte se estendeu por quase duas horas. "Desculpe por dar uma resposta tão comprida", disse Obama no início da entrevista coletiva. Mal sabia ele o que o esperava. "Não tem problema, na América Latina não nos assustamos com quem fala muito, todos falamos muito", avisou Lula.

O clima foi marcado por piadas e descontração, ainda que Obama parecesse um pouco angustiado com as respostas mais alongadas de Lula. A visita do ex-presidente George W. Bush ao Brasil, em 2007, ficou marcada pela frase infeliz de Lula: "Chegamos ao ponto G de nossa relação". Desta vez, a gafe marcante foi a do "pepino". "Digo ao povo do Brasil que estou rezando mais para Obama do que para mim mesmo, porque com apenas 40 dias de mandato, ele já pegou um pepino desses", disse Lula, diante de risadas gerais, em pleno Salão Oval. "Você deve ter falado com a minha mulher ultimamente", brincou Obama.

Na entrevista coletiva, o presidente americano saiu do protocolo e continuou respondendo a perguntas de repórteres brasileiros. A entrevista foi chamada de "maratona de 34 minutos de oportunidade para fotografias" pela equipe de jornalistas setoristas da Casa Branca, o "White House Corps". Obama disse que não vê a hora de ir para o Brasil. Perguntado sobre datas, afirmou: "Não sei, mas porque eu cresci no Havaí, acho que é muito importante eu ir pelo menos ao Rio, onde ouvi dizer que as praias são lindas." E a visita pode começar por Manaus, como dizem os boatos? "Adoraria viajar para a Amazônia, mas tenho impressão de que o Partido Republicano adoraria que eu fosse para a selva e talvez me perdesse por lá", brincou, em uma referência ao presidente Teddy Roosevelt, que quase morreu em uma malsucedida expedição à Amazônia, em 1912.

Informado por uma repórter de que as pessoas no Brasil gostam muito dele, Obama disse. "É, ouvi dizer que tenho alguns amigos no Brasil", respondeu. "E eu podia ser brasileiro, absolutamente", disse referindo-se a sua herança mestiça.

Lula ganhou de Obama uma "Constitution Box", uma caixa decorativa em cujo redor há trechos da Constituição americana. O brasileiro deu a Obama um prisma de pedras brasileiras. Na hora de se despedir, o americano pegou nos ombros de Lula e o sacudiu de leve, sorrindo, antes de o presidente brasileiro entrar em uma limusine.

quarta-feira, março 11, 2009

Viajando na Maionese... em Todos os Sentidos

Dizem que muita gente no governo federal viaja na maionese. O problema é que essa turma não viaja só na maionese, mas também em jatinhos e aviões de carreira, hospedam-se em hotéis e alugam carros.

Com ou sem crise financeira as empresas em todo o mundo têm investido fartos recursos para diminuir os custos com deslocamentos desnecessários. O uso de vídeo-conferência, tele-conferência e outros recursos tecnológicos vêm baixando os valores utilizados para o pagamento de passagens aéreas, as quais sempre estão vinculadas a diárias de hotel e estorno de valores gastos com refeições, táxis etc.

Entretanto esta lógica só funciona para o setor privado, pois o setor público continua se esbaldando não só com os cartões corporativos, apesar da forte redução dos gastos com este item, mas principalmente com as passagens aéreas.

Quanto o Estado brasileiro deve gastar para levar seus ministros, oficiais militares, secretários, assessores, diretores e demais funcionários para os encontros e reuniões em todas as partes do país? Já se sabe de antemão que não é pouco, afinal o Brasil é um país com território imenso, mas sejamos razoáveis. Duzentos milhões de reais em passagens aéreas parece muito. Mas para tentarmos ser realistas devemos jogar os gastos para um patamar próximo de oitocentos milhões de reais ao ano.

Pois em 2008 o estado brasileiro gastou com passagens aéreas e diárias em hotéis R$ 1,4 bilhão. Vale a pena repetir: um bilhão e quatrocentos milhões de reais em viagens ao longo de 2008. Só o Poder Executivo gastou R$ 1,2 bilhão, enquanto que os Poderes Legislativo e Judiciário gastaram R$114,5 milhões e R$ 90 milhões respectivamente. Tem alguma coisa errada. Sabemos que na cultura brasileira o dinheiro público não é o dinheiro de todos, mas sim, o dinheiro de ninguém. Deve ser por isso que se gasta tanto em viagens, sendo que boa parte delas seguramente poderia ser evitada com o investimento em recursos tecnológicos de comunicação telepresencial.

Se as empresas conseguiram e conseguem reduzir entre 30 e 50% seus custos em deslocamentos porque o Estado brasileiro não pode fazer o mesmo? Vale considerar que o simples fato de determinar planejamento na compra de passagens já é um fator de economia. Basta que um bilhete seja comprado com 1 mês ou até 15 dias de antecedência e uma pequena, porém importante economia terá sido feita.

Tecnologia, planejamento e bom senso são as ferramentas que a iniciativa privada utiliza para gastar menos e melhor. Entretanto, nesta lista, o bom senso vem em primeiro lugar e sendo este o pré-requisito para a diminuição de custos, os gastos com deslocamentos do Estado brasileiro em 2009 deverão aumentar, mesmo que seja para encontros que são... assim... uma viagem!

sexta-feira, março 06, 2009

Para Entender o Retorno de Collor

Muita gente pode tentar encontrar um adjetivo para definir o "retorno" de Fernando Collor: vergonha, volta ao passado, falta de memória... Em minha opinião não é nada disso. Vamos por partes.

Em primeiro lugar existem dois erros conceituais nas inúmeras matérias que citam o "retorno" de Collor:
1- Collor nunca saiu de cena e
2- Collor já estava em cena desde que fora eleito para o Senado.

Vamos aos pormenores.
1- Collor nunca saiu de cena e quem nunca partiu não tem como retornar. Quando Collor sofreu o processo de impeachment e renunciou ao mandato, seu nome permaneceu nas notícias, em reportagens especiais, nos artigos políticos, nas bancas de monografias, TCC´s, mestrados e doutorados. Ainda que tenha saído por algum tempo da grande mídia, seu nome continuou a ser importante para aquele pedaço de terra bonito chamado Alagoas. Sua família, poderosa e dona de meios de comunicação importantes, manteve o "brilho" do político e pôde defender a tese de que, após a decisão da justiça inocentando o ex-presidente pela acusação de corrupção passiva, o impedimento pelo qual passou vinculava-se muito mais a uma perseguição política do que a um caso de polícia.

Da tragédia política veio a tragédia pessoal, principalmente com a morte de sua mãe, Leda, que fora uma figura central em sua vida e formação. Seu "exílio" em Miami representou o período de maior ostracismo, mas enquanto curtia a vida com Rosane Collor, entre uma marguerita e outra, o ex-presidente jamais deixou de acompanhar a cena política nacional, que incluía a ascensão política de FHC, o fortalecimento da democracia no país, o equilíbrio econômico gerado pelo Plano Real, bem como os primeiros sinais das mudanças de rumo da oposição, que levariam mais tarde o atual presidente Lula, ao seu primeiro mandato.

Fernando Collor também acompanhou de longe o retorno dos sinais exteriores de riqueza de seus antigos companheiros, que voltaram à cena mostrando que tinham capacidade financeira de sobra para investir em novos negócios como agências de turismo, boates, propriedades, concessionárias de veículos importados e até jornais. Como se vê, a corrupção rendeu frutos para toda aquela turma muitos anos depois e ainda por muito tempo.

Sua primeira tentativa de retorno à política (ainda com os direitos cassados) foi em uma tosca campanha pela prefeitura da cidade de São Paulo. Mais tarde, em 2002, Collor tentaria o cargo de governador do estado de Alagoas, eleição que perdeu em primeiro turno para Ronaldo Lessa.

2- Collor já estava em cena desde que fora eleito para o Senado.
Após sua derrota na campanha para o governo do estado de Alagoas, o ex-presidente manteve sua agenda política e reforçou posições em diversos pontos do estado. O resultado de sua persistência apareceu de maneira memorável, quando pôde dar o troco em Ronaldo Lessa, sendo eleito, em 2006, na disputa por uma cadeira no Senado, cujo mandato de oito anos começou em 2007.

Portanto, dizer que Collor "retornou" não me parece muito correto. Para ser mais preciso, o senador Fernando Collor "reforçou" a sua posição ao assumir um dos cargos mais importantes do Senado, o de presidente da Comissão de Infraestrutura, por onde passam, por exemplo, todos os projetos do PAC.

Resta-nos analisar qual o significado desse "reforço" em sua posição política e como isso pôde acontecer em uma Casa dominada pelos partidos que formam a base aliada do governo. É claro que Collor não é um opositor de Lula; suas declarações e votações deixam isso bem claro. Mas Collor não gosta do PT e vencer a senadora Ideli Salvatti certamente deve ter gerado um certo prazer todo especial.

O nome que está por trás de todo esse processo é um só: José Sarney. Ele de novo. Mas o articulador do processo sem dúvida alguma é Renan Calheiros. Como se vê, os brasileiros estão muito bem representados: Fernando Collor, José Sarney e Renan Calheiros.

No período em que se discutiam as alianças para eleger o novo presidente do Senado o cálculo para obter os votos necessários passavam, também, por Fernando Collor. O compromisso firmado solucionaria vários interesses do PMDB, que incluiam a eleição de Sarney e a tomada de poder, ainda que indiretamente, de postos fundamentais para o funcionamento da Casa.

Do ponto de vista institucional, os inúmeros arranjos vem gerando a paralização dos trabalhos do Senado, que há muito não discute matérias importantes para o país. Do ponto de vista macro político, ainda é cedo para saber se o ex-presidente Collor, agora ocupando um cargo de destaque, fará alguma diferença para o cenário nacional e quanto de energia ele possui para tentar superar a própria biografia.

terça-feira, março 03, 2009

A Cadeia Produtiva do Carnaval

Todo mês de fevereiro eu adoro escrever posts avacalhando o carnaval.

Trata-se de um esporte.

É que pessoalmente não gosto da festa. Acho repetitiva, chata, com sempre as mesmas personagens (vide post abaixo), perigosa, tumultuada e impositiva no sentido em que para aqueles que a detestam, são obrigados a ficar à mercê da mídia que não para de veicular os mais bizarros aspectos da festa (vide post abaixo novamente!). Eu quero é paz.

Mas como muitos (muitos não, alguns) alunos e ex-alunos costumam ler este blog é evidente que necessito deixar meu esporte de lado e oferecer informações e/ou análises que possam enriquecer o processo de reflexão sobre nossa cultura e política.

Independentemente das implicâncias pessoais, é importante considerar a importância da festa sob diferentes aspectos. Destaco aqui parte dos resultados de uma pesquisa sobre a cadeia produtiva do carnaval no estado do Rio de Janeiro. A pesquisa será desenvolvida pelo Sebrae em parceria com a Associação Comercial do Rio de Janeiro. Seu coordenador, o economista Luiz Carlos Prestes Filho respondeu a algumas entrevistas adiantando números gerais que impressionam.

Apesar de alguns números serem divergentes, o carnaval carioca emprega 300 mil pessoas e representa um ingresso de pouco mais de 1 bilhão de reais na economia da capital do estado. Meus ex-alunos já estudaram o significado de uma cadeia produtiva, que pode ser entendida como uma rede de inter-relações entre produtores de um mesmo sistema industrial. Por meio do estudo de cadeias produtivas é possível identificar as etapas e fluxos existentes entre produtores que se relacionam por meio de trocas comerciais e de serviços, desde a matéria-prima até o consumidor final.

No caso do carnaval especificamente estamos falando sobre os carnavalescos, produtores, escultores, marceneiros, distribuidores, músicos, produtores de espetáculos e shows, soldadores, maquiadores, publicitários, dentre dezenas de outros profissionais. Apenas para exemplificar a importância do estudo da cadeia produtiva do carnaval, vale ilustrar o caso das bordadeiras. No município de Campos, interior do Rio de Janeiro, existem cerca de 740 bordadeiras que em 2008 produziram mais de 70 milhões de peças de bordado utilizadas tanto para o Carnaval brasileiro quanto para os mais de 900 eventos carnavalescos espalhadas pelo mundo todo. O ingresso de recursos proveniente do trabalho dessas bordadeiras representa 4,5% do PIB do município e considerando as grandes indústrias petroquímicas instaladas na cidade, esse número é fabuloso.

Toda essa produção ocorre sem que a prefeitura de Campos tenha uma política pública destinada a aumentar o mercado dessas produtoras, criar uma marca própria e oferecer condições para que elas produzam mais e ainda melhor.

Se somarmos a produção bruta de materiais para utilização na festa ao inúmeros rendimentos provenientes dos direitos autorais de produtores de música, para dar um exemplo, a cadeia produtiva do carnaval carioca mostra toda uma diversidade capaz de agregar valores econômicos ao estado não somente no período dos eventos, mas ao longo de todo o ano.

Segundo a agência de notícias do Sebrae, "apesar de fazer o maior carnaval, o maior réveillon e o maior festival de rock do mundo, além de abrigar a maior cidade cenográfica (o Projac, da Rede Globo), o Rio de Janeiro sofre com a falta de investimentos e de políticas públicas para garantir o desenvolvimento em diversos segmentos da chamada indústria cultural, especialmente no gráfico, editorial e fonográfico. A análise é feita por Luiz Carlos Prestes Filho, coordenador das pesquisas sobre economia cultura, cadeia da música e indústria do carnaval."

Outro dados interessante é o cálculo do ingresso de recursos financeiros por meio do ICMS da indústria gráfica carioca, a qual vem perdendo milhões de reais todos os anos para a indústria paulista, que se transformou em exportadora de serviços e produtos para o Rio de Janeiro.

O estudo deve revelar detalhes de todo esse processo e certamente será usado pelos governos estadual e municipal para que políticas públicas possam ser criadas com o obejtivo de incrementar ainda mais a riqueza e a criação de postos de trabalho diretamente vinculados com o carnaval.

Fontes: CBN/Sebrae/Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro.

segunda-feira, março 02, 2009

Sarney, Luiza Brunet, Passistas e Sambistas

Não é que discorde das inúmeras críticas que resmungam da falta de opções no senado brasileiro que elegeu, pela terceira vez, o ex-presidente da República, José Sarney para ocupar o cargo de Presidente daquela Casa.

Sarney tem muita história e é um símbolo da política brasileira, mas desta vez não vou discutir se o símbolo é bom ou ruim. É claro que tenho a minha opinião, mas no momento tratarei de outro aspecto porque o tema deste post é Carnaval.

Tradicionalmente eu dedico um post a cada fevereiro para este tema tão importante para a cultura nacional, esta festa que nos marca enquanto civilização, que nos diferencia e que se transforma na representação simbólica e dialética de uma raça única, distinta e distante de todas as outras. Sim, eu detesto Carnaval.

As vezes fico imaginando o Bonner, deitadinho de pijama ao lado da Fátima, vestindo sua meinha soquete para abrigar o pezinho resfriado pelo ar-condicionado do quarto do casal. Ele preocupado confessando, baixinho, no escuro, que não suporta mais dar notícias sobre Carnaval porque são sempre os mesmos temas:

- a rainha da bateria com suas variações: dietas, treinamento, ensaios no galpão.
- os carnavalescos com suas variações: técnicas, inspirações, ensaios no galpão.
- o público com suas variações: compra de ingressos, decoreba das letras dos sambas, ensaios nos galpões.
- as escolas com suas variações: temas, sambas-enredo, preparativos, ensaios nos galpões.
- os anônimos (haaa... essa eu adoro... sempre tem matérias sobre os anônimos) com suas variações: o trabalho árduo nos carros alegóricos, a economia para comprar a fantasia e os ensaios nos galpões.

Bem... e por aí vai. Depois tem sempre aquela matéria em que o jornalista, por melhor que seja, começa a frase mais ou menos assim: “por enquanto o único barulho dos galpões é este” (então corta a cena da imagem dele e aparecem as pessoas martelando, soldando, costurando, serrando... e volta para o repórter), “mas daqui há 1 semana o som será este” (daí começa aquele TumTum, BaticumDum, Ziriguidum!), enfim, que chato.

Nada tira da minha cabeça que lá no íntimo, no escurinho do quarto, os dois não vertam lágrimas quando se dão conta de que terão que iniciar as matérias sobre o Carnaval Globeleza. Nada contra, atenção. Eu sou um admirador desse casal e acho que eles são o que de melhor existe em termos de jornalismo para as massas. Não sou daqueles que pregam o fim da Rede Globo, a vilã que representa todo o mau... eu heim, para mim todo o mal não está na Globo, mas lá para os cantos de Brasília, especificamente no Palácio do Planalto.

Bem, mas estou dando voltas e mais voltas e meu objetivo é fazer um contra-ponto às críticas da eleição do Senado com o argumento de que são sempre os mesmos. A pergunta é: porque ninguém reclama dos sempre mesmos chatos que aparecem nos carnavais do Brasil? Será que só existe Chiclete com Banana, Ivete Sangalo e Cláudia Leite? Mas eu simpatizo com o carnaval do Nordeste, primeiro porque ele é mais “genuinamente popular”, apesar dos abadás custarem uma fortuna, e segundo porque ele está mais longe de mim. Agora perigosos mesmo são os desfiles de escolas de samba do Rio e de São Paulo. Haaa, esses são verdadeiras ameaças.

Reparem. As rainhas de bateria são sempre as mesmas, que vivem sorrindo para as câmeras, mas na verdade fazem verdadeiros conchavos políticos (tantas vezes piores do que os de Brasília), para ocupar o posto tão almejado. Fora as dietas absurdas e as plásticas infernais, mas daí é problema delas né, não meu. De qualquer forma o processo é longo e elas se engalfinham para mostrar o bumbum para os fotógrafos. Eu fiz uma pesquisa, ou melhor, um pequeno levantamento estatístico e posso comprovar a proporção de distribuição das vagas:

- 30% são atrizes bonitonas;
- 10% são namoradas e/ou amantes de alguém considerado importante: um presidente de escola, traficantes, ou pagodeiros ou tudo isso juntos (este post é uma brincadeira para entreter o leitor, mas não pensem que o narcotráfico também não financia a festa!);
- 30% são ex-capas da Playboy;
- 5% participaram de alguma edição do BBB;
- 20% são modelos;
- 5% são da “comunidadii”

Observem então as entrevistas das “celebridades” nos ensaios dos galpões. Sempre os mesmos. Sempre as mesmas perguntas e respostas idênticas às que foram fornecidas no Carnaval passado. Não seria mais fácil colocar o video tape do Eri Johnson, da Viviane Araújo, do Zeca Pagodinho e de tantos outros respondendo as mesmas perguntas do ano passado? E o pior são aquelas entrevistas que sempre terminam com um: “Escola de Tal na Cabeeeeçaaaaaaa” ou, “Escola de Tal arrebentandôôôôô... U-Huuuuu”. Fora o “Vamu ganhá Vamu Ganháááá!”.

Tenho certeza de que cronistas talentosos e engraçados já publicaram críticas sobre este mesmo aspecto que eu estou fazendo neste blog. Mas se na política são sempre os mesmos, nos Carnavais são sempre os mesmos, porque eu não posso abordar sempre os mesmos temas?

Com tamanha repetição eu definitivamente nem consigo mais ver graça alguma na Luiza Brunet, objeto de meus desejos mais íntimos ao longo de minha adolescência, transformada em meu pesadelo mais nítido nas transmissões do Carnaval.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Possíveis candidatos à sucessão de Lula têm blogs 'de campanha'

Leiam matéria interessante enviada pela Luciana Lima, uma amiga jornalista que me indicou a leitura, que agora publico para vocês.

Fonte: Diário do Grande ABC
Data: 25/02/2009


A campanha para a disputa pela sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está na rede. Os três candidatos mais bem posicionados nas pesquisas - a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef (PT), e os governadores tucanos Aécio Neves e José Serra - possuem blogs alimentados por seus admiradores.

O site de Dilma (http://dilma13.blogspot.com), constantemente atualizado, tem um editor, Daniel Pearl. Na opinião dele, o uso da internet nas campanhas eleitorais é "fundamental". "Muito políticos não perceberam que fazer política como antigamente cansou o eleitorado. O eleitorado quer atenção, interação, resposta para seus questionamentos, quer solução rápida", afirmou no blog.

O blog do movimento "Quero Serra presidente" (http://euqueroserra.blogspot.com), possui uma enquete para decidir quem seria o futuro candidato a vice em uma chapa encabeçada pelo governador de São Paulo. Entre as opções estão os senadores Arthur Virgílio (PSDB), Mão Santa (PMDB) e o próprio governador Aécio Neves (PSDB).

A página de Aécio Neves (http://aeciopresidente.blogspot.com) é a menos atualizada. O último "post" data de novembro de 2008. O blog mostra basicamente notícias sobre as realizações de Aécio à frente do governo do Estado de Minas Gerais e informações que dão conta que ele irá permanecer no PSDB, mesmo com o convite feito pelo PMDB para ele se filiar ao partido para concorrer à presidência em 2010.

Segundo informação do site Congresso em Foco, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) permite campanhas eleitorais apenas em julho de 2010, depois das escolhas dos candidatos pelas convenções partidárias.Opinião - Os pré-candidatos a presidente da República correm o risco de ferir a legislação quando permitem a propaganda eleitoral antecipada em blogs mantidos por terceiros. Na opinião do ministro Marco Aurélio Mello, ex-presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ouvido pelo Congresso em Foco, a publicidade relacionada à disputa de 2010 está proibida. Não importa se os blogs de divulgação das candidaturas sejam feitos por eleitores ou simpatizantes de forma não-oficial.

De acordo com Marco Aurélio, o impedimento desse tipo de propaganda se torna necessário porque "ficaria muito fácil" para os candidatos argumentarem à Justiça Eleitoral que uma terceira pessoa estaria fazendo sua campanha de forma antecipada. "O ato do terceiro repercute na caminhada dele", afirmou Marco Aurélio, que é ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Zimbabue: 1 trilhão por cento de inflação

Ele gosta de culpar o imperialismo europeu por todos os males do país. Se a economia registra 1 trilhão por cento de inflação anual a culpa é dos europeus. Se no interior do país as pessoas comem ratos para matar a fome, os responsáveis são novamente os europeus neo-liberais. A cólera, transformada em uma epidemia que matou mais de 4 mil pessoas, também é culpa dos europeus, especificamente dos britânicos que utilizaram a doença como uma “arma bacteriológica” para justificar uma invasão ao país, segundo afirmação do ministro da Informação do país.

Apesar da retórica, o Zimbabue, país que viveu 100 anos sob o domínio da coroa britânica, vem sofrendo nos últimos anos o maior malefício que qualquer nação pode sofrer. Seu nome é ditadura.

Sob o regime de Robert Mugabe, um antigo herói nacional alçado ao poder pela revolução, o Zimbabue bate sucessivos récordes negativos em sua história. Conhecida como a “Suiça da África”, bastaram 30 anos de governo para que o sistema de educação e saúde, dentre os melhores de todo o continente, se transformasse em algo parecido com um “nada”. A agricultura está esfacelada e ¼ da população fugiu do país para tentar a sorte em qualquer outro lugar.

MUGABE
Em janeiro de 1980, 200 mil pessoas se juntaram no bairro negro de Highfield para ouvir o revolucionário Robert Mugabe que voltava do exílio. Naquele tempo, o Zimbábue se chamava Rodésia e a capital era conhecida como Salisbury. Com um discurso conciliador, ele prometeu tolerância racial para um povo que viveu 100 anos sob o colonialismo britânico e outros 15 debaixo do porrete do regime racista de Ian Smith.

A promessa pôs Mugabe na lista de favoritos ao Prêmio Nobel da Paz e os diplomatas estrangeiros passaram a se referir ao Zimbábue como a "Suíça da África". O país exportava trigo, tinha boas estradas e o melhor sistema educacional do continente.Hoje, 30 anos depois, o arauto da esperança virou o homem mais odiado da África. Com uma inflação de 1 trilhão por cento ao ano e uma epidemia de cólera que já matou mais de 4 mil pessoas, muitos zimbabuanos estão comendo ratos para sobreviver em aldeias no interior.

GUERRA BACTERIOLÓGICA
O ministro de Informação Sikhanyiso Ndlovu acusou o governo britânico de usar deliberadamente a cólera como arma de "guerra bacteriológica" para justificar uma invasão militar no Zimbábue, informou ha cerca de dois meses o jornal governamental The Herald. A ruína do país se confunde com história de Mugabe. Assim como outros líderes africanos, ele é produto da lógica missionária européia. Filho de um carpinteiro e de uma professora de catecismo, ele cresceu em uma aldeia jesuíta e estudou em colégio católico. A educação rigorosa o manteve longe do cigarro e da bebida - até hoje. Na adolescência, a disciplina jesuítica lhe rendeu uma bolsa para estudar arte na Universidade Fort Hare, na África do Sul, onde foi apresentado ao marxismo e às idéias de Mahatma Gandhi, modelo dos nacionalistas africanos - mais tarde ele ainda receberia diplomas de administração, educação e direito, todos por correspondência.

Mugabe deu aulas em Gana, onde foi contagiado pelo anticolonialismo dos anos 50. De volta à Rodésia, em 1960, ele se envolveu em partidos políticos negros, que se se tornaram guerrilhas depois que os brancos fizeram a independência, em 1965. A guerrilha rodesiana refletia a divisão do país. No sul, vivem os ndebeles, que são 25% da população. O norte é dominado pelos três quartos restantes de etnia shona, grupo do qual Mugabe tornou-se líder. Em 1986, a rivalidade foi a razão do massacre de 20 mil ndebeles por agentes do governo.

Para analistas, a chance de ser julgado por genocídio em um tribunal internacional é a razão pela qual Mugabe não deixa o poder. Aos poucos, a lua-de-mel dele com o Zimbábue chegou ao fim.

Para manter o regime de partido único, ele precisou construir uma base de poder, transformando o governo em um cabide de empregos onde a corrupção corre solta. O exemplo mais emblemático ocorreu em 1993, quando a empresa francesa Aéroport de Paris venceu a concorrência para construir o aeroporto de Harare. A licitação foi cancelada por Leo Mugabe, sobrinho do presidente, que entregou o projeto de US$ 80 milhões para uma firma do Chipre que pertencia a Hani Yamani, um milionário saudita - anos depois, Yamani disse que gastou US$ 3 milhões em suborno para membros do governo. Questionado sobre o caso, Mugabe disse que a corrupção era a chave para o controle do governo.

Na prática, com o setor privado reduzido, a única fonte de renda da população passou a ser o Estado. Outra tática para se manter no poder é tirar uma carta da manga sempre que está ameaçado. Em 2000, ele incentivou a invasão de fazendas de agricultores brancos. As terras foram distribuídas entre aliados, a maioria da elite de Harare que não sabe o que fazer com as propriedades. A agricultura entrou em colapso, mas a culpa foi outra vez colocada nas costas do imperialismo europeu. O problema de Mugabe é que as terras acabaram e não há mais brancos para expulsar. Um quarto da população já deixou o país. "Ele está ficando sem opções", disse ao jornal O Estado de São Paulo Judy Smith-Höhn, do Instituto de Estudos de Segurança de Pretória, na África do Sul.

Para ela, o regime de Mugabe desafia a lógica. "É incrível como ele se sustenta mesmo sem oferecer os serviços mais básicos."

A história recente do Zimbabue, contada aqui com fontes que pesquisei na Editora Abril, no Jornal O Estado de São Paulo e no site oficial do país, servem como uma referência histórica importante para entendermos melhor os impactos de políticas antidemocráticas em nações que poderiam ser bem melhor sucedidas caso preceitos como liberdade, livre escolha, eleições limpas e alternância de poder fossem prioridades. Não estou criando paralelos enre Zimbabue e Venezuela (citada no post abaixo), mesmo porque não acredito (por diversas razões: econômicas, estruturais e sociais) que o país sulamericano terá o mesmo fim, ainda que seja um alerta para reafirmar que inexistem ganhos econômicos e sociais para os povos que vivem sob ditaduras de quaisquer aspectos e posições ideológicas.

Chavez venceu mais uma contra o Imperialismo Americano!

Agora a “ditadura eleitoral” (esta nova modalidade), tem o caminho aberto para transformar a Venezuela definitivamente na mais nova ditadura da América Latina. Hugo Chavez, tornado elegível por tempo indeterminado, destruiu um dos elementos mais fundamentais das democracias: a alternância de poder.

O líder da Venezuela foi beneficiado pelo uso das reservas econômicas nacionais, as quais permitiram ao governo manter a estratégia de investimento nos programas sociais, fazendo com que a população não sentisse os efeitos da forte queda dos preços do barril do petróleo, principal fonte econômica do país. Além disso, utilizou todos os meios escusos para combater os partidários do “Não”.

Chavez imagina (e isso de fato deve ocorrer) que os preços do barril irão subir a patamares que ofereçam condições para a manutenção política da chamada revolução bolivariana e isso certamente lhe garantirá muitos e muitos anos no poder.

É estranho presenciar esses momentos históricos em que países fazem escolhas que jamais deram certo em qualquer lugar do mundo. Foi assim com outros países como a Coréia do Norte, o Zimbabue e esta sendo assim com o Equador, a Bolívia e a Venezuela.

Quando estive no ano passado no Equador discuti com uma família de classe média sobre as razões que faziam com que todos apoiassem a reforma constitucional de Rafael Correa, o aprendiz de ditador. Eles diziam que Correa havia feito mudanças radicais na sociedade e que seu poder concentrado não era visto com preocupação, pois as pessoas queriam melhores condições de vida e era isso o que importava. Ao que eu perguntei se conheciam alguma experiência histórica antidemocrática que resultara em benefícios sociais e fortalecimento econômico do país por longos períodos e era evidente que eles não tinham qualquer exemplo para dar.

Com uma boliviana a discussão foi muito parecida, mas o argumento de que Evo Morales nasceu pobre, viveu como um pequeno agricultor que vendia a sobra de sua produção na cidade e que subiu na vida por seus próprios méritos bastavam para justificar quaisquer políticas típicas de um regime de exceção.

Não é o meu desejo que o povo desses países passem por privações de quaisquer natureza, mas vale lembrar que a democracia, com todos os seus pilares que a compõe, ainda é o único sistema que pode proporcionar desenvolvimento econômico e qualidade de vida.

Mas a culpa não é somente daqueles que votam a favor de regimes de exceção ou em ditadores, mas sim do processo histórico que fez com que muitos povos acreditassem que o capitalismo é tão somente um regime de exploração em que o ganho é zero para aqueles que não são detentores dos meios de produção.

Dessa forma, ao explorar até o limite as riquezas e possibilidades de diversas nações, seus habitantes, jogados à margem do processo de enriquecimento econômico, não conseguem vislumbrar outra saída para a melhoria de sua qualidade de vida senão oferecendo oportunidades de reiterar o poder de ditadores e proto-ditadores, ainda que não saibam que o resultado deste processo será infinitamente pior para todos, menos para os líderes e seus asseclas.